Archive for the ‘ Arte Contemporânea ’ Category

‘Les Demoiselles d’Avignon’, de Picasso

De Pablo Ruiz Picasso [Málaga, 25 Outubro 1881 – Mougins, 8 Abril 1973], a obra “Les Demoiselles d’Avignon” – Paris, Junho-Julho de 1907, é singular pela forma ousada como as suas protagonistas confrontam o espectador.



As mulheres de Avignon alude à dimensão psicossexual das prostitutas de Barcelona, expressa através da diferença cultural em que assenta a figura feminina africana colonizada.

Marc Chagall, o poeta com asas de pintor

A definição de Henry Miller [1891-1980] adequa-se muito bem à expressão onírica do trabalho de Marc Chagall [1887-1985], que morreu no sul de França a 28 de Março, justamente há 40 anos.
Com cerca de 160 obras expostas, La Fundación Mapfre em Madrid dedicou-lhe em 2024 uma grande exposição intitulada ‘Chagall. Um grito de liberdade’, o que acrescentou um novo olhar à obra do artista de origem russa naturalizado francês, à luz de acontecimentos que testemunhou ao longo da primeira metade do século XX, desde duas guerras mundiais à discriminação devido às suas raízes judaicas.


“Solitude”, 1933 – Museu de Arte de Tel Aviv, doação do artista em 1953

“Lembrem-se de que não se pode cancelar a Primavera”

A frase, emprestada pelo título de um desenho de 2020 do pintor inglês David Hockney (n. Bradford, 1937), celebra o início da segunda estação do ano preferida e confirma o convite que a Fundação Louis Vuitton deixa para a excepcional Exposição David Hockney 25 (de 9 de Abril a 31 de Agosto de 2025). 

Esta grande retrospectiva, que abrange sete décadas de criação artística (1955-2025) e reúne mais de 400 obras, dá forma à maior exposição de sempre do pintor inglês (actualmente a residir na Normandia) e irá ocupar a totalidade das salas do edifício, um iceberg plantado no Jardin.


‘Composição nº XIII’, de Piet Mondrian

Em mais um aniversário do nascimento do artista holandês Piet Mondrian [7 Março 1872 – 1 Fevereiro 1944], a Composição XIII, com uma linguagem próxima do cubismo,  pertence a um conjunto de obras executadas durante a estadia em Paris, entre 1911 e 1914, influenciadas pelo  contacto com o trabalho de Cézanne, Picasso e Braque no Moderne Kunstring – Círculo de Arte Moderna- em Amsterdão, antes de viajar para a capital francesa.


Piet Mondrian_composicion-no-xiii-composicion-2
Piet Mondrian – Composition No. XIII/ Composition 2 (1913)
Óleo sobre tela – 79.5 x 63.5 cm | Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madrid (sala 43)

‘Delicate Tension. N. 85’, de Wassily Kandinsky

Registada com o número 85 na lista Zarte SpannungDelicate Tension foi executada em 1923 por Wassily Kandinsky [16 Dezembro 1866 – 13 Dezembro 1944] na Bauhaus, prestigiada escola fundada em 1919, na Alemanha, pelo arquitecto Walter Gropius (1883-1969).
Entre 1923 e 1925, Kandinsky aprofundou a investigação da correspondência entre as formas e as cores, pelo que nas obras desse período predominam o círculo e o triângulo, as duas figuras geométricas planas mais fortemente contrastantes, na visão do artista russo.


Tensão Delicada. Nº 85 (1923) – Aquarela e tinta sobre papel.35,5 x 25,2 cm
Museu Nacional Thyssen-Bornemisza, Madrid

Piet Mondrian & Yves Saint Laurent

No centésimo quinquagésimo aniversário do nascimento do artista holandês Piet Mondrian [7 Março 1872 – 1 Fevereiro 1944], vestidos de Yves Saint Laurent exibidos em 1966 com uma pintura do criador do Neoplasticismo, conhecido como Novo Design.


