Iconografia do Natal

Encontros no MNAz - Iconografia do Natal

Destaques do Programa.

  • Uma herança de afectos: A Natividade na Cultura Portuguesa
  • A Natividade na Escultura, entre a Idade Média e o Renascimento
  • A Natividade de barro: os presépios barrocos
  • A natividade no teatro de Gil Vicente
  • Aspectos da Natividade na iconografia da pintura do século XVI
  • A Natividade na pintura barroca portuguesa
  • A Natividade na pintura contemporânea
  • O percurso de uma Natividade: desde a Igreja de Santo André até ao Museu Nacional do Azulejo

 

Sábado à noite temos visita guiada a uma obra prima da escultura barroca portuguesa do século XVIII, com autoria de Dionísio e António Ferreira (pai e filho), o Presépio da Igreja da Madre de Deus. Entrada livre.
Tendo estado cerca de 200 anos afastado do Convento, após a extinção das Ordens Religiosas em 1830, o Presépio regressou em 2006 pela mão de Paulo Henriques, agora Director do MNAA.

Programa:

21h00, Concerto 
Alunos do Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa e da Escola Profissional Metropolitana de Música

22h00 – 23h00
Visitas orientadas: 
– Painéis de azulejo e pinturas da igreja da Madre de Deus
– Painel de “Nossa Senhora da Vida” , cerca de 1580
– Painel “Os Reis Magos” da autoria de Jorge Barradas
– Presépio da Madre de Deus

Não há registo exacto do número de peças que poderiam formar o presépio da Madre de Deus. Presentemente é composto por 42 peças, com diferentes tamanhos (de 15cm a 70cm), as quais compõem um dos primeiros exemplares de grandes presépios em terracota, que corresponde bem ao gosto português pelos presépios.

A Sagrada Família, um conjunto de anjos que tocam, a adoração dos pastores, os reis magos que aparecem em último plano ainda a cavalgar em direcção à sagrada família fazem parte do conjunto. Característica desta obra também é o facto de as figuras serem retratadas tal como eram no princípio do Séc. XVIII: o camponês que trata dos queijos, outro que toca sanfona, um casal de camponeses com as crianças, criando uma grande associação com a realidade da época.

“Há um realismo barroco na forma verdadeira como tudo é descrito, mas tudo está cheio de um espírito muito voluptuoso, os tecidos são muito belos, as figuras muito bonitas, sendo também um veículo de espiritualidade para todo o conjunto”, descreve Paulo Henriques, Director do Museu Nacional do Azulejo.

O restauro demorou alguns anos. Neste processo “fomos à descoberta das cores iniciais das figuras”, relata, num trabalho levado a cabo por uma restauradora.

O presépio tem uma dimensão teatral, porque as peças que estão mais próximas são maiores e as que se encontram mais distante são mais pequenas, igualando assim o efeito da perspectiva.

Desmontada em 1830, esta obra integrou o património do Estado, dado o encerramento das instituições monásticas, e encontrava-se no Museu Nacional de Arte Antiga. O presépio foi reunido e conservado, chegando em grande parte até aos nossos dias.

“A circunstância feliz agora permite o regresso à Casa do Presépio que existe no Convento da Madre de Deus”, sublinha o Director do Museu Nacional do Azulejo. “Sempre houve um espaço que se chamava a casa do presépio, sendo um espaço reservado que albergava o presépio no antigo Convento de Clarissas da Ordem de São Francisco, que iniciou o culto pelos presépios”, acrescenta.

Esta peça tinha um grande peso na instituição dentro dos objectos rituais e litúrgicos tinha um peso central. É uma obra muito importante que se encontrava na Capela de Santo António, “regressa agora ao seu lugar de origem. Vamos poder usufruir de uma peça de escultura que é uma obra prima da escultura portuguesa”, frisa Paulo Henriques.

Tradição portuguesa

Há uma tradição de escultura em terracota em Portugal. O Director do Museu nacional do Azulejo afirma que este exemplar, a partir de hoje, disponível ao público, será dos primeiros exemplares de grandes presépios em terracota, correspondendo bem ao gosto português pelos presépios. Feitos de barro cozido, modelados por mãos de grande mestre, levam um preparo de gesso para receber a pintura de grande rigor e qualidade. Por último recebem uma folha de ouro.

O século XVIII é considerado o século de ouro dos presépios portugueses, modelados pelos Franciscanos, Dominicanos e portugueses vindos recentemente de Itália onde tinham estudado por conta de fidalgos. Os frades de Alcobaça e de Mafra, as escolas de Lisboa e do Alentejo, e artistas como Joaquim Machado de Castro e Alexandre Guisti tomaram- se famosos nesta época.

