Arquivo por Autor

In Memoriam – Antoine Sibertin-Blanc

Em pouco menos de um ano, Portugal perdeu duas notáveis figuras da nossa cultura, ambas ligados à arte dos sons. Depois do desaparecimento da Professora Maria Helena Pires de Matos em Dezembro de 2011, faleceu hoje o Professor Antoine Sibertin-Blanc que foi, durante muitos anos, Titular do Grande Órgão da Sé de Lisboa. Tive o privilégio de o ver o ano passado na Igreja de Linda-a-Velha, num concerto integrado no XIII Festival Internacional de Órgão de Lisboa. Que descanse em paz.

24ª Edição da Temporada “Música em São Roque”

O Coro do Tejo – Ensemble Studio Contrapuncti fará hoje o Concerto de Abertura do Festival “Música em São Roque”, com obras de Heinrich Schütz (1585-1672) e Arcangelo Corelli (1653-1713).

Clique na imagem para descarregar o Programa.

Na sua 24ª edição, a Temporada “Música em São Roque” volta aos locais da sua origem; a Igreja e Museu de São Roque seguindo, como nas edições anteriores, uma linha de programação que privilegia a ligação estética às características próprias dos locais onde decorrem os concertos, a participação de músicos portugueses ou residentes em Portugal e a divulgação do universo musical português.
A Igreja de São Roque acolhe sobretudo obras para coro e orquestra do período barroco e clássico, nomeadamente de Bach, Schütz , Vivaldi, Charpentier, Haydn, Mozart e de um conjunto de compositores portugueses e brasileiros que nos séculos XVII e XVIII aproximaram a história da música destes dois países, como sejam Marcos Portugal, André da Silva Gomes, Emerico Lobo de Mesquita e José Maurício Nunes Garcia, entre outros.
Assumindo-se como iniciativa dinamizadora da atividade musical da comunidade local, a Temporada Música em São Roque prossegue na sua colaboração com as duas principais escolas de música sediadas na área envolvente; a Escola Superior de Música de Lisboa e a Escola de Música do Conservatório Nacional.
O Museu de São Roque será igualmente palco para um interessante concerto intitulado “Uma viagem através do piano e violino” onde se cruzarão obras tradicionais da música erudita com obras de cariz popular. Via.

As “Tábuas Rodolfinas” de Kepler

As “Tábuas Rodolfinas” – 1627, do astrónomo alemão Johannes Kepler (27 Dezembro 1571 – 15 Novembro 1630).
O famoso frontispício está ilustrado com o templo de Urano, onde apresenta vários astrónomos importantes como Copérnico ou Ptolomeu. Por cima do templo está uma águia que lança pepitas de ouro e simboliza o imperador Rodolfo II. A imagem foi retirada daqui.

