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O Equinócio da Primavera!

O singular acontecimento da entrada da Primavera foi celebrado no passado domingo, entre as 07:00 e as 07:30 da manhã, no recinto amuralhado do Santuário Sacrificial da Pedra da Cabeleira, na aldeia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz-Côa.

A cerimónia teve uma introdução do amigo Jorge Trabulo Marques e de seguida tivemos o privilégio de assistir ao espectáculo proporcionado pelos amigos da Amálgama – Companhia de Dança, apesar de não termos sido abençoados com a entrada triunfal do deus sol. 🙂

As cerimónias do Equinócio e do Solstício de Verão, que se celebra a 21 de Junho próximo, serão integradas num documentário, a ser apresentado oportunamente.

Embora sem meios adequados, gravei também o esplendoroso momento, que está disponível na minha página do YouTube: parte 1parte 2parte 3.

Os dias são iguais às noites

Jordi Savall: A dimensão espiritual da música vencerá a barbárie

O consagrado músico catalão, uma das figuras tutelares do universo da música antiga, esteve recentemente em Santiago do Cacém, na abertura do 6.º Festival Terras Sem Sombra. Antes de deixar falar a música, partilhou as convicções humanistas que guiam a sua arte.

Tranquilidade contagiante, a de Jordi Savall: de movimentos, da postura em palco, do verbo, do olhar. Talvez advenha da sabedoria que foi adquirindo ao longo de uma vida que em 2011 alcançará as sete décadas. E foi tranquilamente que nos deixou entrever algumas das coordenadas que guiam a sua prática de homem-artista no mundo, demiurgo entre a comunidade humana.
Nos últimos anos, Savall tem dedicado especial atenção aos encontros (e choques) de povos, tradições e culturas que espaços geográficos determinados corporizaram no passado. Por trás, está a crença de que “a música é sempre fonte de diálogo” e tem “um poder” que, “quando é profundo e pleno de emoção, pode mudar-nos”. Daí ser “responsabilidade” dos músicos “mostrar que épocas houve com uma herança comum a Oriente e Ocidente”, fruto de “um diálogo muito próximo de culturas”. Com esses seus discos, Savall quer “mostrar que o diálogo é possível, tal como foi ao longo de muitos séculos no passado”. A sustentar isto, a convicção de “música e cultura” serem “as únicas portas que podemos utilizar, pois todas as outras fracassaram”.
Exemplo maior desse propósito na sua discografia será Jerusalem, cidade das duas pazes (2008): “Quando iniciei esse projecto – recorda Savall – todos me diziam que era uma loucura, uma utopia. No princípio, foi, de facto; mas no final foi um exemplo para os políticos!” Esse projecto, que integrou músicos palestinianos, fê-lo dar-se conta das “muito baixas possibilidades de desenvolvimento humano” prevalecentes na Palestina, “impeditivas – considera – de esforços mais abrangentes e coordenados” no domínio musical. É isso que, observa, “limita o sucesso e o alcance” de iniciativas “importantes e difíceis” como a Orquestra do Divã Ocidental-Oriental de Daniel Barenboim.
Em Jerusalem, conta, “os conflitos entre músicos transmutaram- -se em crossovers: a tradição de cada um acabou por se mesclar e fundir com a do outro, porque há um fun- do comum”. Daí que o seu diagnóstico seja: “os problemas são mais mentais do que reais”.
Para Savall, “a música dá sentido ao ser humano” e “revela a sensibilidade que encerra a linguagem humana”, porquanto ela “dá sentido às palavras”. Detecta “tantas músicas como homens existem, com uma origem comum, tal como sucede na linguagem”. De que decorre ser a música “síntese de um povo e da sua experiência histórica”, razão para serem “as músicas populares as que melhor e com mais emoção definem essa história, já que são músicas sobreviventes”. E tal como um espelho, também “a música ajuda as comunidades a sobreviver”.
Virando-se para o nosso tempo, Savall detecta “uma degeneração da sensibilidade” que se revela “em quem pretende escutar só a parte estética da música”. Savall é taxativo: “por esse caminho, termina-se em Auschwitz!”, aludindo aos tantos carrascos nazis que eram melómanos dedicados e cultivados.
Daí ser “muito importante não esquecer, não perder nunca a dimensão, o referente espiritual da música, pois é ele que dá sentido ao todo e faz que se manifeste o sentido do sagrado”.
O seu mais recente disco é um exemplo da sua convicção de que “a música serve para entender a história” e de que esta “toma de novo vida através da música”, pois, “quando feita com seriedade e provida de força emocional e espiritual, a música faz com que reflictamos”.
Um outro reflexo entrevê-o no património, pois “o que nos faz ser reconhecidos no universo não são só os produtos que exportamos. É também a cultura, e nesta, a música tem enorme importância”. Lamenta não haver em geral “consciência da importância do património musical” e, entre a Europa latina, “só a França” tem política de preservação “positiva e eficaz”.
Bernardo Mariano | Diário de Notícias, 13 de Março de 2010

Monstra 2010

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O CAFÉ | 2009 | 7 MINUTOS| JOÃO FAZENDA

Em co-autoria com Alexandre Gozblau, fala dos cafés dos bairros antigos de Lisboa, onde o tempo não passa ao mesmo ritmo que lá fora. O cenário mantém-se, mas as personagens vão mudando, tal como as roupas dos que permanecem.

