Archive for the ‘ Um Reino Maravilhoso ’ Category

Mensagem a Deus

Caro Deus,
escrevo-te estas breves linhas enquanto homem sem capacidade para te admirar, não por falta de doutrina ou por te negar, o que tornaria impossível esta carta, esperando ainda que não tomes estas palavras como um qualquer pedido de natureza pessoal.
Imagino que não tenhas qualquer intervenção sobre os recentes movimentos na crosta terrestre, dos quais certamente terás já tido notícia pela enorme falange de crentes, relatando milhares de mortos, muitos, teus fiéis.
Por todo o mundo se mobilizam meios, humanos e materiais, para acorrer aos sobreviventes e resgatar os corpos dos desaparecidos, pois o tempo urge. Estamos a fazer o que podemos.
Às muitas pessoas soterradas, a quem poucas forças restarão para pedir ajuda, bem como àquelas a quem vai faltando a esperança de encontrar familiares ou amigos ainda com vida, se lhes puderes aquecer um pouco a alma, estou certo que te ficarão reconhecidos.

Onde quer que estejas...

Templos do Sol – Chãs, Foz Côa (2009)

Arte Rupestre – Canada do Inferno

A Canada do Inferno, cujo estudo foi já iniciado, fica num troço em que o rio percorre um vale profundo, com um encaixe de cerca de 130 metros . Era nesta zona do vale, 400 metros a jusante, que estava em construção a barragem de Foz Côa. Foram já inventariadas trinta e seis rochas gravadas, a maior parte das quais está submersa a pouca profundidade desde 1983 em consequência da construção da barragem do Pocinho, cuja albufeira penetra pelo vale do Côa acima até cerca de 6 km a montante da confluência com o Douro.

Em criança (muito antes da Barragem do Pocinho) esta zona do Côa era uma ribeira que no verão se podia atravessar a pé...

Antes da submersão, existia aqui uma pequena praia fluvial dominada por imponentes escarpas de xisto cujas superfícies verticais viradas a nascente serviram de suporte às gravuras das diversas épocas. Entre as que datam do Paleolítico os motivos predominantes são as representações de auroques, cabras e cavalos. Como particularidade, assinala-se a existência de vários peixes gravados em duas das rochas deste núcleo, numa (submersa) por picotagem, noutra (emersa) por incisão filiformeVia.

Museu do Côa abre mesmo sem autarquias e sem privados

Administração Central assumirá a gestão do equipamento, com abertura prevista para Março

O Museu do Côa vai abrir mesmo que o modelo de gestão adoptado não inclua a participação de autarquias e privados.
A Administração Central pode assumir sozinha o equipamento, com abertura prevista para a Primavera de 2010.
“A questão do modelo de gestão é um falso problema”, disse, ao JN, Fernando Real, do Grupo de Trabalho do Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa, que se extinguirá após a abertura do espaço museológico. “Esta dificuldade só se levantou porque estávamos num período pré-eleitoral, em que houve algum ruído”, realça o responsável, garantindo que a forma de gerir aquela estrutura “sempre esteve pensada” e que “há mesmo estudos de viabilidade económica e financeira”.
Fernando Real explica que
“a Administração Central tem responsabilidades na gestão financeira de um empreendimento desta natureza”, até porque o museu pertence ao Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) e o Governo tem “um compromisso perante a região, o país e a UNESCO de de-senvolver este equipamento”.

Por isso, o também assessor da direcção do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e que presidiu ao extinto Instituto Português de Arqueologia, diz que
não faz sentido continuar-se a falar na falta de um modelo de gestão para protelar a abertura do Museu do Côa. “Não percebo muito bem onde se quer chegar. Deve haver algum interesse que se me escapa”, enfatiza.
E foi por causa daquele alegado
“megaproblema” que também tem vindo a ser adiada a aprovação, em Conselho de Ministros, do Plano de Ordenamento do território que corresponde ao PAVC. E isto 13 anos após a sua criação. Fernando Real assegura que o documento “está concluído e pronto a ser aprovado”, e, segundo diz, “vai facilitar a vida às autarquias em termos de licenciamentos naquela área”.
A inauguração do Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa é que
só deverá ocorrer em Fevereiro ou Março de 2010, coincidindo com o período em que no Douro Superior se fazem as festas das amendoeiras em flor. “Pessoalmente, acho que seria uma altura estratégica para o inaugurar”, opina Fernando Real, pois “não fará sentido abri-lo numa época baixa, em que faz frio e em que as estradas terão gelo”. E como “atrás de tempo, tempo vem”, a Primavera afigura-se-lhe como a estação do ano mais propícia para abrir ao público uma estrutura que custou 17,5 milhões de euros e que não teve derrapagens orçamentais.
Mas, antes de se cortar a fita, vai ser necessário colmatar algumas lacunas. O IGESPAR ainda tem de receber a obra do empreiteiro, uma vez que faltam pequenos acabamentos, que representam cerca de 2% do total da obra.
“O edifício não poderá ser recebido enquanto não estiver totalmente pronto”.
Dentro de duas semanas, deverá ficar resolvido um problema ligado à refrigeração da central de informática. Os trabalhos já foram adjudicados e só se aguarda pela sua execução. Falta ainda colocar um varandim no miradouro do museu para evitar quedas, a colocação de acessórios nos sanitários e resolver problemas de iluminação, entre outros. Ou seja, um somatório de pormenores que até ao final deste ano deverão estar concluídos.
Por Eduardo Pinto do JN.

