Arquivo de 25 de Setembro, 2005

Orgulho e Preconceito

Os espanhóis preparam-se para encher a Castelhana, face à provável vitória de Fernando Alonso no Mundial de Fórmula 1. E orgulham-se.

Os portugueses, que desde os tempos de Colombo sabem que a Terra não é plana, estão prestes a plebiscitar um sistema em que não acreditam, composto maioritariamente por pessoas que não convidariam para sua casa.
E envergonham-se de o assumir.

Indigno-me, não só porque o patriotismo português é minado pelos processos de manipulação da opinião pública utilizados pelas elites sem escrúpulos, mas principalmente com a nossa falta de coragem moral e espírito crítico.

“Checks and balances”, no caso português, significa que os cínicos – em períodos eleitorais – dizem aos eleitores: Vocês só têm os governantes que merecem!

Possam um dia os portugueses ser ingratos!

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Numa o que é mal numa o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!

Vale, Fratres.

in Mensagem, de Fernando Pessoa

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