Exumação
A justaposição de bocas braços e pernas faz, desta obra de Willem de Kooning, mais do que abstracta, talvez uma das mais tardias expressões do cubismo. Leituras?
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A justaposição de bocas braços e pernas faz, desta obra de Willem de Kooning, mais do que abstracta, talvez uma das mais tardias expressões do cubismo. Leituras?
Esta imagem representa apenas um frame do tríptico Jardim das Delícias de Hieronymus Bosch, a mais recente das obras primas do Museu do Prado em Giga pixeis a ter sido carregada para o Google Maps.
Este pequeno detalhe está no canto inferior direito do painel central. Divirtam-se! 🙂
Este quadro é uma das obras fundamentais do século XIX. O tema retrata um acontecimento recente da época, o salvamento dos sobreviventes ao naufrágio da fragata “La Méduse”, que se teria afundado perto da costa do Senegal, em 1816.
Cento e cinquenta pessoas andaram à deriva durante dez dias numa jangada. Restavam quinze sobreviventes, quando finalmente avistaram um barco. Foi este o momento escolhido pelo pintor. Gericault propôs-se contar a tragédia através do relato de dois dos sobreviventes, representados ao pé do mastro, que lhe deram uma descrição precisa da jangada. As suas preocupações com o realismo, levaram-no ao hospital para observar os sobreviventes e os cadáveres, tendo não só levado para o seu atelier de trabalho um pedaço de cadáver em decomposição, como inclusive decidido passar algum tempo em mar alto. Nos modelos humanos em que se inspirou, encontrava-se Eugène Delacroix, a figura moribunda de cabeça para baixo, ao centro.
“La Méduse” (1819) é um exemplo perfeito do Romantismo – pela inspiração sobre um episódio de terror da história contemporânea – e escorreita na fluidez do dramatismo, embora recorra à tradição Neoclássica da estrutura piramidal.
A obra seminal de Gericault tem um vincado carácter político – frequente na literatura -, pela reflexão que propõe sobre o sentimento abolicionista, sendo que foi das primeiras representações na arte europeia a utilizar um preto como símbolo de todas as esperanças da humanidade, o que na época esteve longe de ser consensual, tendo chegado a ser desacreditada no Salão de Paris em 1819 e, talvez por isso mesmo, foi muito bem recebida em Inglaterra, no ano seguinte, onde foi vista por 40 mil pessoas, um número invulgar, à época. 🙂
Theodore Gericault (1791-1824), foi uma figura chave do Romantismo francês. Tendo sido fortemente influenciado por esta obra de Michelangelo, também a sua influência se torna evidente, por exemplo, nesta obra de Delacroix.
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Em Junho de 1816, o navio Medusa içou velas, juntamente com outros três navios, em direcção ao porto de Saint-Louis, o qual tinha sido oferecido por Inglaterra a França como prova de boa-fé pela restauração da Monarquia, após a capitulação de Napoleão. O navio, cujo capitão era Hugues Duroy de Chaumereys, transportava cerca de 400 pessoas, incluindo o novo Governador do Senegal.
Pretendendo aproveitar o bom tempo, O Medusa ganhou significativa vantagem sobre os outros navios mas, no início de Julho, por alegada incompetência do capitão, encalhou num banco de areia. As tentativas de largar carga ao mar não resultaram, também porque Chaumereys impediu a tripulação de lançar os canhões ao mar.
Os passageiros mais importantes foram colocados em barcos salva-vidas, suficientes apenas para 250 pessoas; As restantes foram colocadas numa jangada atada a um dos salva-vidas e que submergiu parcialmente pelo excesso de peso que transportava. A dada altura, acidentalmente ou não, o cabo soltou-se. O que se passou a seguir foram cerca de duas semanas de pesadelo num mar tempestuoso, com mortes brutais e até actos de canibalismo. Quando a jangada foi encontrada, restavam apenas 15 sobreviventes.
A tragédia gerou um verdadeiro escândalo, com o capitão a ter de responder num tribunal marcial e os franceses a passarem pelo ridículo perante os ingleses.
As elevadas dimensões da obra (491 cm × 716 cm), lembram as pinutras históricas tradicionais embora, aqui os heróis sejam substituidos pelos deserdadados da vida, deixados à sua sorte, perdidos no mar, sem saber se viriam a ser salvos.
Géricault denota nesta obra uma notável mestria, com a interligação dos “triângulos”, característicos do Renascimento e do período Barroco. A figura do africano representa um dos vértices dos quatro triângulos. Os outros são representados pelos mortos e pelos moribundos (ao centro), pelos que estão junto do mastro e finalmente pelos que se tentam erguer. A intensidade dramática divide-se entre a angústia das figuras de primeiro plano e a esperança das mais distantes.
Depois de avistado, o navio que os salvou, o Argus, desapareceu durante mais de duas horas, causando o pânico e o desespero nos náufragos; Daí a silhueta difusa, sem se perceber se se aproxima se se afasta. Os tons tempestuosos do mar e do céu, carregados de luz e sombra, mostram a mercê dos homens face à Natureza, atraindo-nos assim para o centro da cena.
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De acordo com o Evangelho segundo São João, O Apóstolo São Tomé perdeu uma das aparições de Cristo aos Apóstolos, após a Ressurreição. Tomé, popularmente conhecido como “O Céptico”, tem a seguinte inscrição no Credo dos Apóstolos: “Descendit ad inferos tertia die resurrexit a mortuis”; A menos que pudesse tocar nas feridas de Cristo, não acreditaria no que lhe fôra dito. Uma semana mais tarde, Cristo apareceu, pediu a Tomé para estender as mãos, lhe tocar, e disse: “Santificados sejam os que não viram e ainda assim acreditaram”. Após ver Jesus vivo, Tomé professou a sua fé e ficou conhecido como “O Crente”.
