Archive for the ‘ Música ’ Category

Missa Salisburgensis, de Biber

A Missa Salisburgensis que Heinrich Ignaz von Biber (1644-1704) escreveu para 53 vozes e instrumentos, é considerada a peça musical barroca de maior escala existente.
Concebida em 1682 para celebrar o 1200º aniversário da fundação da Arquidiocese de Salzburgo, foi  interpretada na Catedral, tendo o público sido colocado na nave central, enquanto os músicos foram divididos em oito secções à sua volta.
Terá sido, porventura, a primeira experiência de surround a nível mundial. 🙂


II. Gloria | III. Sonatae Tam Aris Quam Aulis Servientes: Sonata XII | IV. Credo |
V. Sonatae Tam Aris Quam Aulis Servientes, Sonata V | VI. Sanctus, Benedictus |
VII. Agnus Dei | VIII. Sonata Sancti Polycarpi | IX. Motet “Plaudite Tym

Paixão

As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz
Apresentação integral da obra de Joseph Haydn.

A estrutura desta obra contempla sete Adagios, cada um com cerca de 10 minutos, precedidos por uma Introdução e seguidos por uma conclusão (“Terramoto”), o único andamento rápido. Poucos compositores teriam conseguido evitar a monotonia, mas Joseph Haydn combina com mestria temas, ritmos, modos e tonalidades, tornando constrastantes peças de dimensões semelhantes, sempre em forma de sonata. Nesta interpretação, Jordi Savall dirige Le Concert des Nations. Via.

Partes 2 3 4 5 6 7 8 9

Melancolia

“Flow my tears” de John Dowland, compositor e alaudista inglês, que viveu entre 1563 e 1626.

“Flow, my tears, fall from your springs,
Exiled for ever, let me mourn
Where night’s black bird her sad infamy sings,
There let me live forlorn.”

Musica Aeterna – “Cântico dos Cânticos”

O “Cântico dos Cânticos”, admirável poema lírico hebraico que se refere ao livro canónico do Antigo Testamento, escrito, talvez, no século IV a.C. e atribuído, por uma longa tradição, ao Rei Salomão, ilustrado através de obras, sobre excertos dali extraídos, da autoria de Marc-Antoine Charpentier, Alexander Agricola, Jacob Clemens non Papa, Giovanni Pierluigi da Palestrina, Antoine de Févin, Gioseffo Zarlino, Heinrich Schütz, Adrian Willaert, Nicolas Gombert, Cristóbal de Morales, Domenico Mazzocchi e Heinrich Isaac. João Chambers


A ciência e a música no Império Otomano

Em “Istanbul”, Jordi Savall reúne a música praticada na corte otomana do século XVII com repertório tradicional sefardita e arménio num aliciante mosaico de ritmos e cores

O diálogo entre culturas musicais diferentes e a combinação das tradições musicais populares e eruditas são componentes essenciais do percurso artístico de Jordi Savall. Num dos seus últimos CDs – entretanto saiu já um outro importante projecto no formato de livro-disco (“Le Royaume Oublié”), dedicado à Cruzada Albigense, que será objecto de recensão num dos próximos suplementos – o músico catalão propõe um interessante cruzamento entre a música praticada no Império Otomano do século XVII com a música tradicional sefardita (dos judeus oriundos de Espanha e Portugal) e arménia, populações representadas entre os músicos da corte de Istambul. O projecto reúne músicos da Turquia, da Arménia, de Israel, de Marrocos e da Grécia, além do agrupamento de Savall (Hespèrion XXI), e tem como ponto de partida o “Livro da Ciência da Música”, antologia reunida por Dimitrie Cantemir (1673-1723), príncipe da Moldávia, que chegou a Istambul em 1693.
Nesta cidade viveu cerca de duas décadas, primeiro como penhor da fidelidade do seu pai ao sultão, depois como representante diplomático do pai e do irmão enquanto governadores da Moldávia. Era um apaixonado pela história, pelo estudo das religiões, pela filosofia, pelas artes e pela música e conta-se que era um excelente intérprete de tanbur, instrumento de cordas dedilhadas da família do alaúde. No “Livro da Ciência da Música” reuniu 355 composições (nove das quais compostas por ele próprio), formando assim a mais importante colecção de música instrumental otomana dos séculos XVI e XVII conhecida.
As peças seleccionadas para a gravação são intercaladas por improvisações formando um aliciante mosaico de cores e ritmos. Constituem também um catálogo de melodias, modos, ritmos de grande complexidade e de instrumentos exóticos (duduk, ney, oud, kamancha, tanbur, entre outros). Está implícita um forte componente de recriação, mas não é tanto a reconstituição histórica que está em causa; antes, um exercício criativo de música viva que combina o passado e o presente, as músicas do mundo e a experiência no âmbito da tradição erudita ocidental.
Mas as classificações são o menos importante perante um resultado sonoro que é frequentemente hipnótico e revelador de músicos com forte carisma, criatividade e grande domínio técnico.
Texto de Cristina Fernandes, publicado no ÍPSILON em 27-01-2010