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HISTÓRIA TRÁGICA COM FINAL FELIZ | 2005 | 7 MINUTOS | REGINA PESSOA

Um filme que joga muito nas ambiências, claro-escuro, dentro e fora. Uma menina que é diferente e uma comunidade que tarda em aceitá-la. A sua diferença torna-se inelutável e acaba por ter de abandonar a comunidade que a viu crescer. O espaço urbano e o quarto da menina é um desdobramento das vivências internas e externas das personagens

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Não me interessava espaços reais, mas nalguns elementos, o rio, o eléctrico, sem que fosse óbvio, a inspiração iria mais para o do trabalho de carlos Botelho, no que se refere aos traços da cidade. Daniel Lima, sobre “Um degrau pode ser um mundo”, de 2009.

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PÁSSAROS | 2009 ! 7 MINUTOS | FILIPE ABRANCHES

Tudo gira em volta de aves. Uma velha, torta e com um nariz em forma de bico, alimenta os seus pássaros no terraço. Na cozinha olha enternecida para a fotografia do filho. Em seguida prepara uma galinha que esquarteja para uma sopa. Senta-se e adormece com a panela ao lume. Lá em baixo no pátio interior, surge o filho. É esguio e sem pescoço como um pinguim. O seu nariz rivaliza com o da mãe. Sobe as escadas e toca à campainha. A velhota recebe-o numa festa. Leva-o para a cozinha onde lhe serve uma canja repleta de miudezas de galinha. Mostra-lhe os pássaros lá fora. São numerosas as gaiolas de todos os feitios e tamanhos. Ele observa atentamente as aves…

Missa Salisburgensis, de Biber

A Missa Salisburgensis que Heinrich Ignaz von Biber (1644-1704) escreveu para 53 vozes e instrumentos, é considerada a peça musical barroca de maior escala existente.
Concebida em 1682 para celebrar o 1200º aniversário da fundação da Arquidiocese de Salzburgo, foi  interpretada na Catedral, tendo o público sido colocado na nave central, enquanto os músicos foram divididos em oito secções à sua volta.
Terá sido, porventura, a primeira experiência de surround a nível mundial. 🙂


II. Gloria | III. Sonatae Tam Aris Quam Aulis Servientes: Sonata XII | IV. Credo |
V. Sonatae Tam Aris Quam Aulis Servientes, Sonata V | VI. Sanctus, Benedictus |
VII. Agnus Dei | VIII. Sonata Sancti Polycarpi | IX. Motet “Plaudite Tym

Paixão

As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz
Apresentação integral da obra de Joseph Haydn.

A estrutura desta obra contempla sete Adagios, cada um com cerca de 10 minutos, precedidos por uma Introdução e seguidos por uma conclusão (“Terramoto”), o único andamento rápido. Poucos compositores teriam conseguido evitar a monotonia, mas Joseph Haydn combina com mestria temas, ritmos, modos e tonalidades, tornando constrastantes peças de dimensões semelhantes, sempre em forma de sonata. Nesta interpretação, Jordi Savall dirige Le Concert des Nations. Via.

Partes 2 3 4 5 6 7 8 9

Melancolia

“Flow my tears” de John Dowland, compositor e alaudista inglês, que viveu entre 1563 e 1626.

“Flow, my tears, fall from your springs,
Exiled for ever, let me mourn
Where night’s black bird her sad infamy sings,
There let me live forlorn.”