Na senda de Afonso Henriques, Isabel encontrou um país sem destino

in Fugas, 10 de Novembro de 2012 | Ana Henriques (texto) e Helena Colaço Salazar (fotos)
Selecção do texto e sublinhados meus
Isabel Pessôa-Lopes, 46 anos, é astrofísica e actualmente vive em Londres. Saiu de Guimarães a 5 de Outubro, dia do seu aniversário, e chegou a Lisboa a 25
Durante três semanas, Isabel Pessôa-Lopes percorreu Portugal de castelo em castelo. Saiu de Guimarães, berço da nacionalidade, e só parou em Lisboa, no castelo de São Jorge. Sempre a pé, dormiu em quartéis de bombeiros, apanhou alguns sustos mas o que mais lhe custou foi encontrar um país deprimido e alguns monumentos degradados.
Isabel Pessôa-Lopes percorreu a pé e sozinha centenas de quilómetros por estradas e caminhos, de castelo em castelo. Do berço da nacionalidade, de onde partiu a 5 de Outubro, dia do seu aniversário, rumou à Foz do Douro, onde Afonso Henriques pediu apoio aos representantes dos cruzados para expulsar os mouros. Sempre na peugada do fundador do território portucalense, passou pelo mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, no qual o rei jaz sepultado, pelas fortalezas de Soure, Pombal, Leiria, Óbidos, Alfeizerão, Santarém…
À medida que avançava sempre a pé por montes e vales na senda da reconquista, mapas do Instituto Geográfico do Exército e GPS a guiarem-lhe os passos, interrogava-se uma e outra vez: “Onde estão os homens deste país? Como deixámos Portugal chegar a este estado depois de Afonso Henriques ter batalhado uma vida inteira para o criar?”
A morar há mais de 20 anos fora do país, e neste momento com residência em Londres, a caminheira não se envergonha de dizer que chegou a chorar perante a desgraça em que encontrou a nação onde nasceu. Não é a primeira vez que atravessa o país a pé: no Verão de 2011 deu a volta a Portugal em 80 dias, pelo interior raiano e pela fronteira marítima. Testemunhou até que ponto o Estado se pode esquecer das gentes que tem por missão governar.
“Nesses 80 dias vi miséria, especialmente nas povoações mais remotas. Mas desta vez vi pessoas a passar fome. Gente bem vestida que às 7h, antes de ir trabalhar, vai para a fila de uma instituição de apoio social buscar pão e leite para poder dar o pequeno-almoço aos filhos […] Nunca se viu tantos nos cafés e nos sofás de casa, afazer coisa nenhuma. O povo vive revoltado, mas não se revolta. Estamos entregues a ineptos! […] Chegou a altura de os melhores e os mais capazes se chegarem à frente na condução dos destinos da nação.
Pedir aos cidadãos deste país que corram maratonas depois de lhes terem partido as pernas há décadas é ignorar que eles já se encontram de joelhos”. 
[…]
E se nas aldeias sem um café onde tomar uma bica que Isabel atravessava deparou com demasiada gente entregue ao seu destino, em várias das fortalezas onde esteve foi a incúria que se lhe apresentou à frente dos olhos. “O estado ruinoso do castelo de Vila Nova de Gaia é deplorável”, lamenta. Para chegar ao que resta da fortaleza de Alfeizerão, no concelho de Alcobaça, a astrofísica teve de abrir caminho à catanada, os delgados bastões de caminhada a fingirem de catana. Do monumento reconstruído por Afonso Henriques em meados do século XII para defender esta zona do litoral só chegou até nós um pedaço de muralha, agora escondido na mata. Em Pombal a caminheira encontrou portões cerrados: “Tem uma placa à porta a dizer que está fechado e vi gruas lá dentro”, sinal de obras em curso que, por sinal, já deviam ter terminado há muito tempo. […]
“Quando cheguei a Atouguia da Baleia chovia que se fartava”, recorda. Foi aqui, segundo reza a história, que aportou a frota de cruzados que ajudou o primeiro rei de Portugal a tomar Lisboa. “O que resta do castelo de Atouguia foi vendido a um particular que ali fez turismo rural. Eu nem sabia que se podiam comprar castelos!”
Mas ainda havia que esperar por chegar a Santarém para se espantar mais ainda. À falta de melhor alojamento, pernoitou na antiga Escola de Cavalaria. Não estava à espera de semelhante cenário de degradação: “São 20 hectares de terreno com pavilhões entregues ao vento, num estado de total abandono. Quando o Exército dali saiu foram roubados quilómetros e quilómetros de cabos da instalação eléctrica, e agora ninguém tem dinheiro para recuperar o recinto. É inadmissível”, observa, chamando a atenção para a colecção de enormes painéis de azulejo que ainda subsistem na velha escola, retratando velhas batalhas. […]

O exílio de Rimbaud

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (Charleville, 20 de Outubro de 1854 – Marselha, 10 de Novembro de 1891)
Extracto da única obra por si publicada – Une Saison en Enfer, 1873: Délires II, Alchimie du verbe
Ilustração “Portrait d’Arthur Rimbaud” de Pablo Picasso, 1960
À moi. L’histoire d’une de mes folies.
Depuis longtemps je me vantais de posséder tous les paysages possibles, et trouvais dérisoire les célébrités de la peinture et de la poésie moderne.
J’aimais les peintures idiotes, dessus de portes, décors, toiles de saltimbanques, enseignes, enluminures populaires ; la littérature démodée, latin d’église, livres érotiques sans orthographe, romans de nos aïeules, contes de fées, petits livres de l’enfance, opéras vieux, refrains niais, rythmes naïfs.
Je rêvais croisades, voyages de découvertes dont on n’a pas de relations, républiques sans histoires, guerres de religion étouffées, révolutions de mœurs, déplacements de races et de continents : je croyais à tous les enchantements.
J’inventai la couleur des voyelles ! — A noir, E blanc, I rouge, O bleu, U vert. — Je réglai la forme et le mouvement de chaque consonne, et, avec des rythmes instinctifs, je me flattai d’inventer un verbe poétique accessible, un jour ou l’autre, à tous les sens. Je réservais la traduction.
Ce fut d’abord une étude. J’écrivais des silences, des nuits, je notais l’inexprimable. Je fixais des vertiges.

