Arquivo por Autor

Convento de Santo António do Varatojo

O Convento, fundado em 1470, é obra e empenho do nosso monarca D. Afonso V, que em cumprimento de um voto que fizera a Santo António para auxiliá-lo nas conquistas do norte de África, o mandou levantar. O claustro, de tipo gótico, apresenta dois andares, com arcada ogival assente sobre colunas chanfradas. No andar térreo, o tecto é decorado com o emblema de D. João V, acompanhado pela corda franciscana. Na ala norte, uma porta manuelina, decorada com largos florões, dá acesso à capela do Senhor Jesus, que é forrada de azulejos de ponta de diamante.

O peso das consciências

Em 1054, o Cisma entre Constantinopla e Roma separa o Oriente e o Ocidente, as culturas bizantina e latina, a ortodoxia e o catolicismo. Do saque de Constantinopla pelos cruzados e cinco séculos de ocupação otomana até aos gulags soviéticos, a identidade ortodoxa forja-se numa dialéctica de resistência e martírio única no mundo.

Feuillage

Leurs yeux toujours purs

Jours de lenteur, jours de pluie,
Jours de miroirs brisés et d’aiguilles perdues
Jours de paupières closes à l’horizon des mers,
D’heures toutes semblables, jours de captivité.

Mon esprit qui brillait encore sur les feuilles
Et les fleurs, mon esprit est nu comme l’amour,
L’aurore qu’il oublie lui fait baisser la tête
Et contempler son corps obéissant et vain.

Pourtant, j’ai vu les plus beaux yeux du monde,
Dieux d’argent qui tenaient des saphirs dans leurs mains,
De véritables dieux, des oiseaux dans la terre
Et dans l’eau, je les ai vus.

Leurs ailes sont les miennes, rien n’existe
Que leur vol qui secoue ma misère
Leur vol d’étoile et de lumière
Leur vol de terre, leur vol de pierre
Sur les flots de leurs ailes,

Ma pensée soutenue par la vie et la mort.

Poema de Paul Eluard, desenho de Pablo Picasso

Stile Antico – Puer Natus Est

Tudor Music For Advent and Christmas (Stile Antico) – Harmonia Mundi HMU807517
Thomas Tallis – Puer Natus Est, Videte Miraculum | Robert White: Magnificat | John Sheppard: Verbum Caro | John Taverner: Audivi vocem de caelo | William Byrd: Gradualia

Surely the pick of the new CDs for Christmas this year, this exquisitely performed and beautifully planned disc is another winner for Stile Antico, a young, versatile and conductor-less group. They bring together Tallis’s incomplete but richly resonant mass Puer natus est with Byrd’s much tighter, shorter Advent motets from The Gradualia, a satisfying contrast. Then they add Robert White’s expansive Magnificat and Sheppard’s glorious Verbum caro to finish. Sometimes there is an emphasis on sound at the expense of the words, but what a sound: perfectly blended, carefully balanced, its sonorities reaching back effortlessly to conjure up a vanished age of devotion. Via.

Manuscrito de Niccolò Jommelli

Obra de Jommelli descoberta na BNP

Por Cristina Fernandes, Público de 15-Outubro-2010

António Jorge Marques contará hoje, às 18h, numa conferência, o processo de identificação do Laudate pueri a quatro coros, obra inédita do grande compositor italiano identificada há um ano

Enquanto fazia as suas habituais pesquisas na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), o musicólogo António Jorge Marques deparou-se com uma partitura intrigante: um Laudate pueri Dominum a 16 vozes, que indiciava ser uma imponente peça policoral com quatro coros e prevendo o uso de três órgãos, mas que não apresentava indicação de autor. A obra tinha sido catalogada como anónima, uma vez que faltava o primeiro caderno.

