Archive for the ‘ Música ’ Category

a procissão das almas.. com som.. sem imagens..

Num tempo de grande profusão de música formatada, é purificador ouvir uma bizantice.
Tantos séculos! de cultura europeia não devem ser esquecidos.

De 1600 a 1830 – ano da construção do novo Estado grego -, muitos compositores vieram enriquecer de importantes obras o património musical da Igreja ortodoxa.
Viviam sobretudo nos mosteiros do Monte Athos, em Creta, onde trabalhavam como cantores nas igrejas do patriarcado de Constantinopla.
Por volta de 1730, a Igreja de Santo Constantino teve a sorte de ter como protopsalt (cantor principal) Petros Bérékétis, o maior compositor da idade de ouro da música Bizantina (século XVIII).
A existência deste compositor marcou – do ponto de vista da história musical e artística – a renascença do mundo grego, após quatro séculos de ocupação otomana, como grandiosamente sublinhou Delacroix em O Massacre de Chios.
Petros conseguiu uma brilhante fusão entre a tradição bizantina na música sacra dos séculos XIII e XIV com a então novel música de origem oriental.

 

ensemble-theodore-vassilikos-petros-bereketis


Le Grand Chant Octotonal à la Vierge Marie, obra de grande envergadura e absolutamente única em toda a literatura musical bizantina, está destinada a ser interpretada durante a missa especial da “fraction du pain”.

As oito composições representam os oito modos da música bizantina; cada modo termina numa katrima, a improvisação melódica que serve de introdução ao modo seguinte:

1 – Sainte Vierge, Mère de Dieu (1er mode)
2 – Salut à toi qui es pleine de grace (2ème mode)
3 – Marie, le Seigneur est avec Toi (3ème mode)
4 – Tu es bénie entre toutes les femmes (4ème mode)
5 – Béni soit (1er mode plagal)
6 – Le fruit de tes entrailles (2ème mode plagal)
7 – Car tu as fait naître (mode dit ‘lourd’)
8 – Le Sauveur de nos âmes (4ème mode plagal)

Ensemble Théodore Vassilikos / Pétros Bérékétis
Duração: 58:10
Ano: 1982
Editora – Ocora C 558682 / distribuição – Harmonia Mundi

Festa da música – Guimarães Jazz 2005

No Grande Auditório da Universidade – com acústica renovada, segundo um amigo – e para quem tenha oportunidade, a não perder:

Amanhã – Art Ensemble Of Chicago

O programa completo pode ser consultado aqui.

Via Improvisos Ao Sul

Piano Bar

Mais um acontecimento em perspectiva:
Patricia Barber, um dos expoentes do jazz vocal feminino contemporâneo ( sugere a voz de Diana Krall, porém – como dizer – mais íntegra e sedutora, tem concerto agendado para o Centro Cultural de Belém, a 23 de Janeiro próximo.. (já não falta muito!)

Para saber mais sobre Patricia Barber, aqui e aqui.


De Verse, 2002 – Blue Note, destaco I Could Eat Your Words, Regular Pleasures e If I Were Blue.


Do álbum Nightclub, 2000 – Blue Note, Bye Bye Blackbird..
Bom, este disco é para ouvir de enfiada!

Ballet Gulbenkian


Cartoonista – Rui Pimentel

O destaque da crónica de Eduardo Prado Coelho de hoje no Público diz assim:
Que bom era que os portugueses boicotassem o Jazz da Gulbenkian.

Sanguíneo, pensei: este gajo é adiantado mental ou quê?
Afinal, parece que a afirmação não é dele, mas de um seu amigo?!
Pretende EPC com este relato ilustrar a mágoa que a extinção do Ballet Gulbenkian provocou nas pessoas.
Acredito que sim, mas unicamente por simpatia.

