Arquivo de Setembro, 2007

Lisbon by night

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sobre o Belo e Sublime

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A Fábula de Arachne (Las Hilanderas), de Diego Velazquez – 1657
A dignidade das mulheres  

Honrai as mulheres! Elas entrançam e tecem
Rosas sublimes na vida terrena,
Entrançam do amor o venturoso laço
E, através do véu casto das Graças,
Alimentam, vigilantes, o fogo eterno
De sentimentos mais belos, com mão sagrada.

Nos limites eternos da Verdade, o homem
Vagueia sem cessar, na sua rebeldia,
Impelido por pensamentos inquietos,
Precipita-se no oceano da sua fantasia.
Com avidez agarra o longe,
Seu coração jamais conhece a calma,
Incessante, em estrelas distantes,
Busca a imagem do seu sonho.

Mas, com olhares de encanto e fascínio,
As mulheres chamam a si o fugitivo,
Trazendo-o a mais avisados caminhos.
Na mais modesta cabana materna
Foram deixadas, com modos mais brandos,
As filhas fiéis da Natureza piedosa.

Adverso é o esforço do homem,
Com força desmesurada,
Sem paragem nem descanso,
Atravessa o rebelde a sua vida.
Logo destrói tudo o que alcança;
Jamais termina o seu desejo de luta.
Jamais, como cabeça da Hidra,
Eternamente cai e se renova.

Mas, felizes, entre mais calmos rumores,
Irrompem as mulheres, num instante de flores,
Propiciando zelo e cuidadoso amor,
Mais livres, no seu concertado agir,
Mais propensas que o homem à sabedoria
E ao círculo infindável da poesia.

Severo, orgulhoso, autárcico,
O peito frio do homem não conhece
Efusivo coração que a outro se ajuste,
Nem o amor, deleite dos deuses,
Das almas desconhece a permuta,
Às lágrimas não se entrega nunca,
A própria luta pela vida tempera
Com mais rudeza ainda a sua força.

Mas, como que tocada ao de leve pelo Zéfiro,
Célere, a harpa eólica estremece,
Tal é a alma sensível da mulher.
Com angustiada ternura, perante o sofrimento,
O seu seio amoroso vibra, nos seus olhos
Brilham pérolas de orvalho sublime.

Nos reinos do poder masculino,
Vence, por direito, a força,
Pela espada se impõe o cita
E escravo se torna o persa,
Esgrimem-se entre si, em fúria,
Ambições selvagens, rudes,
E a voz rouca de Éris domina,
Quando a Cárite se põe em fuga.

Porém, com modos brandos e persuasivos,
As mulheres conduzem o ceptro dos costumes,
Acalmam a discórdia que, raivosa, se inflama,
Às forças hostis que se odeiam
Ensinam a maneira de ser harmoniosa,
E reúnem o que no eterno se derrama.

Tradução de Maria do Sameiro Barroso
do original «Würde der Frauen» de Johann Christoph Friedrich von Schiller

 

impressões da World Press Photo

Per-Anders Pettersson, Suécia – Getty Images, para a Stern

3º Prémio, “Assuntos Actuais” (fotografia singular)

Esther Yandakwa ( 9 anos de idade ) fuma um cigarro enquanto as suas amigas a ajudam a pentear-se, no centro de Kinshasa, na República Democrática do Congo.
Esther não tem casa e prostitui-se.
Dezenas de milhar de pequenos refugiados, órfãos de guerra e crianças abandonadas pelas suas famílias vivem nas ruas de Kinshasa e outras áreas urbanas do país.

Jan Grarup, Dinamarca – Politiken/Newsweek


2º Prémio, “Notícias em Geral” (fotografia singular)

Em Novembro de 2006, deslocados aguardam que lhes sejam distribuidos alimentos, perto da aldeia de Habile, no Chade. Ataques por parte da Janjaweed, uma milícia árabe supostamente apoiada pelo governo sudanês, alastraram desde Darfur, no Sudão, atravessando a fronteira até ao Chade. Cavaleiros da Janjaweed incendiaram as aldeias de agricultores negros em ambos os lados da fronteira, matando e violando os seus habitantes, segundo um modelo de violência étnica que têm seguido desde 2003.

Na conflituosa região africana dos Grandes Lagos, onde os cuidados de saúde em geral enfrentam grandes desafios, os recursos psiquiátricos são particularmente raros. Os traumatizados pela guerra têm de partilhar uma mão-cheia de hospitais psiquiátricos com várias outras vítimas de problemas mentais.
O hospital psiquiátrico de Kamenge em Bujumbura, no Burundi, é o único do país que trata pessoas com traumas de guerra. Recebe financiamento da Igreja, mas os pacientes têm de contribuir com dinheiro para medicamentos e comida.

1º Prémio, “Notícias em Destaque” (fotografia singular)

Um homem lava a fuligem do rosto no local da explosão de um oleoduto em Lagos, Nigéria.
Pelo menos 260 pessoas morreram após o oleoduto perfurado se ter incendiado. A perfuração tinha sido feita por ladrões para encher tanques de petróleo para revenda, e centenas de residentes na zona tinham ido ao local para apanhar em recipientes de plástico o combustível que se derramava.
Apesar de a Nigéria ser o oitavo exportador mundial de petróleo, a maioria da população vive em pobreza extrema.

