Archive for the ‘ Música ’ Category

“Fearless Movement”, de Kamasi Washington

O saxofonista de jazz Kamasi Washington, nascido em Los Angeles em 1981, foi discípulo de Reginald Andrews [1948-2022] na The Multi School Jazz Band (MSJB), onde conheceu o multi-instrumentista Terrace Martin e o baixista Stephen “Thundercat” Bruner,  quando ainda eram adolescentes. Em 2006 fundaram o colectivo de jazz West Coast Get Down, a quem se juntaram o baixista Miles Mosley, os bateristas Ronald Bruner Jr. e Tony Austin, os pianistas Cameron Graves e Brandon Coleman, e o trombonista Ryan Porter.

Com sete álbuns editados, o já muito respeitado Washington regressa a Portugal nos próximos dias 25 (Porto) e 26 (Lisboa) para apresentar o seu último trabalho Fearless Movement (Young, 2024)


‘The Wind’, de Simin Tander

Simin Tander nasceu em 1980 na cidade alemã de Colónia. Filha de pai afegão e mãe alemã, a compositora de jazz é senhora de uma voz envolvente e canta em inglês e Pashto/Afghaani.

Com o pianista Jeroen van Vliet, o baixista Cord Heineking e o baterista Etienne Nillesen gravou os álbuns Wagma (2011) e Where Water Travels Home (2014); em 2016 estreia-se na ECM com o premiado What Was Said, álbum a três com o pianista Tord Gustavsen e com o baterista Jarle Vespestad.

Unfading (2020), com o baixista Björn Meyer, o violinista Jasser Haj Youssef, e o baterista Samuel Rohrer, antecede The Wind, acabadinho de sair. Um deleite!


‘Reconstrução da música’ de Johann Sebastian Bach

2025 é um ano singular para celebrar a música de Johann Sebastian Bach [1685-1750]. Neste dia 21 de Março – Dia Europeu da Música Antiga -, assinalam-se os 340 anos do seu nascimento e em 28 Julho os 275 da morte. O agrupamento belga Les Musffatti – cujo nome alude ao compositor Georg Muffat (1653-1704) -, lançou em 2019 o CD  Bach – Concertos para Órgão e Cordas, tendo o organista Bart Jacobs como solista.

Concerto em Ré menor, segundo BWV 146, BWV 188 e BWV 1052
A base da reconstrução é a versão perdida do concerto para violino em Ré menor. A primeira adaptação sobrevivente desta obra é o concerto para cravo BWV 1052a, pela mão de C.P.E.Bach. Mais tarde, J.S.Bach reformulou o primeiro e segundo andamentos na sinfonia e coral para BWV 146, e o terceiro andamento na sinfonia para BWV 188; ambas são tocadas para órgão ‘obbligato’. Apenas os compassos finais desta última sinfonia sobreviveram, mas foram incluídos na reconstrução. A forma final remete para o concerto para cravo BWV 1052, escrito por J.S.Bach. (A partir do Booklet do cd.)




‘Gary Peacock & Bill Frisell: Just So Happens’

Da colaboração entre o guitarrista Bill Frisell e o saudoso contrabaixista Gary Peacock [1935-2020] nasceu o CD Just So Happens, editado em 1994 pela Postcard Records e reeditado em 2024 no âmbito do projecto Arkadia Short Cuts.


‘Sonata para violino’, de Élisabeth Jacquet de La Guerre (III)

Élisabeth Jacquet de La Guerre [1665 – 1729] foi a mais famosa compositora do Ancien Régime, o que a tornou uma das personalidades mais surpreendentes da história da música.
Protégée de Luís XIV, o Rei-Sol, da sua contribuição para o mundo da música ficaram as colecções de sonatas para violino e para cravo.
Neste dia 17 de Março, em que decorrem 360 anos do seu nascimento, fica o sexto andamento da Sonata para violino nº 1 em Ré menor.


Álbum: Jacquet de La Guerre: Violin Sonatas Nos. 1-6, 2017
Patxi Montero, violão baixo | Lina Tur Bonet, violino | Kenneth Weis, cravo

‘In caelestibus regnis’, de Pergolesi

De Giovanni Battista Pergolesi [1710-1736], compositor do barroco italiano que morreu neste dia 16 de Março com apenas 26 anos de idade, a antífona “In caelestibus regnis” (1731), interpretada pelo contratenor britânico Michael Chance, dirigido por Robert King durante a gravação do álbum Pergolesi: Stabat Mater; Salve Regina in A Minor que a orquestra The King’s Consort realizou em 1988 para a Hyperion Records.