Gosto muito de ballet; apesar de ter visto alguns espectáculos de dança contemporânea, sempre me interessei mais pela Companhia Nacional de Bailado e pela escola russa.
Nunca senti – nem no círculo de amigos, nem sequer na imprensa – grande exaltação ou divulgação desta respeitável Companhia, que, justiça seja feita, além de pioneira, foi ao longo de muitos anos praticamente o único veículo de promoção do ballet contemporâneo em Portugal. Adquiriu meritoriamente o prestígio internacional e o estatuto de património cultural português.

Não conheço os contornos da decisão da Administração, mas acusar Rui Vilar – que pariu a Culturgest – de economicista, além de excessivo, é injusto.

Que diabo: alguma vez tivemos uma Orquestra Sinfónica digna desse nome? Alguma Ópera?
O que a Fundação faz pela cultura no nosso país devia fazer os sucessivos governos corarem de vergonha.

Minimum Maximum

Embora tendo já conhecimento da novidade, foi com algum desapontamento que verifiquei que, deste duplo cd ao vivo, nenhuma das faixas foi retirada do concerto do Coliseu de Lisboa no ano passado.
Anyway, não deixa de ser um acontecimento – até pelos aplausos, que fazem recordar o excitante concerto ao vivo – este Minimum Maximum dos pais da Pop Electrónica, que resume cerca de trinta anos da música dos Kraftwerk.
Por cerca de 21 euros, no sítio do costume!
Fica o alinhamento, bem como os locais dos registos:

Disc 1
01. The Man-Machine (Warsaw)
02. Planet Of Visions (Ljubljana)
03. Tour De France Etape 1 (Riga)
04. Chrono (Riga)
05. Tour De France Etape 2 (Riga)
06. Vitamin (Moscow)
07. Tour De France (Paris)
08. Autobahn (Berlin)
09. The Model (London)
10. Neon Lights (London)

Disc 2
01. Radioactivity (Warsaw)
02. Trans Europe Express (Budapest)
03. Metal On Metal (Budapest)
04. Numbers (San Francisco)
05. Computer World (Moscow)
06. Home Computer (Warsaw)
07. Pocket Calculator (Moscow)
08. Dentaku (Tokyo)
09. The Robots (Moscow)
10. Elektro Kardiogramm (Tallinn)
11. Aero Dynamik (Riga)
12. Music Non Stop (Moscow)

Brisa fresca no ouvido

One of the unique qualities of Lou’s work is that he incorporates
a great deal of the whole jazz tradition in his playing.
He’s listened to just about everyone, and not only alto players.
With this knowledge of the entire jazz language, Lou is definitely an individual voice
.
Horace Parlan

Lou Donaldson The Natural Soul (Rudy Van Gelder Edition)

Lou Donaldson – Alto Saxophone
Tommy Turrentine – Trumpet
Grant Green – Guitar
John Patton – Organ
Ben Dixon – Drums

Tracking List
1 – Funky Mama
2 – Love Walked In
3 – Spaceman Twist
4 – Sow Belly Blues
5 – That’s All
6 – Nice ‘N Greasy
7 – People Will Say We’re In Love (não faz parte do disco original)

A compra deste fresco já valeria só pelo Funky Mama..
Para ouvir num dia/noite quente.. como hoje!

A Festa do Jazz no S. Luiz

A 3ª Festa do Jazz no Teatro de S. Luiz – ao Chiado, realiza-se no próximo fim-de-semana.
Não tive oportunidade de ir nos anos anteriores, vamos a ver se este ano dá para ir!
É sempre interessante conhecer o jazz que se faz em Portugal.

Nos dias 2 e 3 de Abril haverá espectáculos – entre a sala principal, a sala estúdio Mário Viegas, o Jardim do Inverno e o Café dos Teatros, reúnem-se alguns dos nomes mais da cena jazz, como Maria João e Mário Laginha, o Quinteto de Pedro Moreira e Carlos Barreto.

Quelqu’un M’a Dit..