Depois de algumas tentativas e hipóteses goradas, os estudos caligráficos comparativos que realizou confirmaram tratar-se de um manuscrito autógrafo do compositor italiano Niccolò Jommelli (1714-1774), uma das grandes figuras da música europeia no período que medeia entre o barroco e o classicismo. Foi também um dos compositores de referência na vida musical portuguesa do século XVIII, chegando a ter um contrato com a corte de D. José. O processo de identificação e a importância deste manuscrito descoberto há um ano serão abordados esta tarde, às 18h, por António Jorge Marques numa conferência na BNP.

“Como faltam as primeiras páginas, das quais costumam constar o autor, a data e o título, o manuscrito passou despercebido durante muito tempo”, disse o musicólogo ao P2. “A recuperação de uma nova obra de Jommelli, considerado na sua época um dos maiores compositores, seria sempre um facto importante, mas neste caso a descoberta torna-se valiosa pelo facto de ser uma peça completamente desconhecida e sem paralelo na produção do autor.” O investigador refere que o catálogo temático incluído por Wolfgang Hochstein em Die Kirchenmusik von Niccolò Jommelli (1984) não menciona qualquer obra para 16 vozes. Esta devia ter sido composta para uma grande ocasião, provavelmente para a Capela Giulia, na Basílica de S. Pedro de Roma, já que Jommelli foi mestre adjunto da instituição entre 1750 e 1753. O cerimonial e os repertórios das capelas pontifícias serviram de modelo à prática musical na Capela Real e Patriarcal de Lisboa, mas estão por esclarecer as condições concretas da chegada desta partitura a Portugal.

Em 1752, D. José I (1750-1777) tentou contratar Jommelli, mas o músico preferiu a proposta do duque de Württemberg, transferindo-se para a corte de Estugarda em 1754. O monarca português acabaria por contratar David Perez, outro expoente da ópera napolitana e da música sacra em meados de Setecentos, conseguindo mais tarde assegurar os serviços de Jommelli à distância. Um contrato assinado em 1769 determinava o envio para Lisboa de várias óperas por ano, incluindo duas novas (uma séria e outra cómica), e de uma série de partituras religiosas, em troca de uma avultada pensão anual. Até à morte de D. José, em 1777, os teatros reais portugueses chegaram a levar anualmente à cena quatro óperas de Jommelli.

Algumas das obras religiosas de Jommelli mantiveram-se no repertório das igrejas de Lisboa até finais do século XIX. No Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses, de 1900, Ernesto Vieira refere que ainda se interpretava frequentemente a Missa de Requiem e os viajantes estrangeiros setecentistas mencionam amiúde a audição desta e doutras peças de Jommelli na capital portuguesa.

Para uma possível interpretação do Laudate pueri da BNP seria necessário que um musicólogo ou compositor reconstruísse as primeiras páginas. Para já António Jorge Marques, que é também autor de um monumental catálogo da obra religiosa de Marcos Portugal, tem estado sobretudo absorvido com o estudo do manuscrito original, mas a viabilização da execução poderá ser um passo a dar no futuro.

Laudate pueri Dominum a 16 vozes:

autógrafo de uma obra desconhecida de Niccolò Jommelli (1714-1774) descoberto na BNP

CONFERÊNCIA | 15 Outubro | 18h00 | Auditório BNP | Entrada livre

À data da sua morte o compositor Niccolò Jommelli era considerado um dos maiores compositores vivos, vindo posteriormente a ser consistentemente incluído na plêiade dos mais memoráveis autores do século XVIII. Na ocasião Schubart escreveu: “O maior Pã está morto… Se a riqueza de pensamento, a fantasia cintilante, a melodia inesgotável, a harmonia celestial, o profundo domínio de todos os instrumentos e particularmente da poderosa mágica da voz humana […], se tudo isto combinado com a mais acutilante compreensão da poesia musical constitui o génio, então a Europa perdeu o seu maior compositor.”