Equinócio – Os Alinhamentos Sagrados

No Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira, na aldeia de Chãs, Foz-Côa, os nossos antepassados celebravam o esplendoroso momento do Equinócio de Outono com oferendas à deusa-mãe, gratos pela fertilidade da Terra.
Nos nossos dias, os agricultores derramam o leite nas ruas das cidades europeias, pois o preço de venda, imposto pelo Directório de Bruxelas, é inferior aos custos de produção. Pouco têm para celebrar…

O ciclo que hoje pretendo evocar, em comunhão, é o ciclo do equilíbrio e da harmonia da Terra com o Sol, da noite igual ao dia.
Venha o Outono, que nós, o Mago das Teclas, o Sacerdote e este vosso humilde escriba, estamos já a pensar no Solstício de Verão e na celebração maior que alguma vez a Pedra do Sol terá visto! 🙂

O nascer do Sol assinala hoje, na Pedra da Cabeleira, a chegada do Outono

Recinto do Santuário da Pedra da Cabeleira

2010 – Côa Valley Odyssey

2010 - Côa Valley Odyssey - Creative Visualization

Museu do Côa

Um ano depois de uma visita clandestina às obras, no passado fim-de-semana não tive a mesma sorte.
As legendas das fotos foram retiradas da Memória Descritiva dos autores do Projecto (Arquitectos Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo)

O território sugere neste caso uma dupla leitura, pois é o suporte natural da paisagem, com que se pretende intervir e dialogar, mas é também a consequência da intervenção do homem numa natureza modelada, enfatizando a condição artificial.

No caso do Museu parece ser importante o sentido afirmativo do corpo, quer na sua leitura de intervenção na paisagem, quer quanto à sua natureza tipológica que deve ser formalizada enquanto massa física, não deixando quaisquer ambiguidades e equívocos quanto à sua localização e conteúdo…

Para a plasticidade da matéria do corpo interessa considerar três temas: a massa, textura e a sua cor

(...) sugerida nas eiras de secagem da amêndoa que pontuam alguns terrenos da envolvente...

(...) a condição de intervenção na paisagem é executada com elementos naturais promovendo continuidade, onde a geometria de carácter abstracto se impõe destacando a intervenção. (...) a estratégia é a de trabalhar um corpo, desenhado especificamente para um lugar promovendo um diálogo intimo entre artificial/natural e aumentando deste modo a complexidade temática da composição do mesmo.

O betão interessa pelas suas características plásticas e tectónicas...

No entanto, este, usado na sua cor natural, cinzento, promoveria alguma ruptura com o terreno onde predomina o castanho amarelado do xisto. Deste modo a proposta é que a matéria do corpo seja betão com inertes e pigmento de xisto resultando numa massa híbrida

Museu e Vale do Côa

Os políticos (ver artigos mais baixo) brindam-nos com conversas redondas:  Pinto Ribeiro tira coelhos da cartola sem explicar como faz o truque, o que é normal num ilusionista; Carrilho brinca ao toque e foge, quando em tempo útil teve os meios e o tempo necessário para evitar que o Parque fosse votado ao abandono, como agora refere. Resta-me o conforto de saber que no próximo fim-de-semana vou disfrutar daquelas montanhas e, se conseguir, ver como ficou o Museu 🙂

