Archive for the ‘ Efeméride ’ Category

O Universo de Mahler acolhe todos os sentimentos da Humanidade

Na passagem do centésimo aniversário da morte de Gustav Mahler (7 de Julho de 1860 – 18 de Maio de 1911)

Compositor, e um dos mais conhecidos maestros austríacos, Mahler é referido, por estabelecer uma ligação entre a música do século XIX com o período moderno. O primeiro filho dos Mahler, Isidor, nascido em 1858, sofreu um acidente ainda durante a infância e morreu. Gustav Mahler, o segundo, tornou-se, assim, o filho mais velho vivo. Os Mahler tiveram ao todo catorze filhos, contudo oito não chegaram a atingir a fase adulta. Gustav e sua família, eram judeus e faziam parte de uma minoria alemã que vivia na Boémia. Gustav Mahler estudou piano desde os seis anos, e alguns anos depois, já dava ele próprio lições de piano a um aluno mais novo. A 13 de Outubro de 1870, Mahler deu o seu primeiro recital público.
Entre os colegas de Mahler no conservatório estavam Hugo Wolf, Hans Rott e Rudolf Krzyzanowski, o amigo mais íntimo. Por volta de 1876, Richard Wagner encontrava-se num dos pontos mais altos da carreira, e ao mesmo tempo Anton Bruckner começava a chamar a atenção. Em evidência estava também a figura de Johannes Brahms.
Gustav e seus amigos do conservatório tinham grande admiração por Bruckner. Sobre seu relacionamento com Bruckner, Mahler escreveu em 1902: “Nunca fui aluno de Bruckner. Todos pensavam que estudei com ele porque nos meus dias de estudante em Viena era visto frequentemente na sua companhia e por isso me incluíam entre seus primeiros discípulos. A disposição feliz de Bruckner e a sua natureza infantil e confiante fizeram do nosso relacionamento uma amizade franca, espontânea. Naturalmente, a compreensão que obtive então dos seus ideais não pode ter deixado de influenciar o meu desenvolvimento como artista e como homem.”Mahler não tinha demonstrado anteriormente desejo em tornar-se maestro. Alguns esperavam que ele se tornasse pianista, por causa do seu óptimo desempenho, principalmente em obras de Beethoven e Bach. Ainda em 1881, trabalhou como regente em Laibach e em 1882 em Jihlava. Em Janeiro de 1883, recebeu um telegrama a convidá-lo a dirigir em Olmültz na Morávia, em substituição de um maestro que tinha falecido. Em Olmültz inicia-se de facto a carreira de Mahler como maestro. As condições de trabalho eram muito difíceis e o jovem maestro era obrigado a improvisar, mas o seu desempenho peculiar chamou a atenção. Depois foi em Praga e em Leipzig que se notabilizou pela sua interpretação de óperas de Mozart e Wagner. Mais tarde, como director da Ópera Real de Budapeste, teve além da grande liberdade para trabalhar, a responsabilidade de salvar a Companhia da falência.
Em Março de 1891, Mahler troca Budapeste por Hamburgo, onde assume o cargo de maestro titular no Teatro Municipal, e onde permaneceu durante seis anos. Nessa época, teve como assistente um jovem chamado Bruno Walter. Em Novembro de 1901, Mahler conheceu a filha do pintor Emil Schindler, Alma Schindler (1879-1964), que era cerca de 20 anos mais nova. Casaram-se no dia 9 de Março de 1902.
A música de Mahler é bastante pessoal e reflecte muito da sua vida e personalidade. A morte é o tema presente na sua obra. Passagens alegres dão lugar a outras trágicas e de desespero, que reflectem a sua vida atribulada. O espectro da morte pairava sobre ele, pois da mesma forma como a mãe, sofria de problemas cardíacos, e apesar disso, não se pode dizer que a sua obra seja pessimista. As composições de Mahler tiveram um grande impacto em compositores como Schoenberg, Webern, e Berg, e em maestros como Bruno Walter e Otto Klemperer, que trabalharam com Mahler e foram ajudados por ele nas suas carreiras. Estes mais tarde retribuíram difundindo a música de Mahler pela América, onde influenciaria a composição das músicas para os filmes de Hollywood. Por Luis Ramos, Antena 2.