Dois anos depois de ter subido ao trono, D. José tentou contratar Jommelli que, por esta altura, já era o mais afamado e o mais inovador compositor de ópera italiana em actividade. No entanto, a proposta do Duque de Württemberg, que incluía um novo teatro, acabou por aliciar o compositor, que se mudou para a Corte de Estugarda em 1754. Durante 15 anos produziu música religiosa econtribuiu para reescrever a história da ópera. Em 1769 e a troco de uma vantajosa reforma, D. José conseguiu finalmente obter os serviços de Jommelli, que entretanto passou a viver em Aversa, Itália. O contrato incluía o envio de obras religiosas, e sobretudo de óperas. Até à morte do Rei em 1777, e com adaptações de João Cordeiro da Silva, os teatros reais portugueses chegaram a levar anualmente à cena quatro óperas suas.

No género sacro, a influência de Jommelli em Portugal ainda está por avaliar, mas foi certamente duradoura. Algumas das suas obras religiosas mantiveram-se no repertório das igrejas até finais do século XIX. O Requiem (Hochstein, A.I.3), obra composta em 1756 para as exéquias da Duquesa de Württemberg, foi a mais importante e paradigmática. Ernesto Vieira, na entrada do seu Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes (1900), escreve: “Executa-se ainda muito frequentemente nas egrejas de Lisboa a missa de requiemlibera-me de Jommelli, composições primorosas no estylo sacro.”

O estatuto de Niccolò Jommelli e os laços históricos que o ligam a Portugal tornam a descoberta deste autógrafo (ainda que incompleto) um acontecimento relevante no contexto dos estudos de música sacra de estilo romano de meados do século XVIII. O caso em epígrafe é particularmente interessante porque se trata de uma obra policoral para 16 vozes e baixo contínuo (com utilização de 3 órgãos) completamente desconhecida e sem paralelo na produção do compositor. O trabalho seminal de Wolfgang Hochstein, Die Kirchenmusik von Niccolò Jommelli (1984), que inclui um catálogo temático, não menciona qualquer obra para 16 vozes.

A razão para a ausência de referências na bibliografia da especialidade prende-se com o facto de o primeiro caderno (4 fólios) se encontrar desaparecido. Em consequência, informações cruciais como o autor, a data e o título da obra, grafadas na página de rosto, perderam-se.

A identificação do autor foi realizada através de estudos caligráficos comparativos. Uma proposta para a génese da obra assim como a sua contextualização na vida e obra de Jommelli serão alguns dos temas abordados.

António Jorge Marques

Natureza Romântica

[…]
Quando uma menina saía da floresta e me apresentava os seus morangos à venda, com a expressão de quem mos queria dar, ou quando um camponês, à beira do meu caminho, colhia cerejas no cimo da árvore e por entre os ramos me perguntava se eu não queria provar uma mão-cheia delas – tudo isso era um bom sinal para o coração supersticioso!
[…]

Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770-1843) – Hyperion ou O Eremita na Grécia, 1797-1799
George Innes – Morning, 1878 [Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid]

Jos d`Almeida no Festival “Músicas pelo Espichel”

Por inúmeras razões, a actuação do mano foi o concerto do ano. Vá, do mês. Pronto, foi a meia-hora mais bem passada da noite. Os vídeos das actuações estão disponíveis no sítio da Sesimbra TV.

