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Café Zimmermann na Gulbenkian

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A audição integral dos Concertos Brandeburgueses de Johann Sebastian Bach, que se distribui entre os dias 7 e 11 de Março, constitui um inevitável ponto de interesse em qualquer programação musical. O agrupamento Café-Zimmermann interpretará este monumento do Barroco musical, bem como duas obras concertantes, para cravo e para dois violinos respectivamente, no ano em que se completam 260 anos sobre a morte de J. S. Bach. A excelência dos músicos do Café-Zimmermann, grupo fundado em França em 1988, é marcada pela direcção musical de Pablo Veletti e pela cravista Céline Frisch, dupla responsável pela direcção artística. O nome do grupo foi inspirado no espírito que movia os concertos organizados em Leipzig pelo Collegium Musicum e acolhidos no café de Gottfried Zimmermann, então com um ensemble fundado por Telemann e dirigido por J. S. Bach, entre 1729 e 1739.

Compostos possivelmente entre 1711 e 1720, os Concertos Brandeburgueses foram apresentados como um conjunto de Seis Concertos com diversos instrumentos, dedicados em 1721 ao margrave melómano Christian Ludwig de Brandeburgo. Constituindo um repertório marcadamente barroco, os Concertos Brandeburgueses representam uma interessante leitura dos elementos do concerto grosso, onde se identificam o ripieno e o concertino, embora neste último se destaque por vezes uma maior focagem num só instrumento, como por exemplo o trompete no nº 2, ou o cravo no nº 5. Nesta perspectiva, encerram uma grande variedade musical, explorando as várias possibilidades de composição da época para o género instrumental e constituindo um incontornável e importante conjunto de obras do período Barroco. Via.

Programa:
Domingo, 7 Mar 2010, 19:00 – Grande Auditório
Concerto Brandeburguês Nº 2, em Fá maior, BWV 1047
Concerto Brandeburguês Nº 4, em Sol maior, BWV 1049
Concerto Brandeburguês Nº 6, em Si bemol maior, BWV 1051
Concerto para Cravo, em Fá menor, BWV 1056
Quinta, 11 Mar 2010, 19:00 – Grande Auditório
Concerto Brandeburguês Nº 1, em Fá maior, BWV 1046
Concerto Brandeburguês Nº 3, em Sol maior, BWV 1048
Concerto Brandeburguês Nº 5, em Ré maior, BWV 1050
Concerto para dois Violinos, em Ré menor, BWV 1043
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à grande vitesse pour la nouvelle année, s`il vous plaît!

Da magnífica Exposição «Art Déco, 1925» que hoje terminou na Gulbenkian, sendo impossível escolher a que melhor ilustra o Renascimento da Arte, as Portas de Brandt – autor do gradeamento que ligava o Grand ao Petit Palais -, simbolizam assim a entrada no Novo Ano. 🙂

Princípios que presidiram à organização da Exposição de 1925
Reunir numa exposição internacional, com a colaboração de artistas, industriais e artesãos, todas as artes decorativas: artes da madeira, da pedra, do metal, da cerâmica, do vidro, do papel, dos tecidos, etc., quer se aplicassem a objectos utilitários ou sumptuosos ou até mesmo à arquitectura.
– Não admitir nenhuma cópia ou pastiche, devendo os objectos expostos corresponder à modernidade. Contribuir assim para um verdadeiro renascimento da arte.
– Procurar definir a identidade e supremacia da produção francesa no âmbito do mercado internacional e assegurar a sua autoridade como árbitro do gosto e como produtor de artigos de luxo manifestamente produzidos num novo estilo moderno.
– Criar uma arte mais acessível, verdadeiramente democrática. Se até à data as obras modernas eram únicas, industrializadas e feitas em série, permitiriam servir um público economicamente alargado e mais modesto
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Edgar Brandt - Portas de Elevador, c.1925 - Ferro forjado, vidro, bronze dourado e patinado, 240 x 85 cm (cada) © Fundação Calouste Gulbenkian / Foto: Carlos Azevedo

