Archive for the ‘ UNCN ’ Category

Monte Athos

Não sabia nada, ou quase nada. O que sei hoje nem sequer é suficiente, mas a breve descrição sobre o silêncio que me foi dada por três amigos de Salónica impele-me, pelo menos, a tentar concretizar esta viagem. Como diz o padre ortodoxo no vídeo, vai-se de mãos vazias e traz-se sempre qualquer coisa de volta…

Sétima Palavra – José Saramago

No dia da morte de José Saramago, parece-me apropriado transcrever o último capítulo de “As Sete Palavras do Homem”, reflexão pessoal que autor fez, a pedido de Jordi Savall, da obra Septem Verba Christi in Cruce – As Sete Últimas Palavras de Cristo, escrita por Joseph Haydn em 1786.
A sua leitura , a par da audição da Sonata VI ‘Consummatum est’ e da Sonata VII ‘In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum’, expressam a dimensão espiritual do homem e o seu destino.

Deus, Pai, Senhor, nas tuas mãos entrego o meu espírito, que a carne que o continha, essa, ficará agarrada a este madeiro enquanto o que de mim resta não for levado ao túmulo, donde ao terceiro dia ressuscitarei, se forem certas as palavras que puseste na minha boca para que as ouvissem os que me seguiam. Censurou-mas Pedro, que me chamou de parte e disse: “Deus te livre de tal. Uma coisa assim nunca te há-de suceder.” E eu respondi-lhe: “Sai da minha frente, Satanás. Impedes-me o caminho, porque não entendes as coisas à maneira de Deus, mas à maneira dos homens.” Foi isto o que eu lhe disse, mas agora, Deus, Pai, Senhor, agora que o meu espírito já deve ter chegado às tuas mãos, permite-me que procure, também eu, entender as coisas à maneira dos homens. Poderá o meu corpo, sem um espírito que o anime, levantar-se e sair do sepulcro, arredando a pedra que lhe tapa a entrada? E outra pergunta mais. Que sucederá comigo durante esses três dias? Apodrecerei? Será já com os primeiros sinais de podridão na cara e nas mãos que me apresentarei diante de Maria Madalena? Vivi no mundo como homem durante trinta anos, primeiro criança, depois adolescente, depois adulto, até este dia. Se te digo coisas que estás farto de saber, é para que compreendas por que razão aparecerei a Maria Madalena antes que a qualquer outro.
Acabámos. Representei o meu papel o melhor que podia. O futuro dirá se o espectáculo valeu a pena. E agora, Deus, Pai, Senhor, uma última pergunta: Quem sou eu? Em verdade, em verdade, quem sou eu? – 
José Saramago, 2007

 

Astronomia na Idade Média

O mundo dos astrónomos da Idade Média, herdada dos gregos, é perfeito e eterno. Em torno da Terra, imóvel no centro do Universo, giram o Sol e os planetas num movimento circular uniforme – Philippe Testard-Vaillant

Quando o Império romano ruiu, no século V, início a Idade Média, a astronomia conhece um eclipse na Europa. Durante décadas, nenhum nome brilhará no firmamento da ciência, nenhuma observação nem qualquer pesquisa teórica serão capazes de introduzir uma ordem inteligível no centro dos fenómenos celestes.
A disciplina só verá a luz no século XII, conquistando gradualmente um lugar nas universidades, onde o ambicioso programa educativo Quadrivium rapidamente associa aritmética, geometria, astronomia e música.
Uma «renascença» que nada deve ao acaso, antes a múltiplas traduções do árabe para o latim, que se desenrolam em Espanha, no sul de Itália e na Sicília, nas quais o mundo ocidental se verá consideravelmente reflectido numa parte das filosofias e das ciências greco-árabes.
De facto, desde o século VII que um número considerável de bibliotecas do mundo greco-romano cai nas mãos dos conquistadores árabes. Destas conquistas surge um estreitar de relações com a astronomia indiana, que possui desde o século V o Tratado  Surya Siddhanta,  obra que os leva a interessarem-se por Ptolomeu – o genial cientista de Alexandria, que na obra Almageste desenvolve uma teoria geocêntrica e matemática sobre a filosofia de Aristóteles e é também autor do mais célebre tratado de astrologia jamais escrito, Quadripartitvm.
Continua…

A partir da excepcional edição de Dezembro último da revista Les Cahiers de Science & Vie ; N° 114. Les Racines du monde

