Arquivo de Novembro, 2013

Quando o Violoncelo conquista a Europa

Concerto na Sala Luís de Freitas Branco do CCB | 1 Dez 2013 às 11h00
Ensemble Bonne Corde
Diana Vinagre direcção artística e violoncelo barroco
Rebecca Rosen violoncelo barroco
Pablo Zapico tiorba e guitarra barroca
Miguel Jalôto cravo
Este programa pretende mostrar como o violoncelo foi abordado, primeiramente em Itália e depois, à luz das diferentes escolas de composição, nos vários países europeus. É emoldurado por duas das sonatas de Vivaldi, o único destes compositores a fazer a carreira em Itália. Os outros compositores italianos, Platti e Caldara, fazem a maior parte das suas carreiras na Alemanha e na Áustria, respectivamente. No início da segunda parte, temos uma Sonata de Barrière, primeiro violoncelista francês a render-se ao estilo italiano, em cujos quatro livros de sonatas há uma fusão muito arrojada entre as escolas francesa e italiana. As Sonatas para violoncelo, assim como a restante obra do holandês Willem De Fesch, estão claramente marcadas pela influência do estilo italiano.

Ensemble Bonne Corde

Programa
Antonio Vivaldi – Sonata em Si bemol maior, RV 46
Giovanni Benedetto Platti – Sonata IV em Dó menor
Antonio Caldara – Sonata IV em Ré menor
Jean Barrière – Sonata IV em Sol maior (Livro II)
Willem De Fesch – Sonata n.º 3 em Ré menor, op.8
Antonio Vivaldi – Sonata em Lá menor, RV 44

‘La Musica’

No dia em que passam 370 anos da morte de Claudio Monteverdi [1567-1643], notável compositor do período de transição entre a Renascença e o Barroco, recordemos Montserrat Figueras [1942-2011] no papel de La Musica, durante o prólogo de L’Orfeo.
O cenário é o mítico Gran Teatro del Liceu, Barcelona.

“1996” – Ryuichi Sakamoto – Recital Multimédia

29 de Novembro, 21h30 | Escola de Música do Conservatório Nacional | Entrada/Donativo
“Ryuichi Sakamoto é não só um dos compositores contemporâneos mais solicitados, como provavelmente o mais versátil. As bandas sonoras que concebeu para filmes como “O Último Imperador”, “Babel” ou “O Monte dos Vendavais” e uma selecção de obras compostas posteriormente, foram reunidas no trabalho discográfico “1996”, para piano, violino e violoncelo, e apresentado em duas digressões mundiais de sucesso marcante no percurso deste músico.
Criado para a apresentação desta obra e formado pelo pianista João Vasco, o violinista Pedro Lopes e a violoncelista Sofia Gomes, o grupo “e n s 3 m b l e” propõe a apresentação deste concerto em formato multimédia, com a projecção de vídeos concebidos para cada uma das obras de “1996”.
Sintética e harmoniosamente, “1996” reflecte as influências e o amplo universo estético que Sakamoto alcança: de Debussy a Schumann, de Steve Reich à música tradicional japonesa, do depurado tratamento melódico à rarefacção do minimalismo surpreendente.”
ENS3MBLE:
JOÃO VASCO piano e concepção multimédia  | PEDRO LOPES violino | SOFIA GOMES violoncelo
The Sheltering Sky Theme | Sakamoto / e n s 3 m b l e

e n s 3 m b l e

Camões no Texas

O centro de investigação Harry Ransom da Universidade do Texas, em Austin, possui um dos raros exemplares da primeira edição de Os Lusíadas, impressa em 1572, em Lisboa. Camonianos defendem que o exemplar pertenceu ao poeta português, sendo por isso conhecido como o “de Camões”.
O artigo completo de Cláudia Silva no Público de 27-11-2013 pode ser lido aqui.