Una furtiva Lagrima – Pavarotti

Joie de vivre, de Pierre Bonnard

O trabalho de Pierre Bonnard (1867-1947) reflete um leque variado de influências, desde os seus contemporâneos Gaugin e Cézanne, passando pela Arte Nova até à Arte Japonesa.

Globalmente, os seus quadros possuem uma serenidade calma, contrastante com a exuberância dos seus mosaicos e a sumptuosidade alegre das suas tapeçarias.

A sua percepção da sensualidade sobrepõe-se assim aos juizos valorativos sobre os temas.

Uma jovem está deitada nua numa banheira cheia de água.

Neste Nu Feminino, Bonnard cria um caleidoscópio de zonas luminescentes e cintilantes, numa explosão de cores lilás, laranja, rosa, vermelho, azul e dourado.

O reflexo da luz na água, na pele da jovem e na parede, fazem com que o corpo se funda com as cores dominantes.

O capricho

O Presidente da Câmara decretou o encerramento do Terreiro do Paço aos domingos.
Diz ele que a iniciativa custou 5.600 euros.

Vindo do lado de Sta Apolónia e até ao largo do Corpo-Santo, contei 1 dezena de polícias, entre agentes da PM e PSP.
Quem vier da 24 de Julho contará outros tantos.

Fazendo uma conta de mercearia, contando com 2 turnos, teremos ao longo de cada domingo 30 a 40 polícias a impedir o acesso automóvel à Sala de Visitas da Capital.
Devem estar ali pro bono, certamente!

Estou seriamente inclinado a experimentar a bicicleta, para poder andar às voltas à Praça do Comércio e ver os tapumes das obras com mais detalhe…
Agora a sério, onde se devia passar qualquer coisa não era ali, mas nas ruas de trás, onde estão os comerciantes, que não alinham, vá-se lá saber porquê…

O Terreiro do Paço é das pessoas

Quais pessoas?! Os turistas andam a pé ( já foi ver a nódoa que é o Welcome Center?) e os lisboetas vão lá para ver a Árvore de Natal (onde é que vai meter os milhares de carros nos domingos de Dezembro, com filas até à Rotunda do Marquês?). Esqueça lá os protocolos com a Carris e com o Metro, pois ninguém está interessado em levar as criancinhas às cavalitas desde o Rossio (esse sim, deveria ser o Terreiro dos lisboetas e não da fauna que por lá circula).

“Plantar actividades culturais” é uma forma artificial de lidar com o histórico desinteresse dos lisboetas por um local puramente majestático, desde sempre associado ao poder, ao Império, e com o qual as pessoas não têm afinidades.
Se medidas destas têm como objectivo estudar soluções para a cidade, devem ser articuladas e não de carácter avulso. Ou por mero capricho.

A largueza de vistas do Terreiro do Paço, que devia ser fotografada com grande angular, continua a sê-lo com teleobjectiva…

O capricho

O Presidente da Câmara decretou o encerramento do Terreiro do Paço aos domingos.
Diz ele que a iniciativa custou 5.600 euros.

Vindo do lado de Sta Apolónia e até ao largo do Corpo-Santo, contei 1 dezena de polícias, entre agentes da PM e PSP.
Quem vier da 24 de Julho contará outros tantos.

Fazendo uma conta de mercearia, contando com 2 turnos, teremos ao longo de cada domingo 30 a 40 polícias a impedir o acesso automóvel à Sala de Visitas da Capital.
Devem estar ali pro bono, certamente!

Estou seriamente inclinado a experimentar a bicicleta, para poder andar às voltas à Praça do Comércio e ver os tapumes das obras com mais detalhe…
Agora a sério, onde se devia passar qualquer coisa não era ali, mas nas ruas de trás, onde estão os comerciantes, que não alinham, vá-se lá saber porquê…

O Terreiro do Paço é das pessoas

Quais pessoas?! Os turistas andam a pé ( já foi ver a nódoa que é o Welcome Center?) e os lisboetas vão lá para ver a Árvore de Natal (onde é que vai meter os milhares de carros nos domingos de Dezembro, com filas até à Rotunda do Marquês?). Esqueça lá os protocolos com a Carris e com o Metro, pois ninguém está interessado em levar as criancinhas às cavalitas desde o Rossio (esse sim, deveria ser o Terreiro dos lisboetas e não da fauna que por lá circula).

“Plantar actividades culturais” é uma forma artificial de lidar com o histórico desinteresse dos lisboetas por um local puramente majestático, desde sempre associado ao poder, ao Império, e com o qual as pessoas não têm afinidades.
Se medidas destas têm como objectivo estudar soluções para a cidade, devem ser articuladas e não de carácter avulso. Ou por mero capricho.

A largueza de vistas do Terreiro do Paço, que devia ser fotografada com grande angular, continua a sê-lo com teleobjectiva…

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