Miguel Ângelo Buonarotti

Na entrada relativa a 2 de Dezembro de 1786 da sua Italienische Reise (Viagem a Itália), escrevia Johann Wolfgang von Goethe:

No dia 28 de Novembro voltámos à Capela Sistina. Aberta a galeria que permitia ver o tecto e após a passagem estreita e mal iluminada, somos compensados pela visão da grande obra-prima da arte. Neste momento, estou de tal modo fascinado por Miguel Ângelo, que depois dele já nem tenho gosto pela natureza, especialmente porque sou incapaz de a contemplar com o mesmo olhar de génio com que ele o fez.


Miguel Ângelo Buonarotti – A Criação de Adão, c. 1570
Fresco, c. 280 x 570 cm | Roma, Vaticano, Capela Sistina

A emissão do Musica Aeterna do passado dia 27, dedicada à comemoração dos hoje assinalados 500 anos da revelação do tecto da Capela Sistina ao Papa Júlio II, está disponível em podcast. Absolutamente a não perder!

 

As Paisagens de Alfred Sisley, Inundadas de Impressionismo

Oriundo de uma família da classe média inglesa, Alfred Sisley nasceu a 30 de Outubro de 1839, perto de Paris.
Tendo começado a desenhar em finais da década de 1850, foi por volta de  1863 que  surgiram os seus primeiros trabalhos en plein air.  Teve oportunidade de conhecer Monet, Renoir, Pissarro e Bazille no Salon, onde expôs pela primeira vez em 1866. Participou ainda em várias Exposições Impressionistas, entre 1874 e 1882. Em finais de 1889, instalou-se definitivamente em Moret, onde viria a morrer de cancro com 59 anos de idade, a 29 Janeiro de 1899.


Flood at Port-Marly, 1876

The Flood on the Road to Saint-Germain, 1876

As Idades do Mar

Exposição – “As Idades do Mar” | Gulbenkian | 26 de outubro 2012 – 27 de janeiro 2013

Migração de pássaros, 1924 – Johannes Larsen, Dinamarca | Crédito fotográfico: SMK Foto. Statens Museum for Kunst © Johannes Larsen, Copy-Dan, 2012 | Óleo sobre tela Folketinget, Copenhaga
O mar é o tema central da exposição que o Museu Calouste Gulbenkian vai apresentar a partir do dia 26 de Outubro, na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação. Em exposição vão estar mais de uma centena de obras, dos séculos XVI ao XX, provenientes de 46 instituições nacionais e estrangeiras, com o apoio excepcional do Museu d’Orsay.

Square Rock, Ogunquit, 1914 – Edward HOPPER (1882-1967) | Foto:Robert E. Mates © Heirs of Josephine N. Hopper, licensed by the Whitney Museum of American Art | Óleo sobre tela 61,6 x 74,3 cm Whitney Museum of American Art, New York Josephine N. Hopper Bequest Inv. 70.1203
Partindo de uma sondagem histórica da representação visual do mar, a mostra procura identificar os temas fundadores que levaram à sua extensa e recorrente representação na pintura ocidental. A exposição desenvolverá o conceito que dá título ao projecto em seis secções distintas: As Idades dos Mitos, As Idades do Poder, O Mar e o Trabalho, Tormentas e Naufrágios, Contemplação e Viagem e O Mar como Símbolo.

Figura de Branco, Biarritz, 1906 – Joaquín SOROLLA BASTIDA (1863-1923)
Óleo sobre tela 63 x 91,5 cm Museo Sorolla, Madrid
Van Goyen, Lorrain, Turner, Constable, Friedrich, Courbet, Boudin, Manet, Monet, Signac, Fattori, Sorolla, Klee, De Chirico, Hopper, são alguns dos 86 autores presentes na exposição com obras de superior qualidade. Também a pintura portuguesa, através de Henrique Pousão, Amadeo de Souza-Cardoso, João Vaz, Maria Helena Vieira da Silva, Menez, Sousa Lopes, Noronha da Costa, António Carneiro ou João Vaz, contribuirá para esta abordagem exaustiva e por vezes inesperada de um motivo tão fascinante – e simultaneamente com especial significado na história e cultura portuguesas.