Evocação de Mário Cesariny [9 Agosto 1923 – 26 Novembro 2006]

2º pólo expositivo da mostra inaugural da CASA DA LIBERDADE – Mário Cesariny.
Exposição “Homenagem a Cesariny”. Inauguração a 26 de Novembro, 18h, na Perve Galeria de Alfama.
Conta com a intervenção de vários artistas que, por via da afinidade artística e da admiração nutrida por Mário Cesariny, se quiseram associar a esta evocação no momento exacto em que passam 7 anos sobre a data da sua morte.
O momento ficará também assinalado pelo lançamento do 1º volume da obra “Poéticas Pós-Pessoa. Antologia do surrealismo e suas derivações em Portugal”. Uma edição artística bilingue, português e francês, da autoria de Isabel Mayrelles, realizada ao longo de 30 anos e que será editada em quatro volumes e enriquecida com um conjunto assinalável de múltiplos artísticos.
Inauguração com a presença de Carlos Calvet e de Cruzeiro Seixas, artistas que realizaram as obras que integram o 1º volume da antologia. Via.

O Conselheiro, de Ridley Scott

Dispenso bem as críticas ao filme, a Ridley Scott ou a Cormac McCarthy. Humpf!!
Como ficar indiferente a The Counselor, tal o frenesi que se vai instalando? Os diálogos subentendidos, suportados pelo talento de um punhado de actores superiormente dirigidos, e  uma banda sonora adequada, eis os ingredientes essenciais do thriller que mais gostei desde que eliminaram o Bin Laden.

 

350 Anos do Sermão de Santa Catarina: Homenagem a Padre António Vieira

A Universidade de Coimbra honra a memória do Padre António Vieira [1608-1697] esta segunda-feira, 350 anos depois de o padre jesuíta ter pregado o seu único sermão em Coimbra, a 25 de Novembro de 1653. Do programa das comemorações promovidas pela UC, um destaque especial para a apresentação da obra completa do Padre António Vieira, “Vieira Global”.
Para ouvir na Antena 2, a partir das 17h00, ou para ver em livestream na UCV. Via.

350 Anos do Sermão de Santa Catarina

© Aguarela de João Alvim – cortesia Círculo de Leitores
Em 1663, o Padre António Vieira é chamado a Coimbra para comparecer diante do Tribunal do Santo Ofício, a terrível Inquisição. As intrigas da corte e uma desgraça passageira enfraqueceram a sua posição de célebre pregador jesuíta e amigo íntimo do falecido rei D. João IV. Perante os juízes, o Padre António Vieira revê o seu passado: a juventude no Brasil e os anos de noviciado na Bahia, a sua ligação à causa dos índios e os seus primeiros sucessos no púlpito. Impedido de falar pela Inquisição, o pregador refugia-se em Roma, onde a sua reputação e êxito são tão grandes que o Papa concorda em não o retirar da sua jurisdição. A rainha Cristina da Suécia, que vive em Roma desde a abdicação do trono, prende-o na corte e insiste em torná-lo seu confessor. Mas as saudades do seu país são mais fortes e Vieira regressa a Portugal. Só que a frieza do acolhimento do novo rei, D. Pedro, fazem-no partir de novo para o Brasil onde passa os últimos anos da sua vida. – Guilherme d’Oliveira Martins

Capella Duriensis no Mosteiro de Santos-o-Novo

Na impossibilidade de transportar para aqui a atmosfera do concerto que esta tarde teve lugar no Mosteiro de Santos-o-Novo, fica uma imagem do Grupo Vocal Capella Duriensis, captada durante a execução do sublime Panis Angelicus de João Lourenço Rebelo (1610-1665).
Sugiro ainda a reportagem de Manuel Vilas Boas para a TSF.

A primeira parte do Programa, com música profana, teve lugar numa sala contígua à Igreja do Senhor dos Passos, onde decorreu a segunda parte, com música sacra.
No decurso do período escolhido, entre 1550 e 1650, ocorrem múltiplas mudanças na sociedade portuguesa, principalmente o surgimento da Contra-Reforma, a ascensão dos jesuítas e o incremento da educação e conhecimento, a par da atitude repressiva da inquisição. Musicalmente, este século é dominado pelo Concílio de Trento, que determinou a predominância da clareza do texto sobre a complexidade contrapontística.
Primeira parte:
Anónimo (Cancioneiro do Palácio) – Que me quereis, cavallero?
Alonso Mudarra – Ysabel, perdiste la tu faxa
Luys Milan (ca. 1500 – ca. 1561) – Falay miña amor, Quiem amores tem, Triste estava, muy quexosa
Matteo Flecha (1481-1553) / Miguel de Fuenllana (c.1500-1579) – Teresica hermana
Segunda parte:
João Lourenço Rebelo (1610-1665) – Lamentations
Damião de Goís (1502-1574) – In Die Tribulationis, Ne laeteris
Frei Manuel Cardoso (1566-1650) – Magnificat
João Lourenço Rebelo (1610-1665) – Panis Angelicus

