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Jordi Savall – Le Royaume Oublié – 2

A ilustração musical da obra The Forgotten Kingdom/Le Royaume Oublié, expressa através da arte trovadoresca, relata a intolerância e perseguição por parte da igreja católica sobre os cátaros, no que se constitui como um compêndio sobre a história do sul da Europa nos séculos XI a XIV. Quem tiver a bondade de ouvir as cerca de duas horas deste vídeo (enquanto permanecer em rede), não dará o tempo por perdido.

Llibre Vermell de Montserrat

El Llibre Vermell (Libro Rojo), es un manuscrito medieval conservado en el Monasterio de Montserrat (Barcelona), que constituye uno de los pilares de la música medieval española. Fue copiado en los últimos años del siglo XIV, y debe su nombre a su encuadernación en terciopelo rojo, hecha a finales del siglo XIX. Contiene una colección de cantos medievales, y otro contenido de tipo litúrgico, que data de finales de la Edad Media.
El propósito con que fue redactado el Llibre Vermell, lo explica con detalle una nota redactada en latín (fol. 22r), en la que se advierte a los peregrinos que debían evitar “las canciones vanas y los bailes poco honestos durante su viaje y estancia en Montserrat”. Cantar y bailar en la iglesia, era una costumbre medieval bien arraigada, frente a cuyos abusos reaccionaron múltiples sínodos y concilios.
Los cantos son en catalán, occitano y latín y son todos de autor desconocido. A pesar de que la colección fue copiada a finales del siglo XIV, la mayor parte de la música se cree que es anterior. Por ejemplo, el motete “Inperayritz de la ciutat joyosa”, posee un texto distinto para cada una de las dos voces, estilo que ya no se utilizaba cuando el manuscrito fue copiado. Via.

O vídeo completo, aqui.

A Cristo Crucificado

Não se sabe quem escreveu este soneto A Cristo Crucificado, impresso pela primeira vez no Libro intitulado vida del espíritu, de Antonio Rojas, editado em Madrid em 1628. As atribuições da sua autoria que têm sido feitas (a Santa Teresa de Ávila, S. Francisco Xavier, Pedro de los Reyes, Santo Inácio de Loiola, Lope de Vega, etc.) não são credíveis.

in Antologia da Poesia Espanhola do Siglo de Oro, segundo volume – Barroco
selecção e tradução de José Bento
    Não me move, meu Deus, para querer-te

o céu que tu me tens já prometido;
nem me move o inferno tão temido
para deixar por isso de ofender-te.

    Moves-me tu, Senhor; move-me o ver-te

cravado numa cruz e escarnecido;
move-me ver teu corpo tão ferido,
tua morte e insultos a erguer-te.

    Move-me o teu amor, de tal maneira

que, mesmo sem o céu, inda te amara
e, mesmo sem o inferno, te temera.

    Nada tens que me dar pra que te queira;

pois embora o que espero não esperara,
o mesmo que te quero te quisera.

Cristobal de Morales “Missa Pro Defunctis”, a 5 – Introitus
La Capella Reial De Catalunya | Hesperion XX | Direction: Jordi Savall (1992) Astree

Jordi Savall e Dimitri Psonis na Igreja de St. Maria do Castelo

Foi muito intimista, o concerto de ontem na Igreja de St. Maria do Castelo, integrado no 17º Festival Internacional de Música de Castelo Branco e do qual já aqui tinha dado nota. O ideal, como dizia hoje um amigo, seria se houvesse menos luz; No entanto, a posição privilegiada em que me encontrava permitiu gravar a maior parte das peças em vídeo, apesar da fraca expectativa em relação à qualidade do produto final; Ainda assim, tenciono partilhar o que puder no tubo. No final, tive ocasião de cumprimentar os músicos e constatar que Savall é de facto um ser humano luminoso e afável.

