World Press Photo 2010

On june 12, 2009 the Iranian presidential elections were held, and the results were strongly contested by the population. For the first time after the Islamic Revolution, Iranians expressed all their dissent, organizing huge demonstrations against the regime. But the protest was not limited to demonstrations in public spaces. Every night at 10:00, citizens gathered on building rooftops to continue their protests, chanting “Allah u Akbar,” (Allah is great). At times, these chants would be interrupted by other, more indignant, chants of “Marg bar diktator” (Death to the dictator). During these protests, the dark Tehran nights were haunted by the ghost-like shadows and their eerie voices. Dreams, memories, emotions, and hopes roam around like ghosts on the rooftops of Tehran.

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Igreja de São José dos Carpinteiros

O Grupo de Amigos da Igreja de S. José dos Carpinteiros apela à mobilização das entidades oficiais (Patriarcado, Igespar, Câmara Municipal de Lisboa), da população em geral e de São José em particular, para a necessidade de uma intervenção de fundo que evite a degradação definitiva do riquíssimo interior e a perda das obras de arte do templo barroco e pombalino do século XVI.

Apenas  como curiosidade, a minha primeira morada foi na Rua das Portas de Stº. Antão, próximo do Elevador do Lavra e do Solar dos Presuntos.
Fui baptizado ali ao lado, na Igreja de São José,  Largo da Anunciada. 🙂

Carnaval a gosto

Juntamente com Os Provérbios Holandeses, também de 1559, esta é a primeira de uma série de alegorias de Pieter Brugel (c.1525-1569) sobre a maldade e imprudência humanas, tendo por base o trabalho de Hieronymus Bosch O Jardim das Delícias Terrenas, em cuja composição nos é dada uma visão ao alto das pequenas figuras representadas.

Esta obra enfatiza a oposição entre o Carnaval tradicional que acontecia nas cidades e aldeias flamengas e o início dos festejos da Quaresma. As festas, meio-religiosas meio-seculares, serviam de pretexto para todos os excessos, desde a bebida ao sexo.

Vejamos a contenda entre os adversários, alegórica e severamente representados por protestantes e católicos: No meio da praça de uma pequena cidade flamenga, o Senhor Carnaval, barrigudo e sentado num barril, enfrenta, com um espeto em forma de lança, a magra figura da Quaresma, sentada num carro, segurando uma pá de padeiro como arma.

The Fight Between Carnival and Lent – Pieter Brugel, 1559

The Real Van Gogh – The Artist and His Letters

Royal Academy of Arts apresenta uma exposição do trabalho de Vincent Van Gogh (1853-1890), cujo foco é a sua extraordinária correspondência, através de 35 cartas originais, raramente apresentadas ao público devido à sua fragilidade, juntamente com 65 quadros e 30 desenhos.

Esta é a primeira grande exposição de Van Gogh em Londres em mais de 40 anos e constitui uma oportunidade única de conhecer a mente complexa de Vincent Van Gogh. Via.

Vincent van Gogh – The Letters
As cartas de Vincent van Gogh foram durante muito tempo consideradas como alguns dos mais valiosos documentos no mundo da arte, sendo que a totalidade da correspondência existente foi agora publicada numa edição jamais produzida.
Pela primeira vez, todos os trabalho referentes a Van Gogh são acompanhados das cartas, incluindo os auto-retratos, desenhos e trabalhos de outros por ele mencionados, esboços feitos nas cartas, todos reproduzidos em tamanho natural.
As mais de 900 cartas, os pensamentos e opiniões de Van Gogh, as suas por vezes complicadas relações, as dúvidas e medos pessoais e, sobretudo, a paixão nula pela sua própria arte, estão reunidas nesta edição notável.
O Museu Van Gogh Museu de Amsterdão lançou o Projecto Cartas de Van Gogh em parceria com o Instituto Huygens, The Hague, em 1994. A presente publicação presente resulta de 15 anos de dedicada pesquisa por uma equipa de editores e tradutores.
Editores: Leo Jansen, Hans Luijten, Nienke Bakker | Tradutores ingleses sob supervisão editorial de Michael Hoyles: Sue Dyson, Imogen Forster, Lynne Richards, John Rudge, Diane Webb. | Desenhador: Wim Crouwel..
Esta histórica publicação  foi assinalada através da exibição das cartas numa Exposição no Museu Van Gogh Museu de Amsterdão em Outubro de 2009 e na Real Academia de Londres, de 23 de Janeiro a 18 de Abril de 2010.




Musica Aeterna – “Cântico dos Cânticos”

O “Cântico dos Cânticos”, admirável poema lírico hebraico que se refere ao livro canónico do Antigo Testamento, escrito, talvez, no século IV a.C. e atribuído, por uma longa tradição, ao Rei Salomão, ilustrado através de obras, sobre excertos dali extraídos, da autoria de Marc-Antoine Charpentier, Alexander Agricola, Jacob Clemens non Papa, Giovanni Pierluigi da Palestrina, Antoine de Févin, Gioseffo Zarlino, Heinrich Schütz, Adrian Willaert, Nicolas Gombert, Cristóbal de Morales, Domenico Mazzocchi e Heinrich Isaac. João Chambers


Ainda no outro dia…

O Jardim estava assim, caduco! Naquela manhã de Maio, depois de deixar a minha filha na escola, enchi-me de coragem e fui ao sombrio Príncipe Real fazer uns bonecos, que aqui reproduzo.