Volta ao Mundo em 1961

O primeiro semestre de 1961 abalou, de facto, a Humanidade. Começou logo com os EUA a cortar relações com Cuba, embora sem prejudicar o negócio dos charutos. Do mal o menos. Em 4 de Fevereiro, avançámos rapidamente e em força para… Angola, o que nos valeu uma reprimenda do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Feitios! A 11 de Abril, tinha início em Jerusalém o julgamento de Adolf Eichmann, acusado de prejudicar seriamente as relações de boa vizinha que os alemães pretendiam manter com o resto da Europa. No dia seguinte, a 12 de Abril, um russo de nome engraçado tornava-se no primeiro ser humano a viajar no espaço – Yuri Gagarin demorou menos de duas horas a completar uma órbita terrestre. Lucky Bastard !
Em Maio, assim de repente, o único acontecimento relevante de que me recordo, ocorreu na Maternidade Alfredo da Costa. 🙂

Artigos relacionados com a efeméride:
Alexei Leonov, the first man ever to walk in space, was close friends with Yuri Gagarin (video) http://j.mp/gMXe0N – BBC World News
Movie recreates Gagarin’s spaceflight http://j.mp/f0jfwv – BBC World News
British Council celebrates 50th anniversary of Gagarin’s orbit of the Earth with an exhibition and statue in the Mall http://j.mp/dRru7n – The Guardian
It’s a golden year in space historyhttp://j.mp/erSJ2V – MSNBC
Russian Spaceship ‘Gagarin’ Arrives at Space Station http://j.mp/ePehQe – space.com
Google Doodle Honors 50th Anniversary of First Human Space Flight http://j.mp/eyf6z8 @pcmag.com
First Man in Space: A 50-Year-Old Feat Remembered http://j.mp/eBUpTP – abcnews.go.com

Um século de cubismo analítico

Fase temprana del cubismo practicada tanto por Braque como por Picasso entre 1908 y 1911 aproximadamente, caracterizada por el análisis estructural de las formas.

Pablo Picasso - Accordionist, 1911

Analizadas en estructuras preferentemente geométricas, las formas no son para ellos una característica definida y fija de un objeto, sino una serie de planos que indican los límites exteriores e interiores de éste; límites que en ningún caso son absolutos debido a que siempre se ven afectados por sus relaciones con otras formas. Contrariamente a lo que se puede pensar, lo geométrico no aporta solidez ya que la apertura de las masas produce cierto efecto de dispersión de estos volúmenes a través del espacio representado, cuya escasa profundidad se articula mediante planos en facetas formando ángulos contiguos y superpuestos. Durante este periodo ambos artistas utilizan un color extremadamente apagado y es constante la visualización de un mismo objeto desde diferentes puntos de vista. Via.

Pablo-Picasso - "Ma Jolie" (Woman with a Zither or Guitar), 1911

Antonio de Cabezón

O compositor e organista espanhol nasceu há quinhentos anos, numa pequena povoação perto de Burgos. Cego desde a infância, Antonio de Cabezón entrou em 1526 ao serviço da Família Real Espanhola como organista, pela mão da Rainha D. Isabel I de Portugal, filha de D. Manuel I e mulher de Carlos I de Espanha, com quem havia casado no ano anterior.
Foi, a par de Manuel Cardoso (1566-1650), insigne representante da polifonia portuguesa, um dos compositores ibéricos mais influentes do seu tempo. Morreu neste dia 26 de Março, em 1566.