Por  Sandra Brasinha, Jornal de Noticias de 12-09-2010
Mais de três mil pessoas lançaram um apelo conjunto para que o Santuário do Cabo Espichel, em Sesimbra, seja requalificado. A chamada de atenção foi feita no dia 10 durante o festival “Músicas pelo Espichel”, que durou quase dez horas.
Quer o público, a organização, as 15 bandas que subiram ao palco e a Câmara de Sesimbra assumiram-se contra o abandono a que o santuário, que em Novembro comemora 600 anos, tem sido votado nos últimos anos.
Todos exigiram medidas urgentes para dignificar aquele património.
Há já 15 anos que o Estado detém a posse do monumento, mas apesar do compromisso assumido de reabilitar a ala Norte, que lhe foi cedida pela Confraria de Nossa Senhora do Cabo, nada foi feito até agora.
A Direcção-Geral do Tesouro e Finanças está actualmente a fazer a avaliação do imóvel para decidir se aceita a proposta apresentada em Julho pela autarquia, que necessita de ter a posse do santuário para poder negociar com possíveis investidores.
“Uma vez que há terrenos cedidos e que ainda não estão na posse do Estado propusemos uma permuta, porque o Estado não pode formalmente doar-nos o imóvel. Tem de haver uma contrapartida”, explicou ao JN o presidente da Câmara, Augusto Pólvora, criticando o facto de o Estado não poder pura e simplesmente devolver o bem à confraria. “Receberam de borla, não fizeram nada e agora querem receber. É uma situação completamente absurda”, considera o edil, pedindo celeridade na resolução do problema.
O impasse levou o cidadão sesimbrense Carlos Sargedas a criar um movimento de solidariedade pela requalificação do Cabo Espichel, cujo programa teve anteontem o seu ponto alto, com a realização de um festival a que mais de três mil pessoas não quiseram faltar, bem como as 15 bandas que actuaram gratuitamente.
“Quero acreditar que pelo menos dentro de dois anos a obra esteja começada e que façam do Cabo Espichel o uso que ele necessita”, salientou Carlos Sargedas, fazendo um balanço positivo do evento gratuito que custou à organização cerca de 250 mil euros.
“O que está aqui é completamente genuíno”, adverte, propondo que as obras de requalificação avancem gradualmente. “Há pessoas interessadas em investir e portanto não é por falta de dinheiro que não se faz”, acrescenta. “Este concerto é um acto de cidadania de todos nós. Estamos a avisar que queremos que este espaço seja recuperado”, alertou o vocalista dos UHF, a banda cabeça de cartaz do festival. “O Cabo Espichel é uma ordem de prioridades. Este espaço tem magia”, considerou António Manuel Ribeiro, desejando que o pó que se levantou na noite de anteontem “seja amanhã a argamassa usada para construir um novo edifício”.
O vocalista dos Alcoolémia, João Beato, desejou, por seu lado, que num “domingo destes” quando se deslocar ao Cabo Espichel em passeio “o monumento esteja recuperado totalmente”, sugerindo que sejam recriados os costumes de antigamente com a reconstrução de algumas salas com mobília da época “para que se possa conhecer o que foi o santuário”.
Um centro de interpretação do Cabo Espichel, um espaço museológico ligado à geologia e paleontologia, lojas de artesanato no local das casas de outrora, espaços de restauração e uma residencial são algumas das propostas idealizadas para o santuário.
Agora, há também o desejo de que o “Músicas pelo Espichel” se torne o último grande festival de Verão em Portugal.

Foto de José António Marques

Viagem na companhia de Savall

Soberba recriação do repertório do Concert Spirituel no tempo de Luís XV por Jordi Savall e Le Concert des Nations.
Por Cristina Fernandes, Ípsilon de 17-09-2010

Le Concert Spirituel au temps de Louis XV

LE CONCERT SPIRITUEL – Au temps de Louis XV (1725-1774)
Corelli, Telemann, Rameau
Le Concert des Nations |Jordi Savall (viola da gamba e direcção) | Alia Vox 9877
Pierre Hamon flauto, Enrico Onofri violino concertino
Marc Hantaï, Charles Zebley, Yi-Fen Chen traverso
Riccardo Minasi, Mauro Lopes, Olivia Centurione violini
Balázs Máté violoncello

O concerto público tal como o entendemos hoje (ou seja, um evento musical à qual se pode ter acesso mediante o pagamento de um bilhete) foi um produto da cultura musical do século XVIII. Antes, com a excepção da ópera nos teatros públicos, a generalidade do acesso à música fazia-se sobretudo nos círculos restritos da corte ou da aristocracia, através das cerimónias religiosas ou da prática musical doméstica. Entre as primeiras séries de concertos públicos avulta o Concert Spirituel, criado em Paris em 1725 por Anne Danican Philidor. A designação deve-se ao facto destes terem surgido como alternativa musical no tempo da Quaresma e de alguns feriados religiosos, quando a ópera e os teatros encerravam.

