Archive for the ‘ Música ’ Category

‘Vespro della Beata Vergine’, de Claudio Monteverdi

A obra de Claudio Monteverdi [1567 – 29 Novembro 1643] exerceu uma grande influência, não apenas sobre compositores seus contemporâneos mas também sobre um grande número de músicos durante os séculos que lhe sucederam até aos dias de hoje, fruto da modernidade da sua escrita. Entre as suas principais realizações estão as “Vespro della Beata Vergine”, publicadas em 1610 em Veneza.

O início de 2020 ficou marcado pela apresentação das Vésperas em Nova York pelo Ensemble Green Mountain – TENET Vocal Artists, projecto concebido pela soprano Jolle Greenleaf (direcção artística) e pelo violinista Scott Metcalfe (direcção musical).

Sendo a Sonata sopra “Sancta Maria ora pro nobis” a minha peça favorita, desta gravação gostava de destacar o salmo Duo Seraphim, pelo diálogo entre os tenores James Reese e Jason McStoots.

 

‘Mare Pacificum’

Pouco mais de um mês após a ‘descoberta‘ da passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico, hoje conhecida como Estreito de Magalhães, a 28 de Novembro de 1520 Fernão de Magalhães entrava no que baptizou “Mare Pacificum”.

Da viagem de Luísa Amaro pelo “Mar Magalhães” (2018), fica a sua bela versão de Mazurka-Choro, composição de Heitor Villa Lobos.

‘Take Ten’, de Paul Desmond

Membro do Quarteto de David Brubeck entre 1958 e 1967, o saxofonista e prolífico compositor Paul Desmond [25 Novembro 1924 – 30 Maio 1977], autor do tema Take Five que integra o álbum Time Out (1959), gravou em 1973 o álbum Skylark em três sessões, a 25 e 27 de Novembro e a 4 de Dezembro. Fica o tema de abertura Take Ten, que conta, entre outros, com Ron Carter no baixo, Gabor Szabo na guitarra, Bob James no piano eléctrico e Jack DeJohnette na bateria.


‘Magnificat’, de Frei Manuel Cardoso

Frei Manuel Cardoso [1566-1650], insigne representante da polifonia portuguesa, iniciou os estudos musicais no Collegio dos Moços do Coro da Sé de Évora, onde viria a ocupar o cargo de Mestre de Capela. Foi ainda compositor residente no Convento do Carmo, onde morreu a 24 de Novembro de 1650.


Fica um excerto do Magnificat, interpretado pelo agrupamento The Tallis Scholars, dirigido por Peter Phillips.

‘Concierto de Aranjuez: Adagio’, de Miles Davis & Gil Evans

O álbum Sketches of Spain foi gravado nos estúdios da Columbia em NYC a 15 e 20 de Novembro de 1959 e a 10 de Março de 1960.
A peça central das cinco faixas que compunham o alinhamento do LP original, lançado a 18 de Julho de 1960, é Concierto de Aranjuez (Adagio), originalmente escrita para violão e orquestra por Joaquin Rodrigo em 1939. Com arranjo e direcção de Gil Evans, foi gravada a 20 de Novembro, com mais de vinte músicos a integrarem as diversas secções da orquestra.



O Concierto De Aranjuez (Adagio) (part one, alternate take), que não fazia parte do álbum original, foi gravado a 15 de Novembro (a parte dois foi gravada a 20 de Novembro) e todas as restantes faixas foram gravadas a 10 de Março de 1960.


‘Journey in Satchidananda’, de Alice Coltrane (II)

Com excepção do último tema ‘Isis e Osíris’, todo o alinhamento de ‘Journey in Satchidananda’ de Alice Coltrane foi gravado precisamente há 50 anos, a 8 de Novembro de 1970 em Dix Hills, Long Island, local de nascimento de John Coltrane.
Fica o tema de abertura e que dá o nome ao álbum.


‘Essercizi per gravicembalo’, de Domenico Scarlatti

Domenico Scarlatti [Nápoles, 26 Outubro 1685 – Madrid, 23 Julho 1757], virtuoso compositor do barroco tardio de quem se comemorou em 2019 o terceiro centenário da chegada a Lisboa, após ter sido contratado para o cargo de compositor da corte por D. João V em 1719, foi professor de cravo da infanta D. Maria Bárbara, que acompanharia após o casamento desta com o futuro rei espanhol, Fernando VI. Intérprete de grandes recursos, a princesa marcaria profundamente a evolução artística do compositor. A simbiose professor-aluna foi tão estreita que Scarlatti passou o resto da vida ao seu serviço, mantendo igualmente laços com Portugal – a primeira colecção de peças que publicou, os “Essercizi per Gravicembalo”, foi dedicada a D. João V em agradecimento pelo título de cavaleiro da Ordem de Santiago. Esta colecção, editada em Londres em 1739, deu-lhe fama internacional. […]
Texto de Cristina Fernandes


Scarlatti: The Complete Keyboard Works, Vol. 1: Sonatas, Kk. 1 – 30 “Essercizi”
Keyboard Sonata in D Minor, Kk. 9 · Scott Ross

‘O splendor gloriae’, de John Taverner

Para celebrar a música de John Taverner [c. 1490 – 18 Outubro 1545],  ao lado do contemporâneo Tomas Tallis [c. 1505 -1585], indubitavelmente os mais notáveis compositores de música sacra do Renascimento inglês no seu tempo, o moteto O splendor gloriae para cinco vozes, uma das obras-primas da polifonia britânica do séc. XVI incluídas no álbum ‘The Phoenix Rising‘[2012], interpretado pelo Grupo britânico Stile Antico que tive oportunidade de ouvir em Outubro de 2011 na Sé de Évora.


Jacques Arcadelt

Jacques Arcadelt [c. 1507 – 14 Outubro 1568], prolífico compositor franco-flamengo do Renascimento, legou à música sacra 24 motetos, 3 missas, umas Lamentações de Jeremias e um Magnificat; como compositor de música secular, deixou 125 canções francesas e foi, dos primeiros madrigalistas, um dos mais notáveis, com a produção de aproximadamente 250 obras, superando o contemporâneo Bernardo Pisano.

Do primeiro livro de madrigais para quatro vozes [Veneza,1539], Il bianco e dolce cigno, do segundo cd do álbum triplo Jacques Arcadelt: Motetti – Madrigali – Chansons [2018], pelo ensemble vocal belga Choeur de Chambre de Namur fundado em 1987, pelo ensemble Cappella Mediterranea, fundado em 2005 por Leonardo Garcia Alarcón e pelo ensemble francês Doulce Mémoire, fundado em 1989 por Denis Raisin-Dadre.


Claudin de Sermisy

Claudin de Sermisy [c.1490 – 13 Outubro 1562], compositor natural de Paris, esteve a maior parte da sua existência como cantor e mestre de coro ao serviço da corte francesa. Foi autor de uma dúzia de missas, publicou três livros de motetos, tendo no entanto sido a centena e meia de canções polifónicas por si compostas que lhe trouxeram maior notoriedade.

Resurrexi, et adhuc tecum sum, do álbum Sermisy: Tenebrae, Motets [1984], interpretado pelo Ensemble Clément Janequin, fundado em 1978 por Dominique Visse e especializado em música francesa do período de transição entre o Renascimento e o Barroco.