Bancos decrépitos, árvores moribundas a pedir motoserra, uma tristeza! Teimosamente, uns quantos resistentes por lá vagueavam, acompanhados pelo melhor amigo, outros, vagarosamente, saltitando de banco em banco em busca da melhor sombra para a sesta; Os velhotes, que passavam tardes inteiras a jogar às cartas, eram, apesar de tudo, os que mais pareciam indiferentes ao perigo de o céu lhes cair em cima da cabeça.

Em boa hora surgiu então um zeloso funcionário que, para impedir que alguém se magoasse, fechou o Jardim para o aformosear. Parece que têm andado lá umas máquinas de aparar árvores e uns senhores a cortar o mal pela raiz e diz que vai ficar uma coisa linda de ver. Diferente!

Por certo não deixará ninguém indiferente. Com saudades, talvez…

Publicado originalmente no blog dos Amigos do Príncipe Real.

Massive Attack – ‘Heligoland’

O quinto álbum de estúdio dos Massive Attack tem dois convidados de peso, Damon Albarn (Blur e Gorillaz) e o guitarrista Adrian Utley, dos Portishead. Guy Garvey (Elbow), Tunde Adebimpe (TV On the Radio) e Martina Topley Bird (deixem-se embalar pela ex-colaboradora de Tricky em ‘Psyche’…)  são algumas das presenças que ajudam a que Heligoland seja desde já um dos discos do ano e, na minha opinião, francamente melhor que 100th Window. Clique na imagem para ouvir na íntegra.

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um lugar onde se lembra o coleccionador Anastácio Gonçalves através das diversas obras aí expostas. Esta colecção reunida pelo Dr. Anastácio Gonçalves compreende cerca de 2000 obras de arte que se distribuem por três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Existem ainda importantes secções de ourivesaria civil, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia e oriental, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês. Para além das obras reunidas pelo coleccionador,  a Casa-Museu encerra ainda um núcleo de pintura contemporânea portuguesa e um número significativo de objectos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto. Via.



A ciência e a música no Império Otomano

Em “Istanbul”, Jordi Savall reúne a música praticada na corte otomana do século XVII com repertório tradicional sefardita e arménio num aliciante mosaico de ritmos e cores

O diálogo entre culturas musicais diferentes e a combinação das tradições musicais populares e eruditas são componentes essenciais do percurso artístico de Jordi Savall. Num dos seus últimos CDs – entretanto saiu já um outro importante projecto no formato de livro-disco (“Le Royaume Oublié”), dedicado à Cruzada Albigense, que será objecto de recensão num dos próximos suplementos – o músico catalão propõe um interessante cruzamento entre a música praticada no Império Otomano do século XVII com a música tradicional sefardita (dos judeus oriundos de Espanha e Portugal) e arménia, populações representadas entre os músicos da corte de Istambul. O projecto reúne músicos da Turquia, da Arménia, de Israel, de Marrocos e da Grécia, além do agrupamento de Savall (Hespèrion XXI), e tem como ponto de partida o “Livro da Ciência da Música”, antologia reunida por Dimitrie Cantemir (1673-1723), príncipe da Moldávia, que chegou a Istambul em 1693.
Nesta cidade viveu cerca de duas décadas, primeiro como penhor da fidelidade do seu pai ao sultão, depois como representante diplomático do pai e do irmão enquanto governadores da Moldávia. Era um apaixonado pela história, pelo estudo das religiões, pela filosofia, pelas artes e pela música e conta-se que era um excelente intérprete de tanbur, instrumento de cordas dedilhadas da família do alaúde. No “Livro da Ciência da Música” reuniu 355 composições (nove das quais compostas por ele próprio), formando assim a mais importante colecção de música instrumental otomana dos séculos XVI e XVII conhecida.
As peças seleccionadas para a gravação são intercaladas por improvisações formando um aliciante mosaico de cores e ritmos. Constituem também um catálogo de melodias, modos, ritmos de grande complexidade e de instrumentos exóticos (duduk, ney, oud, kamancha, tanbur, entre outros). Está implícita um forte componente de recriação, mas não é tanto a reconstituição histórica que está em causa; antes, um exercício criativo de música viva que combina o passado e o presente, as músicas do mundo e a experiência no âmbito da tradição erudita ocidental.
Mas as classificações são o menos importante perante um resultado sonoro que é frequentemente hipnótico e revelador de músicos com forte carisma, criatividade e grande domínio técnico.
Texto de Cristina Fernandes, publicado no ÍPSILON em 27-01-2010

Conversa de elevador

Qualquer caminho leva a toda a parte
Qualquer caminho
Em qualquer ponto seu em dois se parte
E um leva a onde indica a estrada
Outro é sozinho.
Uma leva ao fim da mera estrada. Pára
Onde acabou.
Outra é a abstracta margem

……

No inútil desfilar de sensações
Chamado a vida.
No cambalear coerente de visões
Do […]

Ah! os caminhos estão todos em mim.
Qualquer distância ou direcção, ou fim
Pertence-me, sou eu. O resto é a parte
De mim que chamo o mundo exterior.
Mas o caminho Deus eis se biparte
Em o que eu sou e o alheio a mim
[…]

Fernando Pessoa