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Natividade – A Excitação da Descoberta

Considerado um dos trabalhos religiosos mais interessantes de Tiepolo, é simultaneamente dos menos conhecidos, por permanecer na Sacristia dos Canónicos da Basílica de São Marcos, um local raramente acessível.

Giovanni Battista Tiepolo - Natividade, 1732

Giovanni Battista Tiepolo - Natividade, 1732

A “Great” de Schubert

Em carta enviada ao amigo-pintor Leopold Kupelwieser em Março de 1824, Franz Schubert afirmava estar a preparar caminho para uma Grande Sinfonia, conceito inseparável de Beethoven que, em Maio desse ano, faria a primeira apresentação pública da Nona Sinfonia.

Schubert interrogava-se: Quem poderia fazer algo assim, depois de Haydn, Mozart, Beethoven?

Leopold Kupelwieser - The family of Franz Schubert playing games

Leopold Kupelwieser - A família de Franz Schubert

No ano da sua morte, em 1828, Schubert  escreveu a sua “Great Symphony”. Schumann descobriu a Sinfonia nº 9 de Schubert dez anos mais tarde, sobre o que terá dito: “Cum camandro! Esta nona tem, pelo menos, tanto power como a do Beethoven!”

Numa coisa estou de acordo com Schumann; O Segundo Movimento é um expoente do Romantismo. Senão, oiçam os violinos e os trombones e digam-me lá se não temos razão, eu e o Robert…

Esta interpretação pela Filarmónica de Berlim, dirigida por Karl Böhm, é bem capaz de ser a melhor que tenho… 🙂

 

 

Gotan Project em Lisboa

Duas horas de Gotan Project Live, num requintado espectáculo de som e imagem. Ouvimos, nomeadamente, «Santa Maria (Del Buen Ayre)», «Queremos Paz», «Vuelvo al Sur», «Una Música Brutal»… Muy caliente 🙂

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Gotan Project Live, hoje no Campo Pequeno

Campo Pequeno recebe, em Dezembro, uma das bandas mais interessantes e surpreendentes dos últimos anos, os inventores do “cibertango”, para um espectáculo único e especial.
Se fosse possível eleger um único responsável pela aproximação do público às sua raízes culturais, um nome surgiria quase unânime ? Gotan Project.
La Revancha del Tango, o primeiro disco, conquistou a Argentina e o mundo, com um improvável casamento entre o tango e a música electrónica alterando a face do tango argentino.
Com mais de um milhão de cópias vendidas e de espectáculos sempre com lotações esgotadíssimas um pouco por todo o mundo, os Gotan Project apresentaram em 2006 o seu último álbum Lunático. Este segundo trabalho do grupo formado por Phillipe Cohen, Cristoph Müller e Eduardo Makaroff deu seguimento à fusão do tango com as sonoridades da música electrónica, jazz, hip-hop e chill-out.
Os portugueses têm a oportunidade única de ver um espectáculo de alta qualidade estética e sonora. Música e espectáculo capaz de conquistar todos os amantes do tango mais autênticos, eternizando o bandoneon argentino de Piazzolla, assim com os adeptos da electrónica mais inventiva.
Definitivamente o tango não deu ainda a sua última palavra…

Postais de Natal – Aveiro

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Yes – 25 anos de “Owner Of A Lonely Heart”

Já sei que vou ser acusado de herege, que para falar dos Yes só se for sobre o Relayer e Going for the One… mas tenho andado com esta música na cabeça… e nervoso miudinho, também, enquanto não tenho o disco de volta! DEMORA MUITO?! 🙂

Beethoven por Rubinstein

Ludwig van Beethoven nasceu neste dia, em 1770; Ainda esta semana, a 20, passam 26 anos sobre a morte de Artur Rubinstein, um dos grandes pianistas do século passado.
Não sendo Rubinstein um dos maiores executantes de Beethoven, servem as datas de pretexto para ver e ouvir o primeiro movimento do Concerto para piano No. 3 e homenagear ambos.