Rinaldo`s première – 300 years

Rinaldo (HWV 7) is an opera by George Frideric Handel composed in 1711, and was the first Italian language opera written specifically for the London stage. The libretto was prepared by Giacomo Rossi from a scenario provided by Aaron Hill, and the work was first performed at the Queen’s Theatre in London’s Haymarket on 24 February 1711.
The story of love, battle and redemption set at the time of the First Crusade is loosely based on Torquato Tasso’s epic poem Gerusalemme liberata (“Jerusalem Delivered“) in which he depicts a highly imaginative version of the combats between Christians and Muslims at the end of the First Crusade, during the siege of Jerusalem. (Source – Wikipedia)

Giambattista Tiepolo – Rinaldo and Armida in the Garden, c1752

Femme nue dans l’atelier

Picasso tinha-se visto privado da musa e mãe dos seus filhos, Françoise Gilot, em Setembro. Quem terá sido a substituta?

Pablo Picasso – Femme nue dans l’atelier | Vallauris | 30 de Dezembro de 1953

Requiem de Michael Haydn

| Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5 | Parte 6 | Parte 7 | Parte 8 | Parte 9 |

Carolyn Sampson, soprano | Hilary Summers, contralto | James Gilchrist ,tenor | Peter Harvey ,baixo |
Choir of the King’s Consort | The King’s Consort | Robert King

“Robert King suggests that Michael Haydn‘s Requiem of 1771 for the Archbishop-Prince of Salzburg (28-02-1698 / 16-12-1771) reflects a personal outpouring of grief for the loss of Haydn’s beloved patron and the recent death of his infant daughter. The fervent expressions of grief, consolation and hope must have made some impression on the 15-year-old Mozart. A comparison with Mozart’s Requiem setting of 20 years later is inevitable: Haydn didn’t give his solo quartet anything that compares with the immediacy of Mozart’s ‘Tuba mirum‘, but the older man’s masterful choral writing, brilliant orchestral scoring and sensitive use of solo voices created plenty of musical riches and dramatic moods, such as the brooding Kyrie and the bursting energy of the ‘Dies irae’.
The quartet of soloists is impeccable; the choir and orchestra of The King’s Consort prove to be increasingly assured and dynamic with each recording released. Robert King’s measured and emphatic direction makes it easy to appreciate why the Requiem was performed at his brother Joseph’s funeral in 1809.
His interpretation of the sunnier, extrovert Missa in honorem Sanctae Ursulae (1793) helps the music to sound natural and spontaneous. In some respects the Mass is an even finer composition, full of charismatic and inventive musical charms (it’s worth buying for Carolyn Sampson’s ravishing ‘Benedictus’ alone).
Anybody who enjoys the choral works of Mozart and Joseph Haydn will be delighted by this double-disc set, and will probably concur that Michael Haydn’s neglect in the shadow of his younger friend and older brother is substantially corrected by these exquisite performances.”
Gramophone Classical Music Guide, 2010. Via.

Heróis Lusitanos – Cristóvão da Gama

Cristovão da Gama (Évora, 1515 – 29 de Agosto 1542), irmão de D. Estevão da Gama, o então Vice-Rei da Índia, era filho de Vasco da Gama e de D. Catarina de Ataíde.
Recebeu o cargo de capitão de Malaca e o de fidalgo da Casa Real depois de voltar da Índia (para onde tinha ido em 1532, na frota de Pedro Vaz do Amaral), e como recompensa da bravura lá demonstrada. Efectuou diversas empreitadas depois de voltar à Índia em 1538 sob a direcção do seu irmão, enquanto este foi governador. Em 1541 acompanhou-o na expedição de Goa ao Mar Vermelho, uma armada de 75 velas com o objectivo de queimar as naus turcas em Suez, em que tomou parte honrosa.

No entanto, o reino da Etiópia estava sob ameaça dos muçulmanos e, acudindo ao apelo do Imperador Cristão da Etiópia, os portugueses intervieram militarmente enviando para isso uma expedição de 400 homens bem armados, equipados com arcabuzes e artilharia montada em carros.

