Archive for the ‘ Perscrutando o Infinito… ’ Category

Sinais do Tempo

“Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem. Cada um é como é. “
Alberto Caeiro

O dia de hoje foi pintado em tons de cinzento carregado, entrecortado por sorrisos da mãe que já não reconhece o filho e uns vislumbres de sol a lembrar que ainda há uns dias era verão.

Regressado à Lisboa de morada, uma aula pela Professora Maria Calado no GEO e o inesperado reencontro com um antigo vizinho, jornalista de profissão, a quem pedi ajuda para uma Causa também de Lisboa. Da palestra ‘Cultura artística e produção arquitectónica na Lisboa de Ressano Garcia’, grande urbanista que trouxe um pouco do glamour de Paris para Lisboa, sobrou-me uma dúvida: o porquê de o termo ‘gaveto‘ (de que Lisboa tem magníficos exemplares), ter adquirido ao longo do tempo alguma conotação depreciativa. A professora disse-me para consultar pelo menos três dicionários!


Gustave Caillebotte – Dia chuvoso, 1877

Llibre Vermell de Montserrat

El Llibre Vermell (Libro Rojo), es un manuscrito medieval conservado en el Monasterio de Montserrat (Barcelona), que constituye uno de los pilares de la música medieval española. Fue copiado en los últimos años del siglo XIV, y debe su nombre a su encuadernación en terciopelo rojo, hecha a finales del siglo XIX. Contiene una colección de cantos medievales, y otro contenido de tipo litúrgico, que data de finales de la Edad Media.
El propósito con que fue redactado el Llibre Vermell, lo explica con detalle una nota redactada en latín (fol. 22r), en la que se advierte a los peregrinos que debían evitar “las canciones vanas y los bailes poco honestos durante su viaje y estancia en Montserrat”. Cantar y bailar en la iglesia, era una costumbre medieval bien arraigada, frente a cuyos abusos reaccionaron múltiples sínodos y concilios.
Los cantos son en catalán, occitano y latín y son todos de autor desconocido. A pesar de que la colección fue copiada a finales del siglo XIV, la mayor parte de la música se cree que es anterior. Por ejemplo, el motete “Inperayritz de la ciutat joyosa”, posee un texto distinto para cada una de las dos voces, estilo que ya no se utilizaba cuando el manuscrito fue copiado. Via.

O vídeo completo, aqui.

O Universo de Mahler acolhe todos os sentimentos da Humanidade

Na passagem do centésimo aniversário da morte de Gustav Mahler (7 de Julho de 1860 – 18 de Maio de 1911)

Compositor, e um dos mais conhecidos maestros austríacos, Mahler é referido, por estabelecer uma ligação entre a música do século XIX com o período moderno. O primeiro filho dos Mahler, Isidor, nascido em 1858, sofreu um acidente ainda durante a infância e morreu. Gustav Mahler, o segundo, tornou-se, assim, o filho mais velho vivo. Os Mahler tiveram ao todo catorze filhos, contudo oito não chegaram a atingir a fase adulta. Gustav e sua família, eram judeus e faziam parte de uma minoria alemã que vivia na Boémia. Gustav Mahler estudou piano desde os seis anos, e alguns anos depois, já dava ele próprio lições de piano a um aluno mais novo. A 13 de Outubro de 1870, Mahler deu o seu primeiro recital público.
Entre os colegas de Mahler no conservatório estavam Hugo Wolf, Hans Rott e Rudolf Krzyzanowski, o amigo mais íntimo. Por volta de 1876, Richard Wagner encontrava-se num dos pontos mais altos da carreira, e ao mesmo tempo Anton Bruckner começava a chamar a atenção. Em evidência estava também a figura de Johannes Brahms.
Gustav e seus amigos do conservatório tinham grande admiração por Bruckner. Sobre seu relacionamento com Bruckner, Mahler escreveu em 1902: “Nunca fui aluno de Bruckner. Todos pensavam que estudei com ele porque nos meus dias de estudante em Viena era visto frequentemente na sua companhia e por isso me incluíam entre seus primeiros discípulos. A disposição feliz de Bruckner e a sua natureza infantil e confiante fizeram do nosso relacionamento uma amizade franca, espontânea. Naturalmente, a compreensão que obtive então dos seus ideais não pode ter deixado de influenciar o meu desenvolvimento como artista e como homem.”Mahler não tinha demonstrado anteriormente desejo em tornar-se maestro. Alguns esperavam que ele se tornasse pianista, por causa do seu óptimo desempenho, principalmente em obras de Beethoven e Bach. Ainda em 1881, trabalhou como regente em Laibach e em 1882 em Jihlava. Em Janeiro de 1883, recebeu um telegrama a convidá-lo a dirigir em Olmültz na Morávia, em substituição de um maestro que tinha falecido. Em Olmültz inicia-se de facto a carreira de Mahler como maestro. As condições de trabalho eram muito difíceis e o jovem maestro era obrigado a improvisar, mas o seu desempenho peculiar chamou a atenção. Depois foi em Praga e em Leipzig que se notabilizou pela sua interpretação de óperas de Mozart e Wagner. Mais tarde, como director da Ópera Real de Budapeste, teve além da grande liberdade para trabalhar, a responsabilidade de salvar a Companhia da falência.
Em Março de 1891, Mahler troca Budapeste por Hamburgo, onde assume o cargo de maestro titular no Teatro Municipal, e onde permaneceu durante seis anos. Nessa época, teve como assistente um jovem chamado Bruno Walter. Em Novembro de 1901, Mahler conheceu a filha do pintor Emil Schindler, Alma Schindler (1879-1964), que era cerca de 20 anos mais nova. Casaram-se no dia 9 de Março de 1902.
A música de Mahler é bastante pessoal e reflecte muito da sua vida e personalidade. A morte é o tema presente na sua obra. Passagens alegres dão lugar a outras trágicas e de desespero, que reflectem a sua vida atribulada. O espectro da morte pairava sobre ele, pois da mesma forma como a mãe, sofria de problemas cardíacos, e apesar disso, não se pode dizer que a sua obra seja pessimista. As composições de Mahler tiveram um grande impacto em compositores como Schoenberg, Webern, e Berg, e em maestros como Bruno Walter e Otto Klemperer, que trabalharam com Mahler e foram ajudados por ele nas suas carreiras. Estes mais tarde retribuíram difundindo a música de Mahler pela América, onde influenciaria a composição das músicas para os filmes de Hollywood. Por Luis Ramos, Antena 2.

