Da árvore solitária imana o sentimento de melancolia do poeta.
Piet Mondrian – Avond (Evening); Red Tree, 1908.
Haags Gemeentemuseum, The Hague
O Homem que Contempla
Vejo que as tempestades vêm aí
pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos,
batem nas minhas janelas assustadas
e ouço as distâncias dizerem coisas
que não sei suportar sem um amigo,
que não posso amar sem uma irmã.
E a tempestade rodopia, e transforma tudo,
atravessa a floresta e o tempo
e tudo parece sem idade:
a paisagem, como um verso do saltério,
é pujança, ardor, eternidade.
Que pequeno é aquilo contra que lutamos,
como é imenso, o que contra nós luta;
se nos deixássemos, como fazem as coisas,
assaltar assim pela grande tempestade, —
chegaríamos longe e seríamos anónimos.
Triunfamos sobre o que é Pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o Eterno nem o Extraordinário
serão derrotados por nós.
Este é o anjo que aparecia
aos lutadores do Antigo Testamento:
quando os nervos dos seus adversários
na luta ficavam tensos e como metal,
sentia-os ele debaixo dos seus dedos
como cordas tocando profundas melodias.
Aquele que venceu este anjo
que tantas vezes renunciou à luta.
esse caminha erecto, justificado,
e sai grande daquela dura mão
que, como se o esculpisse, se estreitou à sua volta.
Os triunfos já não o tentam.
O seu crescimento é: ser o profundamente vencido
por algo cada vez maior.
Rainer Maria Rilke, in Das Buch der Bilder – O Livro das Imagens, 1902
Tradução de Maria João Costa Pereira
Berthe Morisot (1841-1895), Marie Bracquemont (1840-1916) e Mary Cassat (1844-1926) são as três grandes figuras femininas do Impressionismo. Também Madame Cassat faria anos hoje.
Mary Cassatt – Lydia Crocheting in the Garden at Marly, 1880 Metropolitan Museum of Art, New York
Cassatt and her family spent the summer of 1880 at Marly-le-Roi, about ten miles west of Paris. Ignoring the village’s historic landmarks in her art, Cassatt focused instead on the domestic environment. Here, she portrayed her elder sister, Lydia, fashionably dressed and insulated by a walled garden from any modern hurly-burly. Lydia is absorbed in the sort of old-fashioned handicraft that was increasingly prized by the well-to-do as factory manufacture by working-class women escalated. Although Cassatt was generally uninterested in plein-air painting, she captured the effects of dazzling sunlight beautifully in this work, especially in Lydia’s large white hat.Via.
Criar-me, recriar-me, esvaziar-me, até
que o que de mim um dia, morto, vá
para a terra, não seja eu; enganar honradamente,
plenamente, com vontade firme,
o crime, e deixar-lhe este espantalho negro
do meu corpo, como sendo eu!
E esconder-me,
a sorrir, imortal, nas margens puras
do rio eterno, árvore
– num poente imarcescível –
da imaginação mágica e divina!
A Inscrição na parede prenuncia a queda da Babilónia do Rei Belshazzar, filho de Nebuchadnezzar.
Na Bíblia, só Daniel é capaz de ler a inscrição em Aramaico. Em Belshazzar’s Feast, os caracteres hebreus da inscrição estão dispostos em colunas verticais, em vez da habitual disposição da direita para a esquerda.
Esta será a provável explicação para a incapacidade de o rei ler correctamente a que era uma língua corrente na época.
Rembrandt van Rijn - The Feast of Belshazzar, 1636-38. National Gallery, Londres
O Livro de Daniel descreve uma enorme festa, na qual o rei e os seus convidados comem e bebem de taças de ouro, parte do espólio trazido de um templo após a queda de Jerusalém em 597 AC , uma desonra para Belshazzar e que contribuiu para a sua queda do poder.
Esta obra-prima de Rembrandt (impressionante, particularmente pelas pequenas dimensões) ilustra, simultaneamente, a fugaz natureza do poder terreno e o dramatismo do acontecimento. Quando a festa é interrompida pelo aparecimento de uma misteriosa inscrição na parede, todos se inclinam para trás, de espanto, mas Belshazzar – com tamanho sentimento de culpa aos olhos de Deus – mostra uma expressão mais carregada que a dos seus convidados.
