Archive for the ‘ Breve Biografia ’ Category

‘A História da Ressurreição de Cristo’, de Thomas Selle (II)

De Thomas Selle [23 Março 1599 – 2 Julho 1663], docente e compositor do início do barroco alemão, que foi director musical das quatro principais igrejas da cidade de Hamburgo – em cuja Biblioteca Universitária está depositado o seu legado musical sob o título Opera Omnia –, o moteto sagrado Die Aufferstehung Christi: Jesus Christus, unser Heiland, a partir de textos da Bíblia.


Álbum: Selle, T.: Auferstehung Christi (Die) (Historia – Sacred Concertos and Motets for Easter), 2009
Solistas: Monika Mauch, Manja Stephan, Beat Duddeck, Mirko Ludwig, Julian Podger, Knut Schoch
Ensemble Weser-Renaissance Bremen · Wolf Matthias Friedrich, barítono;· Manfred Cordes, direcção musical

‘Fiori musicali’, de Frescobaldi

Girolamo Frescobaldi [1583-1643], que teve a sorte de nascer em Ferrara, por onde passaram Josquin Desprez, Adrian Willaert, Claudio Merulo, John Dowland e Orlando di Lasso, notabilizou-se como um dos grandes compositores para cravo e órgão no século XVII.
Da sua obra, destaque para a colecção de música litúrgica Fiori musicali (1635), escrita durante a segunda passagem como organista na Basílica de São Pedro em Roma, cargo que ocupou até à morte  neste dia 1 de Março, há 380 anos.


No. 31 of Fiori musicali, 1635: Toccata per l’Elevazione · Gustav Leonhardt
Album: The Art of Frescobaldi: Masterpieces of the Italian Baroque – ℗ Musical Concepts, 2004

Duas peças para violino, de Biagio Marini

De Biagio Marini [Bréscia, 3 Fevereiro 1594 – Veneza, 17 Novembro 1663], compositor e virtuoso violinista do barroco italiano que, entre 1615 e 1618, serviu como violinista na Basílica de São Marcos em Veneza, da qual Claudio Monteverdi havia sido nomeado maestro di cappella em 1613, ficam duas peças avulsas interpretadas pelo agrupamento Hespèrion XXI, dirigido por Jordi Savall.


Passacaglia à 4, do álbum Musica Nova – Alia Vox, 2018

Per ogni sorte di strumenti musicale, Op. 22: Passacaglio, do álbum Ostinato – Alia Vox, 2001

‘Sonata para Oboé’, de Gottfried August Homilius

De Gottfried August Homilius [2 Fevereiro 1714 – 2 Junho 1785], insigne compositor alemão de música sacra de quem em 2014 se comemoraram os 300 anos do nascimento e que, a par de C. P. E. Bach [1714-1788], Carlos Seixas [1704-1742] e Johann Joachim Quantz [1697-1773], integrou o grupo dos mais significativos representantes da Emfindsamkeit – ou música sensível – que sucedeu ao período barroco, o Allegro Assai – segundo andamento da Sonata para Oboé em Fá maior HoWV XI.1.


Álbum: Gottfried August Homilius: Erwachet, ihr Christen. Choralvorspiele, Kantaten und Sonate für Oboe · ℗ 2010 Carus

Andreas Lorenz · Virtuosi Saxoniae Chamber Orchestra · Ludwig Güttler

Johann Joachim Quantz, o pai da flauta (II)

Na passagem do trecentésimo vigésimo sexto aniversário sobre o nascimento de Johann Joachim Quantz [1697 – 1773], prolífico compositor alemão, fabricante de instrumentos, docente e autor de um tratado de referência para todos os que se interessam pela música barroca, o Concerto em Mi menor para flauta, cordas e baixo contínuo QV 5: 117 “Pour Potsdam”, dividido em três secções.


Orquestra: Akademie für Alte Musik Berlin
Solista:Ernst-Burghard Hilse, flauta traverso
Álbum: Música na Corte de Berlim, 1992

‘Concertos para violino’, de Pietro Locatelli

Do virtuoso violinista e compositor do barroco italiano Pietro Locatelli [1695-1764], activo em Roma e posteriormente em Amsterdão, o Concerto para Violino em Mi Menor, Op. 3 Nº 8, terceiro de doze que concertos que integram a série L’Arte del Violino; XII Concerti Cioè, Violino solo, con XXIV Capricci ad libitum, publicados em 1733 e criados no estilo veneziano de Antonio Vivaldi.
A interpretação é do jovem e viruoso violinista francês Théotime Langlois de Swarte, acompanhado pelo ensemble Les Ombres, cujo disco Jean-Marie Leclair / Antonio Vivaldi / Pietro Locatelli, Concertos pour Violon editado pela Harmonia Mundi em Fevereiro último integrou esta semana a lista de Vencedores do Diapason d’or do ano de 2022.