Vídeo com imagens das obras do Museu, Julho de 2008

Vila Nova de Foz Côa, Guarda, 29 Ago (Lusa) – O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, desafiou sexta-feira à noite, à chegada a Foz Côa, os municípios do Vale do Côa a criarem uma sociedade anónima juntamente com ministérios para gestão do Museu e Vale do Côa.
O modelo que gostaria que fosse aplicado é um modelo que envolvesse todos os municípios do Vale do Côa“, disse Pinto Ribeiro, que falava na sessão de boas-vindas no salão nobre da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa e à Agência Lusa.
O governante defendeu que todos os 10 municípios que compõem a Associação de Municípios do Vale do Côa “fizessem provavelmente uma sociedade anónima com um terço, onde outros 33 por cento sejam do Ministério do Ambiente e outros 33 por cento do Ministério da Cultura, formando três parceiros com uma gestão que seja feita sobretudo a partir daqui“.
José António Pinto Ribeiro considerou até a possibilidade da incluir na sociedade anónima o Ministério da Economia e do Turismo, encontrando assim uma solução de “30 por cento para os municípios, 30 por cento para o Ministério da Cultura e 20 para o Ministério do Ambiente e outros 20 para o Ministério da Economia e do Turismo“.
Isto é, vamos encontrar uma solução em que estejam envolvidas todas as entidades que podem dar o apoio a este movimento, mas que ao mesmo tempo estejam as pessoas que garantam que esta sociedade seja, de facto, um instrumento e um motor de construção e discurso de identidade e uma solução para que as pessoas que daqui saíram possam voltar“, salientou.
O ministro da cultura acredita que é possível partir desse ponto “para depois fazer uma rede ainda maior com o Museu do Douro, com Zamora, Valadolid e com outras entidades que possam sustentar esse crescimento“.
Segundo José António Pinto Ribeiro, vai ser definido um prazo de seis meses para se constituir uma sociedade de gestão do Museu e do Vale do Côa e dotá-la com os capitais necessários, pelo que está convencido que, “se isso puder ser feito“, a região do Vale do Côa conseguirá “resolver sistematicamente os seus problemas“.
Pinto Ribeiro chegou já ao romper da noite a Vila Nova de Foz Côa com “grande curiosidade“, sobretudo “para ver“, porque quando chegou ao ministério “a primeira reunião de trabalho e serviço foi acerca do atraso das obras do Museu do Côa“.
Isto é vosso“, frisou, e “se não for feito por vocês e apropriado pelas pessoas daqui não será nada“, sublinhou.
Uma das coisas que vim fazer foi ouvir localmente o meu aluno – Emílio Mesquita, presidente da autarquia de Vila Nova de Foz Côa -, que um dia foi a Lisboa pedir-me para prestar mais atenção a este território“, acrescentou, recordando sempre ouvir dizer que neste território «são nove meses de Inverno e três de Inferno». Via.

Vista do Côa, a partir da Foz. O museu está situado do lado direito da encosta, por cima do meu Portal

Manuel Maria Carrilho, o ex-ministro da Cultura que lançou o projecto do Parque do Côa e a sua bem-sucedida candidatura a Património Mundial, mostra-se perplexo com as medidas que o seu sucessor ontem anunciou. “O momento parece-me impróprio, atendendo ao contexto quase eleitoral em que estamos, os objectivos são insólitos, à luz das exigências de protecção de um património mundial, e toda essa conversa das percentagens parece-me também um bocado obscura”, afirmou Carrilho. O actual embaixador de Portugal na UNESCO recorda ainda que “o Estado português assumiu compromissos muito claros em relação ao raríssimo e valiosíssimo património paleolítico do Côa” e sublinha que a maior parte dos sítios que hoje correm riscos de desclassificação o devem, justamente, a questões relacionadas com os respectivos modelos de gestão.
Carrilho reconhece que o Côa tem “problemas evidentes”, mas assaca-os ao “abandono a que o projecto foi votado a partir de 2001”, lembrando que “o parque tem hoje metade dos guias de que dispunha nessa data, quando o que estava previsto era ter o quádruplo”, e que a sua frota de jipes nunca foi renovada. “É isso que deve ser alterado”, diz, “mas sem que o Estado se demita de responsabilidades que em exclusivo lhe cabem”. Via.

Um duriense superior

Proponho um brinde com um vinho nascido na zona de Almendra, onde o Francisco perdeu a vida num estúpido acidente há 30 anos. Tenho saudades do Francisco e estou certo que hoje celebraríamos com alegria a bonita idade de 80 anos do Francisco com este Quinta da Leda que, imagino, seria o seu eleito. Claro que discutiríamos os porquês de o Callabriga ser o meu preferido, entre outras minudências como a próxima abertura do Museu do Côa. Parabéns, Pai!

Quinta da Leda
Na região Este do Douro, situa-se a Quinta da Leda, a jóia mais recente da Ferreira. Com ela, nasce no inóspito Douro Superior uma nova dimensão para os vinhos do Douro. Com ela, a Casa Ferreirinha faz jus ao nome e recria-se em vinhos de grande complexidade e estrutura, portentosos mas plenos de frescura e vigor. Aqui, onde o Douro se renova, confirma-se a excelência dos vinhos que criam o mítico Barca Velha e juntam-se-lhe novos valores como os recentes Quinta da Leda e Callabriga.
A Quinta da Leda configura todo um novo desafio enológico para a região, possuindo os mais modernos sistemas de plantação e vinificação do Douro
Os seus 85 ha de vinha estão separados por castas sendo que as plantações mais recentes de Touriga Nacional estão mesmo plantadas por clones.

O Universo de Raphael Bordallo Pinheiro

O Museu do Douro apresenta a Exposição “O Universo de Rafael Bordallo Pinheiro – Caricatura e Cerâmica”, em parceria com a Colecção Berardo, o Museu Bordallo Pinheiro, a Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro e o Museu Casa dos Patudos. De 31 de Julho a 31 de Janeiro de 2010.

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