Efemérides Românticas

O realizador de rádio António Cartaxo reuniu no livro “Efemérides românticas” a vida e obra artística de seis compositores cujas datas de nascimento ou morte são recordadas entre 2009 e 2011.
Félix Mendelssohn nasceu em 1809, Frédéric Chopin e Robert Schumann em 1810, e Franz Liszt em 1811.
São seis centenários ou bicentenários que aqui se celebram, tendo os astros querido duplas efemérides para Albéniz e para Mahler, nascidos em 1860, há 150 anos.

Com Sonho de Uma Noite de Verão e a Gruta de Fingal, de Mendelssohn, a música sinfónica dá um passo decisivo do Classicismo para o Romantismo. Por seu turno, no fim do século, as sinfonias de Mahler percorrem já as avenidas do pós-Romantismo. Entre ambos, os outros compositores que celebramos neste livro exprimem, cada um à sua maneira, a crença romântica na concepção da música como linguagem da emoção e como expressão directa da sua vida e da sua psicologia.
Para o autor, faz sentido marcar estas efemérides na medida em que “apesar de serem sempre tocados, nestas alturas de efemérides concentramos mais a nossa atenção naquilo que criaram, oq ue nos permite ouvir mais e apreciar a obra de determinado compositor”.

O livro é apresentado por Alexandre Delgado amanhã à tarde na Livraria Pó dos Livros, em Lisboa.

Lisboa, 27 Jan (Lusa)

Hoje acordei assim. Romântico.

O artigo de Anthony Tommasini , crítico do The New York Times, estabelece uma interessante comparação entre Frédéric Chopin e Robert Schumann, em contraponto a J.S Bach, no que constitui um excelente prelúdio para as comemorações do 200º aniversário do nascimento dos dois compositores românticos.

A guitarra de Django Reinhardt atinge um século

Hoje, uma multidão rodeará o seu túmulo, na pequena localidade de Samois-sur-Seine, perto de Fontainebleau. Django Reinhardt, guitarrista e compositor de jazz, nasceu a 23 de Janeiro de 1910. O pai do jazz cigano foi um personagem misterioso, parco em palavras e pouco interessado no reconhecimento e na glória, tão imprevisível como desconcertante. No seu centenário, edições discográficas como Generation Django, com a participação de Biréli Lagrène e o defunto Henri Salvador, recordam um dos ciganos mais universais da história.

Filho de Laurence Négros Reinhardt, bailarina e cantora, e de Jean-Baptiste Eugène Weiss, violinista e guitarrista, Jean Baptiste Reinhardt nasceu no seio de uma família de artistas, na localidade belga de Liberchies. Aos oito anos, o clã Reinhardt estabeleceu-se num dos acampamentos ciganos que rodeavam Paris. Dele se dizia ser capaz de interpretar qualquer peça, só de ouvi-la uma vez; Com apenas 14 anos, tocava banjo, bandolim, guitarra e violino.

