Arquivo de Agosto, 2007

Vale Encantado

Na encosta sobre a margem esquerda do Rio Côa e antes de chegar à ponte férrea, está a nascer o Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa

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O Tempo e a Alma

Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopra a flama antiga nem beber-te
aplacaria sede que não arde

em minha boca seca de querer-te,
de desejar-te tanto e sem alarde,
fome que não sofria padecer-te
assim pasto de tantos, e eu covarde

a esperar que limpasses toda a gala
que por teu corpo e alma ainda resvala,
e chegasses, intata, renascida,

para travar comigo a luta extrema
que fizesse de toda a nossa vida
um chamejante, universal poema.

Carlos Drummond de Andrade

Agora vou perder-me no serpenteado do Douro e entre as fragas espalhar umas cinzas.
De seguida, convidarei os deuses para um repasto com fruta da época.
Só então estará completa a catarse.

olhos que não vêm, coração que não sente…

Lá diz o povo e com razão.

Ontem, depois de mais uma sessão com Paulo Curado, pensei em, chegado a casa, ligar-me com o mundo. Não tenho visto televisão, por isso decidi ligar-me ao canal habitualmente sintonizado para ver o Jornal da meia-noite.
No espaço de 15 a 20 minutos ouvi isto:

Em Inglaterra, um adolescente foi morto com um tiro no pescoço, alegadamente por um gang juvenil.

Na Bélgica, uma mãe foi denunciada pelo marido à Polícia, após terem sido descobertas em três caixas escondidas na garagem do casal os cadaveres de três bébés que a senhora terá parido entre 2001 e 2006.

Numa prisão no Brasil, com capacidade para oitenta e tal reclusos e ocupada pelo dobro, terá havido um problema qualquer, do qual resultaram 20 mortos.

Duas crianças morreram carbonizadas em Timor, depois de a casa onde viviam ter sido incendiada por manifestantes.

No Bangladesh, do recolher obrigatório resultaram não-sei-quantos mortos.

Em Itália, eram aguardados os cadaveres de dois dos seis homens assassinados pela Máfia Calabresa em Duisburgo, Alemanha.

Ainda em Itália, os incêndios já fizeram vítimas mortais.

Há também vítimas de um furacão, não sei onde…

Um jogador internacional espanhol era aguardado hoje no S.L.Benfica (afinal parece que este não é vítima).

Isto tudo de enfiada, num espaço, repito, de 15 a 20 minutos. Na SIC-Notícias.
Fiquei de boca aberta. Porra. Liga um tipo a televisão para isto?
Ai vou mantê-la desligada por tempo indeterminado, vou…

Ah! Depois de tantas notícias importantes do mundo e arredores, ainda fui a tempo de ouvir, quase sussurrada, a notícia de que adjudicação directa à PT por parte do Governo no valor de 41 milhões de euros para reformular as comunicações foi justificada por razões de segurança e confidencialidade.
Estranho, não?
E os outros operadores não têm nada a dizer sobre o assunto?
É que é mesmo estranho. Diria mesmo que isto dá muito que pensar…

Luz Boa – Blue Line

É por aqui que podemos iniciar uma autêntica viagem ao Passado remoto da cidade. Bairro muito antigo, construído ao longo dos séculos ao sabor de conquistas e imigrações, a Mouraria mostra aqui um pouco da sua raça, colada a Alfama, o bairro da Fé.

Sons de fado começam a ouvir-se no circuito – e é possível que não seja somente o choro de um guitarrista a ensaiar a sua apresentação nocturna num dos inúmeros restaurantes típicos; serão certamente as vozes anónimas que o agrupamento belga Het Pakt reuniu na sua peça participada Fado Morgana.

Telas estendidas, nelas os rostos projectados, na imediata proximidade uma voz que, ao afastarmo-nos, se revela parte de um coro maior de Lisboetas, homenagem à Cidade e ao Fado, numa única cantiga, conhecida de todos – passar por lá é reconhecê-la!

Prosseguimos tacteando a Lisboa moura, medieval, pombalina, romântica e moderna. Seguimos pela Rua da Costa do Castelo, símbolo fascista que António Ferro escolheu para justificar a identidade lisboeta (ou a falta dela), o cinema português, as quatro paredes caiadas com um cheirinho a alecrim, contrastando com o amontoado de casas que se vão degradando sobre as colinas da cidade.

excertos do texto publicado aqui.

