Archive for the ‘ In memoriam ’ Category

Lucian Freud

Uma das principais vozes da reinvenção da arte figurativa
Morreu Lucian Freud, o pintor do corpo e da carne
Por Tiago Pereira Carvalho, Jornal Público

Este retrato a óleo do pintor Francis Bacon, pintado entre 1956 e 1957 pelo seu amigo Lucian Freud, foi vendido em leilão, salvo erro em 2009, por cerca de 7 milhões de euros. A obra mostra Francis Bacon com o olhar fixo em direcção ao chão. Freud pintou o quadro quase encostado a Bacon e, segundo os críticos, é um trabalho que revela a grande amizade entre os dois pintores. O retrato é o último que Freud fez de Bacon, depois de outro pintado durante três meses em 1952 e que foi roubado em 1988 de uma exposição em Berlim.

Artur Agostinho (1920-2011)

Quando era miúdo, tinha sempre dificuldade em identificar quem era Joaquim Agostinho e Artur Agostinho. Sabia simplesmente que pertenciam ambos à Família Sportinguista! 🙂

Um dia, subi o Elevador da Bica sentado ao lado do senhor Artur. Finalmente percebi! Pela idade que aparentava, só podia ser o senhor Artur. Que Parvo Que Eu Sou! 🙂

Gérard Castello-Lopes (1925-2011)

A fotografia, para mim, é uma forma de bloquear o mundo. Nada mais.

«metamorfoses para 23 versos»
há grandes folhas verde escuras na penumbra variável
de uma estufa de plantas. há o cheiro a terra húmida
contido entre os vidros brancos de cal, há
fetos, avencas, orquídeas, ciclamens banhados
pela luz uniforme, a intensas horas do dia. Noutras
a penumbra organiza-se em vãos e tufos como os das plantas,
onde goteja a água, cria o seu musgo, as suas
manchas claras e porosas no reflexo
de algum vidro partido. Não há sons, apenas sombras
do mundo, nem o olhar de ninguém; apenas
se pode conjecturar, para as zonas mais escuras, degradadas sob
os tabuleiros de vasos, que o vagaroso capricho das plantas,
mesmo a cor do ciclamen, se alimenta
da sombra natural quando o seu arco sobe, entre o chão e a parede,
[até alguns fortuitos
brilhos silentes nos suportes da terra. e há outras conjecturas, porque
esta é uma economia das formas do destino e perdidamente
as pessoas também, quando procuram o limite das coisas,
para viver ou para morrer, se interrogam
sobre um vidro embaciado que lhes devolveu as perguntas
e a água inacessível que as separa
da sua própria imagem, na penumbra virtual.
a escrita é uma orla inquieta das coisas,
uma sombra das figuras.
Vasco Graça Moura

In Memoriam – Enrique Morente

A 12 dias de completar 68 anos, Enrique Morente, considerado  o grande inovador do Flamenco, não resistiu ao maldito. O El País e a sua jornalista Amelia Castilla honram a memória de mais um Grande de Espanha que deixa saudades.

O Beijo – Jorge de Sena

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena – 19/5/1971. In Antologia Poética, 1999. Porto: ASA.