Machado de Castro, artista de Coimbra nascido em 1731, é um dos mais conhecidos escultores de presépios, tendo modelado inúmeros trabalhos deste género, cheios de fantasia, humanismo e imaginação. António Ferreira foi outro barrista da mesma época que modelou figurinhas cheias de fantasia, que se encontram no convento da Cartuxa de Laveiras e no da Madre de Deus em Lisboa.

No século XIX as guerras que se fizeram sentir em Portugal fizeram com que não houvesse ambiente para se fazerem presépios. A extinção de conventos levou a que muitos presépios desaparecessem. Em algumas casas particulares nobres, os seus presépios também se perderam, no entanto ficaram frequentemente as figuras principais: o Menino, a Virgem, S. José, o burro e a vaca.

No século XX e até hoje as tradições dos presépios não desapareceram. Um pouco por todo lado esta tradição mantém-se com recurso a uma genuína criatividade e, por vezes até, alguma aventura.

O gosto pelo presépio que marca esta época do ano, tem características na sua descrição que se estendem aos dias de hoje: pequenos episódios que não se relacionando directamente com a cena central, ajudam a retractar o quotidiano da época “chegando mesmo a contar uma história para além da cena principal” declara Paulo Henriques. A roupa e os tecidos, são características deste tipo de presépios, sendo também documento da época em que a obra foi feita. Via.

D. Francisco Manuel de Melo

Nesta coisa das efemérides, a muito recente e quase despercebida passagem dos quatrocentos anos do nascimento de Francisco Manuel de Melo (1608-1666), tem pelo menos a virtude de permitir recordar, ainda que fugazmente, as diversas facetas e obra do maior polígrafo do século XVII.

 

"Finis Gloriae Mundi", de Juan de Valdés Leal , século XVII

"Finis Gloriae Mundi", de Juan de Valdés Leal , século XVII

 

Soneto I
Formosura, e Morte, advertidas por um corpo belíssimo, junto à sepultura.

Armas do amor, planetas da ventura
Olhos, adonde sempre era alto dia,
Perfeição, que não cabe em fantasia,
Formosura maior que a formosura:

Cova profunda, triste, horrenda, escura,
Funesta alcova de morada fria,
Confusa solidão, só companhia,
Cujo nome melhor é sepultara:

Quem tantas maravilhas diferentes
Pode fazer unir, senão a morte?
A morte foi em sem-razões mais rara.

Tu, que vives triunfante sobre as gentes.
Nota (pois te ameaça uma igual sorte)
Donde pára a beleza, e no que pára.

Steamboat Willie

Steamboat Willie (1928) foi a primeira curta animada do rato mais famoso do planeta. O filme, escrito e realizado por Walt Disney e Ub Iwerks, teve a sua première a 18 de Novembro de 1928, no New York’s 79th Street Theatre. Um prodígio da técnica, à altura! 🙂

 

Ligações Perigosas

Ilustração de Michael Zichy

Ilustração de Michael Zichy

 

Tua pele tem um quê que não consigo
saber por que me deixa tão excitado.
Encostar-me a ti é sempre um perigo,
pior ainda se estiver deitado.

Saltam faíscas, raios e coriscos
numa atmosfera cheia de gemidos
e corremos, por isso, sérios riscos
de ficarmos chamuscados, derretidos

por tão embriagante alta-voltagem,
que em vez de meter medo dá coragem
para tentar um outro big-bangue.

E se meter em ti o meu rastilho,
então aí, amor, há mais sarilho
e explode tudo, tudo, até o sangue.

 

 

poema décimo sétimo dos Sonetos eróticos & irónicos & sarcásticos & satíricos & de amor & desamor & de bem & e de maldizer do poeta Joaquim Pessoa
Litexa Editora, 2008

Iluminura Medieval

Facta et dicta memorabilia / Dos factos e palavras memoráveis

Valerius Maximus – Região do Loire, c. 1475 – Livro 5: Capítulo I

Idem senatus, cum sibi Pru sian Bithyniae regem Perse uenire audisset, obuiam illi P. Cornelium Scipionem quaestorem Capuam misit censuitque ut ei domus Romae quam optima conduceretur et copiae non solum ipsi, sed etiam comitibus eius publice praeberentur, in eoque excipiendo tota urbs unius humani amici uultum habuit. itaque qui amantissimus nostri uenerat, duplicata erga nos beniuolentia in regnum suum reuersus est.