Luz Boa – Blue Line

É por aqui que podemos iniciar uma autêntica viagem ao Passado remoto da cidade. Bairro muito antigo, construído ao longo dos séculos ao sabor de conquistas e imigrações, a Mouraria mostra aqui um pouco da sua raça, colada a Alfama, o bairro da Fé.

Sons de fado começam a ouvir-se no circuito – e é possível que não seja somente o choro de um guitarrista a ensaiar a sua apresentação nocturna num dos inúmeros restaurantes típicos; serão certamente as vozes anónimas que o agrupamento belga Het Pakt reuniu na sua peça participada Fado Morgana.

Telas estendidas, nelas os rostos projectados, na imediata proximidade uma voz que, ao afastarmo-nos, se revela parte de um coro maior de Lisboetas, homenagem à Cidade e ao Fado, numa única cantiga, conhecida de todos – passar por lá é reconhecê-la!

Prosseguimos tacteando a Lisboa moura, medieval, pombalina, romântica e moderna. Seguimos pela Rua da Costa do Castelo, símbolo fascista que António Ferro escolheu para justificar a identidade lisboeta (ou a falta dela), o cinema português, as quatro paredes caiadas com um cheirinho a alecrim, contrastando com o amontoado de casas que se vão degradando sobre as colinas da cidade.

excertos do texto publicado aqui.

con amore, senza impegno…

do meu querido amigo Nadir Bonaccorso.

aço escovado e vidro fosco
25 cm x 5 cm x 5 cm

aço escovado e madeira

aço escovado e vidro fosco
40 cm x 10 cm x 10 cm

Os Mensageiros do Jazz

ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DO JAZZ & BLUES.
Organização de Howard Mandel, com prefácio de John Scofield
Edições Afrontamento, 2006


Da escassa informação disponível em português, esta obra destaca-se naturalmente pela profundidade e riqueza das biografias de nomes maiores da história do jazz.
Vem mesmo a calhar, esta enciclopédia, nomeadamente para dinamizar o Aqui Jazz o Fado, projecto embrionário que pretende ir às origens e casamentos de duas formas de expressão musical tão diversas…
Como gostava de ter visto o Carlos Paredes ao lado do Charlie Haden no Coliseu!


As evoluções da música popular nos séculos XX e XXI foram muitas e variadas, passando-se da utilização de instrumentos rudimentares e de estruturas melódicas simples a trabalhos mais complexos e ao recurso cada vez maior a tecnologias avançadas. No entanto, é muitas vezes possível traçar as origens da música popular ocidental a partir dos seus muitos artistas e das influências das duas correntes de música afro-americana que se desenvolveram no final do século XIX: o jazz, que saía quente do caldo urbano multicultural de Nova Orleães, e o blues, vindo das paisagens rurais desoladas do Texas e do delta do Mississipi. Estas misturas de elementos da música afro-americana com o mundo cultural e social da América pós-guerra Civil foram evoluindo gradualmente a partir das suas raizes semelhantes, vindo a constituir dois géneros musicais bastante distintos e criando bases sólidas para o surgimento de outros estilos novos.



Esta Enciclopédia proporciona um olhar profundo sobre essa música poderosa e influente, com informação detalhada sobre os artistas inovadores que ajudaram a dar forma ao jazz e ao blues à medida que os estilos foram evoluindo. Organizados por décadas, todos os capítulos abrem com um texto introdutório com a informação básica essencial. As secções «Temas & Estilos» situam a música no seu contexto cultural, histórico e social e descrevem a evolução do jazz e do blues nesse período. Seguem-se as secções biográficas sobre os «Artistas de Referência» de cada década, contendo detalhes sobre faixas emblemáticas e gravações clássicas de cada um deles. Depois, em «Artistas de A-Z», apresentam-se as histórias da vida de muitos outros músicos, vocalistas, compositores, arranjadores, chefes de orquestra e produtores importantes. A secção de referências, bastante abrangente, inclui informação sobre os instrumentos do jazz e do blues, uma extensa lista de artistas, um glossário e bibliografia complementar sugerida.

Sobre a obra, recomenda-se também este artigo de Rui Branco.

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