Arquivo de Maio, 2004

Esperança

Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que ouve apenas o eco…
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio dum vinho herético e sagrado. 

Miguel Torga

música do (melhor) mundo

“Ravi Shankar is the Godfather of World Music”

(George Harrison)

Nascido em Benares, Índia, em 1920, Ravi Shankar começou aos 19 anos a estudar sitar com o virtuoso Ali Akbar Kahn, seu guia espiritual e professor de música.

A sua colaboração com o grande violinista Yehudi Menuhin na década de 50, foi um dos mais celebrados encontros entre culturas distintas, de todos os tempos.

A participação de Shankar na canção Within You Without You, do álbum Sargent Pepper’s dos Beatles, foi o início da sua popularidade no ocidente.

Ravi Shankar também participou no Festival de Woodstock em 1969, e patrocinou o concerto de beneficiência pelos refugiados de guerra do Bangladesh, em 1971.

Shankar foi nomeado para os Oscares pela banda sonora de Gandhi.



Shankar escreveu dois concertos para sitar e orquestra, e que estão no primeiro cd desta colectânea da EMI CLASSICS – ref.7243.

O primeiro, composição escrita com o virtuoso Yehudi Menuhin e gravado em 1968, é notável!

O segundo, de 1976, gravado com a London Symphony Orchestra, conduzida por André Previn, é o meu favorito!

Uma obra-prima celestial.

Shankar teve ainda tempo para ser pai da menina Norah Jones!

Embora já nos tenha visitado – pelo menos duas vezes na Gulbenkian, tive oportunidade de vê-lo em Abril de 93 no Pavilhão Carlos Lopes, junto ao local onde está instalada a Feira do Livro, e para onde vou agora!

Le Petit Prince – Antoine de Saint-Exupery

CHAPITRE IX

Je crois qu’il profita, pour son évasion, d’une migration d’oiseaux sauvages.

Au matin du départ il mit sa planète bien en ordre. Il ramona soigneusement ses volcans en activité. Il possédait deux volcans en activité.

Et c’était bien commode pour faire chauffer le petit déjeuner du matin.

Il possédait aussi un volcan étent. Mais, comme il disait, “On ne sais jamais!” Il ramona donc également le volcan éteint.

S’ils sont bien ramonés, les volcans brûlent doucement et régulièrement, sans éruptions. les éruptions volcaniques sont comme des feux de cheminée.

Evidemment sur notre terre nous sommes beaucoup trop petits pour ramoner nos volcans.

C’est pourquoi ils nous causent tant d’ennuis.

Le petit prince arracha aussi, avec un peu de mélancolie, les dernières pousses de baobabs.

Il croyait ne plus jamais devoir revenir. Mais tout ces travaux familiers lui parurent, ce matin-là, extrèmement doux.

Et, quand il arrosa une dernière fois la fleur, et se prépara à la mettre à l’abri sous son globe, il se découvrit l’envie de pleurer.

-Adieu, dit-il à la fleur.

Mais elle ne lui répondit pas.

-Adieu, répéta-t-il.

La fleur toussa. Mais ce n’était pas à cause de son rhume.

-J’ai été sotte, lui dit-elle enfin. Je te demande pardon. Tâche d’être heureux.

Il fut surpris par l’absence de reproches. Il restait là tout déconcentré, le globe en l’air. Il ne comprennait pas cette douceur calme.

-Mais oui, je t’aime, lui dit la fleur. Tu n’en a rien su, par ma faute. Cela n’a aucune importance. Mais tu as été aussi sot que moi. Tâche d’être heureux… Laisse ce globe tranquille. Je n’en veux plus.

-Mais le vent…

-Je ne suis pas si enrhumée que ça… L’air frais de la nuit me fera du bien. Je suis une fleur.

-Mais les bêtes…

-Il faut bien que je supporte deux ou trois chenilles si je veux connaître les papillons. Il paraît que c’est tellement beau. Sinon qui me rendra visite? Tu seras loin, toi. Quant aux grosses bêtes, je ne crains rien. J’ai mes griffes.

Et elle montrait naivement ses quatre épines. Puis elle ajouta:

-Ne traîne pas comme ça, c’est agaçant. Tu as décidé de partir. Va-t’en.

Car elle ne voulait pas qu’il la vît pleurer. C’était une fleur tellement orgueilleuse…

just for fun!

não sou pessoa de caluniar outrem..

..mas era capaz de jurar que o senhor estava embriagado!

A seguir ao vergonhoso jogo que a Selecção Nacional fez ontem no primeiro jogo do Campeonato da Europa de Sub-21 contra a Suécia, ao ver as declarações que Gilberto Madaíl, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol prestou à RTP, as suspeitas iam-se acentuando à medida que as declarações se sucediam.

Por três ou quatro vezes o homem entaramelou a voz, disso estou certo.

Digam-me se fui só eu que fiquei com os olhos trocados!


ainda que possa perder um pouco de brilho..

Uma vela nada tem a perder se acender outra vela!

«Mensagem» de Fernando Pessoa

3ª Parte – O Encoberto
III – Os Tempos

Primeiro – Noite
A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.
*
Como e um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando, o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
*
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
O Poder e o Renome –
Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói.
Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.

Segundo – Tormenta
Que jaz no abismo sob o mar que se ergue?
Nós, Portugal, o poder ser.
Que inquietação do fundo nos soergue?
O desejar poder querer.
Isto, e o mistério de que a noite é o fausto…
Mas súbito, onde o vento ruge,
O relâmpago, farol de Deus, um hausto
Brilha, e o mar ‘scuro ‘struge.

Terceiro – Calma
Que costa é que as ondas contam
E se não pode encontrar
Por mais naus que haja no mar?
O que é que as ondas encontram
E nunca se vê surgindo?
Este som de o mar praiar
Onde é que está existindo?
Ilha próxima e remota,
Que nos ouvidos persiste,
Para a vista não existe.
Que nau, que armada, que frota
Pode encontrar o caminho
À praia onde o mar insiste,
Se à vista o mar é sozinho?
Haverá rasgões no espaço
Que dêem para outro lado,
E que, um deles encontrado,
Aqui, onde há só sargaço,
Surja uma ilha velada,
O país afortunado
Que guarda o Rei desterrado
Em sua vida encantada?

Quarto – Antemanhã
O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse: «Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Numa o Terceiro quer desvendar?»
E o som na treva de ele rodar
Faz mau o sono, triste o sonhar,
Rodou e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar –
Chamar aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar.

Quinto – Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Numa o que é mal numa o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a hora!
Vale, Fratres.

Porto! Porto! Porto!

Portugal! Portugal! Portugal!

hoje somos (quase) todos mui nobre e leais

Barca bela

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela.

Que é tão bela,

Oh pescador?

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

Colhe a vela,

Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela…

Mas cautela,

Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela

Só de vê-la,

Oh pescador.

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge dela

Foge dela

Oh pescador!

Almeida Garrett, Folhas Caídas

Inesperadamente, morreu o golfinho bébé que estava no Zoo Marine de Albufeira a ser tratado, com tantos cuidados, tanto carinho, e que já tinha conquistado a simpatia dos portugueses, fruto do acompanhamento diário que a SIC fazia da sua evolução.

Merecem uma palavra de apreço todos os que passaram horas a fio dentro da piscina com o golfinho bébé.

Para além da desilusão profissional por não terem conseguido salvá-lo, nos trinta e tal dias em que conviveram diariamente, criaram, e demonstravam-no constantemente, uma relação afectiva muito forte, e por isso devem estar a passar um momento difícil.

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