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‘O Inverno’, de Jean-François Millet

De Jean-François Millet [4 Outubro 1814 – 20 Janeiro 1875], pintor francês fundador da Escola de Barbizon que contribuiu para a elaboração de um novo naturalismo, ‘O Inverno’, de 1868.

Jean-François Millet [1814-1875] – ‘O Inverno’, c.1868
Museu Calouste Gulbenkian (em reserva)

O pastel representa uma paisagem invernosa, com uma planície gelada a estender-se até ao limite do horizonte, colocado num ponto de vista elevado. Duas linhas de fuga bem definidas conduzem o olhar do observador até ao mais próximo de três montes de feno. A sugestão de atmosfera húmida estende-se por toda a superfície da composição. Quase imperceptível, à direita, vislumbra-se um caçador, pormenor que remete o observador para o tema fulcral da obra de Millet: a relação homem/meio.
Via Museu Gulbenkian.

“Praia das Maçãs” de José Malhoa

Sobre o pintor naturalista português José Malhoa [28 Abr 1855 – 26 Out 1933], recomendo este artigo e uma Visita Guiada à Casa-Museu Anastácio Gonçalves, que o pintor mandou construir.

Esta obra insere-se num núcleo de vida burguesa onde a figura feminina joga um papel fundamental na apresentação de uma mundanidade relativamente elitista. Através de modelos anónimos, em manchas tocadas pelo sol ou sombra, estabelecem-se jogos de iconografias repetidas (chapéus de sol, canteiros de flores, vasos de barro, muros, bancos de jardim).

Numa ambiência pretensamente elegante, nesta esplanada da Varanda do Grego, Malhoa cria específicas situações cromáticas e luminosas. A sensação transmitida expressa uma certa leveza, delicadeza e finura. Registe-se a marcação impressiva da pincelada que, curiosamente, se alia a um sublinhar de contorno das figuras, pouco frequente na sua pintura, diluída em jogos de luz. Rodelas de sol mancham o chão, provocando uma sensação de jovialidade e frescura acentuada pelo contraste que com o forte azul marinho se estabelece.

A cena, captada em aparente instantâneo, contém uma narrativa implícita e sensual. A cumplicidade afectiva que assim se estabelece, entre o que é dado a ver e o que se convida a compreender, constitui um dos encantos maiores deste trabalho, de raro cunho urbano no conjunto da produção de Malhoa.
Maria de Aires Silveira

 

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