Em antecipação a obras bíblicas posteriores, mais instrospectivas, Rembrandt dá menor importância à opulência do palácio para se focar essencialmente no rei, concentrando-se mais no aspecto das emoções que na precisão histórica.
A justaposição de bocas braços e pernas faz, desta obra de Willem de Kooning, mais do que abstracta, talvez uma das mais tardias expressões do cubismo. Leituras?
Este quadro é uma das obras fundamentais do século XIX. O tema retrata um acontecimento recente da época, o salvamento dos sobreviventes ao naufrágio da fragata “La Méduse”, que se teria afundado perto da costa do Senegal, em 1816.
Cento e cinquenta pessoas andaram à deriva durante dez dias numa jangada. Restavam quinze sobreviventes, quando finalmente avistaram um barco. Foi este o momento escolhido pelo pintor. Gericault propôs-se contar a tragédia através do relato de dois dos sobreviventes, representados ao pé do mastro, que lhe deram uma descrição precisa da jangada. As suas preocupações com o realismo, levaram-no ao hospital para observar os sobreviventes e os cadáveres, tendo não só levado para o seu atelier de trabalho um pedaço de cadáver em decomposição, como inclusive decidido passar algum tempo em mar alto. Nos modelos humanos em que se inspirou, encontrava-se Eugène Delacroix, a figura moribunda de cabeça para baixo, ao centro.
“La Méduse” (1819) é um exemplo perfeito do Romantismo – pela inspiração sobre um episódio de terror da história contemporânea – e escorreita na fluidez do dramatismo, embora recorra à tradição Neoclássica da estrutura piramidal.
A obra seminal de Gericault tem um vincado carácter político – frequente na literatura -, pela reflexão que propõe sobre o sentimento abolicionista, sendo que foi das primeiras representações na arte europeia a utilizar um preto como símbolo de todas as esperanças da humanidade, o que na época esteve longe de ser consensual, tendo chegado a ser desacreditada no Salão de Paris em 1819 e, talvez por isso mesmo, foi muito bem recebida em Inglaterra, no ano seguinte, onde foi vista por 40 mil pessoas, um número invulgar, à época. 🙂 Theodore Gericault (1791-1824), foi uma figura chave do Romantismo francês. Tendo sido fortemente influenciado por esta obra de Michelangelo, também a sua influência se torna evidente, por exemplo, nesta obra de Delacroix.
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Em Junho de 1816, o navio Medusa içou velas, juntamente com outros três navios, em direcção ao porto de Saint-Louis, o qual tinha sido oferecido por Inglaterra a França como prova de boa-fé pela restauração da Monarquia, após a capitulação de Napoleão. O navio, cujo capitão era Hugues Duroy de Chaumereys, transportava cerca de 400 pessoas, incluindo o novo Governador do Senegal.
Pretendendo aproveitar o bom tempo, O Medusa ganhou significativa vantagem sobre os outros navios mas, no início de Julho, por alegada incompetência do capitão, encalhou num banco de areia. As tentativas de largar carga ao mar não resultaram, também porque Chaumereys impediu a tripulação de lançar os canhões ao mar.
Os passageiros mais importantes foram colocados em barcos salva-vidas, suficientes apenas para 250 pessoas; As restantes foram colocadas numa jangada atada a um dos salva-vidas e que submergiu parcialmente pelo excesso de peso que transportava. A dada altura, acidentalmente ou não, o cabo soltou-se. O que se passou a seguir foram cerca de duas semanas de pesadelo num mar tempestuoso, com mortes brutais e até actos de canibalismo. Quando a jangada foi encontrada, restavam apenas 15 sobreviventes.
A tragédia gerou um verdadeiro escândalo, com o capitão a ter de responder num tribunal marcial e os franceses a passarem pelo ridículo perante os ingleses.
