de José Bento, por quem tenho estima pessoal

Porque o Fim de um Caminho…

Porque o fim de um caminho sempre me entregou

o limiar de outro caminho,

o verde de um campo ou de um corpo adolescente,

espero que regresse à minha voz

a luz que no primeiro dia a fecundou

e a terra que é o contorno dessa luz.

Porque espero ver crescer minhas mãos dessa terra

e de minhas mãos a água necessária à minha sede,

ergo de mim a noite residual do que vivi

e canto,

canto provocando a madrugada.

Porque outros entoarão meu requiem e outros cerrarão

minha pálpebras para defender meus olhos de suas lágrimas,

deixo essa glória aos outros

– e exalto o meu nascimento

e cada dia em que renasço e procuro

a boca ou o fruto onde se reflitam os meus lábios.

Porque, harmonizando-se no sangue o fogo e a água,

eu sou o fogo e a água:

por mim os cadáveres e quanto é feito de matéria dos cadáveres

libertar-se-ão em chamas, serão claridade

e chegarão a pão pela dádiva das cinzas,

a última dádiva, a total.

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