Biografia (Via http://www.astormentas.com/)
Escritor português, natural de Lisboa e naturalizado brasileiro, em 1963. Estudou em Lisboa, no colégio Vasco da Gama e no liceu Luís de Camões, onde, segundo o próprio, «andava já fazendo versos». Em 1937, entrou para a Escola Naval. A 1 de Outubro do mesmo ano, partiu no navio-escola Sagres, em viagem de instrução, que decorreu até Fevereiro do ano seguinte, após o que foi demitido da Armada. Entrou então para a Faculdade de Ciências de Lisboa. Num jornal da faculdade, Movimento, publicou o poema Nevoeiro. Estabeleceu contacto com a revista Presença, através de Adolfo Casais Monteiro, a propósito de um poema de Álvaro de Campos. Desse contacto veio a resultar a ligação aos Cadernos de Poesia, onde Sena publicou, em 1940, os sonetos Mastros e Ciclo, e cuja direcção integrou durante algum tempo com Ruy Cinatti, José Blanc de Portugal e José Augusto França. Formou-se na Faculdade de Engenharia do Porto, trabalhando na Junta Autónoma de Estradas até 1959, data em que se exilou voluntariamente no Brasil.
A partir daí, desenvolveu uma actividade académica intensa nas áreas da literatura e cultura portuguesas. Foi catedrático contratado de Teoria da Literatura na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (Estado de São Paulo). Em 1961, transitou para a Universidade de Araraquara, igualmente em São Paulo, como catedrático contratado de Literatura Portuguesa. Adoptou a nacionalidade brasileira em 1963. Em 1965 seguiu, também como professor, para a Universidade do Wisconsin (EUA) e, cinco anos mais tarde, para a Universidade da Califórnia, onde veio a chefiar os departamentos de Espanhol e Português e o de Literatura Comparada, cargos que manteve até 1978. Recebeu o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina pelo conjunto da sua obra poética e foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique por serviços prestados à comunidade portuguesa. Recebeu, postumamente, a Grã-Cruz da Ordem de Sant’iago. Em 1980, foi inaugurado o Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na Universidade de Santa Barbara.
Para além da sua actividade como escritor e professor, Jorge de Sena empenhou-se na divulgação de autores e correntes estrangeiras (sobretudo de origem anglo-saxónica) através de inúmeros estudos, conferências e traduções. Em 1941, fez uma conferência sobre Rimbaud intitulada «O Dogma da Trindade Poética» e, no ano seguinte, iniciou a sua actividade crítica com um artigo sobre o escritor cabo-verdiano Jorge Barbosa. Em 1944, publicou um texto de apresentação do surrealismo, «Poesia Sobrerrealista», primeira divulgação deste movimento em língua portuguesa, traduzindo ainda textos de André Breton, Paul Éluard, Benjamin Péret e Georges Hugnet. Outros autores que ajudou a divulgar foram T.S. Eliot, Cavafy, Auden, Hemingway, Bertold Brecht e William Faulkner. Colaborou regularmente, como crítico, no semanário Mundo-Literário (1946-48) e numa série de outras publicações ligadas à literatura, em Portugal e no estrangeiro.
Como ensaísta, são fulcrais os seus estudos da vida e obra de Camões e de Fernando Pessoa. Em 1948, proferiu a conferência «A Poesia de Camões, Ensaio da Revelação da Dialéctica Camoniana», no Clube Fenianos Portuenses, com que inaugurou a série de trabalhos que viria a realizar sobre o autor, procurando linhas de análise inovadoras em relação ao academismo dos estudos camonianos portugueses. Em Agosto de 1959, participou no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros na Universidade da Baía, com o estudo «O Poeta é um Fingidor»>. Defendeu, como tese de doutoramento em Letras e de livre-docência em Literatura Portuguesa, «Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular», em 1964. Em 1970 publicou A Estrutura de Os Lusíadas e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI. Efectuou uma série de viagens pela Europa, América e África, relacionadas com as comemorações do 4º centenário de publicação de Os Lusíadas, e organizou as edições camonianas, promovidas pela Imprensa Nacional, das Rimas e de Os Lusíadas, comentados por Manuel de Faria e Sousa. Em 1973, publicou o poema «Camões dirige-se aos seus contemporâneos»>. A literatura portuguesa da época clássica, aliás, mereceu-lhe particular atenção, o que se reflecte na sua própria obra poética, nas suas múltiplas intertextualidades.
