Arquivo de 21 de Setembro, 2005

Vénus e Marte, de Botticelli

A pintura florentina da segunda metade do séc. XV sofreu uma transformação cultural que evoluiu de uma cultura cívica para uma cultura palaciana, em grande medida pelo poder e influência dos Médicis.

Vénus e Marte, de Sandro Botticelli (1445-1510) ilustra essa mudança.

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Vénus e Marte - Sandro Botticelli, 1480

Vénus, a Deusa do Amor – aqui ricamente trajada e com uma postura vigilante – conquistou Marte, o Deus da Guerra, que – despojado de pensamentos bélicos – dorme no chão, rodeado pelos faunos.
Vénus e Marte refletem o amor espititual, que se sobrepõe à violência.

“O Pensamento Platónico alia-se ao Cristianismo sob a forma de tensão erótica”

É curioso como Vénus, em aparente estado de alerta, tem uma postura algo descontraída, enquanto Marte, com a cabeça reclinada, sugere algum movimento, pela postura dos braços.

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Vénus e Marte - Sandro Botticelli, 1480 (detalhe)

Da memória dos homens

Provavelmente, um dos mais terríveis desastres naturais na Europa foi o terramoto que destruiu Lisboa – uma das mais bonitas cidades do Velho Continente – no dia 1 de Novembro de 1755.
Houve três grandes terramotos: o primeiro foi o maior, às 9:40 da manhã. Seguiram-se outros dois, às 10:00 e ao meio-dia.
O choque principal durou seis a sete minutos, uma duração extraordinariamente longa.
Em cerca de seis minutos morreram 30.000 pessoas, a maioria dos edifícios públicos ruiram, bem como cerca de 12.000 habitações.
Era um dia de culto, donde grande parte das perdas humanas ocorreram nas igrejas.
Os incêndios que entretanto deflagraram um pouco por toda a zona da cidade que havia sido afectada, foram alimentados durante cerca de uma semana.

Ainda hoje podemos ver reflexos da devastação de há 250 anos, em locais como o Convento do Carmo e a Sé.

O gosto de revisitarmos a nossa história é hoje facilmente ultrapassado pelo mediatismo de acontecimentos de larga escala, mas de curta memória. É a vida.

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