O Universo Numa Casca de Noz

No CERN, o LHC fez ontem colidir dois feixes de protões  de 3,5 TeV vinte milhões de vezes por segundo a uma energia total de 7 TeV, para identificar os produtos das colisões através de quatro grandes detectores de partículas,  Atlas, CMS, ALICE e LHCb.
Nas experiências CMS, procura-se compreender a estrutura da matéria e a formação do universo, há 13,7 mil milhões de anos e a confirmação da existência do bosão de Higgs.
Tudo isto é de uma evidência cristalina!! 🙂

Tangerine Dream no Coliseu

A abrir, “eu estive no Restelo em 1980” serve para demonstrar que a antiguidade é um posto. 🙂 Dito isto, ainda que o peso do nome Tangerine Dream não contrarie a tendência do que está a dar, aos poucos privilegiados, entre os quais o venerável Mago da Lua, foram oferecidas 3 (três) horas de música sinfónica, menos cósmica que no passado, como disse o eclético Zé Pedro enquanto me perguntava quem eram os gajos dos posters à venda. 😛
Voltando à essência da coisa, primeiro estranhei o sax da sexy Linda Spa, que por momentos adquiriu a espacialidade de Garbarek, os riffs do Bernhard Beibl, que aqui e ali soaram a Oldfield e a percussão da frenética Iris Camaa, pouco consonantes com a minha memória dos TD, mas lá me fui habituando.
Facto é que o sobrevivente Edgar Froese sabe muito bem para onde vai e a nós resta segui-lo, na esperança que não demore vinte anos a voltar.






















Saudação à Primavera

DANÇAS E CÂNTICOS SAUDARAM PRIMAVERA CHUVOSA COM ALGUNS SORRISOS DE AZUL E DE SOL – NA PEDRA DA CABELEIRA DE NOSSA SENHORA
O Equinócio da Primavera, no passado dia 20, embora cinzento e chuvoso, nem por isso deixou de ser saudado pelas já tradicionais celebrações nos Calendários Solares dos Tambores, na aldeia de Chãs, de Foz Côa
Os dias de chuva, frio e mau tempo, que marcaram o último Inverno, pareciam fazer negaças à entrada de uma Primavera que se esperava alegre e sorridente, colorida de flores, irradiante de perfumes por um sol radioso e bem-vindo!
A cerimónia, que estava prevista para o nascer do sol, com a iluminação da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, pelo eixo da sua cripta, decorreu ao fim da tarde, com rituais de dança, música, cânticos e poesia, coincidindo, justamente, com a hora astronómica, 17.32, em que os dias e as noites tiveram a mesma duração.

Os bailarinos da Amalgama Companhia de Dança, que naquele mesmo dia de Sábado se haviam deslocado propositadamente de Lisboa e que, por força das condições meteorológicas, estavam resignados a um simples ensaio no local para um espectáculo na manhã seguinte, acabariam por viver momentos de grande espiritualidade, profundo recolhimento e de rara beleza!
Aquele fim de tarde, esse, sim, fôra mesmo uma verdadeira saudação ao sol da Primavera, já que, o amanhecer de domingo, conquanto a alegria também não faltasse nos artistas e na assistência, fôra recebido com algumas névoas e nevoeiros.

A iniciativa, que contou com o apoio da Câmara de V. N. de Foz Côa e da Junta de Freguesia local, pretende celebrar os ciclos da natureza, evocando antigas tradições dos povos que ali viveram e, ao mesmo tempo, recolher contributos científicos para um melhor aprofundamento do passado histórico e místico daquela área.

O próximo evento está previsto para o dia 21 de Junho, com a celebração do dia maior do ano, ao pôr-do-sol, junto à pedra do Solstício do Verão. Deverá ser igualmente objecto do registo para um futuro documentário televisivo sobre os templos solares ali existentes e a sua área envolvente, realizado por José Manuel Lopes, com a colaboração de Clara Ferrão e Luís Pereira de Sousa e depoimentos dos vários especialistas que ali fizeram estudos ou visitaram os sítios, nomeadamente Adriano Vasco Rodrigues, a quem se ficaram a dever os primeiros trabalhos de investigação.

Jorge Trabulo MarquesDa Comissão Organizadora

O Equinócio da Primavera!

O singular acontecimento da entrada da Primavera foi celebrado no passado domingo, entre as 07:00 e as 07:30 da manhã, no recinto amuralhado do Santuário Sacrificial da Pedra da Cabeleira, na aldeia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz-Côa.

A cerimónia teve uma introdução do amigo Jorge Trabulo Marques e de seguida tivemos o privilégio de assistir ao espectáculo proporcionado pelos amigos da Amálgama – Companhia de Dança, apesar de não termos sido abençoados com a entrada triunfal do deus sol. 🙂

As cerimónias do Equinócio e do Solstício de Verão, que se celebra a 21 de Junho próximo, serão integradas num documentário, a ser apresentado oportunamente.