As elevadas dimensões da obra (491 cm × 716 cm), lembram as pinutras históricas tradicionais embora, aqui os heróis sejam substituidos pelos deserdadados da vida, deixados à sua sorte, perdidos no mar, sem saber se viriam a ser salvos.
Géricault denota nesta obra uma notável mestria, com a interligação dos “triângulos”, característicos do Renascimento e do período Barroco. A figura do africano representa um dos vértices dos quatro triângulos. Os outros são representados pelos mortos e pelos moribundos (ao centro), pelos que estão junto do mastro e finalmente pelos que se tentam erguer. A intensidade dramática divide-se entre a angústia das figuras de primeiro plano e a esperança das mais distantes.
Depois de avistado, o navio que os salvou, o Argus, desapareceu durante mais de duas horas, causando o pânico e o desespero nos náufragos; Daí a silhueta difusa, sem se perceber se se aproxima se se afasta. Os tons tempestuosos do mar e do céu, carregados de luz e sombra, mostram a mercê dos homens face à Natureza, atraindo-nos assim para o centro da cena.
De acordo com o Evangelho segundo São João, O Apóstolo São Tomé perdeu uma das aparições de Cristo aos Apóstolos, após a Ressurreição. Tomé, popularmente conhecido como “O Céptico”, tem a seguinte inscrição no Credo dos Apóstolos: “Descendit ad inferos tertia die resurrexit a mortuis”; A menos que pudesse tocar nas feridas de Cristo, não acreditaria no que lhe fôra dito. Uma semana mais tarde, Cristo apareceu, pediu a Tomé para estender as mãos, lhe tocar, e disse: “Santificados sejam os que não viram e ainda assim acreditaram”. Após ver Jesus vivo, Tomé professou a sua fé e ficou conhecido como “O Crente”.
A angústia da descrença tocou Caravaggio. Poucas gravuras suas são fisicamente tão fortes – o seu Tomé leva ao limite a curiosidade, antes de afirmar “Meu Senhor, Meu Deus“! Esta composição junta cuidadosamente as quatros cabeças na procura da verdade sendo que, curiosamente, a cabeça de Cristo é a menos visível, surgindo discretamente na penumbra.
Tendo Jesus sido cruxificado, o que terá levado Caravaggio a expôr a ferida no tronco e não as das mãos e pés? 🙂
Caravaggio - The Incredulity of Saint Thomas, 1601-02
Sem perder as referências do Classicismo, o Maneirismo reflectia as inquietações próprias de qualquer transição.
À beleza clássica, sem alma, sucedeu a espiritualidade, povoada pelo fantástico e pelo onírico, cheios de movimento. A proporção geométrica das representações clássicas foi-se esbatendo e as obras ganhavam espacialidade, proporcionando abordagens mais subjectivas.
Os retratos de GiuseppeArcimboldo eram divertidas e surpreendentes composições de frutas e vegetais.
Giuseppe Arcimboldo - Primavera, 1573 (Museu do Louvre)
Max Ernst (02-04-1891 / 01-04-1976) ainda estudou filosofia, mas cedo abandonou a universidade para se dedicar às artes. Em 1911 conheceu August Macke e aderiu ao Movimento Rheinische Expressionisten em Bona. Em 1913 conheceu Apollinaire e o casal Delaunay e mudou-se para Paris. No início da década de 20, envolveu-se no Movimento Surrealista com Paul Eluard e André Breton. Em 1926 colaborou com Miró… mais
Este Beijo é associado a uma obra renascentista de Leonardo da Vinci, Madonna and Child with St Anne and the Young St John.
Max Ernst – The Kiss (Le Baiser), 1927. Peggy Guggenheim Collection.
Leonardo da Vinci – Madonna and Child with St Anne and the Young St John, 1507-1508
Jos d'Almeida é um compositor de música electrónica épico sinfónica, podendo este género ser também designado como Electrónico Progressivo. Na construção de um som celestial, resultante da fusão de várias correntes musicais, JOS utiliza os sintetizadores desde o início dos anos 80.
Chuck van Zyl
Chuck van Zyl has been at his own unique style of electronic music since 1983. His musical sensibilities evoke a sense of discovery, with each endeavor marking a new frontier of sound.