Arquivo de Outubro, 2005

Maria de Médicis, de Rubens

Peter Paul Rubens (1577-1640) – o grande mestre do Barroco, visitou Itália pela primeira vez em 1600.
Bebeu as influências de Tintoretto, Rafael e Caravaggio, como foi referido no post anterior.
Ao seu atelier de Antuérpia chegou em 1622 uma encomenda de 21 pinturas sobre a vida de Maria de Médicis, viúva de Henrique IV de França.

Maria de Médicis, 1622-1625

A primeira mulher de Henrique IV – a rainha Margot – viu o casamento anulado por não lhe ter dado nenhum herdeiro.
Catarina de Médicis, sua mãe, era prima afastada de Maria de Médicis de Itália;
Maria deu quatro filhos a Henrique IV, entre os quais o futuro rei Louis XIII.

detalhe

O desembarque em Marselha – a 3 de Novembro de 1600 – é aqui representado alegoricamente.
Sobre a Rainha flutua um fauno;
Neptuno e as ninfas acompanham o navio, para garantir a sua segurança.

detalhe

Este trabalho de Rubens visa legitimar a governação de Maria de Médicis, nomeada Regente após a morte do Rei, assassinado no dia seguinte à coroação.
Começavam aqui os problemas com o príncipe herdeiro..
Os factos históricos retratados por Rubens nesta obra, adquirem assim uma importância intemporal.

Sexual Healing

Jack, executivo numa empresa de biotecnologia, descobre que o presidente Powell é autor de grandes desfalques e decide denunciar a situação à Comissão de Mercados.
Num ápice, a sua vida dá uma volta; é despedido, vê as suas contas congeladas e não consegue arranjar emprego em lado nenhum.


Surge então Fátima – a bela e sensual ex-namorada que descobriu que também gostava de rata – acompanhada da sua possessiva companheira, Alex.
Elas querem engravidar e cada uma oferece dez mil dólarescash para que Jack seja o pai biológico.

O rapaz, depois de refeito do choque, rapidamente ultrapassa o dilema moral e deita mãos à obra.

Fátima resolve levar a coisa mais longe e Jack torna-se numa money-making chicken, engravidando metade das lésbicas de New York – incluindo Simona, a filha de Don Angelo Bonasera, um mafioso italiano!


Powell e Margo tentam fazer a folha a Jack, denunciando o seu próspero negócio de comércio de paternidades.

Mas a coisa não vai acabar bem para eles.

O final feliz para Jack – o sonho de qualquer homem – revela um ser sensível, sem perder o orgulho viril da condição de hetero, disposto a enfrentar o white power.

Em She Hate Me, Spike Lee alimenta o enredo com a ironia habitual com que aborda o sexo, a misceginização, o racismo, a droga, os poderes instituídos..
tudo temas pacíficos
!

A analogia entre Jack e Frank Wills – o segurança que denunciou os assaltantes no caso Watergate – e o riff de Torturro, imitando com imensa graça Marlon Brando em O Padrinho, são marcas do estilo inteligente de Lee fazer filmes. Sem retórica.

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Actores:
Anthony Mackie – John Henry ‘Jack’ Armstrong
Kerry Washington – Fatima Goodrich
Ellen Barkin – Margo Chadwick
Woody Harrelson – Leland Powell
Monica Bellucci – Simona Bonasera
John Turturro – Don Angelo Bonasera
Dania Ramirez – Alex Guerrero

Outros filmes de Spike Lee de visão obrigatória
:
Malcolm X-1992, Jungle Fever-1991, Mo’ Better Blues-1990, Do the Right Thing-1989.

Biblioteca Strahov, Praga

À Biblioteca Principal, erigida aquando da reconstrução do Mosteiro Strahov
– em meados do século XIII –
foi adicionada uma outra Bibioteca Pública, incluída no
Mosteiro Premonstratensian
Juntas, as duas bibliotecas guardam mais de seis milhões de obras!

Eis dois exemplos de preciosidades que constituem o acervo:

O Mosteiro está situado no ponto mais alto da cidade, a poucas centenas de metros do Castelo.
Não sendo muito divulgado nos circuitos turísticos, é de visita obrigatória, quer pelo esplendor dos frescos, quer pela sua importância histórica.

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Tarde demais para amar?


O que leva uma mulher madura a procurar como
companhia alguém consideravelmente mais novo?

A mulher madura – liberta dos cuidados maternais – está mais disponível para exercer a sua sexualidade de forma livre e descomprometida, sem se preocupar com outra coisa que não seja a satisfação pessoal.

O parceiro é uma viagem; O importante não é o destino, mas a forma de lá chegar.

A mulher madura gosta de si própria.
Não quer amar, mas deseja ser amada.
Não beija, quer ser beijada.
A relação amorosa é uma forma de poder, não de entrega.
A sua sensualidade está à flôr da pele, mas de forma insubmissa.


Sharon Stone fotografada em 2004

Bento – XXI

Para que fique registado no Colectivo Leonino, o quixotesco presidente abdicou do comando do Sporting, depois de o seu roncinante treinador o ter feito na véspera.
Porém, fê-lo com a segurança de que não seria sucedido por nenhum pançudo.
Apesar da ventania, o Moinho é defendido por gente sábia, como Soares Franco.

O voto de confiança em Paulo Bento tem bases sólidas.
Foi campeão nacional em Alvalade, onde terminou a carreira.
Escolheu o Sporting para iniciar a carreira de treinador; no primeiro ano, conseguiu o título de Campeão Nacional de Júniores.
A sua ponderação, certamente porá juízo nas cabecinhas de vento do balneário; neste momento, não é preciso muito mais para que a equipa volte a jogar bem, como os sócios gostam.

