Arquivo de Fevereiro, 2011

Mar

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Alessandro Striggio`s Missa “Ecco si Beato Giorno” in 40 and 60 parts

‎[…] Striggio’s mass is scored for 40 voices for most of its length, but goes into 60 for the final ‘Agnus dei’. This makes it by far the biggest piece written up to that time (around 1566) and it probably gave the cue for Tallis to write his 40-part motet Spem in alium: either the mass itself or Striggio’s own 40-part motet Ecce beatam lucem on which the mass seems to be based. Both the mass and this motet were performed together on a European tour Striggio undertook in 1567, bringing them to London as well as to Paris and Vienna. It is thought that Tallis (and the Duke of Norfolk) heard the London performance and decided to rival the scale of it.

The music for the mass disappeared soon after Striggio’s tour, after which it was only known from contemporary written descriptions, and from the survival of Ecce beatam lucem. The hero of its recent rediscovery is Davitt Moroney, the English harpsichordist, who was acute enough to question a miswritten entry in a library catalogue, thereby stumbling upon the missing music. How one conceals the existence of a piece that at its largest requires 60 separate hand-written parts for more than 400 years is a mystery to me, but that is what happened and I have often wondered how Davitt felt when he realised what he had found. Discoveries like that don’t even come once a lifetime. By his own account he then spent a year writing it out and scoring it up. ‎[…]

Leitura relacionada:
– O artigo completo de Peter Phillips pode ser lido na Spectator.
THE EVOLUTION OF AN ERROR, OR HOW STRIGGIO’S MISSA SOPRA ECCO SI BEATO GIORNO WAS LOST (AND FOUND)

Alessandro Striggio`s Missa “Ecco si Beato Giorno” in 40 and 60 parts

The BBC Singers; The Tallis Scholars | Peter Phillips, Chorus master | His Majestys Sagbutts & Cornetts | Davitt Moroney, conductor.


Parte IIParte IIIParte IV

Leonardo da Vinci e a Água

Encontrando-se a água no imenso mar, seu elemento, teve desejos de subir aos ares, e confortada pelo elemento fogo, elevou-se em fino vapor, quase parecendo da leveza do ar. Chegada lá acima, alcançou o ar mais leve e fino, onde foi abandonada pelo fogo; e os pequenos granículos, apertados, unem-se e tornam-se pesados, pelo que ao cair a soberba se transforma em fuga. E cai do céu; pelo que a seguir foi bebida pela seca tarra, onde, por muito tempo encarcerada, fez penitência do seu pecado.

Rinaldo`s première – 300 years

Rinaldo (HWV 7) is an opera by George Frideric Handel composed in 1711, and was the first Italian language opera written specifically for the London stage. The libretto was prepared by Giacomo Rossi from a scenario provided by Aaron Hill, and the work was first performed at the Queen’s Theatre in London’s Haymarket on 24 February 1711.
The story of love, battle and redemption set at the time of the First Crusade is loosely based on Torquato Tasso’s epic poem Gerusalemme liberata (“Jerusalem Delivered“) in which he depicts a highly imaginative version of the combats between Christians and Muslims at the end of the First Crusade, during the siege of Jerusalem. (Source – Wikipedia)

Giambattista Tiepolo – Rinaldo and Armida in the Garden, c1752

Se num dia escuro de Fevereiro um viajante…

O vento sopra lá fora.
Faz-me mais sozinho, e agora
Porque não choro, ele chora.

É um som abstracto e fundo.
Vem do fim vago do mundo.
Seu sentido é ser profundo.

Diz-me que nada há em tudo.
Que a virtude não é escudo
E que o melhor é ser mudo.

Fernando Pessoa

Caspar David Friedrich – Monk by the sea, c. 1809

Jean-Léon Gérôme (1824-1904)

EXPOSIÇÃO – MUSEU THYSSEN-BORNEMISZA
15 de Fevereiro a 22 de Maio 2011

Jean-Léon Gérôme (1824-1904) fue uno de los pintores franceses más famosos de su época. A lo largo de su larga carrera provocó numerosas polémicas y recibió acerbas críticas, sobre todo por defender las convenciones de la pintura académica, que languidecía ante los ataques de realistas e impresionistas. Pero en realidad Gérôme no fue tanto un seguidor de esa tradición cuanto un creador de mundos pictóricos totalmente nuevos, basados a menudo en una singular iconografía en la que primaban los temas eruditos. Pintar la historia, pintar historias, pintarlo todo, tal fue su gran pasión. Al público le intrigaba de sus cuadros la constante interacción de valores y géneros, que se fundían en una estética de efecto collage. Su capacidad para crear imágenes, para ofrecer una ilusión de realidad mediante artificios y subterfugios, se pone de manifiesto en unas obras que tienen un acabado perfecto pero no son perfectas.

Slave Market in Rome – 1884

Nada ortodoxo como pintor académico, así pues, Gérôme sabía representar la historia como un espectáculo dramático y convertir al espectador, mediante imágenes muy convincentes, en un testigo presencial de hechos acaecidos en todas las épocas, desde la Antigüedad clásica hasta su propio tiempo. Los cuadros de Gérôme tuvieron una notable difusión gracias a los grabados y a las reproducciones fotográficas que desde 1859 se realizaron por encargo del marchante y editor Adolphe Goupil, quien luego sería además su suegro. Gérôme elige cuidadosamente los temas con la intención de crear imágenes que fácilmente se convierten en iconos visuales de la cultura popular
Esta exposición, la primera monográfica que se le dedica en España, permite conocer los aspectos más destacados de su obra pictórica y escultórica desde sus inicios en los años cuarenta hasta su producción más tardía.

Duel after a Masked Ball – 1857

Gérard Castello-Lopes (1925-2011)

A fotografia, para mim, é uma forma de bloquear o mundo. Nada mais.

«metamorfoses para 23 versos»
há grandes folhas verde escuras na penumbra variável
de uma estufa de plantas. há o cheiro a terra húmida
contido entre os vidros brancos de cal, há
fetos, avencas, orquídeas, ciclamens banhados
pela luz uniforme, a intensas horas do dia. Noutras
a penumbra organiza-se em vãos e tufos como os das plantas,
onde goteja a água, cria o seu musgo, as suas
manchas claras e porosas no reflexo
de algum vidro partido. Não há sons, apenas sombras
do mundo, nem o olhar de ninguém; apenas
se pode conjecturar, para as zonas mais escuras, degradadas sob
os tabuleiros de vasos, que o vagaroso capricho das plantas,
mesmo a cor do ciclamen, se alimenta
da sombra natural quando o seu arco sobe, entre o chão e a parede,
[até alguns fortuitos
brilhos silentes nos suportes da terra. e há outras conjecturas, porque
esta é uma economia das formas do destino e perdidamente
as pessoas também, quando procuram o limite das coisas,
para viver ou para morrer, se interrogam
sobre um vidro embaciado que lhes devolveu as perguntas
e a água inacessível que as separa
da sua própria imagem, na penumbra virtual.
a escrita é uma orla inquieta das coisas,
uma sombra das figuras.
Vasco Graça Moura
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