Várias vezes destruída ao longo dos séculos e sucessivamente reedificada, a igreja de Santa Maria do Castelo, localizada no interior da primitiva alcáçova, é actualmente o resultado de inúmeras intervenções arquitectónicas.
Desconhecemos a data da sua fundação, sendo certo que já existia em 1213, pois a igreja aparece referenciada nessa data, no foral de Pedro Alvito.
Na centúria de seiscentos, tal como aparece na planta da vila, a igreja apresentava ainda uma traça tipicamente românica, de planta rectangular com abside arredondada. Esta essência românica conservar-se-ia pelo menos até ao início do século XVIII, segundo as descrições no Tombo da Ordem, de 1706.
Apesar de ter sido muito afectada por sucessivos confrontos nos séculos XVII e XVIII (1640 – Guerra da Independência; 1704 – Guerra da Sucessão de Castela; 1762 – Invasões Franco-Espanholas e 1807 – Invasões Francesas), foram sobretudo as obras realizadas no último quartel do século XIX que contribuíram para a descaracterização da traça original, deixando apenas vestígios na fachada Norte, que ficou parcialmente soterrada.

“O portal principal, guarnecido com círculo de meia laranja em pedra, fundado em quatro colunas – obra antiga que dizem ser dos templários, com uma janela exterior. Porta travessa a Sul e seis frestas gateiras três por cada banda que dam luz à dita igreja… No interior, um coro situado sobre a porta principal o qual ao prezente esta de todo arruinado”

Primavera Musical

PRIMAVERA MUSICAL 2011 – 17º Festival Internacional de Música de Castelo Branco

18 de Abril – 21h30 | Governo Civil de Castelo Branco | BRODSKY QUARTET (quarteto de cordas)
20 de Abril – 21h30 | Governo Civil de Castelo Branco | MIAR DOS GALOS
22 de Abril – 18h00 | Igreja de St. Maria do Castelo | JORDI SAVALL C/ Dimitri Psonis
Concerto dedicado a Amato Lusitano, nos 500 anos do seu nascimento
ORIENTE – OCIDENTE | Diálogo da Música Antiga e da Música do Mundo
PROGRAMA
Alba (Rebab & Percussão) – Traditional (Castellón/Berber)
Danza del Viento – Sefardita/Andaluzia
Saltarello (CSM 77-119) – Alfonso X O Sábio
Istampitta: La Manfredina – Trecento mss. (Itália, Século XII)
Makam ‘Uzäl Sakil “Turna” – Mss. de Kantemiroglu (Turquia)

La Quarte Estampie Royal – Le manuscrit du roi (Paris, Século XII)
Nastaran (Naghma instr.) – Traditional (Afeganistão)
Yo me enamorí d’un ayre – Sephardic (Alexandria)
Der Makam-i Hüseynï Sakïl-i A^ga Riza – Mss. Kantemiroglu, (Turquia)

Rotundellus (CSM 105) – Alfonso X O Sábio
La Seconde Estampie – Le manuscrit du roi (Paris, Século XII)
A la una yo nací – Sephardic (Sarajevo)
Lamento di Tristano – Trecento mss. (Italy, Século XII)
Danza de las Espadas – Traditional (Andaluzia)
El Rey Nimrod – Sephardic (Istanbul)
Danza ritual – Traditional (Berber/Andaluzia)
Chahamezrab – Traditional (Persia)
Ductia (CSM 248) – Alfonso X O Sábio
Saltarello – Trecento mss. (Itália Século XII)
6 de Maio – 21h30 | Governo Civil de Castelo Branco | RICARDO ROCHA (guitarra portuguesa)
8 de Maio – 17h00 | Conservatório Regional de Castelo Branco | ENSEMBLE CONTRAPUNCTUS
2 de Junho – 21h30 | Cine-Teatro Avenida | “A VIÚVA ALEGRE”, ópera de F. Lehár
Escola Superior de Artes Aplicadas

Banda Sonora da Trindade Maldita

Trata-se do mais recente livro-disco de Jordi Savall, dedicado a assinalar os 500 anos do nascimento de Francisco de Borja (1510–1572), o último membro da Dinastia Borgia, celebrizada quer pelos motivos mais nobres quer pelos mais tenebrosos do período Renascentista. Está tudo explicadinho nesta página que criei, tendo por base a recolha de informação, principalmente nas páginas da AliaVox e do YouTube.