A presente gravação de Jordi Savall e do Concert des Nations (acompanhada por excelentes textos de contextualização) centra-se no repertório orquestral de alguns dos compositores mais apreciados pelos organizadores do Concert Spirituel durante o reinado de Luís XV (1715-1774), nomeadamente Corelli, Telemann e Rameau, ao mesmo tempo que traça um quadro fascinante dos diferentes estilos e géneros musicais da Europa da época. Como é habitual nos trabalhos do gambista e maestro catalão, a interpretação é soberba, plena de cores, energia rítmica e luminosidade, tanto ao nível do conjunto como das intervenções solísticas. No primeiro violino, sobressai o brilhantismo apaixonado de Enrico Onofri (bem conhecido dos melómanos portugueses pelo facto de ser director musical do Divino Sospiro), patente logo na abertura do disco no Concerto Grosso op. 6, nº4, de Corelli. Na “Ouverture avec la Suite em Ré”, TWV 55:D6, de Telemann, é a viola da gamba de Savall que emerge em toda a sua plenitude, nobreza e opulência tímbrica, unindo-se depois à flauta de bisel de Pierre Hamon no contagiante Concerto em Lá Maior (para flauta doce, viola da gamba, cordas e baixo contínuo), de Telemann. Marc Hantaï e Charles Zebley (flautas transversais) oferecem também óptimas prestações na Abertura e Suite em Mi menor (TWV 55:e1) da “Tafelmusik”, de Telemann, antes da apoteose final fornecida pelas exuberantes Suites extraídas da ópera-ballet “Les Indes Galantes”, de Rameau, onde não falta um certo sabor exótico idealizado (“Air pour les Esclaves Africaines), a evocação da tempestade e do vento (Zéfiro) ou os incisivos ritmos dos “Tambourins I e II”.

 

El origen de los conciertos privados, tanto en Francia como en toda Europa, se remonta a las épocas antiguas, cuando la música, rebasando el marco de las iglesias y los palacios, empezó a organizarse en casas privadas y jardines al aire libre. Ocurrió en el París de finales del reinado de Luis XIV, donde «rien n’est si à la mode que la musique, passion des honnestes gens et des personnes de qualité», como explica Huber Le Blanc (autor del famoso panfleto Défense de la basse de viole, contre les entreprises du violon et les prétensions du violoncelle publicado en Amsterdam, en 1740). Sin embargo, es durante la Regencia cuando comenzó la auténtica primera serie de conciertos privados con las actividades del ciclo del Concert Spirituel, que no tardó en hacerse famoso. La denominación de Concert Spirituel procede del hecho de que fue creado para poder organizar conciertos durante la Cuaresma y las fiestas religiosas católicas, unos treinta y cinco días al año en los cuales se paralizaban todas las actividades «profanas» de las principales instituciones musicales y teatrales, como la Ópera de París, la Comédie Française y la Comédie Italienne.

