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Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa – Comunicado

Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa

Tendo em conta declarações públicas proferidas por vários responsáveis do IGESPAR prevendo a abertura do Museu do Côa durante o corrente ano de 2009, a Associação Profissional de Arqueólogos (APA) dirigiu a este instituto uma série de questões concretas que consideramos não terem sido devidamente esclarecidas (cf. troca de correspondência anexa).

Não podemos deixar de expressar a nossa apreensão pelo facto do organismo que tutela o património cultural em Portugal não dar a conhecer as suas intenções relativas ao modelo de gestão a adoptar para o Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), bem como à forma de integração do património cultural nas regras estratégicas para o desenvolvimento regional ? necessariamente dependentes do ainda inexistente plano especial de ordenamento para o território abrangido pelo PAVC. Assumindo o IGESPAR a abertura do Museu do Côa no corrente ano de 2009, cujo último semestre que atravessamos é inevitavelmente marcado por eleições legislativas e autárquicas, a APA teme que possam precipitar-se decisões que venham a revelar-se pouco adequadas à protecção e valorização do património arqueológico do Vale do Côa.

Nesse sentido, apelamos publicamente à divulgação das intenções do Ministério da Cultura sobre esta matéria, de modo a que possam ser construtivamente debatidas por todos os agentes necessariamente envolvidos: dos gestores do património cultural aos arqueólogos, passando pelos agentes de promoção e operação turística e todas as entidades públicas e privadas de âmbito local, regional e nacional interessadas no desenvolvimento deste território. Certos de que uma solução sustentável de desenvolvimento do Vale do Côa se fará melhor com o contributo de todos, a APA expressa publicamente em nome dos profissionais de arqueologia a disponibilidade para a colaboração na construção dos instrumentos necessários ao retorno social do investimento público já realizado na salvaguarda e valorização deste importante património arqueológico.

A Direcção da Associação Portuguesa de Arqueólogos

13 de Julho 2009

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Solstício de Verão

Com um pedido de desculpas pelo atraso, agradeço reconhecido aos amigos Andrade (Andradarte) e Black Angel (Pleasuredome II) a gentileza das respectivas citações.  🙂

Hoje celebra-se mais um Solstício de Verão num local sagrado, A Pedra do Sol, um antigo altar de pedra localizado numa zona castreja em Chãs, concelho de Foz Côa. As sacerdotisas pagãs entoam cânticos, enquanto os sacerdotes druidas, de túnicas brancas, transportam aos ombros  o cordeiro para o ritual das oferendas, em louvor às Forças da Natureza.

A Pedra do Solstício, que se supõe ter sido local de culto e posto de observação astronómico, em tempos recuados, tem a forma arredondada. Fica a curta distância de outro templo solar, o Santuário da Pedra da Cabeleira, onde são celebrados os Equinócios. Ergue-se na vertente de uma vasta depressão rochosa, sobranceira a um fértil vale que desemboca na Ribeira dos Piscos, em cujo curso se situam alguns dos principais núcleos de gravuras rupestres classificados como Património da Humanidade. Via.

Ainda sobre Foz-Côa, recomendo a leitura desta posta de António Martinho Baptista, um alerta sobre os perigos que espreitam o Museu do Côa.

Pedra do Sol - foto de Pedro Soares

Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa

A abertura do Museu do Côa e a legalização do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) estão para breve, faltando alguns pormenores e a aprovação política. A garantia foi deixada na semana passada pela directora do PAVC, Alexandra Cerveira Lima, segundo a qual, neste momento, está a ser definido o modelo de gestão do parque, já que integra o museu. «Trata-se estritamente de uma decisão política, porque é possível, em última análise, a mudança das leis. Só depende da decisão da tutela, que vai definir a melhor solução para a gestão do parque», disse. Recorde-se que o PAVC ficou numa situação irregular quando foi criado, porque a legislação portuguesa referente ao património não previa a figura do Parque Arqueológico. Quando isso foi possível, definiram-se também os passos para a sua criação e o último é a promulgação de um decreto regulamentar, como já acontecia com os parques naturais. «É este passo que falta e estamos a todo o momento à espera. Esperemos que ainda este ano, quando ocorrer a abertura do museu ao público, também se possa dizer que o parque está legalmente criado», adianta a responsável. Quanto ao museu – que está sob a tutela do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), Alexandra Cerveira Lima assegura que «o edifício está acabado, faltando apenas o recheio». A obra, orçada em cerca de 18 milhões de euros e que teve o seu início em Janeiro de 2007, irá permitir o acolhimento de novos públicos, acredita a responsável.
Constituindo-se como um local de descodificação da arte, outra característica do futuro museu será o facto de grande parte do seu conteúdo estar no exterior, como o território e a arte rupestre do Vale do Côa. «O museu é também uma estrutura relevante porque não carece de marcação prévia. A partir do momento em que for inaugurado, as pessoas vão visitar o que quiserem, conduzidas já com uma informação sobre o território que as guia por aquilo que podem ver. E se quiserem ficar, têm sempre realidades interessantes para ver, o que é algo que não é possível na estrutura actual ao fim-de-semana e em época alta. E nem nós nem os guias a trabalhar em operadores privados conseguimos fazer face à procura», refere a directora. Aquele que será o segundo maior museu (em área) de Portugal a seguir ao de Arte Antiga, em Lisboa poderá vir ainda a beneficiar do interesse espanhol, espera Alexandra Cerveira Lima: «A Junta de Castela e Leão está interessada numa ligação ao Côa por causa da candidatura de Siega Verde a Património da Humanidade e até numa dinâmica cultural». «Aproveitando a ligação a Espanha, ao Douro e ao Sul, juntando estas sinergias e com pessoas da área, pensamos que é possível fazer uma programação muito interessante», sustenta a directora do PAVC.Via.

Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa

Quinze anos depois…
Da revelação, ao mundo, de uns rabiscos que não sabiam nadar.
De os mesmos rabiscos chegarem a ter sido datados por especialistas, como tendo no máximo 300 anos – Juro que não fui eu! Apesar de por ali ter passado em miudo, quando ia banhar-me na ribeira, estou convencido que os rabiscos já lá estavam…
Do desvario dos senhores da Unesco, que classificaram o sítio como Património da Humanidade.
De pouco ou nada se ter investido em infraestuturas na Região, de modo a potenciar o Parque.
De o Rio Sabor – que não tem culpa nenhuma, – ser quem vai pagar as favas.

O Vale do Côa vai assistir, finalmente, à inauguração do seu Museu, que divulgará um dos mais longos ciclos de arte rupestre da Europa… e o resto é paisagem. Minimalista! 🙂

 

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Museu do Côa

Enquanto não é divulgada a data de inauguração do Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa (atenção ao calendário, sr ministro da cultura, as eleições estão aí à porta), a esforçada equipa do PAVC vai puxando pela imaginação para atrair visitantes.
Duas notas ainda, para as obras em fase de acabamentos e para o lançamento do novo livro de António Martinho BaptistaO paradigma perdido: o Vale do Côa e a arte paleolítica de ar livre em Portugal.

 

antonio-martinho-baptista

O clarão que ilumina o seu próprio caminho…

Entender o texto espiritual alquímico Rosarium Philosophorum pelo misticismo, constitui exercício idêntico àquele de entender a poesia através de fábulas e parábolas.

Foto de JTM

Foto de JTM

 

Parece-me esta a introdução ideal para assinalar a presença do radiestesista  Tom Graves em Portugal. O autor de Agulhas de Pedra (Zéfiro), propõe – em confronto com a arqueologia convencional – um conjunto de princípios e finalidades para os círculos de pedras (cromeleques), que justificam a existência uma cultura megalítica de antas e menires com mais de 50 mil anos , período muito anterior ao proposto pelos arqueólogos que, segundo Tom Graves, não introduzem a sacralidade na equação.

Hoje, a convite da Comissão das Celebrações do Equinócio e do Solstício, de que o amigo Jorge Trabulo Marques é membro, Tom Graves irá ao local sagrado de Tambores-Chãs para, no Santuário Rupestre próximo de Vila Nova de Foz Côa, estudar as pedras do sol e, quem sabe, confirmar a sua teoria de que «Em toda a parte existe uma interacção entre as pessoas e o lugar – e o lugar também tem as suas escolhas.»  

 

É precisamente aqui que se centra a minha curiosidade:

Na tentativa de compreensão do “espírito do lugar” (genius loci) e conhecimento dos Mistérios da Terra.

Equinócio – Nos Alinhamentos Sagrados dos Tambores

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Informação detalhada sobre a celebração deste ciclo da natureza, aqui.

Castelo Velho – Freixo de Numão

Descoberto em 1980 pelo arqueólogo António Sá Coixão, investigado e musealizado pela Prof.ª Susana Oliveira Jorge entre 1989 e 2003, este Castro, cuja história começa por volta do início do terceiro milénio a.C. (mais ou menos cinco mil anos), está implantado em Freixo de Numão, concelho de Vila Nova de Foz Côa. Foi inaugurado a 3 de Agosto de 2007.

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more about “Castelo Velho – Freixo de Numão“, posted with vodpod

Da colina onde se situa, avista-se O Monte de São Gabriel, a Meseta e a Serra da Marofa. Porque, possivelmente, o vale do Côa serviria de ponto de passagem, a sua localização era magnífica; Funcionava como centro comunitário para as populações agro-pastoris que se fixavam em lugarejos espalhados pelo vale (do outro lado do vale, sensivelmente a cinco quilómetros, situam-se as gravuras rupestres).

as fotos abrem numa nova página, com dimensões de 2048 x 1536

Este local era habitado por uma elite que assegurava a sua manutenção e se encarregava de organizar as festas das colheitas, com rituais de carácter profano.

Este tipo de Castro não tinha funções de fortificação, o que nos dá uma ideia da vivência e das crenças dos povos primitivos que por aqui passaram.

O projecto de arquitectura que inclui um centro interpretativo, é da responsabilidade dos arquitectos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez e o projecto de restauro é de Joaquim Garcia.