‘Toccata dell’ottavo tono’, de Paolo Quagliati

Do compositor italiano tardo-renascentista Paolo Quagliati [cerca de 1555 – 16 Novembro 1628], activo durante a transição para o período barroco e organista na Basilica di Santa Maria Maggiore em Roma, possivelmente durante as duas últimas décadas de vida, a Toccata dell’ottavo tono escrita para órgão ou cravo, aqui interpretada pela cravista Federica Bianchi.


Álbum: Aquila altera (Early Keyboards)  – Passacaille, 2022

400 anos da morte de Sebastián De Vivanco

Natural de Ávila, tal como o contemporâneo Tomás Luis de Victoria [1548-1611], o eclesiástico e compositor tardo-renascentista Sebastián De Vivanco [c. 1551-1622] exerceu os cargos de Mestre de Capela na Catedral de Salamanca e de professor na Universidade da mesma cidade durante as últimas duas décadas de vida, até à sua morte em 26 de Outubro de 1622.
No âmbito das comemorações do IV Centenário da morte do compositor, teve lugar na passada semana  em ambas as instituições o congresso internacional de musicologia «Sebastián de Vivanco y la música de su tiempo».


Álbum Vivanco: Sancti et Justi (Motecta, 1610) – ℗ Cantus Records, 2016
Dulcissima Maria, a 4 · Capilla Flamenca · Dirk Snellings

Jazz com passado e futuro

O disco de estreia do pianista João Pedro Coelho é uma maravilhosa surpresa.
Nuno Catarino, Ípsilon de 7 de Outubro de 2022
Crónicas – João Pedro Coelho (2022)



Um dos momentos mais brilhantes no jazz português recente foi a edição do disco de estreia do quarteto de Ricardo Toscano. Nessa gravação, editada pela imparável Clean Feed, ouvíamos não apenas o fervilhante líder saxofonista, em notável forma, mas também os seus acompanhantes, três jovens músicos que se exibiam a um nível muito alto. Um dos membros desse aplaudido quarteto é o pianista João Pedro Coelho. Nascido em 1993, é licenciado em jazz pela Universidade Lusíada e pelo Conservatório de Amesterdão e tem acompanhado músicos e projectos como Elas e o Jazz, Nelson Cascais, André Fernandes, Afonso Pais, João Espadinha e Marta Garrett (no duo Canções da Ilha Deserta) e integra o Trio de Jazz de Loulé.
Coelho apresenta neste seu registo de estreia como líder um conjunto de 11 composições originais, interpretadas em trio. O pianista surpreende ao não se fazer acompanhar por talentos emergentes da sua geração.
Escolheu trabalhar com dois músicos veteranos da cena nacional: o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista André Sousa Machado. Começou por escreveu as composições num processo solitário ao piano e o trio desenvolveu e transformou a música num processo colectivo, durante uma residência artística em Valença, tendo depois seguido para estúdio gravar em Novembro de 2021).
Sendo que o quarteto de Toscano evoluiu sobre a herança coltraneana (e eram lendárias as sessões do grupo a interpretar A Love Supreme), o pianista cresceu com a necessidade de criar estruturas sólidas e fortes, do mesmo modo que McCoy Tyner fazia um som cheio para Coltrane. Mas, neste disco, João Pedro Coelho mostra não se acomodar como simples herdeiro/sucedâneo do “real McCoy”, vai às suas origens e revela os (muitos) mundos que o rodeiam e inspiram. Desde logo, será impossível que qualquer pianista ligado ao jazz em Portugal não carregue a herança de três mestres: Bernardo Sassetti, Mário Laginha e João Paulo Esteves da Silva.

Nicolas de Grigny – 350 anos

Oriundo de uma família de organistas, Nicolas de Grigny [1672-1703] foi aluno de Nicolas Lebègue [1631-1702] e titular do órgão da Catedral de Notre-Dame da sua cidade-natal Reims, cargo que ocupou até à sua morte prematura, apenas com 31 anos. A única música que nos legou foi um grande volume de obras para órgão, Premier livre d’orgue.


Álbum: Nicolas de Grigny, Nicolas Lebègue: Écrire le temps, 2020
Veni creator en taille à 5 – Qui Paraclitus diceris
Nicolas Bucher, órgão · Ensemble Gilles Binchois · Dominique Vellard