Durante muchos años, los conciertos tuvieron lugar en la magníficamente decorada Salle des Cent-Suisses en el palacio de la Tullerías. Los conciertos se iniciaban a las seis de la tarde y estaban destinados principalmente a la gran burguesía, la aristocracia menor y los visitantes extranjeros. Los programas estaban constituidos por una mezcla de obras corales espirituales y obras de virtuosismo instrumental francesas y de autores extranjeros italianos y alemanas. Anne Danican Philidor, nacido en París en 1681, hijo del bibliotecario de la música del rey Luis XIV, inauguró la serie de conciertos el 18 de marzo de 1725. El programa de ese primer concierto estuvo compuesto por una suite de airs de violons de Michel-Richard Delalande, su grand motet «Confitebor», el Concerto grosso escrito para Nochebuena por Arcangelo Corelli y un segundo motete à grand chœur «Cantate Domino» de Delalande. Aunque las músicas francesas dominaron ampliamente el repertorio de los primeros años (con obras de Couperin, Campra, Delalande, Mondonville, Rebel, Bernier, Gilles, Boismortier, Corrette, Charpentier y Rameau), enseguida se incorporaron las músicas instrumentales y vocales de autores italianos, ingleses y alemanes (como Corelli, Pergolesi, Vivaldi, Bononcini, Geminiani, Handel, Telemann, Haydn y Mozart), que entusiasmaban a los aficionados y los amantes de las nuevas músicas.

La primera serie estuvo dirigida por una sucesión de directores-empresarios que pagaron una licencia para obtener el privilegio real que les concedía una excepción al monopolio de la ejecución pública de música detentado por la Ópera de París (Académie Royale de Musique). El fundador y primer director fue Anne Danican Philidor, hijo del bibliotecario musical de Luis XIV y oboísta de la Chapelle Royale. Philidor quebró dos años más tarde; sus sucesores Pierre Simart y Jean-Joseph Mouret (1728-1733) ampliaron la operación con una serie de “conciertos franceses”, pero tuvieron el mismo triste destino. Como nadie estuvo dispuesto a asumir el cargo, a partir de 1734 y durante los siguientes catorce años la serie fue administrada por la Académie Royale de Musique (1734-1748). Durante ese período, se favorecieron las obras de los compositores franceses (en particular, Michel-Richard Delalande, Jean-Joseph Mouret, Jean-Joseph de Mondonville y Jean-Philippe Rameau), si bien también se interpretaron obras de compositores extranjeros como Arcangelo Corelli (1750) y Georg Philipp Telemann (1751). La serie resultó finalmente rentable (porque la Academia no tuvo que pagar la licencia real), pero en general vivió un período de estancamiento. Dos nuevos empresarios, Joseph-Nicolas-Pancrace Royer y Gabriel Capperan (1748-1762), adquirieron el privilegio y decidieron hacer fortuna redecorando la sala de conciertos y aumentando el número de intérpretes de la orquesta y el coro.

Siguieron interpretándose obras francesas nuevas (de Rameau en 1751) y antiguas, así como obras de los compositores más conocidos del momento (como el Stabat Mater de Pergolesi en 1753), y también se empezaron a presentar algunos de los cantantes italianos más famosos. A partir de 1755, se presentaron –y fueron muy famosos– diferentes oratorios con textos en francés (prohibidos al principio para no hacer competencia a la Ópera). Pronto la serie fue rentable. En 1762, un influyente funcionario real, Antoine d’Auvergne, obligó a la viuda de Royer a abandonar la gestión del Concert Spirituel (su marido había muerto en 1755) y junto con diversos socios se hizo cargo de la gestión hasta 1773. El interés del público aumentó con la creación de un concurso de composición de motetes, la ampliación de la programación de los violinistas más famosos del momento y la aceptación de incluir también instrumentos de viento.

A partir de 1777, el Concert Spirituel fue dirigido por Joseph Legros, su último y más brillante director. Legros, un cantante estrella de la Ópera, lo dirigió hasta el final, durante la época de la Revolución francesa, en 1790. Atrajo a los artistas más famosos de toda Europa, renovó el repertorio abandonando los motetes del siglo XVII y sustituyéndolos por obras innovadoras de Johann Christian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart (la Sinfonía “París” en 1778), Joseph Haydn (cuyas sinfonías estuvieron presentes en casi todos los programas) y otros compositores, como Gluck, Paisiello, Salieri y Cherubini. Después de la Revolución, la tradición del Concert Spirituel se recuperó como forma particular de concierto y se convirtió en una tradición muy importante, sobre todo durante la primera mitad del siglo XIX.