Jorge de Sena foi poeta, dramaturgo, ficcionista e historiador da cultura. Não se filiando em nenhuma escola literária, foi influenciado por várias correntes (nomeadamente pelo surrealismo, sobretudo em aspectos técnicos), numa tentativa de superar as tendências da época que passou por várias formas de experimentalismo. No entanto, a estes aspectos modernos da sua poesia aliou recursos da tradição medieval e renascentista, tornando a sua obra, simultaneamente, clássica e revolucionária. Disso é exemplo a utilização que, por vezes, fez do soneto: a par da forma clássica deste tipo de poema, surge um experimentalismo sintáctico e morfológico que subverte as fronteiras entre classicismo e modernidade, superando-as. Toda a sua obra, aliás, se orienta por esta tentativa de superação: superação dos antagonismos entre escolas literárias (realismo social, surrealismo, experimentalismo), de certas oposições humanas com raízes na cultura ocidental, como as de corpo/alma, ciência/poesia, bem/mal, Deus/homem. Esta superação tem raízes filosóficas na dialéctica hegeliana e no marxismo, reconhecidas pelo próprio escritor. Para Jorge de Sena, a poesia era, ela mesma, uma forma de testemunhar e transformar o mundo; da relação estabelecida entre o sujeito poético e o objecto que ele tomava como matéria da sua poesia resultava uma outra entidade — o próprio poema, objecto estético constituído por meio da linguagem. A poesia era, assim, uma forma de intervenção, embora entendida de forma diversa do neo-realismo. Mesmo em Coroa da Terra, que tem afinidades temáticas com este movimento, encontram-se técnicas surrealistas que dele se afastam.
Num lirismo depurado, Jorge de Sena levou muitas vezes a cabo uma crítica mordaz e irónica da realidade, aqui e ali de forma provocadora ou dolorosa. É de destacar a sua visão irónica de certos mitos da tradição cultural portuguesa, satirizando frequentemente aspectos provincianos ou saudosistas do entendimento do país e do seu povo no mundo (veja-se, por exemplo, a peça O Indesejado, sobre D. António, prior do Crato, na sua ligação com o sebastianismo nacional). O autor continua uma linha de lucidez satírica que se encontra já em escritores portugueses de épocas anteriores.
Na poesia, Jorge de Sena estreou-se com Perseguição (1941). Publicou ainda Coroa da Terra (1947), Pedra Filosofal (1950), As Evidências (1955), Fidelidade (1958), Metamorfoses (1963), Arte de Música (1968), Peregrinatio ad Loca Infecta (1969), Exorcismos (1972), Conheço o Sal e Outros Poemas (1974), Poesia I (1977), Poesia II (1978) e Poesia III (1978).
Como dramaturgo, publicou, em 1951, O Indesejado, e a peça em um acto Amparo de Mãe. Em 1952 saiu Ulisseia Adúltera, em 1969, O Banquete de Dionísos, e, em 1971, Epimeteu ou o Homem Que Pensava Depois.
A sua obra de ensaio, fundamental nos estudos literários do século XX português, inclui a recolha Da Poesia Portuguesa (1959), O Poeta é um Fingidor (1961), O Reino da Estupidez (1961), Uma Canção de Camões 81966), Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular (1969), A Estrutura de Os Lusíadas e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI (1970), Maquiavel e Outros Estudos (1973), Dialécticas Aplicadas da Literatura (1978) e Fernando Pessoa & Cia. Heterónima (1982), entre outros.
A obra ficcional de Jorge de Sena foi produzida sobretudo entre 1959 e 1965, embora a sua edição seja por vezes posterior. Escreveu Andanças do Demónio (1960, contos), Novas Andanças do Demónio (1966), Os Grão-Capitães (1976), Sinais de Fogo (romance publicado postumamente em 1979) e O Físico Prodigioso (1977).
Postumamente, foram publicadas várias antologias e ainda Visão Perpétua.