Heaven Can Wait… and the Earth too!


Endeavour in the Storm…”Surely as there are storms and falling rain…there is a new dawn approaching…and the sun will shine again”. Space will patiently wait…

Now, that’s what we call a room with a view. Douglas H. Wheelock photographed fellow astronaut Tracy Caldwell Dyson gazing at the view of Earth from a window in the Cupola on the International Space Station, before she headed home with teammates Sasha and Misha on a Soyuz space craft. Via.

Iluminura – Saltério de Ingeborg

This manuscript of 200 folios contains 150 psalms and other liturgical texts. 24 pages are illuminated with miniatures, generally two scenes, one above the other. The manuscript was commissioned for Ingeborg of Denmark, who became Queen of France through her marriage to Philip II (reigned 1180-1223). It was perhaps produced at the Cistercian nunnery of Fervaques near Saint Quentin.
The miniatures in the Ingeborg Psalter are distinguished from earlier Romanesque works by innovative stylistic features and were a major influence on later Gothic illumination. The entombment of Christ at the top of this illustrated page is staged like a liturgical ceremony – the angel swinging the censer is the element which raises the image to the level of a ritual act. The scene at the bottom is set out along more conventional lines. It shows the three women at Christ’s tomb, with the angel telling them that the Lord has risen.
The three sleeping guards appear within a trefoil shape, a detail which shows that contemporary stained glass served as one of the models for this image.

Ingeborg Psalter, c. 1195 | Illumination on parchment, 304 x 204 mm | Musée Condé, Chantilly

A luz das velas

Pouco se sabe de Tomás Luis de Victoria (1548-1611), assumindo-se que, com excepção de um período da juventude em que foi enviado para Roma e onde rapidamente foi reconhecido como sucessor de Palestrina, teria passado a maior parte da vida direccionado para a espiritualidade, num mosteiro da sua Espanha natal.
Da sua obra, composta na totalidade por música sacra, escolho para esta Sexta-Feira Santa um tema do Ofício de Trevas, interpretado pelo agrupamento The Sixteen,  dirigido por Harry Christophers. Para ouvir à luz das velas.

Volta ao Mundo em 1961

O primeiro semestre de 1961 abalou, de facto, a Humanidade. Começou logo com os EUA a cortar relações com Cuba, embora sem prejudicar o negócio dos charutos. Do mal o menos. Em 4 de Fevereiro, avançámos rapidamente e em força para… Angola, o que nos valeu uma reprimenda do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Feitios! A 11 de Abril, tinha início em Jerusalém o julgamento de Adolf Eichmann, acusado de prejudicar seriamente as relações de boa vizinha que os alemães pretendiam manter com o resto da Europa. No dia seguinte, a 12 de Abril, um russo de nome engraçado tornava-se no primeiro ser humano a viajar no espaço – Yuri Gagarin demorou menos de duas horas a completar uma órbita terrestre. Lucky Bastard !
Em Maio, assim de repente, o único acontecimento relevante de que me recordo, ocorreu na Maternidade Alfredo da Costa. 🙂

Artigos relacionados com a efeméride:
Alexei Leonov, the first man ever to walk in space, was close friends with Yuri Gagarin (video) http://j.mp/gMXe0N – BBC World News
Movie recreates Gagarin’s spaceflight http://j.mp/f0jfwv – BBC World News
British Council celebrates 50th anniversary of Gagarin’s orbit of the Earth with an exhibition and statue in the Mall http://j.mp/dRru7n – The Guardian
It’s a golden year in space historyhttp://j.mp/erSJ2V – MSNBC
Russian Spaceship ‘Gagarin’ Arrives at Space Station http://j.mp/ePehQe – space.com
Google Doodle Honors 50th Anniversary of First Human Space Flight http://j.mp/eyf6z8 @pcmag.com
First Man in Space: A 50-Year-Old Feat Remembered http://j.mp/eBUpTP – abcnews.go.com

Música, levai-me!

Música, levai-me:

Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?

‎[Eugénio de Andrade]

Antífona para o Natal

Existem três iniciais identificadas neste manuscrito de data indeterminada e que foi executado por um miniaturista italiano, referido como Maestro Daddesco. No folio 32R, a Natividade com H inicial alude a uma antífona para o Natal.

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

Poema de DAVID MOURÃO-FERREIRA
Gravura de ALBRECHT DÜRER – NATIVITY, 1504