Archive for the ‘ Discos ’ Category

‘Sonata para violino’, de Élisabeth Jacquet de La Guerre (III)

Élisabeth Jacquet de La Guerre [1665 – 1729] foi a mais famosa compositora do Ancien Régime, o que a tornou uma das personalidades mais surpreendentes da história da música.
Protégée de Luís XIV, o Rei-Sol, da sua contribuição para o mundo da música ficaram as colecções de sonatas para violino e para cravo.
Neste dia 17 de Março, em que decorrem 360 anos do seu nascimento, fica o sexto andamento da Sonata para violino nº 1 em Ré menor.


Álbum: Jacquet de La Guerre: Violin Sonatas Nos. 1-6, 2017
Patxi Montero, violão baixo | Lina Tur Bonet, violino | Kenneth Weis, cravo

‘In caelestibus regnis’, de Pergolesi

De Giovanni Battista Pergolesi [1710-1736], compositor do barroco italiano que morreu neste dia 16 de Março com apenas 26 anos de idade, a antífona “In caelestibus regnis” (1731), interpretada pelo contratenor britânico Michael Chance, dirigido por Robert King durante a gravação do álbum Pergolesi: Stabat Mater; Salve Regina in A Minor que a orquestra The King’s Consort realizou em 1988 para a Hyperion Records.


‘The Sky Will Still Be There Tomorrow’, de Charles Lloyd

Completa hoje 87 anos e com as faculdades intactas Charles Lloyd, o lendário saxofonista oriundo de Memphis que na segunda metade da década de 50 se mudou para Los Angeles e se juntou a Ornette Coleman, Billy Higgins, Eric Dolphy e Bobby Hutcherson para actuar em clubes de jazz; Ou que na segunda metade da década de 60 liderou um quarteto que incluía Keith Jarrett e Jack DeJohnette e, no mesmo período, colaborou com Cannonball Adderley

Entre 1989 e 2012, Manfred Eicher produziu praticamente duas dezenas de álbuns de Lloyd para a ECM. Desde então, juntou-se à Blue Note, onde gavou uma dezena de trabalhos, o mais recente duplo LP ‘The Sky Will Still Be There Tomorrow’ de 2023 e lançado em 2024, para o que reuniu um quarteto onde teve a companhia do pianista Jason Moran, o baixista Larry Grenadier e o baterista Brian Blade. Fica a faixa homónima que dá o título ao álbum.


‘Ricercare’, de Vincenzo Capirola

De Vincenzo Capirola (1473? – 1548?) compositor da Renascença, autor da obra Compositione di messer Vincenzo Capirola gentil homo bresano, um livro de tablaturas para alaúde (Veneza, 1515- 1520), a composição Recercar II:XIII, com Paul O’Dette no alaúde.


Album Alla Venetiana – Early 16th Century Venetian Lute Music, Harmonia Mundi, 2005

‘Epitaphium Carpentarii’, de Charpentier

Marc-Antoine Charpentier [1643-1704], que morreu neste dia 24 de Fevereiro em Paris, está entre os compositores mais importantes do período barroco francês, tal como os contemporâneos Jean-Baptiste de Lully [1632-1687], François Couperin [1668-1733] ou Jean-Philippe Rameau [1683-1764].
A música de Charpentier mistura os estilos francês e italiano; este último sob influência, entre outros compositores, de Giacomo Carissimi. Em França, trabalhou para o rei Luís XIV e para os jesuítas em Paris, notabilizando-se pelas composições de música sacra, que rivalizavam com as de Lully.


«J’étais musicien, considéré comme bon parmi les bons, ignare parmi les ignares. Et comme le nombre de ceux qui me méprisaient était beaucoup plus grand que le nombre de ceux qui me louaient, la musique me fut de peu d’honneur mais de grande charge… […] guéris, purifie, sanctifie les oreilles de ces hommes pour qu’ils puissent entendre le concert sacré des anges ! »

Texto de Charpentier, extraído do seu Epitaphium Carpentarij H.474  – cantata escrita em 1687 para 6 vozes e baixo contínuo.


