Heróis Lusitanos – Cristóvão da Gama

Cristovão da Gama (Évora, 1515 – 29 de Agosto 1542), irmão de D. Estevão da Gama, o então Vice-Rei da Índia, era filho de Vasco da Gama e de D. Catarina de Ataíde.
Recebeu o cargo de capitão de Malaca e o de fidalgo da Casa Real depois de voltar da Índia (para onde tinha ido em 1532, na frota de Pedro Vaz do Amaral), e como recompensa da bravura lá demonstrada. Efectuou diversas empreitadas depois de voltar à Índia em 1538 sob a direcção do seu irmão, enquanto este foi governador. Em 1541 acompanhou-o na expedição de Goa ao Mar Vermelho, uma armada de 75 velas com o objectivo de queimar as naus turcas em Suez, em que tomou parte honrosa.

No entanto, o reino da Etiópia estava sob ameaça dos muçulmanos e, acudindo ao apelo do Imperador Cristão da Etiópia, os portugueses intervieram militarmente enviando para isso uma expedição de 400 homens bem armados, equipados com arcabuzes e artilharia montada em carros.

Foi esta a resposta portuguesa aos pedidos de auxílio do Imperador Cláudio, atacado por forças islâmicas provenientes da área da actual Eritreia, que lhe ocupavam já grande parte do seu reino. Após o desembarque em Massáuá, a hoste portuguesa internou-se em território abissínio e defronta, por duas vezes, sem outros apoios, os exércitos de Ahmad al Ghazi, que derrota nas batalhas de Amba Sanayt e dos campos de Iarte. Contudo, inexplicavelmente, Cristóvão da Gama não faz a junção com o grosso das tropas abexins, enquanto o adversário recebeu reforços turcos, em arcabuzeiros e artilharia de campo, retirando-lhe assim a vantagem tecnológica de que dispunha inicialmente. A Batalha de Ofla, em Agosto de 1542, foi um desastre para a expedição portuguesa; pese embora a coragem demonstrada, o número avassalador dos inimigos, agora reforçado por turcos bem armados, levou a melhor, tendo Cristóvão da Gama sido capturado e posteriormente decapitado, pelo próprio Ahmad al Ghazi.

A obra “Historia das cousas que o mui esforçado capitão Dom Cristóvão da Gama fez nos reinos do Preste João com quatrocentos portugueses que consigo levou” (1564), de Miguel de Castanhoso, relata este episódio.

Entretanto, aproveitando este período, o Imperador Cláudio reconstituiu o seu exército e, reforçado com os cerca de 100 portugueses sobreviventes, defronta as forças islâmicas em princípios de 1543, obtendo uma estrondosa vitória. Terá sido mesmo um arcabuzeiro português quem conseguiu abater o chefe inimigo, o que naturalmente produziu um efeito psicológico negativo no exército oponente que, batido, se põe em fuga.

As consequências desta pouco conhecida intervenção portuguesa são muito importantes, pois permitiram a manutenção do Império Etíope, de religião cristã, que então se encontrava à beira da derrota e, possivelmente, do desaparecimento.

Foi o início da derrocada do Império africano, que nunca chegara a existir. No ano seguinte, o rei mandou abandonar Safim, que tinha sido um dos pilares fundamentais da tentativa marroquina e chegou a ser sede de um bispado. Em 1549 saímos de Arzila e em 1550 de Alcácer-Ceguer. Estes abandonos resultavam da necessidade de concentrar no Oriente todos os recursos A área da nossa influência continuava ali a crescer. De Malaca partiu-se para a exploração económica dos portos chineses; em 1557 foi-nos reconhecida a posse pacífica de Macau, que, até aos fins do século XVII, serviria como o principal entreposto de comércio da China com os mercados da Índia e ponto de partida dos portugueses para as ilhas do Japão.

Fontes: Wikipedia, História de Portugal e Revista da Marinha
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    • Nuno Ribeiro
    • 5 de Setembro, 2010

    Curti…. andei a ler algumas referências :] uma historia digna de Hollywood (ou da Invicta Films quem sabe…)

    Se tiveres mais destas, avisa!
    Abraço

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