Archive for the ‘ Pintura ’ Category

Marc Chagall, o poeta com asas de pintor

A definição de Henry Miller [1891-1980] adequa-se muito bem à expressão onírica do trabalho de Marc Chagall [1887-1985], que morreu no sul de França a 28 de Março, justamente há 40 anos.
Com cerca de 160 obras expostas, La Fundación Mapfre em Madrid dedicou-lhe em 2024 uma grande exposição intitulada ‘Chagall. Um grito de liberdade’, o que acrescentou um novo olhar à obra do artista de origem russa naturalizado francês, à luz de acontecimentos que testemunhou ao longo da primeira metade do século XX, desde duas guerras mundiais à discriminação devido às suas raízes judaicas.


“Solitude”, 1933 – Museu de Arte de Tel Aviv, doação do artista em 1953

Albert Marquet, o pintor da costa da Normandia

Nascido em Bordéus há precisamente 150 anos, Albert Marquet [1875-1947] foi discípulo de Gustave Moreau em Paris, onde conheceu Henri Matisse. Adepto do Fauvismo, movimento pictórico que emergiu em França no início do século XX, participou no Salon d’Automne de 1905 no Grand Palais des Beaux-Arts, em Paris, com Henri Manguin [1874-1949], Georges Rouault [1871-1958], Jules Flandrin [1871-1947] e Charles Camoin [1879-1965].
O Museu de Arte Moderna André-Malraux – Le Havre, dedicou-lhe em 2023 uma exposição com seis dezenas de trabalhos que produziu, a partir de 1906, durante as suas passagens por Trouville, Honfleur, Le Havre e Fécamp, atraído pelas águas e luz da região da Normandia.


Albert Marquet (1875-1947), Fête foraine au Havre, 1906, oil on canvas, 65 x 81 cm. Bordeaux, musée des beaux-arts. © Mairie de Bordeaux – musée des Beaux-Arts/Lysiane Gauthier

Albert MARQUET (1875-1947), Marée basse, port de Honfleur, 1911, oil on canvas, 65 x 81 cm. Private collection. © Courtoisie Thierry-Lannon et associés – Brest
Albert MARQUET (1875-1947), La Plage de Fécamp, 1906, oil on canvas, 50 x 61. . ©RMN-Grand Palais/ Philipp Bernard

“Lembrem-se de que não se pode cancelar a Primavera”

A frase, emprestada pelo título de um desenho de 2020 do pintor inglês David Hockney (n. Bradford, 1937), celebra o início da segunda estação do ano preferida e confirma o convite que a Fundação Louis Vuitton deixa para a excepcional Exposição David Hockney 25 (de 9 de Abril a 31 de Agosto de 2025). 

Esta grande retrospectiva, que abrange sete décadas de criação artística (1955-2025) e reúne mais de 400 obras, dá forma à maior exposição de sempre do pintor inglês (actualmente a residir na Normandia) e irá ocupar a totalidade das salas do edifício, um iceberg plantado no Jardin.


‘Mulher e Bicicleta’, de Willem de Kooning

Ao longo da década de 50 do século XX,  o pintor do expressionismo abstracto de origem holandesa, naturalizado americano Willem de Kooning [24 Abril 1904 – 19 Março 1997] realizou uma série de representações femininas com o título genérico Mulheres, tendo como contexto o movimento feminista americano no pós-Segunda Guerra Mundial.

Fica a obra Woman and Bicycle (1952-1953), actualmente no Whitney Museum of American Art em Nova Iorque.


‘Voyager’s Return’, de Adolph Gottlieb

Durante a Segunda Guerra Mundial, o pintor do expressionismo abstracto americano Adolph Gottlieb [14 Março 1903 – 4 Março 1974] esteve em contacto com os surrealistas europeus exilados em Nova Iorque, o que o levou a criar a série Pictograph [1941–51], em que explorou a ligação entre passado e presente através de arquétipos da arte tribal. Fica a obra Voyager’s Return, de 1946, actualmente no Whitney Museum of American Art em Nova Iorque.