‘Small Rebus’, de Robert Rauschenberg

Robert Rauschenberg [October 22, 1925 – May 12, 2008] – ‘Small Rebus’, 1956


Robert Rauschenberg, “Small Rebus,” 1956.
Art © Robert Rauschenberg Foundation/Licensed by VAGA,

‘Do remember they can’t cancel the spring’, by David Hockney

No dia 21 de Março, início da Primavera, o pintor inglês David Hockney (n. Bradford, 1937) brindou os seus concidadãos, através do jornal The Art Newspaper, com a oferta de um ramo de junquilhos (alguns chamam-lhe narcisos) desenhado no iPad na sua casa na Normandia, com o título Do remember they can’t cancel the spring (“Lembrem-se de que não se pode cancelar a Primavera”).Sérgio Andrade, Público de 18 Abril 2020



Arte Portuguesa do Século XX (1910-1960) – Modernidade e vanguarda

Exposição no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
Arte Portuguesa do Século XX (1910-1960) – Modernidade e vanguarda | 30.06.2011 – 05.10.2011

Arte Portuguesa do Século XX (1910-1960) é a segunda de três grandes exposições que, sucessivamente, assinalam as comemorações dos 100 Anos do MNAC – Museu do Chiado, proporcionando uma visão global do seu acervo. Este período que, corresponde aos primeiros 50 anos de existência do museu, constituiu um momento determinante na história da arte portuguesa.
Nas primeiras décadas, os ventos de liberdade da revolução republicana abrem caminho para a afirmação de frentes de vanguarda e para o dealbar da modernidade. A partir dos anos 30, o desenvolvimento dos modernismos por diferentes gerações de artistas opera-se no contexto adverso de um regime ditatorial que, ao longo de mais de 40 anos, se estabelece num crescendo de censuras, gerando por parte dos artistas diversas reacções e movimentos face às limitações sociais e culturais e à parca informação que penetrava do exterior.
O conjunto de obras que aqui se apresenta resultou das aquisições realizadas pelos dois directores do MNAC neste período, Adriano de Sousa Lopes (1929-44) e Diogo de Macedo (1944-59), bem como de posteriores aquisições, doações e depósitos que foram consolidando núcleos autorais e actualizando a colecção com trabalhos de artistas emergentes, dando corpo à designação de Museu Nacional de Arte Contemporânea. Ainda que, por diversas vicissitudes históricas, alguns artistas e movimentos estejam insuficientemente representados neste acervo, sendo o caso mais evidente Maria Helena Vieira da Silva, a exposição traça um panorama da época, dos seus criadores e das respectivas dinâmicas da arte portuguesa ao longo destas primeiras cinco décadas do século XX.
Adelaide Ginga, Curadora da Exposição.

Joana Vasconcelos – Sem Rede

Com um percurso iniciado em meados da década de 1990, Joana Vasconcelos afirmou-se como a mais importante artista da sua geração, com uma prolífica carreira crescentemente reconhecida tanto em Portugal como no estrangeiro. Cruzando tradição e modernidade, identidade e história e sublime e simbólico, a artista interpreta o mundo contemporâneo através de uma singular apropriação das mentalidades, imagens e objectos da sociedade de consumo. Esta exposição reúne, pela primeira vez, um número significativo de obras realizadas nos últimos 15 anos, assim traçando uma panorâmica da sua produção e constituindo uma oportunidade única para conhecer ou redescobrir o seu especial universo.

Joana Vasconcelos (Paris, 1971) estudou na escola Ar.Co, em Lisboa, e expõe regularmente desde meados da década de 1990. Crescentemente aclamada pela crítica e pelo público, tanto em Portugal como no estrangeiro, a sua trajectória afirma-a como uma das mais importantes artistas portuguesas da sua geração. A sua prolífica carreira inclui, por exemplo, exposições individuais em instituições como o Museu de Serralves (Porto, 2000), a participação em eventos como a Bienal de Veneza (2005), encomendas de intervenções no espaço público, como o recentemente inaugurado Jardim Bordallo Pinheiro (Museu da Cidade, Lisboa, 2010), e galardões como The Winner Takes It All (Museu Colecção Berardo, 2006). Promovida pelo Museu Colecção Berardo e comissariada por Miguel Amado, Sem Rede é a sua primeira exposição antológica. Reunindo cerca de trinta e cinco obras elaboradas nos últimos quinze anos, este projecto traça uma panorâmica do seu trabalho e constitui, assim, uma oportunidade única para o conhecer ou redescobrir aprofundadamente.