A ciência e a música no Império Otomano

Em “Istanbul”, Jordi Savall reúne a música praticada na corte otomana do século XVII com repertório tradicional sefardita e arménio num aliciante mosaico de ritmos e cores

O diálogo entre culturas musicais diferentes e a combinação das tradições musicais populares e eruditas são componentes essenciais do percurso artístico de Jordi Savall. Num dos seus últimos CDs – entretanto saiu já um outro importante projecto no formato de livro-disco (“Le Royaume Oublié”), dedicado à Cruzada Albigense, que será objecto de recensão num dos próximos suplementos – o músico catalão propõe um interessante cruzamento entre a música praticada no Império Otomano do século XVII com a música tradicional sefardita (dos judeus oriundos de Espanha e Portugal) e arménia, populações representadas entre os músicos da corte de Istambul. O projecto reúne músicos da Turquia, da Arménia, de Israel, de Marrocos e da Grécia, além do agrupamento de Savall (Hespèrion XXI), e tem como ponto de partida o “Livro da Ciência da Música”, antologia reunida por Dimitrie Cantemir (1673-1723), príncipe da Moldávia, que chegou a Istambul em 1693.
Nesta cidade viveu cerca de duas décadas, primeiro como penhor da fidelidade do seu pai ao sultão, depois como representante diplomático do pai e do irmão enquanto governadores da Moldávia. Era um apaixonado pela história, pelo estudo das religiões, pela filosofia, pelas artes e pela música e conta-se que era um excelente intérprete de tanbur, instrumento de cordas dedilhadas da família do alaúde. No “Livro da Ciência da Música” reuniu 355 composições (nove das quais compostas por ele próprio), formando assim a mais importante colecção de música instrumental otomana dos séculos XVI e XVII conhecida.
As peças seleccionadas para a gravação são intercaladas por improvisações formando um aliciante mosaico de cores e ritmos. Constituem também um catálogo de melodias, modos, ritmos de grande complexidade e de instrumentos exóticos (duduk, ney, oud, kamancha, tanbur, entre outros). Está implícita um forte componente de recriação, mas não é tanto a reconstituição histórica que está em causa; antes, um exercício criativo de música viva que combina o passado e o presente, as músicas do mundo e a experiência no âmbito da tradição erudita ocidental.
Mas as classificações são o menos importante perante um resultado sonoro que é frequentemente hipnótico e revelador de músicos com forte carisma, criatividade e grande domínio técnico.
Texto de Cristina Fernandes, publicado no ÍPSILON em 27-01-2010

São Tomé e a Legenda Áurea

São Tomé, cujo dia se comemora hoje, o Musica Aeterna dedica dois programas com a adaptação do capítulo a ele dedicado na “Legenda Áurea” de Tiago de Voragine. Publicado em 1260, o livro foi escrito em latim popular para tornar acessível a divulgação da vida dos 180 santos mais conhecidos, de quem, até então, só existia tradição oral.

Podcasts: 1ª parte Link do ficheiro áudio em formato Windows Media Áudio – 2ª parte Link do ficheiro áudio em formato Windows Media Áudio

Johann Sebastian Bach – Cantata “Unser Mund sei voll Lachens” -BWV 110

No século XIII, quando instituições como as corporações de ofício estavam no seu auge e, ao mesmo tempo, floresciam as primeiras universidades, Voragine quis oferecer uma dádiva ao povo, ocupado em construir igrejas e catedrais, ávido por conhecer a verdadeira fé. Escreveu então, com fervor e entusiasmo, uma história, retratando os conhecimentos e lendas acumulados com o passar dos séculos, sobre a vida dos santos. Nasceu assim o primeiro livro religioso realmente acessível a todos: a Legenda Sanctorum, ou “O Livro dos Santos”. Rapidamente, a obra recebeu o nome de Légende Dorée — Legenda Áurea, porque, dizia-se então, o seu conteúdo era de ouro.

O texto maravilhou os pintores da Renascença, que nele encontravam fonte inesgotável de inspiração. Artistas como Giotto, Fra Angelico, Piero della Francesca, etc.,  emprestaram o seu génio para exaltar cenas da vida de santos e enriquecer as igrejas, conventos e mosteiros com frescos, retábulos, vitrais e polípticos.


Nikolaus Harnoncourt – 80 anos

Tendo nascido a 6 de Dezembro de 1929 em Berlim, o maestro austríaco Nikolaus Harnoncourt completa hoje 80 anos, com um percurso de praticamente seis décadas dedicadas à música. É obra!
Entre 1952 e 1969,  Harnoncourt foi violoncelista na Orquestra Sinfónica de Viena, dirigida por Herbert von Karajan. Em 1953 fundou o agrupamento Concentus Musicus de Viena, dedicado a interpretações com instrumentos de época do Barroco. Neste período, gravou a integral das Cantatas de Bach, durante a década de 70 atirou-se a Claudio Monteverdi e na década de 80 a Wolfgang Amadeus Mozart. Para se ter uma ideia da ampla discografia de Harnoncourt, recomenda-se uma visita a esta página.

Claudio Monteverdi | Vespro della beata Vergine | Nicolaus Harnoncourt
Opera “Armida”, de Joseph Haydn | Dueto: Cara, sarò fedele Armida: Cecilia Bartoli, Rinaldo: Christoph Prégardien
Orquestra: Concentus Musicus | Maestro: Nikolaus Harnoncourt