Istambul, a ponte de Jordi Savall

Projectos musicais como Istambul valem bem os “pastiches” neo-arcaicos e neoreligiosos que agora florescem. Porque nos deleitam e enriquecem o conhecimento.
Augusto M. Seabra

Jordi Savall é uma presença assídua, mesmo promíscua, na Gulbenkian. Nenhum outro intérprete esteve tantas vezes presente nos ciclos de música antiga. Mas inclui-lo num Ciclo de Músicas do Mundo pode parecer insólito – só que é plenamente justificado.

Desde os primórdios do Hespèrion XX Savall deu grande importância à influência da música da tradição oral, mas nos últimos anos tem por assim dizer “cruzado” o Mediterrâneo em discos como Diáspora Sefardi e Orient-Occident.

Mais recentemente, dedicou-se a um personagem aventureiro e fascinante, Dimitrie Cantemir, príncipe moldavo, que chegou a Istambul como refém e seria depois representante diplomático do pai. Mas para além da sua vida aventurosa; Cantemir escreveu um tratado de música, nos princípios do século XVIII, o Livro da Ciência da Música. Trata-se de um documento excepcional como fonte da teoria, de estilo e de formas músicas otomanas na passagem do século XVII para o XVIII. Recolha de 335 composições, nove dos quais do próprio Cantemir, escritas num sistema de notação inventado pelo compilador O Livro da Ciência da Música é a mais importante colecção de música instrumental otomana dos séculos XVII e XVII.

Trata-se de música otomana, arménia (especialmente bela) e sefardita. Para a sua realização Savall reuniu músicos “ocidentais” e “orientais”. Indubitavelmente trata-se assim de “música do mundo” e fascinante. De resto o que se designa por músicas do mundo” (evitemos a espúria designação de “world music”) são músicas tradicionais, eruditas ou populares – também eruditas, sublinhe-se.

Como é próprio de Istambul, esta é uma colecção mais cosmopolita (e esperemos que no concerto haja mais canções sefarditas, algo escassos no disco). Mas, por fundamental que tenha sido no Ocidente, há outras formas de cosmopolitismo, musical também. Numa programação em que uma das grandes novidades é o Ciclo de Músicas do Mundo, Istambul, a música, é como a cidade: uma ponte. E precisamos em todos os sentidos de ter uma atitude cosmopolita. Projectos musicais destes valem bem os “pastiches” neo-arcaicos e neo-religiosos que agora florescem. Porque nos deleitam e enriquecem o conhecimento. E porque nos dão concretamente a ouvir outras músicas, que a hegemonia da música erudita ocidental desprezou. Via.

Viagem na companhia de Savall

Soberba recriação do repertório do Concert Spirituel no tempo de Luís XV por Jordi Savall e Le Concert des Nations.
Por Cristina Fernandes, Ípsilon de 17-09-2010

Le Concert Spirituel au temps de Louis XV

LE CONCERT SPIRITUEL – Au temps de Louis XV (1725-1774)
Corelli, Telemann, Rameau
Le Concert des Nations |Jordi Savall (viola da gamba e direcção) | Alia Vox 9877
Pierre Hamon flauto, Enrico Onofri violino concertino
Marc Hantaï, Charles Zebley, Yi-Fen Chen traverso
Riccardo Minasi, Mauro Lopes, Olivia Centurione violini
Balázs Máté violoncello

O concerto público tal como o entendemos hoje (ou seja, um evento musical à qual se pode ter acesso mediante o pagamento de um bilhete) foi um produto da cultura musical do século XVIII. Antes, com a excepção da ópera nos teatros públicos, a generalidade do acesso à música fazia-se sobretudo nos círculos restritos da corte ou da aristocracia, através das cerimónias religiosas ou da prática musical doméstica. Entre as primeiras séries de concertos públicos avulta o Concert Spirituel, criado em Paris em 1725 por Anne Danican Philidor. A designação deve-se ao facto destes terem surgido como alternativa musical no tempo da Quaresma e de alguns feriados religiosos, quando a ópera e os teatros encerravam.

