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Sylvius Leopold Weiss

A personalidade e a harmonia de Sylvius Leopold Weiss (1687-1750), o mais eminente e prolífico alaudista da História da Música Ocidental, assinaladas também através de repertório dos contemporâneos Domenico Scarlatti, Arcangelo Corelli, Pierre-Gabriel Buffardin e Johann Sebastian Bach que com ele privaram. Para ouvir no Musica Aeterna de hoje.

Sagrada família, Barcelona

Encontrei no Youtube a Partita in D minor, com Hopkinson Smith no alaúde.
Primeiros três movimentos – Fantasia, Allemande and Courante
Quarto e quinto movimentos – Gavotte and Sarabande
Sexto e sétimo movimentos – Menuet and Giga

Kraftwerk, o passado e o futuro

A 17 de Novembro chega “The Catalogue”, caixa de oito discos que reúne todos os álbuns editados entre 1974 e 2003. Em 2010 o novo álbum

Kraftwerk – Minimum-Maximum, 2004

Como todos sabemos, os Kraftwerk, pioneiros da pop electrónica, nome destacado do “kraut-rock“, são banda de gente cerebral e arrumadinha. Todas as suas acções são arquitectadas com a precisão geométrica de uma auto-estrada germânica e com a sagacidade do Lance Armstrong dos bons velhos tempos – e eis-nos assim a referir de forma enviesada “Autobahn” e “Tour de France“, dois dos temas mais emblemáticos da banda alemã. Tudo isto para falar dos seus próximos passos. Primeiro, a 17 de Novembro, chega “The Catalogue”, caixa de oito discos que reúne todos os álbuns editados entre 1974 e 2003, celebrando o 35º aniversário da supracitada “Autobahn”. Depois da reavaliação histórica, o futuro. Ralf Hutter, um dos fundadores, anunciou à Billboard que os Kraftwerk começaram a trabalhar num novo álbum de originais, a editar em 2010. Será o primeiro após a saída de Florian Schneider, outro dos fundadores, e, para já, Hutter não tem muito a adiantar: “Ainda está numa fase embrionária.” Com os Kraftwerk não há espaço para especulações. Tudo muito certinho e arrumadinho. Como é que era mesmo? Isso: “Man machine.”. Via.

Fragmentos…

Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver…

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir…

Álvaro de Campos

In This Light And On This Evening

Para ver e ouvir em Lisboa a 10 de Dezembro, no Campo Pequeno!

Musica Aeterna – Guillaume Dufay

A página sobre Guillaume Dufay, compositor francês que viveu, talvez, de 1397 a 1474 e, exercendo a sua arte num período de relativa estabilidade harmónica, se destacou mais como um artista completo do que, propriamente, por ser um inovador ousado, foi elaborada a partir do texto gentilmente cedido por João Chambers, que produziu o MUSICA AETERNA – Programa 410 – 10 de Outubro de 2009

Guillaume Dufay (1400-1474) – Kirie, da Missa L’homme armé (a quatro vozes) – The Hilliard Ensemble

Golfinhos na Praia do Meco

Que melhor fim de tarde se poderia pedir? Num excelente dia na Praia do Meco, eis que recebemos a inesperada visita destes quatro magníficos amigos, vindos do Estuário do Sado para um passeio. Andaram na brincadeira durante uma hora e afastaram-se. Calmamente.
Pena o vídeo ter sido feito com o telemóvel, sem possibilidade de zoom. Estavam a uns 150 metros da praia.

Francisco António de Almeida – “La Giuditta”

“Senhor Francisco Português, que veio para Roma estudar, e presentemente é um bravissimo compositor de Concertos e de música de Igreja, e por ser jovem, é um assombro e canta com gosto inatingível…”

Este elogioso comentário faz parte da legenda do único retrato conhecido de Francisco António de Almeida (c.1702-1755), um dos compositores a quem D. João V financiou os estudos em Roma, onde estreou as suas primeiras oratórias, entre as quais “La Giuditta”, a sua última oratória romana, documenta bem a consideração e o reconhecimento que teve em terras italianas.
Autor da primeira ópera representada em Portugal, La Pazienza di Socrate (1733), é também a Almeida que se deve a bela música da oratória “La Giuditta” ( Lena Lootens, Axel Köhler, Martyn Hill, Francesca Congiu – Concerto Köln, René Jacobs, Harmonia Mundi – 1992). A interpretação de René Jacobs realça a beleza melódica e a variedade de emoções desta obra, tirando também grande partido expressivo do tecido musical.
Estreada em Roma em 1726, cuja partitura, dedicada ao embaixador André Melo de Castro quando Almeida estudava na cidade pontifícia, “La Giuditta” não fica atrás em qualidade e invenção musical de outras oratórias de alguns dos seus contemporâneos mais famosos a nível europeu.

