As Banhistas, de Ingres

Jean-Auguste-Dominique Ingres ( 1780-1867), que elegeu este tema como um dos seus favoritos, expôs a sua obra em simultâneo com o trabalho de Delacroix descrito no post anterior, no Salão de Paris de1824. Para sua surpresa, foi aclamado como um dos artistas que se opunham ao Novo Romantismo.


A Banhista, 1808

Neste seu primeiro estudo sobre o nú feminino, o apelo estético reside na monumentalização da figura individual.


A Grande Odalisca, 1814

“Quanto mais simples forem as formas, maior a beleza e a força.”


O Banho Turco, 1862

Nesta obra-prima realizada nos últimos anos de vida, Ingres retoma as banhistas e odaliscas dos primeiros anos. Os motivos para estas formas femininas idealizadas que vivem apenas para a beleza e prazer, são baseados em relatos pormenorizados do oriente – descrições sobre os banhos no harém de Maomé – e as cartas onde Lady Montagu descreve os banhos turcos.

Pela beleza abstracta, a magnífica pele branca como leite, as formas graciosas dos seus corpos e os seus cabelos e pela sua sensualidade, as banhistas possuem uma inocência paradisíaca, sem gestos ou comportamentos indecorosos entre si.
A beleza intangível das mulheres – suspensa no tempo – é obtida com grande economia de meios, através dos subtis jogos de luz que lhes moldam as formas e a pele.

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    • Rita
    • 20 de Setembro, 2005

    Desculpa António, sei que detestas comentários nada a propósito, mas não consigo resistir: o que mais me agrada em ti (para além dos óculos escuros e do clube) é eese teu lado de investigador/estudioso/laborioso, característica que admiro muito nas pessoas.

    Continua.

    Prometo voltar e comentar à séria.

    • mfc
    • 20 de Setembro, 2005

    Muito obrigado pelo convite para a “première”. Este espaço preenche um vazio, pois tanto quanto saiba é o primeiro a tratar a arte pictórica e representativa por este prisma.
    Boa sorte para a iniciativa e cá me terás para te ler.
    Parabéns e um abraço.

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