A presente gravação de Jordi Savall e do Concert des Nations (acompanhada por excelentes textos de contextualização) centra-se no repertório orquestral de alguns dos compositores mais apreciados pelos organizadores do Concert Spirituel durante o reinado de Luís XV (1715-1774), nomeadamente Corelli, Telemann e Rameau, ao mesmo tempo que traça um quadro fascinante dos diferentes estilos e géneros musicais da Europa da época. Como é habitual nos trabalhos do gambista e maestro catalão, a interpretação é soberba, plena de cores, energia rítmica e luminosidade, tanto ao nível do conjunto como das intervenções solísticas. No primeiro violino, sobressai o brilhantismo apaixonado de Enrico Onofri (bem conhecido dos melómanos portugueses pelo facto de ser director musical do Divino Sospiro), patente logo na abertura do disco no Concerto Grosso op. 6, nº4, de Corelli. Na “Ouverture avec la Suite em Ré”, TWV 55:D6, de Telemann, é a viola da gamba de Savall que emerge em toda a sua plenitude, nobreza e opulência tímbrica, unindo-se depois à flauta de bisel de Pierre Hamon no contagiante Concerto em Lá Maior (para flauta doce, viola da gamba, cordas e baixo contínuo), de Telemann. Marc Hantaï e Charles Zebley (flautas transversais) oferecem também óptimas prestações na Abertura e Suite em Mi menor (TWV 55:e1) da “Tafelmusik”, de Telemann, antes da apoteose final fornecida pelas exuberantes Suites extraídas da ópera-ballet “Les Indes Galantes”, de Rameau, onde não falta um certo sabor exótico idealizado (“Air pour les Esclaves Africaines), a evocação da tempestade e do vento (Zéfiro) ou os incisivos ritmos dos “Tambourins I e II”.

 

El origen de los conciertos privados, tanto en Francia como en toda Europa, se remonta a las épocas antiguas, cuando la música, rebasando el marco de las iglesias y los palacios, empezó a organizarse en casas privadas y jardines al aire libre. Ocurrió en el París de finales del reinado de Luis XIV, donde «rien n’est si à la mode que la musique, passion des honnestes gens et des personnes de qualité», como explica Huber Le Blanc (autor del famoso panfleto Défense de la basse de viole, contre les entreprises du violon et les prétensions du violoncelle publicado en Amsterdam, en 1740). Sin embargo, es durante la Regencia cuando comenzó la auténtica primera serie de conciertos privados con las actividades del ciclo del Concert Spirituel, que no tardó en hacerse famoso. La denominación de Concert Spirituel procede del hecho de que fue creado para poder organizar conciertos durante la Cuaresma y las fiestas religiosas católicas, unos treinta y cinco días al año en los cuales se paralizaban todas las actividades «profanas» de las principales instituciones musicales y teatrales, como la Ópera de París, la Comédie Française y la Comédie Italienne.