A Evasão de Rochefort, 1881 – Édouard MANET (1832-1883) | Paris, musée d’Orsay © 2012. White Images/Scala, Florence | Óleo sobre tela 80 x 73 cm Paris, Musée d’Orsay Inv. RF 1984-158
Com curadoria de João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Gulbenkian, As Idades do Mar reúne 108 obras vindas de meia centena de instituições nacionais e estrangeiras e conta com mais de uma dezena de peças da coleção do Museu d’Orsay.

Hôtel des Roches noires. Trouville, 1870 – Claude MONET (1840-1926) | Paris, Musée d’Orsay. © 2012. Photo Scala, Florence | Óleo sobre tela 81 x 58 cm Paris, musée d’Orsay, doação de Jacques Laroche, 1947 Inv. RF 1947-30
A abrir a exposição estará A Largada do Bucentauro de Francesco Guardi, obra pertencente à colecção do Museu Gulbenkian e que sintetiza as linhas programáticas da mostra representando um ritual que se cumpria anualmente na cidade de Veneza que simbolizava o casamento entre a Terra e o Mar.

Natureza-Morta com Peixes, 1925 – Giorgio de CHIRICO (1888-1978) | © Giorgio de Chirico, SIAE, 2012
Óleo sobre tela 74 x 100 cm Galleria nazionale d’arte moderna e contemporanea, Roma Su concessione del Ministero per i Beni e le Attività Culturali Inv. 3178
A exposição desenvolve-se, a partir daí, em seis núcleos distintos: A Idade dos Mitos, A Idade do Poder, A Idade do Trabalho, A Idade das Tormentas, A Idade Efémera e a Idade Infinita.

Naufrágio Numa Costa Rochosa, 1757 – Carlo BONAVIA (activo em Nápoles, 1751-1788) | Colección Santander | Óleo sobre tela 125 x 205 cm Colección Santander
Em torno da exposição realizam-se quatro conferências sobre iconografia do mar na azulejaria, na tapeçaria e na pintura, nos dias 5, 12, 19 e 26 de novembro, no Auditório 3.

A Onda, 1889 – Gustave COURBET (1819-1877) | Musée d’Art moderne André Malraux, MuMa, Le Havre © Charles Maslard | Óleo sobre tela 71,5 x 116,8 cm Musée d’Art moderne André Malraux, Le Havre Inv. 2003.1.1

A Sereia, 1893 – Giulio Aristide SARTORIO (1860-1932) | Reprodução autorizada pela Fondazione Torino Musei | Óleo sobre tela montada sobre painel de madeira 58 x 129 cm GAM–Galleria Civica d’Arte Moderna e Contemporanea, Turim Inv. P/2492, GAM

Batalha de Lepanto, 7 de Outubro de 1571, c. 1573 | Anónimo (Monogramista «H») | Óleo sobre tela 127 x 232,4 cm National Maritime Museum, Greenwich, Londres/ Inv. BHC0261

Outono musical em Aveiro

Festivais de Outono na Universidade de Aveiro – 19 de Outubro a 23 de Novembro
A paráfrase d’A Portuguesa, de Alfredo Keil, intitulada My Beautiful Blue Country, da autoria do compositor e pianista Luís Pipa, abrirá a oitava edição dos Festivais de Outono, no dia 19 de Outubro, no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro. Luís Pipa, acompanhado pela Orquestra Filarmonia das Beiras e sob a direcção do maestro Ernst Schelle, interpretará igualmente o concerto para piano e orquestra em Lá menor Op. 16, de Edvard Grieg. A Filarmonia das Beiras encerrará a noite interpretando a Sinfonia nº 4, em Ré menor, Op. 120, de Robert Schumann. Este é o ponto de partida para a 8ª edição dos Festivais de Outono que pretende celebrar a música portuguesa e prestar um tributo aos músicos portugueses e músicos residentes em Portugal. Via.
O Programa está disponível aqui.

Corto Maltese: Viagem à Aventura

Fórum Eugénio de Almeida – De 25 de julho a 2 de dezembro de 2012
Esta exposição dá a conhecer a enorme poética do ilustrador veneziano Hugo Pratt, através das viagens e histórias do seu personagem mais emblemático: Corto Maltese, uma das principais figuras da Banda Desenhada mundial e referência na literatura do século XX.
Corto Maltese é um viajante incansável sempre à procura de novos lugares longínquos, um anti-herói romântico e fiel aos seus ideais que cruza momentos da história como sua testemunha.
As 51 obras da exposição – aguarelas, tinta-da-china e guache – retratam uma das muitas aventuras do errante capitão maltês: de Veneza, passando por África, de Samarcanda à Polinésia, do Caribe à ilha de Escondida.