Posts Tagged ‘ Luz Boa ’

Luz Boa – Blue Line

É por aqui que podemos iniciar uma autêntica viagem ao Passado remoto da cidade. Bairro muito antigo, construído ao longo dos séculos ao sabor de conquistas e imigrações, a Mouraria mostra aqui um pouco da sua raça, colada a Alfama, o bairro da Fé.

Sons de fado começam a ouvir-se no circuito – e é possível que não seja somente o choro de um guitarrista a ensaiar a sua apresentação nocturna num dos inúmeros restaurantes típicos; serão certamente as vozes anónimas que o agrupamento belga Het Pakt reuniu na sua peça participada Fado Morgana.

Telas estendidas, nelas os rostos projectados, na imediata proximidade uma voz que, ao afastarmo-nos, se revela parte de um coro maior de Lisboetas, homenagem à Cidade e ao Fado, numa única cantiga, conhecida de todos – passar por lá é reconhecê-la!

Prosseguimos tacteando a Lisboa moura, medieval, pombalina, romântica e moderna. Seguimos pela Rua da Costa do Castelo, símbolo fascista que António Ferro escolheu para justificar a identidade lisboeta (ou a falta dela), o cinema português, as quatro paredes caiadas com um cheirinho a alecrim, contrastando com o amontoado de casas que se vão degradando sobre as colinas da cidade.

excertos do texto publicado aqui.

Luz Boa – Green Line

Aqui se instalou o único teatro de ópera em Portugal, feira de vaidades da alta e média burguesia novecentista.

Lune, de Bruno Peinado, ‘cai’ neste espaço ortogonal, limpo, quase asséptico, de evidente importância para a imagem política cultural, pela forma como discretamente se localiza no centro institucional de Lisboa.

A presença improvável de um astro poisado, nota surreal que é visão da própria rebeldia da Arte, que vence uma distância impossível num gesto simples: um balão insuflado, iluminado do interior, repousa provocadoramente nas imediações da “Grande Ópera”.

Ao fundo, os Armazéns do Chiado, que marcaram o espírito do comércio da Baixa durante todo o séc. XX. Se os Armazéns desapareceram na sequência de um incêndio de origem duvidosa, e ressurgiram como extraordinária operação de renovação urbana diariamente visitada por dezenas de milhares de pessoas, Luzboa reforça a imagem daquela fachada histórica, ponto de fuga da Rua Garrett…

excertos do texto publicado aqui.

Luz Boa – Red Line

Aqui fica o primeiro de três posts sobre o Projecto Luz-Boa 2006, originalmente publicados aqui

Descendo pela Rua da Misericórdia, recheada de belos exemplares de casas pertencentes à aristocracia pré e pós pombalina, chegamos ao Camões, ao Palácio do Marquês de Marialva que, após o terramoto, seria até ao século XIX uma zona insalubre conhecida como os Casebres do Loreto, por albergar pedintes e doentes.

Esta praça, recente de cem anos, ostenta a estátua de Camões, uma das mais bonitas e melhor concretizadas obras de estatuária em Lisboa. Mas é de tal forma desconsiderada, que construíram um parque de estacionamento por baixo, em cima das ruínas do antigo palácio do Marquês – que por sua vez já tinha sido construído sobre uma villa romana, o que se deduz pela quantidade de vestígios romanos que surgiram após as escavações para a construção do referido estacionamento.

excertos do texto publicado aqui.

Luz Boa – Blue Line

É por aqui que podemos iniciar uma autêntica viagem ao Passado remoto da cidade. Bairro muito antigo, construído ao longo dos séculos ao sabor de conquistas e imigrações, a Mouraria mostra aqui um pouco da sua raça, colada a Alfama, o bairro da Fé.

Sons de fado começam a ouvir-se no circuito – e é possível que não seja somente o choro de um guitarrista a ensaiar a sua apresentação nocturna num dos inúmeros restaurantes típicos; serão certamente as vozes anónimas que o agrupamento belga Het Pakt reuniu na sua peça participada Fado Morgana.