Vasconcelos interpreta o mundo actual através de uma singular leitura das mentalidades, mitologias e iconografias da sociedade de consumo. Inspirando-se no imaginário comum, a artista analisa distintas problemáticas da vida diária. Assim, sob um impulso alegórico e acto derrisório, desconstrói os valores, hábitos e costumes da civilização ocidental para comentar a existência do presente, enquadrar o legado do passado e perspectivar os caminhos do futuro. Cruzando tradição e modernidade, inconsciente colectivo e história e sublime e simbólico, Vasconcelos questiona a identidade, releve esta do género, da classe ou da nacionalidade. As suas obras combinam referências culturais (desde movimentos artísticos a expressões correntes), objectos quotidianos com valor sígnico (tais como espanadores, blisters de comprimidos, tampões higiénicos, utensílios domésticos, talheres de plástico e panelas e respectivas tampas) e materiais e técnicas populares (como a azulejaria e as faianças Bordalo Pinheiro ou o tricô e o croché). Engenhosamente manipulados, estes elementos mantêm o seu sentido mas compõem uma nova forma, cujo significado recontextualiza a instância original e, assim, reflecte a experiência entrópica característica da condição contemporânea.

Vasconcelos aproxima-se dos princípios do Nouveau Reálisme, movimento artístico francês fundado em 1960 que, adoptando as estratégias vanguardistas de Marcel Duchamp (especialmente a do ready-made), difundiu técnicas como a assemblage, baseada na justaposição de objets trouvés. Porém, equacionando a precariedade dos materiais professada pelo Nouveau Reálisme à luz de uma crítica do signo, a artista declina a estética pobre por este professada e propõe um retrato do quotidiano assente no simulacro da realidade. Este processo desenvolve-se através de vários efeitos estilísticos: a citação e a apropriação; a desfuncionalização de mercadorias; a representação, em grande escala, de imagens pré-existentes; a exploração da arquitectura ao nível da monumentalidade, da especificidade do lugar e da organização espacial; a mise-en-scène; a serialidade da produção; a qualidade cinética da obra; a sua activação pelo espectador; a acumulação e associação cromática dos seus componentes; a utilização de jogos de linguagem enquanto recurso expressivo.

Sem Rede contempla obras famosas como A Noiva (2001-2005), o conjunto Coração Independente (2004-2008) e Cinderela (2007). Estas obras debruçam-se sobre a condição feminina, tema transversal à actividade da artista. Efectivamente, de Flores do Meu Desejo (1996-2009) a Vista Interior (2000), passando pelo duo Sofá Aspirina (1997) e Cama Valium (1998), é o debate acerca do estatuto da mulher que estas obras exprimem. Contudo, a exposição inclui outras obras, menos mediatizadas, que articulam múltiplos assuntos com cunho político-económico. Refiram-se, por exemplo, a ideologia corporativa (Ponto de Encontro, 2000), a ostentação de classe (Menu do Dia, 2001), o exercício deslumbrado do poder (O Mundo a Seus Pés, 2001), a intolerância religiosa (Burka, 2002) e o estado securitário (Una Dirección, 2003). Obras recentes protagonizam reflexões com carácter social, como o conflito entre o progresso tecnológico e a conservação da natureza (Jardim do Éden [Labirinto], 2010) ou a doença enquanto metáfora da malaise global (Contaminação, 2008-2010). Em Sem Rede, a prática de Vasconcelos apresenta-se, pois, sob uma óptica inovadora, que não só desafia as abordagens dominantes da sua arte, mas também recria o seu especial universo como nenhuma outra exposição o fez até hoje.
Fonte dos textos: Museu Berardo