O título desta obra, em forma de tombeau, sugere uma homenagem sentida a um colega compositor, mas o texto em latim identifica na composição dois amigos, três anjos e o fantasma do próprio Charpentier, tornando-a no seu próprio epitáfio.
Gravada em 2006 pelo conjunto  Il Seminario Musicale, dirigido pelo contratenor Gérard Lesne, conta com os seguintes solistas:

Umbra: Gérard Lesne, contratenor | Ignatius: Cyril Auvity, tenor | Marcellus: Edwin Crossley-Mercer, barítono
Primeiro Anjo: Kaoli Isshiki, soprano | Segundo Anjo: Chantal Santon, soprano | Terceiro Anjo: Magid El-Bushra, contratenor

 

Quid audio, quid murmur / Amici viatores nolite timere / O aeternitas quam longa, o vita quam brevis / Musicus eram inter bonos / Dic nobis, umbra chara / Ah, socii! qui carissimi nomen habebat / Cantique des anges: Profitentes unitatem, veneremur trinitatem / O suave melos!

O meu violão é maior que o teu alaúde

Em dia de aniversário do virtuoso Andrés Segovia [21 Fev 1893 – 2 Jun 1983], regresso a John Dowland para dedilhar virtualmente a canção If my complaints could passions move, originalmente escrita para alaúde, e a transcrição de Segovia para o violão clássico. 


 

‘First Booke of Songes or Ayres’, de John Dowland

John Dowland [1563-1626], compositor e alaudista inglês de quem no próximo ano se comemoram os 400 anos da morte, publicou em 1597 em Londres o seu Primeiro Livro de Canções ou Ayres, um cancioneiro com 21 peças para alaúde. Este género musical, que floresceu em Inglaterra entre o final do século XVI e o início do século XVII, teve na poesia de Thomas Campion [1567-1620] e no alaúde de John Dowland os mais expressivos representantes.

O grupo britânico de música antiga Consort of Musicke, fundado em 1969 pelo alaudista Anthony Rooley, gravou em 1976 para a L’Oiseau-Lyre o álbum duplo Dowland: First Booke of Songes, do qual fica a canção melancólica Come Again: Sweet Love Doth Now Invite, interpretada pelo tenor Martyn Hill, pelo viola baixo Trevor Jones e por Anthony Rooley no alaúde.


‘Paixão Segundo São Marcos’, de Johann Georg Künstel

De Johann Georg Künstel [ca. 1645 – 1695], organista e compositor do período barroco alemão, a sua Paixão Segundo São Marcos, composta entre 1691 e 1694 em Coburg na Baviera, onde morreu neste dia 20 de Fevereiro, há 330 anos.


Álbum: Künstel: Markuspassion | Ensemble Polyharmonique, dirigido por Alexander Schneider | Christophorus Records, 2019

‘Shhh / Peaceful’, de Miles Davis

Do álbum de estúdio ‘In a Silent Way’ de Miles Davis, gravado numa única sessão nos estúdios da CBS em 18 Fevereiro 1969, a composição Shh / Peaceful, escrita por Miles, preenche o lado A do disco. A fusão resultante da introdução de instrumentos elétricos foi a antecâmara de Bitches Brew (1970). 


Miles Davis (tpt); Wayne Shorter (ss); John McLaughlin (el-g); Herbie Hancock (el-p);
Chick Corea (el-p); Joe Zawinul (org); Dave Holland (b); Tony Williams (d)

‘A Arte do Trio’ na Sonata de Corelli

Na passagem de mais um aniversário do nascimento de Arcangelo Corelli [1653–1713], compositor e violinista do barroco italiano cujo contributo para o desenvolvimento da música instrumental foi fundamental, em particular a sonata a três e o concerto grosso, a Sonata “La Follia”, Opus 5, em sol menor, n.º 12.
O estilo introduzido por Corelli, disseminado na Europa por músicos que com ele contactaram, como Georg MuffatFrancesco Gasparini  e Francesco Geminiani, foi de enorme importância para a consolidação da linguagem orquestral e do violino no início do século XVIII em toda a Europa.

A propósito da efeméride, o Musica Aeterna dedicou ontem a primeira de duas emissões à admiração mútua entre Francesco Geminiani e Arcangelo Corelli.


Álbum: Frans Brüggen – Frans Brüggen Edition – Vol. 2 • Italian Recorder Sonatas – ℗ Teldec, 1995
Frans Brüggen, flauta · Anner Bylsma, violoncelo · Gustav Leonhardt, cravo