Carla Bruni

Le Ciel Dans Une Chambre

Quand tu es près de moi,
Cette chambre n’a plus de parois,
Mais des arbres oui, des arbres infinis,
Et quand tu es tellement près de moi,
C’est comme si ce plafond-là,
Il n’existait plus, je vois le ciel penché sur nous… qui restons ainsi,
Abandonnés tout comme si,
Il n’y avait plus rien, non plus rien d’autre au monde,
J’entends l’harmonica… mais on dirait un orgue,
Qui chante pour toi et pour moi,
Là-haut dans le ciel infini,
Et pour toi, et pour moi
Quando sei qui con me
Questa stanza non ha piu pareti
Ma alberi, alberi infiniti
E quando tu sei vicino a me
Questo soffitto, viola, no
Non esiste più, e vedo il cielo sopra a noi
Che restiamo quì, abbandonati come se
Non ci fosse più niente più niente al mondo,
Suona l’armonica, mi sembra un organo
Che canta per te e per me
Su nell’immensità del cielo
E per te e per me.
mmmhhhhhhhh
Et pour toi, et pour moi.
mmmhhhhhhhh

Maurizio, o Espontâneo.. Pollini, o Expressivo..

Maurizio Pollini é um dos grandes pianistas do nosso tempo, a par de nomes como Vladimir Horowitz, Alfred Brendel, Emil Gilels, Sviatoslav Richter, Arthur Rubinstein e Claudio Arrau, o jovem Krystian Zimerman, Vladimir Ashkenazy, Glenn Gould, entre outros..

Hoje, para quem conseguiu bilhetes(!) dá um grande recital no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em que interpreta Chopin – Nocturnos e Sonata nº 2.

A superior visão, ao transpôr para o século XX com uma fidelidade transcendente nas suas interpretações, por exemplo das 32 Sonatas para Piano de Beethoven, fazem de Pollini – mais do que um intérprete, um virtuoso, no rigor com que toca as notas que Beethoven, Chopin e Schuman escreveram, e que iam para além do seu tempo e dos instrumentos que possuiam na altura.

Aprecio em particular as interpretações de Beethoven: Piano Sonata no.17 in D minor, op 31 no.2,  The Tempest  e Piano Sonata nº 21 in C major, op.53 Waldstein; Schuman: Fantasia in C major, op.17 e Arabeske, op.18; E o magnifico Concerto for Piano and Orchestra in A minor, op.54

A única gravação que fez do Piano Concerto K.488 in A major de Mozart, com Karl Böhm e a Vienna Philharmonic em 1976, foi uma espécie de milagre, segundo Pollini.

the finest art of jazz

Ou a arte de comprar nos saldos artigos de primeira!

Estão disponíveis perto de duas dúzias de títulos da série The Rudy Van Gelder Edition da Blue Note, com preços abaixo dos 9 euros! É mais difícil escolher do que deixar lá o dinheiro..

Na última visita, vieram estes dois cromos:



Wayne Shorter, JUJU

Blue Note Records, RVG Edition

21 de Abril, 1967 – Englewood Cliffs, NJ

Wayne Shorter, tenor sax / McCoy Tyner, piano / Reggie Workman, bass / Elvin Jones, drums

Um Grande Shorter!

Destaco House of Jade, Mahjong e Yes or No.

No seu todo, é um trabalho muito harmonioso, muito bom!



McCoy Tyner, The Real McCoy

Blue Note Records, RVG Edition

03 de Agosto,1964 – Englewood Cliffs, NJ



Joe Henderson, tenor sax / McCoy Tyner, piano / Ron Carter, bass / Elvin Jones, drums

Gosto em particular de Tyner e Henderson em Search for Peace e de Tyner em Blues on the Corner

A propósito destas coisa da música, soube ontem pelo António e pelo Nuno – podias permitir a linkagem dos posts, companheiro!.. que os meus receios sobre o destino da All jazz eram fundados, infelizmente!

Aproveito para saudar o João, que não sabia por aqui! Mais vale tarde que nunca!