‘Sorolla, cien años de modernidad’

Construída em 1911, a antiga residência familiar e oficina do pintor valenciano Joaquín Sorolla y Bastida [27 Fevereiro 1863 – 10 Agosto 1923] foi adaptada para casa-museu, com o cuidado de preservar os espaços e ambientes originais. Ao longo do ano de 2025, o Museu Sorolla será alvo de um projeto de expansão-reabilitação, desenhado pelo Atelier Nieto y Sobejano Arquitectos.



Enquanto decorrem as obras, algumas dezenas de trabalhos integram a Exposição “Sorolla, cien años de modernidad”, que pode ser visitada até 20 de Abril na Galeria das Colecções Reais, também em Madrid.


Ficam algumas fotos da visita ao Museu em Abril de 2024.

 

‘Diana e Actéon’, de Camille Corot

Na passagem dos 150 anos sobre a morte de Jean-Baptiste-Camille Corot [1796 – 1875], pintor francês fundador da Escola de Barbizon, a obra “Diana et Actéon (Diana surprise dans son bain)”, 1836, que pertence ao The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque.

A narrativa, a partir das “Metamorfoses” de Ovídio, evoca o destino do jovem caçador Actéon quando encontra a figura nua da deusa Diana acompanhada pelas suas ninfas, desfrutando de um banho num riacho na floresta. Num ímpeto, Diana espirra água sobre o imprudente caçador, transformando-o num cervo. Bem feito!


«Também o nosso corpo se transforma constantemente, sem pausa alguma, nem seremos amanhã o que fomos antes, ou o que somos.»

Gabriele Münter em Murnau

Com Gabriele Münter [19 Fevereiro 1877 – 19 Maio 1962], discípula e companheira de Wassily Kandinsky [1866-1944], o Museu Nacional Thyssen-Bornemisza continua a resgatar do esquecimento grandes artistas femininas do século XX, dedicando uma Exposição a esta figura central do expressionismo alemão, com mais de cem obras entre pintura, desenho, gravura e fotografia.
Da retrospectiva, que terminou na passada semana, fica a obra “As Escolas”, realizada no Verão de 1908 na cidade de Murnau, Baviera, período em que Münter se distanciou do estilo pós-impressionista e encontrou a sua própria linguagem.


‘A tocadora de alaúde’, de Orazio Gentileschi

Na passagem do aniversário da morte, neste dia 7 de Fevereiro em Londres, de Orazio Gentileschi [1563-1639], pintor maneirista natural de Pisa, na Toscana, pai da célebre Artemísia (1593 – por volta de 1656), também pintora a quem o Museu Jacquemart-André, um dos mais belos museus de Paris, dedica este ano uma exposição (a visitar em Maio), a obra A tocadora de alaúde, c. 1612/1620 – actualmente na National Gallery em Washington.

Sendo reconhecidamente um dos trabalhos mais famosos de Gentileschi, claramente sob influência de Caravaggio, com quem manteve uma relação de grande proximidade nos primeiros anos do século XVII, beneficia, se assim se pode dizer, de se identificar com o período inicial de Caravaggio, mais luminoso.

A jovem, sentada de costas, tem sobre a mesa um violino, uma flauta e um par de pautas de música; com a cabeça inclinada, ouve atentamente os acordes do alaúde. A combinação dos dois elementos sugere a representação da Harmonia…


‘Anunciação’, de Il Moretto da Brescia

Nos 470 anos sobre a morte de Alessandro Bonvicino [ca. 1495 – 1554], mais conhecido como Il Moretto da Brescia,  pintor italiano do Renascimento, activo em Bréscia, onde trabalhou com Lorenzo Lotto [1480-1556] e também em Veneza, onde terá estudado com Ticiano [ca. 1488 – 1576], fica a sua ‘Anunciação‘ de 1535-1540, que celebra o anúncio do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria de que seria a mãe de Jesus Cristo.
Esta obra pertence à Fundação dos Museus de Brescia, cidade onde Il Moretto morreu e que acolhe até Fevereiro de 2025 a exposição O Renascimento em Brescia. Moretto, Romanino, Savoldo 1512-1552.


Moretto - Anunciação