Durante muchos años, los conciertos tuvieron lugar en la magníficamente decorada Salle des Cent-Suisses en el palacio de la Tullerías. Los conciertos se iniciaban a las seis de la tarde y estaban destinados principalmente a la gran burguesía, la aristocracia menor y los visitantes extranjeros. Los programas estaban constituidos por una mezcla de obras corales espirituales y obras de virtuosismo instrumental francesas y de autores extranjeros italianos y alemanas. Anne Danican Philidor, nacido en París en 1681, hijo del bibliotecario de la música del rey Luis XIV, inauguró la serie de conciertos el 18 de marzo de 1725. El programa de ese primer concierto estuvo compuesto por una suite de airs de violons de Michel-Richard Delalande, su grand motet «Confitebor», el Concerto grosso escrito para Nochebuena por Arcangelo Corelli y un segundo motete à grand chœur «Cantate Domino» de Delalande. Aunque las músicas francesas dominaron ampliamente el repertorio de los primeros años (con obras de Couperin, Campra, Delalande, Mondonville, Rebel, Bernier, Gilles, Boismortier, Corrette, Charpentier y Rameau), enseguida se incorporaron las músicas instrumentales y vocales de autores italianos, ingleses y alemanes (como Corelli, Pergolesi, Vivaldi, Bononcini, Geminiani, Handel, Telemann, Haydn y Mozart), que entusiasmaban a los aficionados y los amantes de las nuevas músicas.

La primera serie estuvo dirigida por una sucesión de directores-empresarios que pagaron una licencia para obtener el privilegio real que les concedía una excepción al monopolio de la ejecución pública de música detentado por la Ópera de París (Académie Royale de Musique). El fundador y primer director fue Anne Danican Philidor, hijo del bibliotecario musical de Luis XIV y oboísta de la Chapelle Royale. Philidor quebró dos años más tarde; sus sucesores Pierre Simart y Jean-Joseph Mouret (1728-1733) ampliaron la operación con una serie de “conciertos franceses”, pero tuvieron el mismo triste destino. Como nadie estuvo dispuesto a asumir el cargo, a partir de 1734 y durante los siguientes catorce años la serie fue administrada por la Académie Royale de Musique (1734-1748). Durante ese período, se favorecieron las obras de los compositores franceses (en particular, Michel-Richard Delalande, Jean-Joseph Mouret, Jean-Joseph de Mondonville y Jean-Philippe Rameau), si bien también se interpretaron obras de compositores extranjeros como Arcangelo Corelli (1750) y Georg Philipp Telemann (1751). La serie resultó finalmente rentable (porque la Academia no tuvo que pagar la licencia real), pero en general vivió un período de estancamiento. Dos nuevos empresarios, Joseph-Nicolas-Pancrace Royer y Gabriel Capperan (1748-1762), adquirieron el privilegio y decidieron hacer fortuna redecorando la sala de conciertos y aumentando el número de intérpretes de la orquesta y el coro.

Siguieron interpretándose obras francesas nuevas (de Rameau en 1751) y antiguas, así como obras de los compositores más conocidos del momento (como el Stabat Mater de Pergolesi en 1753), y también se empezaron a presentar algunos de los cantantes italianos más famosos. A partir de 1755, se presentaron –y fueron muy famosos– diferentes oratorios con textos en francés (prohibidos al principio para no hacer competencia a la Ópera). Pronto la serie fue rentable. En 1762, un influyente funcionario real, Antoine d’Auvergne, obligó a la viuda de Royer a abandonar la gestión del Concert Spirituel (su marido había muerto en 1755) y junto con diversos socios se hizo cargo de la gestión hasta 1773. El interés del público aumentó con la creación de un concurso de composición de motetes, la ampliación de la programación de los violinistas más famosos del momento y la aceptación de incluir también instrumentos de viento.

A partir de 1777, el Concert Spirituel fue dirigido por Joseph Legros, su último y más brillante director. Legros, un cantante estrella de la Ópera, lo dirigió hasta el final, durante la época de la Revolución francesa, en 1790. Atrajo a los artistas más famosos de toda Europa, renovó el repertorio abandonando los motetes del siglo XVII y sustituyéndolos por obras innovadoras de Johann Christian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart (la Sinfonía “París” en 1778), Joseph Haydn (cuyas sinfonías estuvieron presentes en casi todos los programas) y otros compositores, como Gluck, Paisiello, Salieri y Cherubini. Después de la Revolución, la tradición del Concert Spirituel se recuperó como forma particular de concierto y se convirtió en una tradición muy importante, sobre todo durante la primera mitad del siglo XIX.