El repertorio de ese proyecto se inspiró en las músicas instrumentales para orquesta de algunos de los compositores más apreciados por los organizadores del Concert Spirituel durante el reinado de Luis XVI (1722-1774), concretamente entre 1728 y 1768. Encontramos programadas en esos años, entre muchas otras, obras de Corelli (1725, 1748, 1750, 1764 y 1766), Telemann (1738, 1745 y 1751) y Rameau (entre 1728 y 1768).

Una obra de Corelli (el Concerto fatto per la notte di Natale) figuró en el concierto inaugural del año 1725, y otras obras suyas estuvieron presentes en programaciones posteriores, especialmente en la década de 1760. Para la presente grabación hemos escogido una obra del Opus 6, el Concerto grosso nº 4 en Re mayor, creado en la década de 1680 y conocido por su publicación póstuma en Amsterdam en 1714, que señaló el inicio de una difusión enorme y duradera. En esas obras, Corelli fijó el modelo de concerto grosso, es decir, del patrón de oposición de dos grupos instrumentales de cuerda, uno integrado por dos violines y un violonchelo, y otro más numeroso, a cuatro partes, siempre con el fondo del bajo continuo; al mismo tiempo, empleó una sucesión variable de movimientos rápidos y lentos.

Las obras de Telemann tuvieron una presencia menos constante en el Concert Spirituel y no se mantuvieron más allá de 1751, a pesar de que muchas obras suyas siguieron siendo conocidas por los músicos durante dos o tres décadas más y de que la mayoría de críticos y teóricos continuaron considerándolo entre los mejores. Telemann contribuyó enormemente tanto a lo que se conoce como estilo alemán, el lenguaje contrapuntístico mezcla de los estilos francés e italiano (y polaco, en su caso), como al estilo galante, más ligero en su conjunto a pesar de su resistencia a la simplificación armónica que llegaba con el estilo italiano de mediados de siglo. El compositor afirmó haber “vestido” el estilo polaco con un “atuendo italiano”. También son muy frecuentes en sus obras los elementos franceses, tanto en la orquestación como en los patrones formales, así como en el uso frecuente de elementos programáticos (como el caso de La trompette, en la obertura para viola de gamba); este hecho quizá explique su presencia continuada en el Concert Spirituel. Mientras que en muchos conciertos aplica de modo estricto el patrón formal en cuatro tiempos lento-rápido-lento-rápido, buena parte de sus suites pueden considerarse como ejemplos de lo que el teórico contemporáneo Scheibe llamó Concertouvertüren, una obertura de dimensiones considerables en relación con la suite de movimientos de danza que se enlazan después, con una orquestación para diversos instrumentos solistas (a menudo dos de tesitura aguda) y acompañamiento de cuerda y continuo, como ocurre con las que figuran en el programa de esta grabación.

Jean-Philippe Rameau, el único compositor francés de esta imaginaria velada musical parisina, presentó su ópera-ballet Les Indes galantes en la Ópera de París en agosto de 1735. Sobre todo a partir de mediados de la década de 1750 y durante la siguiente, Rameau fue programado con frecuencia en el Concert Spirituel, con algunos de sus motetes y también las sinfonías o movimientos instrumentales de Les Indes Galantes. Como muchas otras obras de ese género escénico típicamente francés, Les Indes Galantes cuenta con cuatro actos (llamados entrées). La palabra Indes se emplea como término genérico equivalente a “tierra exótica”, por lo que el autor tiene abierto el terreno al uso de músicas con sabores diferentes sin perder por ello el regusto francés. Cada acto tiene un número determinado de movimientos instrumentales que hacen las veces de preludios, interludios, danzas, etcétera, extraídos a menudo de su contexto original y que conformaban una Suite d’airs à jouer constituida por diversos movimientos de estructura bastante libre y llamados genéricamente symphonies.