A melhor recepção que os leões lhe podem dar, será aderir em massa ao Alvalade XXI, independentemente dos dois resultados até lá!

O sismo das igrejas

Convento do Carmo, antes do Terramoto de 1 de Novembro de 1755

Mandado edificar por D. Nuno Álvares Pereira no século XIV, começou por ser um convento carmelita.
Na cerca, foram construidas celas minúsculas, destinadas a acolher os frades que vinham de Moura.
A cela do Santo Condestável ficou conhecida como “Casa do Século”.

Por consequência do Terramoto, vários conventos foram destruídos; O fervor religioso regista também um forte abalo, culminando na expulsão e extinção das Ordens Religiosas, ordenada por Joaquim António de Aguiar, em 1834.

De traço gótico, foi parcialmente destruído pelo Terramoto de 1755; Nunca tendo sido totalmente reconstruído, resta hoje o Claustro – de planta rectangular – e parte das ogivas da coberta.

Último post relacionado: Da memória dos homens

Blogue do dia

Vou agora. Que se faz tarde para a justiça.
Vou sem ilusão alguma. Sem medo algum. Honra e cidadania.
Vou pelas crianças vítimas do horror, pela dignidade do Estado, pela democracia, pela liberdade, por Portugal.

Não faço juízos de valor sobre as razões que levaram o Do Portugal Profundo a publicar documentos relacionados com a investigação do Processo Casa Pia; somos responsáveis pelos nossos actos. Mesmo nos blogs, convém ter presente.
Precisamente porque a liberdade que se respira na blogosfera deve ser responsável, devemos ser ponderados, mesmo quando entendemos que um determinado post reflete
não mais do que uma opinião meramente pessoal.
Será um lugar comum, mas a liberdade individual e a cidadania – que muito prezo – devem ser exercidas no estrito conhecimento das regras do jogo.
Parece simples, mas por vezes torna-se complicado.

Castidade

Tarde de chuva / É a península inteira a chorar / Entro numa igreja fria como um círio cintilante /
Sentada, imóvel / Fumando em frente ao altar / Silhueta, o esboço, a esfinge de um anjo fumegante /
Há em mim um profano desejo a crescer / Sinto a língua morta, o latim vai mudar /
Os santos no altar devem tentar compreender / O que ela faz aqui fumando… / Estará a meditar? /
Atirem-me água benta / Por ela assalto a caixa de esmolas / Com ela eu desço ao inferno de Dante / Atirem-me água benta / Por parecer latina, calculo que o nome dela é Maria / É casta, eu sei /
Se é virgem ou não, depende da vossa fantasia.
Rui Reininho, 1988

As dores do Leão


No dia do funeral de Carlos Gomes – obviamente que não tive o privilégio de conhecer uma das grandes glórias do Sporting – o presidente Dias da Cunha falou sobre os superiores interesses do Clube, para justificar a saída do treinador.
Não percebi o alcance das declarações.

O que transparece, pela ausência de ideias claras, é que não existe uma estratégia de curto-prazo para o futebol profissional. Aliás, desde o início da época que se nota, desde os resultados às exibições.
Por isso os sócios mostraram a indignação, mesmo ganhando ao Setúbal. Só não vê quem não quer!
Que diferença!, para o melhor futebol de Portugal, de há meia dúzia de meses..

As declarações de Paulo Andrade, não querendo fazer sangue dentro do Sporting, ficam-lhe bem, e mostram que é um grande sportinguista. Mas não é mais sportinguista que eu!
Se havia cabeças para rolar – como acontece em qualquer empresa – não era certamente por factores externos; a ser assim, caíam ministros todos os dias!

Uma coisa é verdade: a comunicação social tem muitas vezes responsabilidades nas danças de treinadores – e terá tido alguma no alimentar da instabilidade em torno da equipa do Sporting!
(para ilustrar este facto – que não é de forma nenhuma uma teoria da conspiração – veja-se o que estão a fazer com o treinador do F.C.Porto – quando as televisões passam até à exaustão as declarações em que ele diz que, se os sócios mostrarem os lenços, vai embora.)

Peseiro teve responsabilidades no desfecho da final da Uefa? Teve.
Mas não é o único responsável pelas exibições vergonhosas que a equipa tem feito.
Onde começou a instabilidade? Com a saída de Barbosa? Porque é que até jogadores como Douala e o puto Moutinho andam apáticos? Queriam que a imprensa olhasse para o ar com o episódio entre o Beto e o Custódio?

Depois de 2 semanas com o campeonato parado, a equipa blindada à imprensa, foi notório no jogo com a Académica que Peseiro não conseguiu resolver os problemas que havia dentro do balneário; na conferência de imprensa, ninguém – presidente, director e treinador – se atreveram sequer a aflorar o assunto, que – sendo interno – tem de ser explicado aos sócios.

Nenhum sportinguista aceita que uma equipa com o nível do Sporting jogue em casa a passar bolas ao guarda-redes!
E depois queixam-se da má imprensa.

Como eu não possuo, ou a incapacidade de ser..

desenho de Pablo Picasso, 1954
Como eu não possuo

Olho em volta de mim. Todos possuem —
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minhalma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei… perco-me todo…
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse — ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!…

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo…
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?…

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor…
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!…

Desejo errado… Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim — ó ânsia! — eu a teria…

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante…

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

Mário de Sá Carneiro

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