A angústia da descrença tocou Caravaggio. Poucas gravuras suas são fisicamente tão fortes – o seu Tomé leva ao limite a curiosidade, antes de afirmar “Meu Senhor, Meu Deus“! Esta composição junta cuidadosamente as quatros cabeças na procura da verdade sendo que, curiosamente, a cabeça de Cristo é a menos visível, surgindo discretamente na penumbra.
Tendo Jesus sido cruxificado, o que terá levado Caravaggio a expôr a ferida no tronco e não as das mãos e pés? 🙂
Sem perder as referências do Classicismo, o Maneirismo reflectia as inquietações próprias de qualquer transição.
À beleza clássica, sem alma, sucedeu a espiritualidade, povoada pelo fantástico e pelo onírico, cheios de movimento. A proporção geométrica das representações clássicas foi-se esbatendo e as obras ganhavam espacialidade, proporcionando abordagens mais subjectivas.
Os retratos de Giuseppe Arcimboldo eram divertidas e surpreendentes composições de frutas e vegetais.
Max Ernst (02-04-1891 / 01-04-1976) ainda estudou filosofia, mas cedo abandonou a universidade para se dedicar às artes. Em 1911 conheceu August Macke e aderiu ao Movimento Rheinische Expressionisten em Bona. Em 1913 conheceu Apollinaire e o casal Delaunay e mudou-se para Paris. No início da década de 20, envolveu-se no Movimento Surrealista com Paul Eluard e André Breton. Em 1926 colaborou com Miró… mais
Este Beijo é associado a uma obra renascentista de Leonardo da Vinci, Madonna and Child with St Anne and the Young St John.
Sobre a proposta de visita para esta semana a uma das obras de referência do MNAA, a peça Renascentista Deposição no Túmulo de Cristóvão Figueiredo (1520-30), vale a pena exercitar o olhar sobre diferentes abordagens pictóricas deste tema por parte de dois Mestres do Barroco, Caravaggio e Rubens (1602)
Se existiu um significativo momento de “classicismo” e de intensa religiosidade humanista na história da pintura portuguesa da primeira metade do século XVI é aqui que podemos encontrá-lo. Executada na década de 1520-30 para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, esta pintura associa a uma solene e pungente concepção do episódio bíblico, dois excepcionais retratos de personagens contemporâneos. A análise da obra e da figura do pintor, Cristóvão de Figueiredo, estarão a cargo de Adelaide Lopes e José Alberto Seabra, técnicos do Museu.
Nous te saluons
Gentil Rousseau tu nous entends
Delaunay sa femme, monsieur Queval et moi
Laisse passer nos bagages en franchise à la porte du ciel
Nous t’apporterons des pinceaux des couleurs et des toiles
Afin que tes loisirs sacrés dans la lumière réelle
Tu les consacres à peindre comme tu tiras mon portrait
La face des étoiles.
Pintor inglês e gravador de mezzotint, célebre pelas suas cenas melodramáticas e eventos cataclísmicos povoados de figuras minúsculas colocadas em enormes cenários arquitectónicos, John Martin (1789-1854) teve tanto de popular pelas suas gravuras como de polémico pelo sensacionalismo vulgar das suas pinturas.
Martin trabalhou os meios tons não só na reprodução das suas obras, mas também em composições originais. Particularmente notáveis são as suas ilustrações para a Bíblia e para o Paraíso Perdido do Milton.
O trabalho de John Martin era dedicado à ideia de declínio e queda. Eram por isso frequentes nos seus trabalhos as alusões aos movimentos femininos que denunciavam a corrupção social e sexual, que teriam estado na origem da queda da antiga Babilónia.Ideias que, embora afastadas do centro de influência das suas gravuras como fonte para os trabalhos de reconstituição da antiga Mesopotâmia nas recentes escavações arqueológicas no Iraque, demonstram o processo metaléptico de Eric Voegelin, pelo qual a moderna visão cultural é influenciada pelo desejo de saber, pela necessidade de questionar o fundamento da participação divina na natureza humana.
‘The broad walls of Babylon shall be utterly broken, and her high gates shall be burned with fire; and the people shall labour in vain…’, Jeremiah (51:58)
Amor Sagrado e Profano, obra-prima de Ticiano (1490-1576), foi pintada quando tinha aproximadamente 25 anos, para celebrar o casamento do veneziano Nicolò Aurélio (vide brasão no sarcófago) com a jovem viúva Laura Bagarotto, em 1514.
A noiva vestida de branco, sentada ao lado de Cupido, é ajudada pessoalmente por Vénus. A figura com o vaso de jóias simboliza a “fugaz felicidade na terra” e a que segura a chama ardente do amor de Deus simboliza a “felicidade eterna no céu”.
O título resulta de uma interpretação de meados do século XVIII e que dá desta obra uma leitura moralista da figura nua, considerando que o artista pretendeu assim exaltar o amor terrestre e o amor divino. Na realidade, a filosofia Neoplatónica do amor sagrado e profano em que Ticiano e o seu círculo acreditavam, contemplando a beleza da criação, conduziu a uma consciência da perfeição divina da ordem do universo. É por estas e por outras que temos divas. 🙂
Nesta pintura de amor campestre, Ticiano exaltou a delicada poesia lírica de Giovanni Bellini ou Giorgione e atribuiu-lhes uma grandeza clássica. O Amor Sagrado e Profano de Ticiano é um ícone da Galleria Borghese.