Telas estendidas, nelas os rostos projectados, na imediata proximidade uma voz que, ao afastarmo-nos, se revela parte de um coro maior de Lisboetas, homenagem à Cidade e ao Fado, numa única cantiga, conhecida de todos – passar por lá é reconhecê-la!

Prosseguimos tacteando a Lisboa moura, medieval, pombalina, romântica e moderna. Seguimos pela Rua da Costa do Castelo, símbolo fascista que António Ferro escolheu para justificar a identidade lisboeta (ou a falta dela), o cinema português, as quatro paredes caiadas com um cheirinho a alecrim, contrastando com o amontoado de casas que se vão degradando sobre as colinas da cidade.

excertos do texto publicado aqui.

Luz Boa – Green Line

Aqui se instalou o único teatro de ópera em Portugal, feira de vaidades da alta e média burguesia novecentista.

Lune, de Bruno Peinado, ‘cai’ neste espaço ortogonal, limpo, quase asséptico, de evidente importância para a imagem política cultural, pela forma como discretamente se localiza no centro institucional de Lisboa.

A presença improvável de um astro poisado, nota surreal que é visão da própria rebeldia da Arte, que vence uma distância impossível num gesto simples: um balão insuflado, iluminado do interior, repousa provocadoramente nas imediações da “Grande Ópera”.

Ao fundo, os Armazéns do Chiado, que marcaram o espírito do comércio da Baixa durante todo o séc. XX. Se os Armazéns desapareceram na sequência de um incêndio de origem duvidosa, e ressurgiram como extraordinária operação de renovação urbana diariamente visitada por dezenas de milhares de pessoas, Luzboa reforça a imagem daquela fachada histórica, ponto de fuga da Rua Garrett…

excertos do texto publicado aqui.

Luz Boa – Red Line

Descendo pela Rua da Misericórdia, recheada de belos exemplares de casas pertencentes à aristocracia pré e pós pombalina, chegamos ao Camões, ao Palácio do Marquês de Marialva que, após o terramoto, seria até ao século XIX uma zona insalubre conhecida como os Casebres do Loreto, por albergar pedintes e doentes.

Esta praça, recente de cem anos, ostenta a estátua de Camões, uma das mais bonitas e melhor concretizadas obras de estatuária em Lisboa. Mas é de tal forma desconsiderada, que construíram um parque de estacionamento por baixo, em cima das ruínas do antigo palácio do Marquês – que por sua vez já tinha sido construído sobre uma villa romana, o que se deduz pela quantidade de vestígios romanos que surgiram após as escavações para a construção do referido estacionamento.

excertos do texto publicado aqui.

Luz Boa, na cidade e na arte


A segunda edição da Luzboa – Bienal Internacional da Luz – propõe à cidade um grande evento cultural dedicado à Luz e à Iluminação: um circuito de intervenções de arte urbana.
Para além de uma programação artística internacional Luzboa abrange a promoção do conhecimento no domínio da Luz e da Iluminação, através de ateliês, conferências, edições e o Prémio Luzboa-Schréder.

I. Luzboa – um Projecto Urbano para Lisboa

O Projecto RGB é o suporte físico da Bienal e caracteriza-se pela transfiguração espacial de todo o ‘edifício’, por meio de uma intervenção plástica efémera que modifica a cor da iluminação urbana e diminui a sua intensidade ao longo dos percursos. Explicita assim os seus três Circuitos interligados, cada um deles correspondendo a um espaço-ambiente urbano característico. Essa transformação é enfatizada por dois conjuntos de intervenções [ Esquiços e Art gets you through Night] que habitam o próprio espaço desenhado, assinalando-lhe pontos de fruição essenciais e os limites da própria Bienal. A continuidade cromática e a gestão da intensidade luminosa asseguram não apenas o adequado enquadramento visual das obras artísticas, mas a própria comunicação do Acontecimento.

O Projecto Urbano Luzboa exige criatividade, propõe cultura, a participação de pessoas e instituições, a articulação das diversas lógicas profissionais, o empenho político e uma capacidade de tomar e respeitar decisões a longo prazo.