Foi esta a resposta portuguesa aos pedidos de auxílio do Imperador Cláudio, atacado por forças islâmicas provenientes da área da actual Eritreia, que lhe ocupavam já grande parte do seu reino. Após o desembarque em Massáuá, a hoste portuguesa internou-se em território abissínio e defronta, por duas vezes, sem outros apoios, os exércitos de Ahmad al Ghazi, que derrota nas batalhas de Amba Sanayt e dos campos de Iarte. Contudo, inexplicavelmente, Cristóvão da Gama não faz a junção com o grosso das tropas abexins, enquanto o adversário recebeu reforços turcos, em arcabuzeiros e artilharia de campo, retirando-lhe assim a vantagem tecnológica de que dispunha inicialmente. A Batalha de Ofla, em Agosto de 1542, foi um desastre para a expedição portuguesa; pese embora a coragem demonstrada, o número avassalador dos inimigos, agora reforçado por turcos bem armados, levou a melhor, tendo Cristóvão da Gama sido capturado e posteriormente decapitado, pelo próprio Ahmad al Ghazi.

A obra “Historia das cousas que o mui esforçado capitão Dom Cristóvão da Gama fez nos reinos do Preste João com quatrocentos portugueses que consigo levou” (1564), de Miguel de Castanhoso, relata este episódio.

Entretanto, aproveitando este período, o Imperador Cláudio reconstituiu o seu exército e, reforçado com os cerca de 100 portugueses sobreviventes, defronta as forças islâmicas em princípios de 1543, obtendo uma estrondosa vitória. Terá sido mesmo um arcabuzeiro português quem conseguiu abater o chefe inimigo, o que naturalmente produziu um efeito psicológico negativo no exército oponente que, batido, se põe em fuga.

As consequências desta pouco conhecida intervenção portuguesa são muito importantes, pois permitiram a manutenção do Império Etíope, de religião cristã, que então se encontrava à beira da derrota e, possivelmente, do desaparecimento.

Foi o início da derrocada do Império africano, que nunca chegara a existir. No ano seguinte, o rei mandou abandonar Safim, que tinha sido um dos pilares fundamentais da tentativa marroquina e chegou a ser sede de um bispado. Em 1549 saímos de Arzila e em 1550 de Alcácer-Ceguer. Estes abandonos resultavam da necessidade de concentrar no Oriente todos os recursos A área da nossa influência continuava ali a crescer. De Malaca partiu-se para a exploração económica dos portos chineses; em 1557 foi-nos reconhecida a posse pacífica de Macau, que, até aos fins do século XVII, serviria como o principal entreposto de comércio da China com os mercados da Índia e ponto de partida dos portugueses para as ilhas do Japão.

Fontes: Wikipedia, História de Portugal e Revista da Marinha

Os 260 anos da morte de Johann Sebastian Bach

Do Musica Aeterna de passado sábado, dedicado a assinalar a passagem do ducentésimo sexagésimo aniversário da morte do genial compositor seis e setecentista, está disponível o podcast

“Para Botticelli”, nos 500 anos da sua morte

Para Botticelli

Pressinto que o mundo cresce de teus dedos
quando num clarão mortal se rasgam asas
e faces lívidas de anjos
choram suas raízes arrancadas do chão.

Quando o vento grita em teus cabelos
que não é o mar a seara que se ondula.

Quando um perfil destrói em si a noite
e o teu peito,
onde límpida era a sua côr.

Quando uma árvore frutifica a sua solidão
e se ilumina
com um súbito canto
ou um vulto quase irreal de ser tão breve.

Quando, de olhos sangrentos,
sentes nitidamente o anoitecer
e exausto abandonas a cabeça a mãos ausentes:
náufrago de veias que prolongam a terra,
transfigurado no rosto
onde a manhã te anuncia o seu regresso.

in Silabário, de José Bento