In Memoriam – Montserrat Figueras [1942-2011]

Díaspora Sefardí | Romances & Música instrumental – Alia Vox AV 9809 A+B [CDx2]
Montserrat Figueras, canto | Dirección: Jordi Savall
Ensemble Hespèrion XXI:
Montserrat Figueras (voice), Yair Dalal (oud), Ken Zuckerman (lute, sarod), Pedro Memelsdorf (recorders), Begoña Olavide (psaltery, qanun) Andrew Lawrence-King (arpa doppia), Edin Karamazov (medieval lute), Arianna Savall (medieval harp), Jordi Savall, (lira, viola, rebab), Xavier Díaz (renaissance lute), Pedro Estevan (percussion)] – Jordi Savall, dir.

​As águias-de-bonelli voltaram à serra da Estrela. Como é que sabemos isso?​

Plataforma GeObserver reúne online informações sobre a serra, que antes estavam dispersas ou eram mesmo desconhecidas. A identificação de espécies é apenas uma das várias funções do projecto​

Por Marisa Soares, in Público de 23-11-2013
​Os últimos registos da presença da águia-de-bonelli (Hieraaetus fasciatus) na serra da Estrela tinham quase 20 anos. Desde então pensava-se que esta espécie, que em Portugal está em risco de extinção, já nem existisse naquela zona. Mas agora sabe-se que há pelo menos um casal — e parece estar a reproduzir-se.
A descoberta foi possível através do GeObserver, um sistema de informação geográfica que reúne numa plataforma online informações recolhidas por quem visita o Parque Natural da Serra da Estrela — sobre fauna, flora, clima, condições das estradas em dias de neve e dos trilhos pedestres — e que antes estavam dispersas, ou eram mesmo desconhecidas.
Qualquer pessoa pode “alimentar” a plataforma, registando as suas observações no site, com fotografias e pormenores sobre o local e a espécie encontrada. “A maioria dos registos é feita no Verão, cerca de 80 por mês, e no Inverno a participação desce”, explica Paulo Silva, fundador e coordenador do projecto, que arrancou em Agosto de 2012. Os dados são depois analisados e validados por uma equipa de mais de 20 técnicos, de biólogos a meteorologistas, especialistas em Geografia ou Informática, entre outros, que colaboram voluntariamente com o GeObserver.
Foi assim que se descobriram as águias-de-bonelli. “Começámos a receber alguns registos, com fotos. O sistema cruzou os registos e detectou a zona onde a espécie poderia estar. Visitámos o local e detectámos o casal, com um ninho nas escarpas. Só não conseguimos ver se já tinha crias”, conta Paulo Silva.
O GeObserver nasceu no ano passado pelas mãos deste engenheiro de software de 37 anos, natural de Manteigas. Paulo Silva integra a associação Amigos da Serra da Estrela (ASE), que planeava criar um sistema para reunir dados recolhidos pela própria associação — a segunda organização não-governamental de ambiente mais antiga do país, criada em 1982. “Tive a ideia de fazer uma coisa diferente e com o apoio do Instituto Politécnico de Setúbal, onde estudava, conseguimos criar esta plataforma”, explica Paulo Silva.​
Desde então o projecto não parou. Através dos dados submetidos na plataforma foi possível começar já a desenhar o mapa da biodiversidade do parque, mediante a identificação de animais e respectivas rotas migratórias, plantas e fungos. “O sistema vai desenhando as manchas nos locais onde as espécies são avistadas”, diz o coordenador. Dentro de três anos o mapa deve estar concluído, embora sempre sujeito a actualizações.
A equipa criou também, em colaboração com o centro de estudos climáticos da Universidade Federal do Acre (Amazonas, no Brasil), um algoritmo que indica o risco de incêndio florestal. Em vias de conclusão está ainda um mapa sobre a produção de oxigénio no parque, fundamental para calcular o risco de propagação do fogo e a produção de biomassa. “Vamos tentar cooperar com equipas de bombeiros e protecção civil da região, para poderem utilizar esta ferramenta na época de incêndios”, adianta o coordenador.
Aos visitantes é dada também a oportunidade de denunciarem atentados ambientais, como lixeiras, árvores ilegalmente abatidas ou animais feridos. Quem circula na serra, a pé ou de carro, tem informação actualizada sobre a previsão de queda de neve, estradas interrompidas e estado dos trilhos pedestres. O projecto, que foi um dos finalistas da última edição dos Green Project Awards, não tem fins lucrativos.
Funciona com base em apoios e parcerias com a ASE, o Centro de Interpretação Ambiental da Serra da Estrela, o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens, o portal Naturdata, a Quercus e o Instituto Politécnico de Setúbal. O próximo passo é replicar o sistema em Portugal e nos países da CPLP.