Sétima Palavra – José Saramago

No dia da morte de José Saramago, parece-me apropriado transcrever o último capítulo de “As Sete Palavras do Homem”, reflexão pessoal que autor fez, a pedido de Jordi Savall, da obra Septem Verba Christi in Cruce – As Sete Últimas Palavras de Cristo, escrita por Joseph Haydn em 1786.
A sua leitura , a par da audição da Sonata VI ‘Consummatum est’ e da Sonata VII ‘In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum’, expressam a dimensão espiritual do homem e o seu destino.

Deus, Pai, Senhor, nas tuas mãos entrego o meu espírito, que a carne que o continha, essa, ficará agarrada a este madeiro enquanto o que de mim resta não for levado ao túmulo, donde ao terceiro dia ressuscitarei, se forem certas as palavras que puseste na minha boca para que as ouvissem os que me seguiam. Censurou-mas Pedro, que me chamou de parte e disse: “Deus te livre de tal. Uma coisa assim nunca te há-de suceder.” E eu respondi-lhe: “Sai da minha frente, Satanás. Impedes-me o caminho, porque não entendes as coisas à maneira de Deus, mas à maneira dos homens.” Foi isto o que eu lhe disse, mas agora, Deus, Pai, Senhor, agora que o meu espírito já deve ter chegado às tuas mãos, permite-me que procure, também eu, entender as coisas à maneira dos homens. Poderá o meu corpo, sem um espírito que o anime, levantar-se e sair do sepulcro, arredando a pedra que lhe tapa a entrada? E outra pergunta mais. Que sucederá comigo durante esses três dias? Apodrecerei? Será já com os primeiros sinais de podridão na cara e nas mãos que me apresentarei diante de Maria Madalena? Vivi no mundo como homem durante trinta anos, primeiro criança, depois adolescente, depois adulto, até este dia. Se te digo coisas que estás farto de saber, é para que compreendas por que razão aparecerei a Maria Madalena antes que a qualquer outro.
Acabámos. Representei o meu papel o melhor que podia. O futuro dirá se o espectáculo valeu a pena. E agora, Deus, Pai, Senhor, uma última pergunta: Quem sou eu? Em verdade, em verdade, quem sou eu? – 
José Saramago, 2007

 

Terminar em beleza

Os Amores de Astrée e Celadon (2007) encerraram o capítulo histórico, iniciado com A Inglesa e o Duque (2001) e Agente Triplo (2004) que, sinceramente, achei uma pessegada.
O venerável Eric Rohmer (1920-2010) foi respeitado como poucos cineastas, pela forma como nos dava a ver a narrativa, arte evidenciada nos Contos das Quatro Estações, a minha série preferida.

Em memória de Jorge Ferreira (28-08-1961 – 21-11-2009)

Profundamente consternado pelo seu desaparecimento.

Raul Maravilhas

Não sei de que ano é o Fado Maravilhas, mas sempre que, por qualquer razão, o nome de Raul Solnado vem à baila, é este fado que recordo. Quem ouviu a voz de gingão do Raul a cantá-lo, sabe como Lisboa era também  isto.
Lisboa sabe-o bem.

Fui domingo a Cacilhas
Mais o Chico Maravilhas
Comer uma caldeirada.
A gente não nada em taco
Mas vai dando pró tabaco
E para regar a salada.

É porque isto é mesmo assim
A gente morre e o pilim
Não vai prá cova ca gente.
E antes gastá-lo no tacho
Do que na farmácia, eu acho
Isto é que é principalmente… ai…

Terminada a refeição
Ao entrar na embarcação
Começou a grande espiga.
Um mangas abriu o bico
Pôs-se a mandar vir com o Chico
E o Chico arriou a giga.

Eu para acalmar a tormenta
Inda disse oh Chico auguenta
Mas o mangas insistiii u.
E o Chico sem intenção
Deu-lhe um ligeiro encontrão
E atirou com o tipo ao rio… ai…

O sócio do outro meco
Quis-se armar em malandreco
A gente já tava quentes.
Veio para mim desnorteado
Eu dei-lhe com penteado
E pu-lo a cuspir os dentes.

(…)

Não tenho vida para isto
E de futuro desisto
De me meter noutra alhaaa da.
Nunca mais vou a Cacilhas
Mais o Chico Maravilhas
Comer uma caldeiraaa da!