Concerto de Aniversário dos 60 anos de Carlos Zíngaro

Para assinalar a data, a Trem Azul Jazz Store promove um concerto-festa de aniversário em que poderemos assistir a uma actuação do violinista com um ensemble de 15 elementos que executará um “jogo de improvisação” da autoria de Rui Eduardo Paes, crítico de música e editor da revista jazz.pt. Constituem-no David Alves, Ulrich Mitzlaff, Miguel Mira, Miguel Leiria Pereira, Hernâni Faustino, Rodrigo Amado, Paulo Curado, Abdul Moimême, Bruno Parrinha, João Pedro Viegas, Nuno Rebelo, Emídio Buchinho, Ricardo Freitas, Carlos Santos e Miguel Cabral, que entre si formarão diversos subgrupos. Entrada livre.

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Num ano particularmente rico da sua actividade em território português, com a edição pela Clean Feed de “Spectrum String Trio” e a presença em quatro grandes festivais, designadamente Jazz ao Centro (ZFP Quartet), Dias da Música em Belém (Spectrum String Trio), Música Portuguesa Hoje (em trio com John Butcher e Gunter Muller) e Isto é Jazz? (duo com Pascal Contet), assim se homenageia um músico que foi pioneiro desde finais da década de 1960 nas áreas do free jazz, da improvisação e do experimentalismo em Portugal, muito depressa se constituindo como uma das mais importantes figuras da música criativa no mundo.

Presépio da Madre de Deus

Antes da visita orientada ao Presépio, houve concerto na Igreja. O Coro de meninos do CMML cantou músicas de Natal; Seguiram-se David Assunção Alves com uma peça de Frits Kreisler para violino e mais dois quartetos, um de clarinetes e outro de violinos.

Uma das curiosidades sobre o Presépio reside na estrutra das figuras. Somente a Sagrada Família é composta por figuras cheias; As restantes são ocas e não têm costas. Percebe-se! Fazer esculturas maciças  em barro torná-las-ia demasiado pesadas e partiriam.

Os pastores em cortejo

Os pastores em cortejo

Os anjos músicos

S. Jerónimo viajou para a Holanda e o Titus sentado à secretária chega a Portugal

Quatro anos depois de ter estado exposta em Viena, mais propriamente na Galeria Albertina, a obra S. Jerónimo, do pintor alemão Albrecht Dürer (Nuremberga, 1471-1528), voltou a ser retirada do primeiro piso do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa. Desta vez, o destino da pintura, um óleo sobre madeira de carvalho datado de 1521, foi o Museu Boijmans van Beuningen, em Roterdão, que solicitou ao MNAA o quadro de Dürer para o integrar na exposição Imagens de Erasmus.

Em contrapartida, o museu nacional propôs uma permuta e pediu “uma boa peça da colecção” pertencente à instituição holandesa, contou ao PÚBLICO o director do MNAA, Paulo Henriques. A resposta agradou sobremaneira à direcção do museu lisboeta: o Boijmans van Beuningen expedia para Lisboa o Titus sentado à secretária (1655), de Rembrandt (1606-1669), uma das obras-primas do pintor, nunca exposta em Portugal.
Atendendo à elevada importância de S. Jerónimo – é a única pintura de Dürer no país (a Fundação Gulbenkian possui alguns desenhos), está classificada como tesouro nacional e o MNAA aponta-a como uma das “dez obras de referência” do museu -, Paulo Henriques pediu ainda desenhos e gravuras de Rembrandt, o que permitiu organizar a exposição que se inaugura no dia 16, numa das salas do MNAA. O quadro Titus sentado à secretária (retrato a óleo do filho do pintor) estará acompanhado por mais oito obras: desenhos de Saskia (mulher de Rembrandt), de Titus e da mãe do pintor; e ainda duas gravuras (uma anunciação do nascimento de Jesus e uma adoração dos pastores). Esta exposição com trabalhos de Rembrandt, inédita na história do MNAA, ficará até 8 de Fevereiro, data em que encerra também Imagens de Erasmus, em Roterdão. Refira-se ainda que somente a Fundação Gulbenkian possui, na sua colecção, duas obras do pintor holandês. O Museu de Arte Antiga tem, segundo o seu director, uma gravura e desenhos cuja atribuição a Rembrandt não está confirmada.