Só não previram que as aves que por ali andam não estão habituadas a obstáculos e muitas morrem no choque com as vidraças do Centro. Façam qualquer coisa, pela saúde dos bichos.

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Castelo Velho é um sitio rodeado por linhas de água; Este povoado tem no centro um recinto, delimitado por muralhas e do lado sul uma rampa pétrea que por sua vez este ano foi desmontada, sendo mesmo a primeira vez que se realiza este tipo de desmonte em Portugal. No interior do recinto existe uma torre rodeada por quatro estruturas, há depois uma linha de muralha interrompida. Há outras estruturas subrectangulares e um grande torreão anterior a toda a estrutura pétrea. Este complexo foi todo construído de uma só vez (cerca de 3000 a.C.) e todo o conjunto foi mantido até 1300 a.C., tendo uma ocupação desde o Calcolítico ao Bronze Pleno. Trata-se de um recinto com uma área relativamente pequena, cujo interior tem também estruturas pequenas: recinto superior, rampa pétrea, murete descontínuo, plataformas que se desenvolvem ao longo da arriba. As rampas pétreas desenvolvem-se todas no sentido sul, no lado de menor acesso, mas de maior monumentalidade. É um paradoxo em termos de acessibilidade e defesa. Ao longo do tempo, preservou-se e reutilizou-se globalmente as muralhas e a torre central, embora talvez, não lhes dando a mesma função. As muralhas podem ter sido reduzidas a muretes delimitadores do espaço interior do povoado, perdendo a eventual capacidade defensiva. Este sítio está rodeado por um conjunto de montes mais altos que o sítio propriamente dito, apesar de ter uma grande visibilidade na paisagem.

De facto, a sua função não é facilmente inserível no contexto doméstico, é um local que de habitação tem muito pouco e a explicação simbólica e ritual começa a fazer mais sentido. Castelo Velho vem colocar uma nova questão no contexto dos povoados Calcolíticos: trata-se de um sítio com uma função social mais especializada que nos outros locais onde ocorriam cerimónias que utilizavam estas estruturas de formas variadas. A arqueologia tem dificuldade em definir ritual, pois até agora só há uma estrutura com deposição de ossos humanos.

Castelo Velho tem uma visibilidade bastante grande, avistando-se até Espanha, logo a monumentalidade deste sítio era para ser vista, era essa a sua função, servia para ser observada. Além disto deveria ser um local fechado, pelo menos no recinto superior, onde se erguia uma estrutura de madeira e argila, até porque se trata de uma zona ventosa. O símbolo deste povoado é o peso de tear, alguns têm uma decoração típica. Usavam grandes lajes de xisto aproveitando as suas faces naturais, o xisto era preso pela terra argilosa da região junta com água.

A primeira fase construtiva do sítio é anterior ao terceiro milênio a.C., quando se registrou uma breve ocupação que, entretanto, permitiu fossem erguidas estruturas habitacionais, como testemunham alguns buracos de poste, lareiras e fragmentos cerâmicos. Data desse período a edificação de um torreão com evidências de ter sido utilizado até cerca de 1300 a.C.

Uma segunda fase construtiva registrou-se entre cerca de 2900 a.C. e o início do segundo milénio a.C., abrangendo a edificação, na cota mais alta do esporão, do que se considera um “monumento” de planta sub-elíptica delimitado por uma pequena muralha e complementado, a Sul, por um recinto subcircular, bem como uma plataforma intermédia circundada por uma rampa ou talude, com átrio. Datam deste período algumas cabanas a ele associadas e diversos fragmentos de cerãmica, dormentes e moventes graníticos, pontas de seta, pesos de tear, diversos objetos de cobre e um de ouro, contas de colar e outros elementos de adorno.

Uma terceira fase construtiva decorreu entre o início do segundo milénio a.C. e 1300 a.C., enquanto as primitivas estruturas continuavam a ser utilizadas, enquanto se reconstruia uma rampa e se erguiam estruturas perecíveis. Data desta fase um espólio constituído por vasos cerãmicos, com motivos decorativos.

Uma quarta fase construtiva, mais recente, consistiu na petrificação da zona “monumental”.

fontes: ippar e wikipédia

Solstício do Verão (editado)

Para celebrar a Roda do Sol e saudar a entrada do Verão, nos próximos dias 20 e 21 decorre o Festival Solsticial, no lugar dos Tambores – A Rota dos Templos do Sol – arredores de Chãs, Concelho de Vila Nova de Foz Côa.

O ponto alto dos festejos, dia 21, a partir do meio da tarde, com a participação da Associação Cultural Pagã e os Grupos de Gaiteiras (Las Trailarailas) e Pauliteiros de Duas Igrejas, Miranda do Douro, após o que haverá um arraial popular com sardinhada e febras, animado por concertinas, no adro da igreja.

Informação completa na página Solstício de Verão

Post editado para reparar o lapso de não ter referido o nome do meu amigo Jorge Trabulo Marques, a quem agradeço a informação, sem a qual não teria conseguido criar a página acima referida.

Vale Encantado

Na encosta sobre a margem esquerda do Rio Côa e antes de chegar à ponte férrea, está a nascer o Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa

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