ART DÉCO
Designação dada na década de 1960 à expressão artística que surge no primeiro quartel do século XX, e que obteria grande sucesso no período entre as duas guerras, tempo de grande controvérsia, transformações sociais, tecnológicas, económicas e políticas.
Para muitos visitantes da Exposição das Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925, a impressão mais surpreendente era a de um mundo material que, embora ainda mantendo resíduos da tradição, tinha sido transformado pela introdução de novos materiais e novas técnicas, mas sobretudo pela linguagem visual, pela cor e pela iconografia.
Nos anos de 1920, os modelos decorativos tendem a simplificar as formas, a abandonar a aplicação de ornamentos tridimensionais e deram lugar a motivos abstractos, geométricos e de formas aerodinâmicas, inspirados pelo cubismo, construtivismo, artes primitivas exóticas, essencialmente a africana, e outras fontes «avant-garde».
A Art Déco cria, assim, uma estética decorativa mais compatível com os novos materiais e as tecnologias da produção em série, em vez de uma linguagem figurativa dependente do trabalho manual dos objectos de luxo tradicionais.
O formulário Déco expande-se nos finais de 1920 e na década de 1930 em países europeus e também nos Estados Unidos da América, onde é muito apreciado, chegando mesmo ao Japão e à China.
No entanto, cerca de 1927-1928, a Art Déco em França entrava já em declínio. Assistiu-se ao seu descrédito e à sua marginalização, que persistem até à década de 1960, altura em que os pós-modernistas e os comerciantes de arte a redescobriram no contexto da reacção ao Modernismo.

Anos 70 – Atravessar Fronteiras

Organizada pelo Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão (CAMJAP) e pelo Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian e comissariada por Raquel Henriques da Silva, Anos 70 – Atravessar Fronteiras propõe duas áreas temáticas: a necessidade de intervir e experimentar; série e variação.
A exposição reúne um conjunto de obras oriundas da colecção do CAMJAP, mas também da Fundação de Serralves, do Museu do Chiado, do Museu Colecção Berardo, da Culturgest e de diversas colecções privadas. Traça-se assim um panorama da arte em Portugal, pontuando-a com momentos da arte internacional. Em complemento, realiza-se uma mostra expositiva de artistas nascidos nos anos 70 e apresenta-se alguma documentação.
Em Portugal, a dinâmica dos primeiros anos da década de 70 manifesta com clareza que a revolução estava já em marcha e que a mesma muito deve à criatividade provocatória e cívica dos artistas e outros agentes culturais. Dos cerca de 100 artistas presentes, há figuras tutelares há muito consagradas e jovens artistas em início de carreira.
O critério de selecção foi histórico, numa perspectiva de “obra aberta”: operou-se por áreas temáticas ou afinidades inesperadas, propondo aos visitantes que construam o seu próprio percurso. Foi ainda possível encomendar a alguns artistas obras que haviam deixado de existir – o caso de uma instalação de Alberto Carneiro ou do Portugal de José Aurélio -, ou a reconstrução e reapresentação de outras, como as instalações de Ana Vieira, Alberto Pimenta e Rui Orfão. Via.

Helena Lapas S/Título, 1970 Tapeçaria bordado 200 x 110cm Col. Helena Lapas

Artur Rosa Homenagem a Josef Albers, 1972 XL/XXXIV Serigrafia a três cores sobre papel Papel: 56,2 x 56,3 cm

Renée Gagnon Muro da dança, 1978 Gravura 70,5 x 100 cm Col. Renée Gagnon

 

Hélène Grimaud

Nascida em Aix-en-Provence, Hélène Grimaud iniciou os seus estudos musicais no Conservatório da sua cidade natal, prosseguindo-os depois em Marselha, com Pierre Barbizet. Aos doze anos de idade foi admitida no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde estudou com Jacques Rouvier, Gyorgy Sandor e Leon Fleischer.

O ano de 1987 foi decisivo na carreira de Hélène Grimaud após a sua apresentação no MIDEM em Cannes. A sua actuação neste evento levou Daniel Barenboim a recomendá-la para tocar com a Orquestra de Paris, seguindo-se uma série de concertos, incluindo a sua estreia no Festival de Piano de La Roque d’Anthéron e um recital em Tóquio.