Através de financiamentos públicos que geram por sua vez investimentos e participações privados, capazes de produzir tanto memórias do efémero como obras permanentes, Luzboa contribui para a melhoria do espaço público urbano da Capital.

Através do Projecto Urbano Luzboa,a Extra]muros[ desenvolve a sua acção em vários níveis intercruzados e sobrepostos. Em 2006, a Bienal contribui para essa intervenção sucessiva sobre a Cidade, por meio de um percurso que se desenvolve linearmente entre o Largo do Rato e Alfama.

Abordagem da cidade
1.
Reconhecimento territorial de um percurso urbano subdividido em três circuitos que atravessam o centro da cidade [Circuito Red, Circuito Green, Circuito Blue];
2.
Transformação espacial por meio de uma intervenção plástica efémera que modifica a cor da iluminação urbana e diminui a intensidade da iluminação ao longo do percurso;
3.
Comunicação da própria intervenção, relevando momentos especiais do seu próprio corpo [Peças de Comunicação – Projecto RGB];
4. Incorporação de todas as intervenções [artísticas, de comunicação, reflexivas], assim como da participação interactiva do público e das instituições, da memória e do próprio acto de atravessar a noite, numa Unidade – definida, porém em evolução dinâmica.


II. Bienal Internacional da Luz 2006

Luzboa é um evento cultural urbano: um circuito de instalações e intervenções de arte contemporânea, complementado por acções de dinamização e de promoção do conhecimento no domínio da Luz, através de conferências, vistas guiadas, edições e o Prémio Luzboa-Schréder. De 21 a 30 de Setembro, diariamente entre as 20 e as 24h, a edição de Luzboa 2006 propõe um conjunto integrado de intervenções urbanas concebido como um Percurso Nocturno pela Cidade.

Luzboa Conceito
Luzboa é uma grande iniciativa urbana dedicada ao tema da Luz. Porque
a Luz e a iluminação são vectores de evolução, realização humana e urbanidade, assim como de qualidade de vida. Domínio por excelência do sonho, da imaginação, da experiência e do conhecimento, a arte contemporânea é a pedra-de-toque de toda a iniciativa, no quadro de uma programação com impacto junto do grande público.

Luzboa Oportunidade
Luzboa transforma Lisboa no cenário das propostas artísticas de artistas oriundos de vários países, enriquecendo a oferta cultural da Capital e contribuindo para a sua valorização no panorama das cidades culturais europeias;
Luzboa contribui para o debate acerca do desenho da noite, nomeadamente quanto ao papel da arte pública e da iluminação ambiental no Planeamento e Reabilitação Urbanos;
Luzboa cria sinergias entre a população, agentes culturais, a administração pública e o sector
empresarial e tecnológico, com benefícios estratégicos para os domínios do Urbanismo, da Iluminação Pública, do Turismo, da Economia e da Cultura.

Luzboa Objectivos
Luzboa é uma montra de ideias e tendências no domínio da arte contemporânea e da iluminação criativa,
numa perspectiva de inovação tecnológica e de adequação aos desejos e interesses tanto dos cidadãos
como das entidades relacionadas com a gestão da Cidade, assumindo como objectivos fundamentais:
– Trazer a Arte Contemporânea para a rua
– Celebrar o carácter e a beleza da noite de Lisboa
– Promover, ao nível nacional e internacional, a imagem de Lisboa
– Desenvolver um evento único e original

Luzboa Intervenção
Luzboa é um percurso único, um traçado que une o Príncipe Real a Alfama – passando pelo Camões, as zonas do Chiado e da Baixa. Se as muito diversas intervenções artísticas incidem em espaços públicos [praças, ruas, jardins, miradouros] e conjuntos edificados, as visitas guiadas são o elo que reforça a experiência de conhecer melhor a Cidade, enquanto o Prémio Luzboa-Schréder celebra as carreiras de um conjunto de personalidades consideradas importantes para a Cultura da Luz.

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