Scipio recupera o corpo do pai ferido

a partir da Batalha de Ticinus

Um soldado de Pompeius, tendo morto um soldado de Sertorius, descobre que matou o próprio irmão.
Suicida-se então, atirando-se para a fogueira onde o corpo de seu irmão arde.

Para quem aprecia os primores da iluminura, tem aqui uma interessantíssima página, cujo tema central é a História de Portugal.

mitos e realidades

 

Ilustração de Michael Zichy

Ilustração de Michael Zichy

 

 

Tens a coisa pequena mas que importa
se a questão nunca é do tamanho.
Ela pode ser grande e já estar morta
ou pequena e campeã do arreganho.

Ao centímetro não há felicidade
que possa ser medida, pois então!
Para poder impôr-se, a coisa há-de,
muito mais que tamanho, ter tesão.

É tudo o que deves ter em conta.
O resto é conversa rasa e tonta
se não promoçãozinha pessoal.

Só tens de cumprir o compromisso.
E não te esqueças nunca para isso,
tomar o compromisso também vale.

 

poema nono dos Sonetos eróticos & irónicos & sarcásticos & satíricos & de amor & desamor & de bem & e de maldizer do poeta Joaquim Pessoa
Litexa Editora, 2008

Au fil du temps

Excelente, a homenagem no âmbito do centenário do nascimento de Maria Helena, na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva!

Com A Exposição Au fil du temps: um percurso fotobiográfico de Maria Helena Vieira da Silva, percorremos a vida da que que foi a artista portuguesa de maior notoriedade internacional no séc. XX: desde o nascimento, a infância e juventude em Lisboa, a passagem por Paris, com fotografias sensacionais da casa-atelier do Boulevard Saint-Jacques onde viveu com Arpad, os cerca de sete anos de exílio no Brasil durante o período da Segunda Guerra e em Portugal, nas décadas de setenta e oitenta. O amor que a uniu a Arpad Szénes é tema central da fotobiografia, com imagens de grande cumplicidade…

O Catálogo custa 25 euros.

