Archive for the ‘ Fotografia ’ Category

Jack Torrance faz parte do Hotel Overlook

Jack Torrance aparece numa fotografia tirada em 4 Julho 1921 durante uma Festa no Overlook Hotel. Stanley Kubrick explica que Jack é uma reencarnação de algum hóspede ou de alguém do staff do Hotel…

Ciao Bella!

Laura Antonelli [28 Nov 1941 – 22 Jun 2015]

O dia não me promete mais que o dia…

Por entre a casaria, em intercalações de luz e sombra – ou, antes, de luz e de menos luz – a manhã desata-se sobre a cidade. Parece que não vem do sol mas da cidade, e que é dos muros e dos telhados que a luz do alto se desprende – não deles fisicamente, mas deles por estarem ali.
Sinto, ao senti-la, uma grande esperança; mas reconheço que a esperança é literária. Manhã, primavera, esperança – estão ligados em música pela mesma intenção melódica; estão ligados na lama pela mesma memória de uma igual intenção. Não: se a mim mesmo observo, como observo a cidade, reconheço que o que tenho que esperar é que este dia acabe, como todos os dias. A razão também vê a aurora. A esperança que pus nela, se a houve não foi minha: foi a dos homens que vivem a hora que passa, e a quem incarnei sem querer, o entendimento exterior neste momento.
Amanhecer em Lisboa – 18 Dez 2013
Esperar? Que tenho eu que espere? O dia não me promete mais que o dia, e eu sei que ele tem decurso e fim. A luz anima-me mas não me melhora, pois sairei daqui como para aqui vim – mais velho em horas, mais alegre uma sensação, mais triste um pensamento. No que nasce tanto podemos sentir o que nasce como pensar o que há-de morrer. Agora, à luz ampla e alta, a paisagem da cidade é como de um campo de casas – é natural, é extensa, é combinada. Mas ainda no ver disto tudo poderei eu esquecer que existo? A minha consciência da cidade é, por dentro, a minha consciência de mim.
Lembro-me de repente de quando era criança e via, como hoje não posso ver, a manhã raiar sobre a cidade. Ela então não raiava para mim, mas para a vida, porque então eu (não sendo consciente) era a vida. Via a manhã, e tinha alegria; hoje vejo a manhã, e tenho alegria, e fico triste. A criança ficou mas emudeceu. Vejo como via, mas por trás dos olhos vejo-me vendo; e só com isto se me obscurece o sol e o verde das árvores é velho e as flores murcham antes de aparecidas. Sim, outrora eu era de aqui; hoje, a cada paisagem, nova para mim que seja, regresso estrangeiro, hóspede e peregrino da sua presentação, forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. No meu sangue corre até a menor das paisagens futuras, e a angústia do que terei que ver de novo é uma monotonia antecipada para mim.
E debruçado ao parapeito, gozando do dia, sobre o volume vário da cidade inteira, só um pensamento me enche a alma – a vontade íntima de morrer, de acabar, de não ver mais luz sobre cidade alguma, de não pensar, de não sentir, de deixar atrás, como um papel de embrulho, o curso do sol e dos dias, de despir, como um traje pesado, à beira do grande leito, o esforço involuntário de ser.
Bernardo Soares – 119

Jacarandás, Jardim de Neptuno

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Postais de Portugal – Mosteiro de Santa Maria da Vitória

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória (mais conhecido como Mosteiro da Batalha) e foi mandado edificar em 1386 por D.João I de Portugal como agradecimento à Virgem Maria pela vitória na Batalha de Aljubarrota. Este mosteiro dominicano foi construído ao longo de dois séculos, até cerca de 1517, durante o reinado de sete reis de Portugal, embora desde 1388 já ali vivessem os primeiros dominicanos. Exemplo da arquitectura gótica tardia portuguesa, ou estilo manuelino, é considerado Património Mundial pela UNESCO, e em 2007 foi eleito como uma das 7 Maravilhas de Portugal.
Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha - Nuno Trindade Photography
© Nuno Trindade Photography

Sai uma ginjinha para a mesa do canto

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Igreja de Santo António, Estoril

Concerto –  Mediae Vox Ensemble – Ave Sponsa et Mater

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Morrer na praia… mas com uma mantinha por baixo…

Scarlett Johansson by Annie Leibovitz - Vanity Fair_200508 Scarlett Johansson por Annie Leibovitz – Vanity Fair, Agosto de 2005

O céu sobre Lisboa

… ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz …
[Alberto Caeiro]

Lúmen

A força invisível da mão que segura o corpo contorcido de Cristo, descido da cruz.

Um corpo que se abandona, mas que nunca mais deixará de ser habitado, primeiro fóssil luminescente, em seguida luz pura.

Este corpo é já vestígio, memória. Mas é também recomeço. Indício.
Caminho para a luz. Para o que é ígneo.
A evocação do fogo que arde sem se ver, como uma paixão que se derrama numa intensidade luminosa.

Semelhante paixão (ou natureza) está contida na rocha, no sílex, que, raspado, produz faúlhas nos ramos retorcidos da árvore, combustível.
Será talvez uma oliveira, talvez não. Se for oliveira, então evoca a luz, a imortalidade, a relação cósmica, a morte e o monte famoso.

Imagens da Exposição de fotografias «Lúmen», de André Gomes.
Museu Nacional de Arte Antiga (Abril-Maio de 2006).