Em Abril de 1728, o compositor encontrava-se já em Lisboa, onde foi apresentada a serenata “Il Trionfo della Virtù”. Um dicionário de músicos portugueses setencentista, da autoria de José Mazza, menciona-o como “organista da Patriarcal”.

Além de La Pazienza di Socrate (1733) compôs ainda as óperas La finta pazza (1735) e La Spinalba (1739), várias obras litúrgicas e, provavelmente, música para as representações populares dos Presépios lisboetas. La Spinalba, que tem sido objecto de várias apresentações modernas, revela um estilo elegante e expressivo que acentua mais o carácter sentimental do libreto do que a sua vertente cómica, lembrando por vezes Pergolesi, cuja Serva Padrona fora escrita seis anos antes.

Cristina Fernandes in “Crónicas Musicais de uma Europa Barroca”, Público/Centro Cultural de Belém, 2006

O enterro do senhor de Orgaz

O enterro do senhor de Orgaz - El Greco - 1586

O enterro do senhor de Orgaz - El Greco - 1586

O enterro do senhor de Orgaz

 

“Vê, meu filho: estes olhos sem fundo
fitando o caminhante que este quadro contempla
enquanto apontas aquele corpo alado,
o nobre corpo alado entre rostos e mãos,
são os teus.
Tu és este menino
senhoril e assombrado diante dos senhores.

No teu lenço, minha firma e uma data;
na língua antiga dessa ilha secreta
que me sagrou na luz que não virá ungir-me
escrevi claramente:
“domeniko theotokópoli o fez
1578”.
Não este quadro mas a ti, nesse ano.
Proclamo assim no rigor desta linguagem,
pertença minha como de ninguém,
que te amo sobre todas as coisas:
és a obra mais sonhada e mais gerada
em mim, que existo para minhas obras.

És tão pequeno, não sei quem irás ser,
talvez não te distingas entre quem é turba
e de ti falem só por seres meu filho,
tenham tua face porque segunda vez
te dou a vida neste painel sem preço,
sustendo aí tua carne e sua graça
quando nem se suspeite o lugar de tuas cinzas.

Estes traços e cores, o vasto alento
que de mim pus neste espaço fugaz
irão levar-me longe, onde serei falado
por gentes de hoje que jamais verei,
por outras que o futuro há-de trazer-me.
Mas tu és o meu júbilo íntimo,
a mão que estreito, o corpo que adormeço
enquanto eu vivo for, corpo de mim.

Que me importa a minha obra,
importando-me muito mais que tudo, sempre,
que me dá o meu génio, dando tanto,
– se valores vãos contigo comparados,
embora os louve para dourar meu vazio?

Minha sombra ir-se-á puindo como sombra,
de nada servirá minha ambição
de querer permanecer e eternizar-me
contra o tempo feroz, dissimulado.

Alguns séculos que resistam minhas telas
ante a erosão dos juízos e dos astros
serão apenas um soluço irremível.
Mas em ti continuarei, no testemunho
que entregarás aos filhos dos teus filhos,
que o perpetuem de geração em geração:

em sua palavra em sangue a ansiar vida,
no que de ínfimo façam, pois o homem
– seja quem for – só faz coisas mesquinhas,
estarei, então um nome, ou já nem isso.

Tudo o que não sejas tu agora é nada.

in Silabário, de José Bento – Relógio D’Água, 1992

Johann Sebastian Bach

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
[ Magnificat ] Es-dur, BWV 243a (First Version, 1723)

Solistas: Deborah York – Bogna Bartosz – Jörg Dürmüller – Klaus Mertens
Amsterdam Baroque Orchestra & Choir, conduzida por Ton Koopman

1. Magnificat anima mea Dominum
2. Et exsultavit spiritus meus in Deo
3. Vom Himmel hoch
4. Quia respexit humilitatem
5. Omnes generationes
6. Quia fecit mihi magna qui potens est
7. Freut euch und jubiliert
8. Et misericordia
9. Fecit potentiam in brachio suo
10. Gloria in excelsis Deo
11. Deposuit potentes de sede
12. Esurientes implevit bonis
13. Virga Jesse floruit
14. Suscepit Israel puerum suum
15. Sicut locutus est ad patres nostros
16. Gloria Patri, gloria Filio

The Shape of Space to Come

Esta é uma imagem espectacular da cratera situada no cimo do Monte Olimpus em Marte, o vulcão mais alto do Sistema Solar. O Monte Olimpus tem uma altura de 27 km e uma extensão de quase 600 km.

A sua cratera possui uma profundidade de cerca de 3 km. Esta imagem, obtida pela sonda Mars Express da ESA, foi tirada a partir de uma altitude de 273 km no dia 21 de Janeiro de 2004 e cobre cerca de 102 km de extensão. Via.

ESA - Monte Olimpus visto pela Mars Express - 21 de janeiro de 2004