‘The Sky Will Still Be There Tomorrow’, de Charles Lloyd

Completa hoje 87 anos e com as faculdades intactas Charles Lloyd, o lendário saxofonista oriundo de Memphis que na segunda metade da década de 50 se mudou para Los Angeles e se juntou a Ornette Coleman, Billy Higgins, Eric Dolphy e Bobby Hutcherson para actuar em clubes de jazz; Ou que na segunda metade da década de 60 liderou um quarteto que incluía Keith Jarrett e Jack DeJohnette e, no mesmo período, colaborou com Cannonball Adderley

Entre 1989 e 2012, Manfred Eicher produziu praticamente duas dezenas de álbuns de Lloyd para a ECM. Desde então, juntou-se à Blue Note, onde gavou uma dezena de trabalhos, o mais recente duplo LP ‘The Sky Will Still Be There Tomorrow’ de 2023 e lançado em 2024, para o que reuniu um quarteto onde teve a companhia do pianista Jason Moran, o baixista Larry Grenadier e o baterista Brian Blade. Fica a faixa homónima que dá o título ao álbum.


‘Ricercare’, de Vincenzo Capirola

De Vincenzo Capirola (1473? – 1548?) compositor da Renascença, autor da obra Compositione di messer Vincenzo Capirola gentil homo bresano, um livro de tablaturas para alaúde (Veneza, 1515- 1520), a composição Recercar II:XIII, com Paul O’Dette no alaúde.


Album Alla Venetiana – Early 16th Century Venetian Lute Music, Harmonia Mundi, 2005

Mês de Março – ‘Cultivo dos campos’

Iluminura extraída do Livro de Horas ‘Les très riches heures du duc de Berry’, obra-prima do século XV criada pelos irmãos Limbourg (Paul, Herman e Johan). Destinado aos fiéis católicos leigos, este extraordinário livro de orações é fonte de riquíssima iconografia sobre o quotidiano no final da Idade Média. Será em breve exibido no Musée Condé, no Château de Chantilly, destaca o Financial Times.

Folio 3 verso – Calendário para o mês de Março: Trabalhos no campo
Pintura iniciada entre 1411 e 1416 pelos irmãos Paul, Herman e Johan Limbourg (castelo de Lusignan) e concluída por Barthélemy d’Eyck por volta de 1445

©Photo. R.M.N. / R.-G. OjŽda


Superior – A carruagem do Sol cruza o céu entre as constelações de Peixes e Carneiro.
Centro – O castelo de Lusignan, localizado em Poitou, foi reconquistado e reabilitado pelo Duque de Berry durante a Guerra dos Cem Anos. A torre Poitevine, encabeçada por um dragão alado, evoca a lenda de Mélusine, por quem o duque nutria afecto. Segundo a fada Mélusine, que construiu o castelo para o seu esposo, o Conde Raymondin, fê-lo prometer que não tentaria vê-la ao sábado – neste dia, a parte inferior do seu corpo assume a forma de uma serpente, sinal de fertilidade. Porém, num sábado, o senhor do castelo surpreendeu Mélusine tomando banho e ela escapou pela janela do castelo sob a forma de um dragão.
Inferior – Abaixo do Castelo de Lusignan, um pelourinho assinala uma encruzilhada na intersecção de quatro campos trabalhados de diferentes maneiras. Os camponeses aproveitam a Primavera para arar, semear, podar as  vinhas e pastorear ovelhas. Esta composição serve de regra para a maioria das pinturas de calendário: os dois primeiros planos são reservados para a descrição das obras e particularidades do mês, enquanto ao fundo se destaca a silhueta de um dos castelos ducais.


Guillaume de Machaut [ca. 1300-1377] – Moteto Diex, Biauté, Douceur, Nature, Virelai 19 
Album: Machaut: A Lover’s Death · The Orlando Consort · ℗ 2025 Hyperion Records

‘Bags Meets Wes!’

Na semana que antecedeu o Natal de 1961, o genial vibrafonista Milt Jackson [1923-1999] e o talentoso guitarrista de jazz Wes Montgomery [1923-1968], que nasceu neste dia 6 de Março, reuniram em Nova Iorque um quinteto de estrelas que incluía o pianista Wynton Kelly [1931-1971], o contabaixista Sam Jones [1924-1981] e o baterista Philly Joe Jones [1923-1985], para gravar o álbum Bags Meets Wes!, que seria lançado pela Riverside no ano seguinte.
Fica a composição hard-swing “Jingles” de Montgomery