Desde então, Hélène Grimaud apresenta-se regularmente nos principais centros musicais internacionais com importantes orquestras, incluindo a Filarmónica de Berlim, a Philharmonia Orchestra, a Orquestra do Tonhalle de Zurique, a Filarmónica de São Petersburgo e a Sinfónica da NHK. Actua também regularmente com as principais orquestras dos Estados Unidos da América, incluindo as Filarmónicas de Los Angeles e Nova Iorque, a Orquestra de Filadélfia e as Sinfónicas de São Francisco e Boston. Desde o início da sua carreira, colabora com maestros de craveira internacional.

Em 2002, Hélène Grimaud assinou um contrato de exclusividade com a Deutsche Grammophon, tendo sido lançado recentemente o CD “Reflection” , que inclui obras de Brahms e de Robert e Clara Schumann. As suas anteriores gravações para a DG incluem o disco “Credo” (obras orquestrais e a solo de Beethoven e Pärt), um recital Chopin / Rachmaninov e o Concerto para Piano Nº. 3 de Bartók, com a Orquestra Sinfónica de Londres e o maestro Pierre Boulez. Realizou a sua primeira gravação aos quinze anos de idade, incluindo o seu catálogo anterior obras de Liszt, Ravel, R. Strauss, Rachmaninov, e Gershwin.

Hélène Grimaud recebeu numerosos prémios, tendo sido também reconhecida no seu país, onde foi distinguida com o grau de Oficial da Ordem das Artes e das Letras do Ministério da Cultura de França, em 2002. Mais recentemente, recebeu o prémio“Victoire d’honnuer” nos Victoires de La Musique de 2004.

Hélène Grimaud é autora de dois livros, Variations SauvagesLeçons Particulières, ambos publicados pelas Editions Robert Laffont. Variations Sauvages foi já traduzido para várias línguas. Ambos os livros obtiveram sucesso em França, figurando nas listas dos mais vendidos.

Em 1999, Hélène Grimaud fundou o Wolf  Conservation Center, uma causa que continua a defender. Mais recentemente deu o seu apoio a várias organizações de solidariedade e defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional, a International Camp Villa Sans Souci e o Worldwide Fund. Via.

As 53 estações do Tokaido

Museu Gulbenkian, Galeria de Exposição Permanente – Até 31 de Maio de 2009

A série de gravuras «Estações do Tokaido» adquirida por Calouste Gulbenkian integra-se no conjunto de cerca de 200 estampas japonesas dos séculos XVIII e XIX. Assinadas por três grandes mestres Hiroshige (1797-1858), Kunisada (1786-1865) e Kuniyoshi (1797-1861), as 55 estampas, editadas c. 1845, por diferentes editores, ilustram lendas e contos relacionados com as estações do Tokaido. 
 O Caminho do Mar do Oriente

O Tokaido (O Caminho do mar do Oriente) era a principal via terrestre do Japão feudal. Percorria cerca de 500 km entre a antiga capital imperial, Quioto e a verdadeira capital – Edo (Tóquio), capital militar dos Tokugawa. No século XVII, Ietyasu Tokugawa, um poderoso dáimio (senhor feudal e membro da nobreza militar), conseguiu pacificar e unificar o Japão e estabelecer um sistema organizativo com o objectvo de limitar o poder dos senhores feudais. Ao longo do caminho, foram criados pela administração Tokugawa 53 seki (postos de vigia), controlados por guardas que proibiam a passagem aos viajantes que não possuíssem a documentação adequada para prosseguir a jornada.   
      
Entre os viajantes do Tokaido, destacavam-se as comitivas que faziam parte do séquito dos dáimios, enviadas para a corte do xógun (comandante militar do imperador, com residência oficial em Quioto), para aí permanecer durante um ano, e deste modo evitar a organização de qualquer rebelião contra o poder imperial. 
     

