Arquivo de 16 de Abril, 2004

Cheira-me a esturro!

Não ponho as mãos no lume por ninguém!

Mas a Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados, que tem feito uma enorme campanha contra o túnel do Marquês, acrescenta agora aos seus argumentos que corre o risco de derrocada o túnel ferroviário entre o Rossio e Campolide.

O alerta surge porque uma denúncia anónima deu conta que, à data da construção do túnel das Amoreiras, a saída para a Rua Artilharia Um foi abandonada porque “ia interferir” com o túnel do Rossio.

E fazem-se primeiras páginas de jornais com base em denúncias anónimas?!

Cheira bem, cheira a Lisboa!



Saio de manhã.

Começo por atravessar as incontornáveis obras do Túnel do Marquês e passo por entre os hotéis em direcção ao Parque Eduardo VII.

Os meus sensores detectam os aromas matinais dos relvados ainda com orvalho e do enorme arvoredo que povoa toda a zona.

O cheiro a verde vai acompanhar-me durante o resto da curta viagem.

Durante o pequeno trajecto pela Alameda do Alto do Parque, à esquerda sorri a estátua de Botero, no meio do jardim sonhado por Gonçalo Ribeiro Teles, à direita aquela fantástica varanda sobre Lisboa, iluminada por uma luz que só existe na Cidade Branca, de onde vejo a Baixa Pombalina banhar-se no Tejo.

A seguir, passo pela zona mais espanhola da cidade e entro nas Avenidas Novas, sempre ladeadas de árvores.

Aqui, o cheiro a verde é substituído pelo dióxido de carbono.

As árvores do centro de Lisboa perderam o cheiro.

Chego ao escritório.

bom dia às coisas aqui ao lado!

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