A 1 de Outubro de 1940, Reinhardt, acompanhado pelo Quinteto do Hot Club de França, que formou juntamente com o violinista Stéphane Grappelli, gravou Nuages, um êxito retumbante que todos os cantores conhecidos disputavam o privilégio de interpretar. Curiosamente, os seus problemas com as forças de ocupação começaram no dia em que foi convidado a actuar perante Hitler. Decidido a não comparecer, Django procurou refúgio por duas vezes na neutral Suíça, pedido que foi negado em ambas ocasiões pelo mesmo motivo: nem ser negro nem judeu.

A 31 de Janeiro de 1946, en plena celebração do Armistício, Reinhardt e Grappelli gravaram a célebre versão de A Marselhesa com ritmo swing, nos estúdios de Abbey Road, em Londres. O fim das hostilidades marcou o início do fim da sua carreira. Incapaz de se adaptar às novas tendências musicais, Reinhardt passou a dedicar cada vez mais tempo à pintura. A sua tournée pelos Estados Unidos com a orquestra de Duke Ellington foi um fracasso, completado pelo segundo concerto em Carnegie Hall ao qual chegou atrasado, por ter ficado a jogar bilhar com estranhos. Os últimos dias da vida de Django foram passados em Samois-sur-Seine. Faleceu a 16 de Maio de 1953, vítima de ataque cardíaco.
Texto traduzido do artigo de C. García Martínez – El Pais – 23/01/2010

São Tomé e a Legenda Áurea

São Tomé, cujo dia se comemora hoje, o Musica Aeterna dedica dois programas com a adaptação do capítulo a ele dedicado na “Legenda Áurea” de Tiago de Voragine. Publicado em 1260, o livro foi escrito em latim popular para tornar acessível a divulgação da vida dos 180 santos mais conhecidos, de quem, até então, só existia tradição oral.

Podcasts: 1ª parte Link do ficheiro áudio em formato Windows Media Áudio – 2ª parte Link do ficheiro áudio em formato Windows Media Áudio

Johann Sebastian Bach – Cantata “Unser Mund sei voll Lachens” -BWV 110

No século XIII, quando instituições como as corporações de ofício estavam no seu auge e, ao mesmo tempo, floresciam as primeiras universidades, Voragine quis oferecer uma dádiva ao povo, ocupado em construir igrejas e catedrais, ávido por conhecer a verdadeira fé. Escreveu então, com fervor e entusiasmo, uma história, retratando os conhecimentos e lendas acumulados com o passar dos séculos, sobre a vida dos santos. Nasceu assim o primeiro livro religioso realmente acessível a todos: a Legenda Sanctorum, ou “O Livro dos Santos”. Rapidamente, a obra recebeu o nome de Légende Dorée — Legenda Áurea, porque, dizia-se então, o seu conteúdo era de ouro.

O texto maravilhou os pintores da Renascença, que nele encontravam fonte inesgotável de inspiração. Artistas como Giotto, Fra Angelico, Piero della Francesca, etc.,  emprestaram o seu génio para exaltar cenas da vida de santos e enriquecer as igrejas, conventos e mosteiros com frescos, retábulos, vitrais e polípticos.


Nikolaus Harnoncourt – 80 anos

Tendo nascido a 6 de Dezembro de 1929 em Berlim, o maestro austríaco Nikolaus Harnoncourt completa hoje 80 anos, com um percurso de praticamente seis décadas dedicadas à música. É obra!
Entre 1952 e 1969,  Harnoncourt foi violoncelista na Orquestra Sinfónica de Viena, dirigida por Herbert von Karajan. Em 1953 fundou o agrupamento Concentus Musicus de Viena, dedicado a interpretações com instrumentos de época do Barroco. Neste período, gravou a integral das Cantatas de Bach, durante a década de 70 atirou-se a Claudio Monteverdi e na década de 80 a Wolfgang Amadeus Mozart. Para se ter uma ideia da ampla discografia de Harnoncourt, recomenda-se uma visita a esta página.

Claudio Monteverdi | Vespro della beata Vergine | Nicolaus Harnoncourt
Opera “Armida”, de Joseph Haydn | Dueto: Cara, sarò fedele Armida: Cecilia Bartoli, Rinaldo: Christoph Prégardien
Orquestra: Concentus Musicus | Maestro: Nikolaus Harnoncourt