 

 

Os dáimios eram obrigados a prestar vassalagem ao imperador, tendo de percorrer o Tokaido para cumprir as visitas cerimoniais.  As 53 estações (sem contar com a do início e do término), situadas ao longo do caminho, abrigavam não apenas as comitivas dos senhores feudais mas todo o tipo de viajantes, mercadores, peregrinos e camponeses. Viajar nesta estrada, tão concorrida, era uma aventura pelas surpresas, riscos e dificuldades e também pelas intempéries que particularmente no Inverno assolavam a região. A maior parte dos viajantes demorava duas semanas a percorrer os 500 quilómetros a pé, alugando por vezes cavalos e palanquins para atravessar rios e lagos, desfrutando da paisagem ou das casas de chá. Outros, prolongavam a viagem, permanecendo por vezes vários dias na mesma estação.  

No percurso ao longo da costa (em parte o Pacífico, em parte o mar interior), su cedem-se paisagens magníficas e variadas, incluindo lugares onde as montanhas subitamente irrompem no mar. Esta estrada tem ainda muitos outros motivos de interesse: santuários, como o de madeira de Nikko, cataratas, lagos tranquilos como o Biwa, e o famoso monte Fuji, que podia ser observado ao longo do percurso.

O Tokaido era também uma rota necessária para o comércio de todo o género para abastecer as populações que em Edo, no início do século XIX, se estimavam em cerca de 1 milhão de habitantes.

 

 

 

caminho-do-tokaido-mapa

 

Hiroshige e o Tokaido
utagawa-kuniyoshi-estacao-16-kambara1O caminho do Tokaido teria provavelmente caído no esquecimento, se não tivesse sido imortalizado por uma série de 55 gravuras de  Ando Hiroshige (1797-1858), um dos maiores mestres da arte da estampa japonesa. 
Em 1832, Hiroshige viajou ao longo do Tokaido, de Edo até Quioto, como membro de uma delegação oficial transportando cavalos que deveriam ser apresentados na corte imperial. Os cavalos eram uma oferta simbólica  anual ao xógum, em sinal de reconhecimento pelo estatuto divino do imperador. 
As paisagens ao longo do percurso causaram uma profunda impressão ao artista, que foi realizando vários esboços durante a viagem de ida e de volta para Edo.
Depois do seu regresso, começou imediatamente a trabalhar nas primeiras estampas desta série.
No total, ao longo de toda a sua vida, realizou mais de três dúzias das estações do Tokaido, em colaboração com outros artistas.

 

 

 

 

Exposição relacionada: L`estampe japonaise – images d`un monde éphémère. Via RAF.

a páginas tantas…

Tenho andado entretido a  introduzir algumas páginas sobre temas actuais que me interessam e que irão sendo actualizadas.

A saber:

Uma sobre os Óscares, com mais uma noitada em perspectiva, a 22 deste mês; Outra sobre fotografia em cinema, de Annie Leibovitz – Film Noir.

Duas sobre grandes compositores de quem se comemoram bicentenários, respectivamente, da morte de Joseph Haydn e do nascimento de Felix Mendelssohn.

Ainda à volta dos sons, uma página desenvolvida a partir do programa Musica Aeterna, produzido por João Chambers para a Antena 2. Um belíssimo programa, emitido no dia 31 de Janeiro, dedicado a assinalar dos 500 anos da publicação, em Veneza, do tratado De Divina Proportione de Luca Pacioli, o qual trata, essencialmente, o número de ouro e a sua aplicação na arquitectura e na pintura.
Outra sobre Rembrandt está na forja…

Por falar em pintura! Se a Exposição de Francis Bacon no Museu do Prado merece destaque, a monumental Babilónia no British Museum… só visto!

Especialmente actual, num tempo incerto para a nossa espécie, a página dedicada a Charles Darwin, cujo bicentenário do nascimento se comemora este ano, a par os 150 anos de “A Origem das Espécies”. A não perder, a Exposição que inaugura depois de amanhã na Gulbenkian.

Recordo, no trigésimo aniversário da morte de meu pai, Tabacaria, por João Villaret:

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