águia-de-bonelli

Pensava-se que a águia-de-bonelli (Hieraaetus fasciatus), que em Portugal está em risco de extinção, já nem existia na serra da Estrela
Conhecer a serra de tenda às costas
Para divulgar e incentivar a defesa da biodiversidade da serra da Estrela, o GeObserver e as associações Amigos da Serra da Estrela e Aldeia vão organizar o I Acampamento de História Natural, de 7 a 11 de Abril de 2014. Os alunos do secundário e superior são os principais destinatários do acampamento, mas qualquer um se pode inscrever. “Os participantes serão divididos em três grupos – fauna, flora e geografia – e cada um terá um orientador”, explica Paulo Silva, um dos coordenadores do GeObserver. “Em Abril, as temperaturas favorecem a observação de espécies de fauna e flora”, explica. Confirmada está a presença de especialistas como Alexandre Nieuwendam, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, e Fernando Romão, naturalista, fotógrafo de natureza e especialista em lepidópteros (insectos, como borboletas). A organização lançou uma campanha de crowdfunding [financiamento colectivo] para angariar 1500 euros, para comprar material informático, de fotografia e cartografia para apoio na geo-referenciação durante o acampamento.
Novo livro é hoje lançado sobre a águia-real no Gerês
Há quase 30 anoss que o ambientalista Miguel Dantas da Gama observa as águias-reais do Parque Nacional da Peneda-Gerês(PNPG). E partilha, agora, o resultado desse acompanhamento, num livro que é lançado às 18h, na Fnac do Mar Shopping, em Matosinhos.
Foi nos primeiros anos do caminho, iniciado em 1986, que Dantas da Gama decidiu que haveria de fazer um livro com as suas idas, quase semanais, à Peneda-Gerês, para observar as últimas águias-reais que nidificavam no parque nacional. Cerca de 27 anos depois, e quatro anos após o desaparecimento do último elemento do casal que acompanhou, o fundador do Fapas – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens lança a obra Uma Longa Caminhada com as Águias-Reais da Peneda-Gerês.
Não é o livro de um cientista. Nem o autor, um engenheiro electrotécnico que, fora do emprego, dedicou uma parte considerável do seu tempo a percorrer caminhos de cabras pelas várias serras do parque, pretendeu que o fosse. Em todo o caso, ao partilhar notas de campo, fotografias, estatísticas sobre distribuição de ninhos por todo o PNPG e sobre observações – suas e de outros, em Portugal e também no parque vizinho do Xurés, na Galiza -, Dantas da Gama produziu um contributo importante para o conhecimento da ecologia do último casal de águias-reais, que ficou reduzido a uma fêmea imponente em 2003., que deixou de vigiar a presença deste observador em 2009.
Esta obra editada pela Fapas e pela Canhões de Pedra,faz parte de uma triologia de maior folêgo, e segue-se ao livro de Miguel Dantas da Gama Árvores do Parque Nacional da Peneda-Gerês, de 2011. Fruto, também ele, das mais de mil caminhadas atrás da Aquila chrysatos. Todo este trabalho de acompanhamento, do qual resultaram nove volumes de anotações, dará origem, a seguir, a uma obra geral sobre o parque, sobre as paisagens, caminhos e descaminhos deste território que o autor conhece como poucos.
Texto de Abel Coentrão
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