O legado de John Coltrane

A sound supreme: Geoff Dyer tunes in to Ben Ratliff’s stimulating biography of the man who was a god to jazz fans, John Coltrane

It is more difficult to write about John Coltrane than almost any other major 20th-century artist. By the standards of many jazz musicians his life was uneventful. Sure, he had a heroin habit for a while and Miles Davis punched him, but once he’d experienced the “spiritual awakening” described in the liner notes of A Love Supreme he dedicated himself to his music with extreme single-mindedness.

Novelists and poets lead eventless lives too, but since they’re working in the same medium as the person writing about them there is a compensating overlap between creation and commentary. Instrumental music leaves the critic straining across an abyss. How to convey what’s happening in this non-verbal, contentless form? One way is to explore the relationship between music and the larger social context from which it emerged.

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The problem, as Ben Ratliff acknowledges in his consistently stimulating new book, is best understood within the hermetic context of, um, music. While hardly unique to Coltrane, this dilemma profoundly affects the way we listen to him. Recorded on November 18 1963, the mournful “Alabama” is assumed have been written in response to the bombing of a church in Montgomery, Alabama, two months earlier. A few years ago, however, the jazz critic Francis Davis provocatively suggested that if this “was what Coltrane meant for the piece to be ‘about’, he kept it to himself in the recording studio, not saying a word about the deaths of those children to the pianist McCoy Tyner or the drummer Elvin Jones, both of whom were sidemen at the session. As far as they remember, the piece didn’t even have a name yet.”

If this sounds vaguely blasphemous then it is an indication of the other obstacle to writing about Coltrane: the sheer awe he inspires. Sonny Rollins is a great saxophonist. Miles Davis was a genius. Coltrane was – what? A visionary seeker? A saint? Miles may have taken music in “New Directions” but Coltrane was compelled “to go cosmic. The words are those of the trumpeter Charles Tolliver, who spoke for many when he said Coltrane “was God”. Founded after his death in 1967, the Church of John Coltrane in San Francisco was of similar mind, though this belief proved rather costly when, in 1981, his widow Alice sued for 7.5 million bucks for copyright infringement.

Coltrane’s death, aged 40, had about it the air of self-immolation. Rashied Ali, who duetted with him on the last studio recordings, Interstellar Space, reckoned Coltrane “exhausted the saxophone”. Ratliff wonders if this is to understate the matter: did he also exhaust jazz itself?

Ratliff’s unusual approach to the compound difficulties of writing about Coltrane is not to rehearse the story of his life but to trace the history of his sound. Not just the way he sounded – and we run into familiar linguistic shortcomings quite early on, when that sound is described as “large and dry, slightly undercooked” – but the evolution of what jazzers used to refer to as his “concept”. Ratliff then extends his investigation, in the second half of the book, to examine Coltrane’s legacy.

John Coltrane in concert in 1960, seven years before his death

Coltrane’s style evolved in traditional journeyman fashion: he heard Charlie Parker, played alto with Dizzy Gillespie’s big band, switched to tenor and toured with Earl Bostic. After a brief period with Davis he did a long stint with Thelonious Monk. What Ratliff calls “the beginning of Coltrane’s trance music” can be heard in 1958 when he was back with Davis, playing the Monk tune “Straight, No Chaser” on the album Milestones. A year later the Miles Davis quintet recorded Kind of Blue but, impatient to pursue his own explorations of the potential for modal jazz opened up by Davis, Coltrane formed his own quartet with Jones, Tyner and Jimmy Garrison (bass). They remained together for six years. During that stretch, Tyner estimates, they “rehearsed four or five times“. The rest of the time they were performing and recording, flat out.

Coltrane often embellished the core quartet with extra players and instruments but after the addition of a second drummer (Ali) and tenor player (Pharoah Sanders) the centre could not hold. Tyner and Jones quit (“All I could hear was a lot of noise,” the drummer complained). Garrison stayed till the end, alongside Ali, Sanders and Alice Coltrane on piano.