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Albrecht Dürer – Heiliger Hieronymus, 1521

Dürer pintou S. Jerónimo em Antuérpia, em Março de 1521. Escreveu então no seu diário: “Pintei cuidadosamente S. Jerónimo e ofereci-o a Rui de Portugal.” O painel – único quadro religioso que pintou – foi exibido na capela privada do diplomata de Antuérpia e mais tarde trazido para Portugal.

A figura do santo é baseado num desenho de um velho homem barbudo. No desenho, inscreveu Dürer: “O homem tinha 93 anos e era ainda saudável e forte.” O crânio na pintura que Dürer também tinha esboçado separadamente (Graphische Sammlung Albertina, Viena), provavelmente era provavelmente o “pequeno crânio” que tinha adquirido anteriormente em Colónia.

Nesta obra, S. Jerónimo exibe as características enrugadas do velho de 93 anos e repousa a mão direita na cabeça em pose comtemplativa. Com o dedo da mão esquerda, toca suavemente o crâneo, símbolo da perenidade da vida. O crânio é simbolicamente colocado entre a Bíblia aberta e o tinteiro, numa alusão ao tradutor do Livro Sagrado.  O velho S. Jerónimo olha angustiadamente para fora do quadro.

Rembrandt - Titus sentado à secretária, 1655

Rembrandt – Titus sentado à secretária, 1655

Filho de Rembrandt e Saskia Uylenburgh, Titus nasceu em 1641. Após a morte prematura de sua mãe, Titus foi entregue aos cuidados de Geertge Dircx e mais tarde de Hendrickje Stoffels que, após a falência de Rembrandt, criou com Titus um negócio de arte de modo a liquidar as dívidas do pai, de quem recebeu formação artística. Morreu em 1668, um ano antes da morte de Rembrandt.

A figura de Titus aparece em várias pinturas de Rembrandt: quer como monge, quer vestindo um traje elegante com boina ecorrente de ouro.

Nesta obra, é visto como aluno sentado à escrivaninha, divagando sobre o seu trabalho. Com a mão direita, segura a caneta de pena com que escreve e, com a esquerda, o porta-canetas e o tinteiro. Os braços e os documentos são fruto de pinceladas únicas e na escrivaninha vemos as marcas da espátula de Rembrandt.

A saída temporária do S. Jerónimo foi sujeita à autorização prévia do Ministério da Cultura, tal como a lei estabelece na expedição de bens nacionais. Mas o seu estatuto de “peça central” do MNAA exigiu “muita ponderação”, notou Henriques. “A ponderação do empréstimo foi muito bem feita e teve em conta a altíssima qualidade da exposição do Boijmans van Beuningen”, disse, apontando ainda que o óleo se encontra em “excelentes condições”. “Não tem quaisquer problemas de conservação”, assegurou. A estas circunstâncias favoráveis acresceu o “grande empenho” da embaixada dos Países Baixos em Lisboa, que permitiu que a permuta fosse concretizada “sem encargos financeiros” para o MNAA.
O empréstimo do quadro (foi oferecido por Dürer, ainda em 1521, ao diplomata português em Antuérpia Rui Fernandes de Almada, tendo sido comprado pelo Estado em 1880) não é inédito. Mas a sua saída temporária já foi proibida, há três anos. Em 2004 esteve patente numa mostra dedicada a Dürer em Viena, na Galeria Albertina, juntamente com os quatro desenhos preparatórios de S. Jerónimo. Contudo, um ano depois, quando o Museu do Prado, em Madrid, organizou uma exposição dedicada ao artista, inédita na Península Ibérica (57 desenhos e 29 gravuras) e solicitou ao MNAA o quadro, o Estado recusou o empréstimo. “Não passou por mim”, disse Henriques, referindo que, na altura, era Dalila Rodrigues quem dirigia o museu.

fonte: Público