El repertorio de ese proyecto se inspiró en las músicas instrumentales para orquesta de algunos de los compositores más apreciados por los organizadores del Concert Spirituel durante el reinado de Luis XVI (1722-1774), concretamente entre 1728 y 1768. Encontramos programadas en esos años, entre muchas otras, obras de Corelli (1725, 1748, 1750, 1764 y 1766), Telemann (1738, 1745 y 1751) y Rameau (entre 1728 y 1768).

Una obra de Corelli (el Concerto fatto per la notte di Natale) figuró en el concierto inaugural del año 1725, y otras obras suyas estuvieron presentes en programaciones posteriores, especialmente en la década de 1760. Para la presente grabación hemos escogido una obra del Opus 6, el Concerto grosso nº 4 en Re mayor, creado en la década de 1680 y conocido por su publicación póstuma en Amsterdam en 1714, que señaló el inicio de una difusión enorme y duradera. En esas obras, Corelli fijó el modelo de concerto grosso, es decir, del patrón de oposición de dos grupos instrumentales de cuerda, uno integrado por dos violines y un violonchelo, y otro más numeroso, a cuatro partes, siempre con el fondo del bajo continuo; al mismo tiempo, empleó una sucesión variable de movimientos rápidos y lentos.

Las obras de Telemann tuvieron una presencia menos constante en el Concert Spirituel y no se mantuvieron más allá de 1751, a pesar de que muchas obras suyas siguieron siendo conocidas por los músicos durante dos o tres décadas más y de que la mayoría de críticos y teóricos continuaron considerándolo entre los mejores. Telemann contribuyó enormemente tanto a lo que se conoce como estilo alemán, el lenguaje contrapuntístico mezcla de los estilos francés e italiano (y polaco, en su caso), como al estilo galante, más ligero en su conjunto a pesar de su resistencia a la simplificación armónica que llegaba con el estilo italiano de mediados de siglo. El compositor afirmó haber “vestido” el estilo polaco con un “atuendo italiano”. También son muy frecuentes en sus obras los elementos franceses, tanto en la orquestación como en los patrones formales, así como en el uso frecuente de elementos programáticos (como el caso de La trompette, en la obertura para viola de gamba); este hecho quizá explique su presencia continuada en el Concert Spirituel. Mientras que en muchos conciertos aplica de modo estricto el patrón formal en cuatro tiempos lento-rápido-lento-rápido, buena parte de sus suites pueden considerarse como ejemplos de lo que el teórico contemporáneo Scheibe llamó Concertouvertüren, una obertura de dimensiones considerables en relación con la suite de movimientos de danza que se enlazan después, con una orquestación para diversos instrumentos solistas (a menudo dos de tesitura aguda) y acompañamiento de cuerda y continuo, como ocurre con las que figuran en el programa de esta grabación.

Jean-Philippe Rameau, el único compositor francés de esta imaginaria velada musical parisina, presentó su ópera-ballet Les Indes galantes en la Ópera de París en agosto de 1735. Sobre todo a partir de mediados de la década de 1750 y durante la siguiente, Rameau fue programado con frecuencia en el Concert Spirituel, con algunos de sus motetes y también las sinfonías o movimientos instrumentales de Les Indes Galantes. Como muchas otras obras de ese género escénico típicamente francés, Les Indes Galantes cuenta con cuatro actos (llamados entrées). La palabra Indes se emplea como término genérico equivalente a “tierra exótica”, por lo que el autor tiene abierto el terreno al uso de músicas con sabores diferentes sin perder por ello el regusto francés. Cada acto tiene un número determinado de movimientos instrumentales que hacen las veces de preludios, interludios, danzas, etcétera, extraídos a menudo de su contexto original y que conformaban una Suite d’airs à jouer constituida por diversos movimientos de estructura bastante libre y llamados genéricamente symphonies.