Ratliff correctly insists that Coltrane always “did his best work in quartets, no matter how much a fifth member had to offer“. Revered for his uncompromising oddity, Eric Dolphy lacked an “internal clamp on time“; his presence, “instead of intensifying” the benchmark Village Vanguard residency of 1961, invariably “made it slacker“.

john coltrane village vanguard again cover

The fact that Ratliff gets so much right makes some of his decisions of emphasis all the more surprising. For anyone wishing to trace the tensions and transitions that led the quartet to swell into a sextet before dissolving into the eventual quintet, there is an absolute godsend in that Meditations was recorded first with Tyner, Jones and Garrison and then rerecorded and rearranged a few months later, in November 1965, with the addition of Sanders and Ali. Shelved at the time but released posthumously, the quartet version is performed on a precipice. Coltrane drives ahead even though there is nowhere to go. As the first track, “Love“, moves into the second, “Compassion“, there is an interlude of sublime weightlessness. From then on we are pretty much in freefall. Ratliff chooses not to examine this forensically crucial evidence. When considering the final tour of Japan in the summer of 1966 he does not even mention the single most extraordinary feature of the resulting four-CD set: going right back to his days with Gillespie, Coltrane plays alto.

Ravi Shankar was “disturbed” by the frustration, turbulence and turmoil he detected in this terminal phase of his friend’s career. Having produced music of an unprecedented intensity, Coltrane was heaven-bent on achieving still greater intensity. As a consequence the main question jazz had to face after his death was very simple: if your starting point is a scream where do you go from there? The answer, in brief, is that you keep on screaming until you’re hoarse. Or – never a bad idea when faced with a dead end – you go back and, like the brothers Marsalis, consolidate the pre-free tradition. Or you move sideways, out of jazz, towards rock (Davis) or “world” music. Some people (Archie Shepp, David Murray) did two of the above. A few (Sanders, Don Cherry) did a bit of all three.

coltrane

Ratliff’s problem in examining the post-Coltrane aftermath is inextricably tied up with the excellence of his credentials. He is the jazz critic for the New York Times. To his credit he deploys a wider range of cultural reference than many jobbing music critics (“Ali Akbar Khan, Thomas Bernhard, Björk, James Brown, [and] Mark Rothko” all come pouring out in one extraordinary outburst) but his outlook is provincial in two important ways. Blinkered by the New Yorker’s assumption that his city is the centre of the world, he appears deaf to the claims of great British Coltrane-obsessed tenor players such as Evan Parker or Alan Skidmore. While acknowledging Coltrane as a determining influence on composer Steve Reich – who saw him play about 50 times – Ratliff tends to confine himself to jazz as a narrowly defined and increasingly atrophied musical form.

Expand the search area and Coltrane’s enduring presence is felt in all sorts of unexpected places and ways, from the pioneers of Detroit techno, to the Australia-based, post-everything trio the Necks. These links are revealing precisely because they are not obvious in the way of the genealogical connections between Coltrane and the sax-playing Parkers, Charlie and Evan. For Lloyd Swanton, bassist with the Necks, it was not the saxophone but “the hypnotic rhythm section vamp on the first version of ‘My Favorite Things‘ that set him thinking along the lines of hour-long, tranced-out grooves that came to characterise the Necks’ output.

To return, Coltrane-like, to where we started: Ratliff has set himself an almost impossible task. Coltrane’s music was so powerful that it mystified even those who were part of its creation. A couple of years ago the American poet Philip Levine told me how, in the early 1960s, a friend had taken him to hear the quartet play a club date (in Detroit, I think). Blown away by what they heard, they were quite incapable of making sense of it. Fortunately the poet’s friend knew Elvin Jones and asked him, in the interval, what Coltrane was up to, what they were doing together. Jones shrugged: “Beats the shit outta me,” he said.