Dizem os especialistas que será um dos acontecimentos musicais do ano. O lançamento, no início deste mês de Novembro, de uma box set com 11 CDs, incluindo os inéditos livros I e IX, reunindo todas as gravações dos madrigais de Claudio Monteverdi [1567-1643] realizadas entre 1993 e 2021 pelo Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini, é uma justa homenagem à genialidade do compositor, que morreu neste dia 29 de Novembro, há 380 anos.
Entrevistado por Pedro Boléo para a edição de 18 Novembro do Público, Filipe Quaresma, primeiro-violoncelista da Orquestra Barroca da Casa da Música fala do seu projecto de vida, a gravação das seis suites para violoncelo BWV 1007–1012, escritas por Johann Sebastian Bach entre 1717 e 1723.
Para a gravação do duplo cd Bach Cello Suites, realizada no Mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto, foi utilizado um instrumento histórico, o famoso violoncelo Domenico Montagnana, propriedade da Câmara do Porto e que se encontra no Museu Guerra Junqueiro. Um violoncelo do tempo de Bach, mas construído em Veneza há 300 anos, que pertenceu entretanto à grande violoncelista portuguesa Guilhermina Suggia.
Filipe Quaresma descreve as seis suites em detalhe: “Fala-se muito do sentido das suites, a primeira ligada à natividade, ao nascimento. A segunda é uma espécie de espiritualidade, meditação, procura, curiosidade, medo também. A terceira é a ascensão, em dó maior. A quarta, um magnificat, em mi bemol maior. A quinta realmente muito ligada à religião, com aquele prelúdio, com a crucificação. E a sexta suite a ressurreição ou paraíso. Mas eu posso ter uma ideia parecida: o nascimento de uma pessoa, a segunda a descoberta, os medos de quando começamos a andar e a cair, a terceira suite a nossa adolescência, a quarta talvez os nossos anos 30, a quinta ‘o que é que irá acontecer?’ e a sexta suite o final da nossa vida, e o que é que há para além da nossa vida. É uma descrição por palavras minhas”, diz o violoncelista, que quis que nesta gravação se sentisse a sua voz, mas sem competir com alguém, ou pôr-se à frente do compositor.
Na passagem do décimo aniversário sobre a morte do compositor inglês John Tavener [1944-2013], a elegia Song for Athene . Composta em 1993 por encomenda da BBC, esta peça é um reflexo da sua conversão à Igreja Ortodoxa Russa em 1977. Foi interpretada pelo Coro da Abadia de Westminster no funeral de Diana, Princesa de Gales , em 6 de Setembro de 1997.
Neste dia 24 de Outubro passam 390 anos sobre a morte de Jean Titelouze [ c. 1562/63 – 1633], compositor durante a transição do Renascimento para o Barroco, considerado o fundador da escola francesa de órgão, cujo trabalho como organista da Cathédrale Notre-Dame na cidade de Rouen se desenvolveu desde 1600 até ao fim dos seus dias.
Ficam excertos das quatro missas de Titelouze (1626): Missa quatuor vocum. In ecclesia – Missa quatuor vocum. Votiva – Missa sex vocum. Cantate – Missa sex vocum. Simplici corde
Álbum: Les Messes retrouvées de Jehan Titelouze (Paraty, 2019 e 2020) Ensemble Les Meslanges, sob direcção de Thomas Van Essen e de Volny Hostiou
Do trompetista norte-americano Don Cherry [1936-1995], que colaborou durante a década de sessenta na banda de Ornette Coleman [1930-2015], o tema ‘Art Deco’ do álbum homónimo gravado entre 27 e 30 de Agosto de 1988 e editado pela A&M Records no ano seguinte.
Don Cherry, trompete | James Clay, saxofone tenor | Charlie Haden, baixo | Billy Higgins, bateria
No dia em que passam quatro séculos sobre a morte de William Byrd [c. 1540 – 1623], um dos mais eminentes compositores que viveu durante o reinado da dinastia Tudor, fica o Agnus Dei da Missa a Quatro Vozes (1592-1593) que o ensemble vocal Stile Antico incluiu na gravação do álbum ‘The Golden Renaissance: William Byrd’. Editado em Janeiro deste ano, este é o segundo cd de uma trilogia que visa celebrar aniversários com especial significado de grandes compositores do Renascimento. Em Janeiro de 2021, o primeiro foi dedicado aos 500 anos sobre a morte do franco-flamengo Josquin Desprez. A emissão desta semana do Musica Aeterna é a primeira de duas emissões dedicadas a assinalar a efeméride.
De Johann Sebastian Bach [1685-1750], o coro introdutório da Paixão segundo São Mateus, estreada a 11 de Abril de 1727 na Igreja de São Tomé em Leipzig.
One of the fascinating things about the Art of Fugue is the final piece. It’s a triple fugue and after the three sections Bach superimposes the three themes and finishes it with a circulating motive, as a Lemniscate, and perhaps that’s a sugestion that the Art of Fugue is a never ending art. – Claudio Ribeiro
No ano do centenário da morte do pintor valenciano Joaquín Sorolla y Bastida [27 Fevereiro 1863 – 10 Agosto 1923], considerado um mestre da luz intensa, o Palácio Real de Madrid acolhe a exposição ‘Sorolla a través de la luz’, que conta com 24 obras agrupadas em três áreas temáticas, retratos de família, retratos e jardins reais e o mar. Para visitar até 30 de Junho.
Clotilde en la cala de San Vicente, Mallorca, 1919. Museo Sorolla
De Michael Praetorius [1571-1621], compositor e teórico alemão do período de transição entre a Renascença e o Barroco, a quem há dois anos o Musica Aeterna dedicou um programa aquando das efemérides dos 450 do nascimento e dos 400 anos da morte, a dança La Canarie, extraída da compilação Terpsichore Musarum, com arranjo de Hermann Baumer e interpretada pelos ensembles Westra Aros Pipers e Bourrasque Ensemble, dirigidos por Bertil Farnlof.
Jos d'Almeida é um compositor de música electrónica épico sinfónica, podendo este género ser também designado como Electrónico Progressivo. Na construção de um som celestial, resultante da fusão de várias correntes musicais, JOS utiliza os sintetizadores desde o início dos anos 80.
Chuck van Zyl
Chuck van Zyl has been at his own unique style of electronic music since 1983. His musical sensibilities evoke a sense of discovery, with each endeavor marking a new frontier of sound.