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Hierofania Solar

Desde a Idade do Bronze que existia no norte da Europa o mito proto-histórico do Cavalo do Sol, o carro solar de Trundholme.
Descoberto em 1902 no Pântano de Trundholm na Dinamarca, este protótipo do carro profano, datado por volta de 1400 antes de Cristo, simboliza o movimento diário do Sol, conduzido por cavalos divinos.
Em dia de Solstício de Verão, o Trundholm Sun Chariot é um exemplo da consequência das descobertas empíricas do homem na sua relação com o Cosmos.

Trundholm Sun Chariot, Museu Nacional da Dinamarca

A meridiana de St. Sulpice

Nos séculos XVII e XVIII, era comum as igrejas terem meridianas solares para acertarem os seus relógios mecânicos e fornecerem a hora solar local às populações. Esses gnómones atingiram uma grande sofisticação, e passaram a ter usos vários. Além de marcarem o meio-dia solar verdadeiro, marcavam também a altura do Sol por ocasião da sua passagem meridiana, o que permitia detectar os solstícios e equinócios e assim conhecer o dia do ano, o que era essencial para as datas litúrgicas.

Projecção dos raios solares, na igreja parisiense de St. Sulpice, nos solstícios de Inverno (linha à esquerda), de Verão (linha à direita) e nos equinócios da Primavera e do Outono (linha central). Gravura da obra Saint-Sulpice, de Lemesle (1931).
Durante a Idade Média, as populações estavam afastadas e as comunicações eram muito difíceis. Um objectivo central da Igreja, que por isso estava muito preocupada com o calendário, era fazer com que os fiéis em todo o mundo pudessem celebrar a Páscoa no mesmo dia. Para isso, todos teriam de ter meios de cálculo dessa data, ou seja, todos teriam de saber calcular esse dia do ano. Os relógios de sol mais sofisticados eram essenciais para o efeito, pois medindo a altura meridiana do astro-rei permitiam o reconhecimento das datas dos solstícios e dos equinócios. Pouco a pouco, esses relógios solares meridianos foram ganhando em precisão e sofisticação. No século XVII, começaram a aproveitar-se alguns grandes edifícios para construir meridianas solares de grandes dimensões. A meridiana de St. Sulpice é um belo exemplo de um desses instrumentos.
Via Portal do Astrónomo.

Templos do Sol – Chãs, Foz Côa (2009)

Solstício de Verão

Nem só na Pedra do Sol se celebrou o Solstício de Verão. Há mais druidas do que imaginam… 🙂

Supremo sacerdote neo-pagão, durante a celebração do solstício de Verão, na Rússia. foto Sergey Ponomarev/AP

Solstício de Verão

Com um pedido de desculpas pelo atraso, agradeço reconhecido aos amigos Andrade (Andradarte) e Black Angel (Pleasuredome II) a gentileza das respectivas citações.  🙂

Hoje celebra-se mais um Solstício de Verão num local sagrado, A Pedra do Sol, um antigo altar de pedra localizado numa zona castreja em Chãs, concelho de Foz Côa. As sacerdotisas pagãs entoam cânticos, enquanto os sacerdotes druidas, de túnicas brancas, transportam aos ombros  o cordeiro para o ritual das oferendas, em louvor às Forças da Natureza.

A Pedra do Solstício, que se supõe ter sido local de culto e posto de observação astronómico, em tempos recuados, tem a forma arredondada. Fica a curta distância de outro templo solar, o Santuário da Pedra da Cabeleira, onde são celebrados os Equinócios. Ergue-se na vertente de uma vasta depressão rochosa, sobranceira a um fértil vale que desemboca na Ribeira dos Piscos, em cujo curso se situam alguns dos principais núcleos de gravuras rupestres classificados como Património da Humanidade. Via.

Ainda sobre Foz-Côa, recomendo a leitura desta posta de António Martinho Baptista, um alerta sobre os perigos que espreitam o Museu do Côa.

Pedra do Sol - foto de Pedro Soares

Solstício do Verão (editado)

Para celebrar a Roda do Sol e saudar a entrada do Verão, nos próximos dias 20 e 21 decorre o Festival Solsticial, no lugar dos Tambores – A Rota dos Templos do Sol – arredores de Chãs, Concelho de Vila Nova de Foz Côa.

O ponto alto dos festejos, dia 21, a partir do meio da tarde, com a participação da Associação Cultural Pagã e os Grupos de Gaiteiras (Las Trailarailas) e Pauliteiros de Duas Igrejas, Miranda do Douro, após o que haverá um arraial popular com sardinhada e febras, animado por concertinas, no adro da igreja.

Informação completa na página Solstício de Verão

Post editado para reparar o lapso de não ter referido o nome do meu amigo Jorge Trabulo Marques, a quem agradeço a informação, sem a qual não teria conseguido criar a página acima referida.

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