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‘Calais Pier’, by William Turner

J.M. William Turner [23 Apr 1775 – 19 Dec 1851]

«Calais Pier, with French Poissards preparing for Sea: an English Packet arriving», 1803
Tate Gallery, London

A cross-channel ferry (a packet), fully laden with passengers and flying a British flag, is approaching the port of Calais. Around it, small French fishing boats (‘poissards’) head out to sea. The water is rough and dark storm clouds gather, although a shaft of sunlight breaks through to illuminate the white sail in the centre of the picture. In the lower right foreground, a small fishing boat is trying to get away to avoid being battered against the pier. The scene looks chaotic and there is a risk of collision.

Turner’s painting is based on an actual event he experienced, when he travelled from Dover to Calais in 1802 on his first trip abroad and was ‘nearly swampt‘ in a storm at sea. Although it had a mixed response when first exhibited at the Royal Academy in 1803, the critic John Ruskin declared it to be the first painting to show signs of ‘Turner’s colossal power’.

‘Naufrágio de um Cargueiro’, de William Turner

Esta obra faz parte de uma série de pinturas de grandes dimensões executadas por Turner na primeira década de Oitocentos dedicada à representação de catástrofes naturais e tempestades no mar, iniciada em 1801, com Bridgewater, Seapiece (Colecção Particular em depósito na National Gallery, Londres). A cena foi associada no passado ao naufrágio do navio Minotauro, ocorrido em Dezembro de 1810, hipótese entretanto abandonada. Apresenta, entretanto, semelhanças evidentes com a pintura O Naufrágio (Tate Britain, Londres), de 1805.

A construção do espaço, deliberadamente assimétrico e caótico, desenvolve-se a partir de diagonais de mastros e remos quebrados que se justapõem a curvas de redemoinhos de águas em turbilhão. O elemento humano, insignificante e perdido, encontra-se irremediavelmente submetido à voragem violenta das ondas.

A composição inscreve-se num universo de extrema sensibilidade face à natureza, dentro da melhor tradição inglesa de pintura do género, à qual o tema dos naufrágios, num país marítimo por excelência, foi especialmente grato. Turner não só absorve o legado da lição holandesa – de Willem van de Velde, o Jovem, em particular – como associa à sua expressão pictórica o peso do imaginário coletivo da época, vivido pelos seus contemporâneos de forma verdadeiramente emotiva e obsessiva.
Via Museu Calouste Gulbenkian

‘Paz – Funeral no Mar’, de William Turner

Nascido em Londres em 1775, J.M. William Turner tinha apenas 14 anos quando foi admitido na Royal Academy of Arts. Tendo começado a pintar a óleo em 1796, fez viagens prolongadas a várias regiões da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Em 1802 estudou os mestres no Louvre, com particular atenção a Claude Lorrain, que teve acrescida influência nas suas obras de efeitos atmosféricos lumínicos.
As pinturas de Turner são visões do poder da natureza, como as representações de naufrágios e desastres naturais. Ao abandonar a forma ou ao revelá-la apenas através de contornos indefinidos, Turner conferiu à luz um poder próprio.
Morreu na sua cidade natal a 19 de Dezembro de 1851.

Na obra ‘Paz – Funeral no Mar’, exposta na Tate Gallery em 1842, Turner presta homenagem ao pintor escocês David Wilkie, que morreu em 1841 a bordo de um vapor. A cena é dominada por uma névoa pálida que esbate a água e o céu na mesma luz fria. A única zona quente e luminosa é o local do funeral, onde o corpo é baixado à água, à luz de tochas flamejantes que parecem rasgar o casco do navio.

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