Este conjunto de obras constituye un interesante testimonio de una auténtica Europa Musical que se desarrolló en torno a esa formidable caracterización de los diferentes temperamentos de Les Nations, puesta en evidencia por medio de un lenguaje fuerte y rico de estilos nacionales diferenciados, pero claramente integrados en la búsqueda de una utópica Réunion des Goûts gracias al ideal de acercamiento y síntesis tan elocuente y hermosamente defendido por François Couperin el Grande.

JORDI SAVALL Y JOSEP MARIA VILAR | Traducción: Juan Gabriel López Guix

 

Concertos Espirituais

A série Le Concert Spirituel, em voga no segundo quartel do século XVIII em Paris, reflectiu a vontade de contrariar a proibição da música profana durante o período da Quaresma.

Jordi Savall e o Concert des Nations celebram neste disco três compositores do período de Luís XV com um concerto grosso (Op. 6 n º 4) de Arcangelo Corelli (1653-1713), Les Indes Galantes – Suites des airs à Jouer (Sinfonias) de Jean-Philippe Rameau (1683-1764) e três peças de Georg Philipp Telemann (1681-1767): Ouverture avec la Suite en Ré Majeur pour Viola da Gamba et Cordes, Concerto in La Minore per Flauto Dolce, Viola di Gamba, Corde e Fondamento e Ouverture avec la Suite en Mi Mineur à deux flûtes et cordes e Les Goûts Réunis au Concert Spirituel.

Leituras relacionadas: The Grand Turk Giving a Concert to his Mistress, Saveurs mêlées. Le Concert Spirituel au temps de Louis XV vu par Jordi Savall e Les Goûts Réunis au Concert Spirituel.

Sétima Palavra – José Saramago

No dia da morte de José Saramago, parece-me apropriado transcrever o último capítulo de “As Sete Palavras do Homem”, reflexão pessoal que autor fez, a pedido de Jordi Savall, da obra Septem Verba Christi in Cruce – As Sete Últimas Palavras de Cristo, escrita por Joseph Haydn em 1786.
A sua leitura , a par da audição da Sonata VI ‘Consummatum est’ e da Sonata VII ‘In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum’, expressam a dimensão espiritual do homem e o seu destino.

Deus, Pai, Senhor, nas tuas mãos entrego o meu espírito, que a carne que o continha, essa, ficará agarrada a este madeiro enquanto o que de mim resta não for levado ao túmulo, donde ao terceiro dia ressuscitarei, se forem certas as palavras que puseste na minha boca para que as ouvissem os que me seguiam. Censurou-mas Pedro, que me chamou de parte e disse: “Deus te livre de tal. Uma coisa assim nunca te há-de suceder.” E eu respondi-lhe: “Sai da minha frente, Satanás. Impedes-me o caminho, porque não entendes as coisas à maneira de Deus, mas à maneira dos homens.” Foi isto o que eu lhe disse, mas agora, Deus, Pai, Senhor, agora que o meu espírito já deve ter chegado às tuas mãos, permite-me que procure, também eu, entender as coisas à maneira dos homens. Poderá o meu corpo, sem um espírito que o anime, levantar-se e sair do sepulcro, arredando a pedra que lhe tapa a entrada? E outra pergunta mais. Que sucederá comigo durante esses três dias? Apodrecerei? Será já com os primeiros sinais de podridão na cara e nas mãos que me apresentarei diante de Maria Madalena? Vivi no mundo como homem durante trinta anos, primeiro criança, depois adolescente, depois adulto, até este dia. Se te digo coisas que estás farto de saber, é para que compreendas por que razão aparecerei a Maria Madalena antes que a qualquer outro.
Acabámos. Representei o meu papel o melhor que podia. O futuro dirá se o espectáculo valeu a pena. E agora, Deus, Pai, Senhor, uma última pergunta: Quem sou eu? Em verdade, em verdade, quem sou eu? – 
José Saramago, 2007