Embora sem meios adequados, gravei também o esplendoroso momento, que está disponível na minha página do YouTube: parte 1parte 2parte 3.

Amendoeira em flor



Os dias são iguais às noites

O Equinócio da Primavera!

ESPECTÁCULO DE SAUDAÇÃO AO NASCER DO SOL EM HONRA À DEUSA MÃE -TERRA
O SANTUÁRIO DA PEDRA DA CABELEIRA É UMA DAS PORTAS DA TERRA, ONDE O ANTIGO DEUS DO SOL, ESPELHO DO DEUS SUPREMO, REGRESSA DO ALTO DA SUA MORADA E FAZ A SUA ENTRADA TRIUNFAL!

Aldeia de Chãs – Maciço dos Tambores – Vila Nova de Foz Côa
Sábado, 20 de Março – 07.00 – 07.30 Horas

A entrada da estação mais florida do ano, momento em que a Terra é iluminada de igual forma no hemisfério sul e no hemisfério norte, vai ser celebrada no recinto amuralhado do Santuário Sacrificial da Pedra da Cabeleira, com um ritual de danças, música, poesia e cânticos, apresentado pela Amálgama – Companhia de Dança.

Devido à instabilidade do tempo, o espectáulo da Amalga Companhia de Dança, será apresentado à mesma hora( 07.00- 07.30) de Domingo. Porém, a organização não deixará de lá estar, frente à Pedra da Cabeleira (com sol ou tempo cinzento) para saudar a entrada da Primavera

O templo sacrificial está orientado no sentido nascente-poente, possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no seu eixo no momento em que o Sol se ergue no horizonte, proporcionando uma imagem deslumbrante!

O enorme penedo, eleva-se no topo de um amuralhamento circular, num planalto rochoso, próximo de um antigo castro, no perímetro do Parque Arqueológico. Tem, no interior da cripta que o atravessa, um nicho com uma pintura que sugere uma cabeleira negra e, na face frontal, perfeitamente lisa e em forma de leque, sobressai, incrustado, um pequeno círculo solar. Porém, visto por detrás do seu altar e da laje em que assenta, num claro desafio às leis da gravidade, configura um gigantesco crânio humano.

Adriano Vasco Rodrigues, o primeiro estudioso a debruçar-se sobre o referido templo, classificou a pedra e o recinto como “um local de sacrifícios ou de culto do crânio”, remontando ao período “de transição do paleolítico para o neolítico”. Hoje, o investigador, profundo conhecedor do passado histórico da região, não tem dúvida que:

“A identificação com uma entidade feminina, em consagração à Virgem Maria, acompanhada de lenda popular, sugere um culto inicial à Deusa-Mãe, símbolo da fertilidade, trazido do Médio Oriente para o Ocidente peninsular pelos primeiros povos agricultores”, e que “o culto do sol é fundamental nas sociedades primitivas e o conhecimento do calendário das estações para poderem fazer as sementeiras”.

Por sua vez, o autor da Sociologia das Religiões, Moisés Espírito Santo, num levantamento à toponímia da área envolvente, encontrou nos nomes dos vários sítios fortes associações ao culto solar. Num levantamento que fez sobre a toponímia da área envolvente, mostrou-se deslumbrado com a beleza e a singularidade da herança histórica que pôde testemunha

A curta distância do Santuário da Pedra da Cabeleira situa-se a imponente Pedra do Solstício, orientada com o pôr-do-sol, no Solstício de Verão, onde é saudado o dia mais longo do ano, ergue-se na vertente de uma vasta depressão rochosa, sobranceira à falha sísmica de Longroiva – um fértil vale que desemboca na Ribeira de Piscos, em cujo curso se situam um dos principais núcleos de gravuras rupestres classificadas como Património da Humanidade. O astrónomo Máximo Ferreira assistiu a uma dessas observações e pôde testemunhar o perfeito alinhamento solsticial.

Jorge Trabulo Marques, dinamizador do evento e autor da descoberta do fenómeno solar, acredita que:

“O altar sacrificial existente naquele local é um verdadeiro observatório astronómico primitivo, que os antigos povos sabiamente teriam aproveitado não só como calendário, mas também para ali realizarem os seus cultos, festividades e rituais, com uma forte ligação à agricultura, à fertilidade e às estações do ano. Trata-se de um local mágico, pleno de história e de misticismo, dos poucos lugares da terra onde a beleza e o esplendor solar se podem repetir à mesma hora e com a mesma imagem contemplativa de há vários milénios pelos povos que habitaram a área”.

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