Este conjunto de obras constituye un interesante testimonio de una auténtica Europa Musical que se desarrolló en torno a esa formidable caracterización de los diferentes temperamentos de Les Nations, puesta en evidencia por medio de un lenguaje fuerte y rico de estilos nacionales diferenciados, pero claramente integrados en la búsqueda de una utópica Réunion des Goûts gracias al ideal de acercamiento y síntesis tan elocuente y hermosamente defendido por François Couperin el Grande.

JORDI SAVALL Y JOSEP MARIA VILAR | Traducción: Juan Gabriel López Guix

 

A arte da harmonia

Musica Aeterna, por João Chambers – Sábado 18 às 14h00

Os primórdios da harmonia, dois dos seus princípios essenciais – o ritmo e o som – e as criações de Joseph Martin Kraus, Wolfgang Amadeus Mozart, Nicolas Champion, Philipp Heinrich Erlebach, Josquin Desprez, Johann Sebastian Bach, Guillaume de Machaut, Canto Gregoriano e de um autor anónimo.


Evaristo Baschenis – Still-Life with Instruments, 1667-1677
A arte da harmonia consiste em conciliar os sons de um modo horizontal – a melodia – ou vertical – os cordes, sendo a extrema simplicidade deste facto bastas vezes esquecida em polémicas tendentes a fornecerem doutrinas mais desenvolvidas. Na realidade, por vezes questiona-se, inclusive com exaltação, se aquela ciência não existirá, basicamente, para a “projecção da personalidade” do seu criador como um meio de comunicação com o ouvinte ou, em alternativa, para a sensibilização deste através da experiência emocional.
Seja qual for a perspectiva tomada a respeito da sua genuína finalidade, a verdade a persistir sempre será a de que, em música, a teoria consiste em dispor as notas de modo a que o resultado final possa ser basilar. Existe também quem assente no axioma das sonoridades deverem conter beleza sem, contudo, reparar que, nessa circunstância, estará a fazer uma exigência ilógica. Um som cadenciado não é forçosamente arte, tão pouco uma agradável sucessão deles constituirá uma simetria a não ser que haja algum raciocínio nessa sequência, ou seja, serem organizados. A questão é que a harmonia mantém-se em ambos os casos a mesma e, em consequência, não deve estar implicada no nosso juízo de valores. A respectiva narrativa não significa, pois, a história de formas consonantes, mas apenas a do esforço consciente do indivíduo para as manipular, conduzindo-nos inevitavelmente à seguinte dúvida:
“Como procedeu afinal o homem?”.
João Chambers

Monet, o contemplativo

Les Galeries nationales du Grand Palais | Exposition – Claude Monet (1840 – 1926)
22 Setembro 2010 – 24 Janeiro 2011

Claude Monet – Londres, le Parlament, trouée de soleil dans le brouillard, 1904
Pendant plus de soixante ans, Claude Monet a peint sans relâche, élaborant une oeuvre qui incarne l’expression la plus pure de l’impressionnisme, pour constituer au début du XXe siècle un des fondements de l’art moderne. C’est l’ensemble de ce parcours riche et fécond que l’exposition des Galeries nationales réinterroge.
Cette exposition monographique est la plus importante manifestation dédiée à l’artiste depuis près de trente ans, lorsque s’était tenue aux Galeries nationales en 1980 une rétrospective en forme d’hommage. Depuis, les recherches sur l’artiste se sont multipliées et ont mis en lumière des aspects moins connus de son oeuvre.
Orchestrée selon des grands axes thématiques et chronologiques, l’exposition retrace la carrière de Monet, des débuts des années 1860 jusqu’aux ultimes tableaux liés au cycle des Nymphéas du musée de l’Orangerie.
Cette exposition est coproduite par la Réunion des musées nationaux et le musée d’Orsay.