Vieira da Silva na casa-atelier do Boulevard Saint-Jacques

Vieira da Silva na casa-atelier do Boulevard Saint-Jacques

BIOGRAFIA

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), pintora de origem portuguesa, nasceu em Lisboa, no seio de uma família que cedo estimulou o seu interesse pela pintura, pela leitura e pela música, filha única de Marcos Vieira da Silva e Maria da Silva Graça. Os três primeiros anos da sua vida são pontuados por viagens a França e Inglaterra, e em 1910, a doença do pai leva-os a Leysin, na Suíça. Após a morte do pai, em 1911, Vieira e a mãe regressam a Portugal onde cresce num ambiente intelectualmente rico mas frequentado quase exclusivamente por adultos. No final do Verão de 1913, depois de uma estadia de dois meses em Inglaterra marcada pela descoberta dos museus e do teatro de Shakespeare, Vieira recorda ter decidido tornar-se pintora. Depois de ter estudado desenho, pintura e escultura em Lisboa, vai para Paris em 1928, insatisfeita com o ensino ministrado na Escola de Belas Artes de Lisboa, num período politicamente instável face ao avanço do fascismo e culturalmente pouco estimulante. Em Paris deslumbra-se com a agitação da capital francesa num período rico na partilha de ideias por parte de artistas plásticos, escritores, músicos e bailarinos. Frequenta espectáculos, museus e galerias. Hesitando entre pintura e escultura, frequenta na Academia da Grande Chaumière as aulas de escultura de Bourdelle que era, à época, assitido por Germaine Richier e Alberto Giacometti, e de Despiau na Academia Scandinave, abandonando esta técnica em 1929 para se dedicar exclusivamente à pintura. Trabalha então com Dufresne, Waroquier e Friez e inicia-se na gravura no Atelier 17 de Hayter onde se concentra nas pesquisas de representação do espaço. Frequenta também as aulas de Fernand Léger e de Bissière nesta fase de intensa descoberta e experimentação. No Verão de 1928 faz uma viagem de estudo a Itália que vai marcar definitivamente as suas pesquisas plásticas, ficando especialmente impressionada com Siena e a pintura pré-renascentista. Em 1930 casa-se com o pintor de origem húngara, Arpad Szenes (1897-1985), que conhecera na Academia da Grande Chaumière, perdendo a nacionalidade portuguesa. Torna-se pouco depois apátrida quando por sua vez Arpad Szenes perde a nacionalidade húngara. Pintora de temas essencialmente urbanos, a sua pintura revela, desde muito cedo, uma preocupação com o espaço e a profundidade. Em 1932 conhece Jeanne Bucher, que desempenha um papel decisivo na sua carreira, iniciado com a organização da sua primeira exposição individual no ano seguinte. É por seu intermédio que Vieira da Silva descobre a pintura de Torres-García que a marca profundamente. Em Portugal, as suas obras são vistas pela primeira vez em 1935, na Galeria UP, numa exposição organizada por António Pedro. No ano seguinte, Vieira da Silva expõe com Arpad Szenes no seu atelier de Lisboa. Num momento em que se teme o crescimento do fascismo na Europa, o casal reúne-se regularmente, até ao início da Segunda Guerra, no Café Raspail, com um grupo de artistas e intelectuais de esquerda, para discutir arte e política sob o nome de «Amis du monde». Em 1938 abandona a Villa des Camélias – residência do casal desde 1930 – e instala-se na casa-atelier do Boulevard Saint-Jacques onde convive com Alberto Giacometti, Jean Lurçat, Jacques Lipchitz, e Etienne Hajdu, entre outros. Em 1939, pressionada pelas circunstâncias, deixa Paris, ficando os seus trabalhos e atelier à guarda de Jeanne Bucher. Após uma curta temporada em Lisboa onde Vieira tenta, em vão, reaver a nacionalidade portuguesa e que esta seja atribuída ao marido, parte com Arpad para o Brasil em 1940 onde permanece até 1947. O casal fixa-se na Pensão Internacional, em Santa Teresa, local que se torna um centro de cultura e permuta de ideias. Aí convive com intelectuais e artistas como Cecília Meireles e Murilo Mendes, entre outros. O seu desenraizamento mas sobretudo a angústia da guerra reflectem-se na sua pintura. Vieira ressente-se do clima e da distância e a obra deste período reflecte, em parte, as suas inquietações: a guerra, o absurdo do Homem, a saudade. Expõe no Museu Nacional de Belas Artes (1942) e na galeria Askanazy (1944), no Rio de Janeiro. Após a reserva da crítica brasileira, é a vez de Paris ver os trabalhos de Vieira no Salon des Réalités Nouvelles de 1945. No ano seguinte, Jeanne Bucher organiza a sua primeira exposição individual em Nova Iorque, na Marian Williard Gallery. 1947 marca o regresso a Paris e o progressivo reconhecimento do seu trabalho, reforçado pela aquisição de La partie d’échecs pelo Estado francês, em 1943, e pela monografia que lhe é dedicada em 1949, por Pierre Descargues, editada pelas Presses Littéraires de France, na colecção «Artistes de ce Temps». Inicia-se, na década de 50, a participação em exposições importantes em França e no estrangeiro (Estocolmo 1950, Londres 1952, São Paulo 1953, Basileia e Veneza 1954, Caracas 1955, Londres 1957, Kassel 1959, entre outras) e a sua pintura toma um lugar de primeiro plano. O final da década é marcado pelo profundo envolvimento de Vieira e Arpad com as suas pesquisas plásticas. Constroem uma casa-atelier na rue de l’Abbé-Carton para onde se mudam em 1956, ano em que Vieira e Arpad obtêm a nacionalidade francesa. O Estado francês adquire obras suas e atribui-lhe várias condecorações, sendo a primeira em 1960 (Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres). Vieira da Silva acumula vários prémios internacionais. A partir de 1958 organizam-se retrospectivas da sua obra: Hanover e Bremen 1958, Grenoble e Turim 1964, e em 1969-1970 em Paris, Roterdão, Oslo, Basileia e Lisboa (Fundação Calouste Gulbenkian). Em Portugal, Vieira da Silva expõe na Fundação Calouste Gulbenkian em 1977, na galeria EMI-Valentim de Carvalho em 1984 e na galeria 111 em 1985. Em 1983, o Metropolitano de Lisboa propõe-lhe a decoração da estação da Cidade Universitária. Vieira da Silva escolhe uma obra de 1940, Le Métro, para reproduzir em azulejos e conta com a colaboração do pintor Manuel Cargaleiro. Em 1985 Arpad Szenes morre. Vieira confessa perceber melhor a pintura do marido agora, após a sua morte, e retoma a sua pintura. Em 1988 o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e o Centre Nacional des Arts Plastiques apresentam, em Lisboa e em Paris, uma importante exposição das suas obras. Nessa ocasião, é condecorada pelo Estado português e pelo Estado francês. Em 1989, a Casa de Serralves no Porto organiza uma exposição de obras de Vieira da Silva e de Arpad Szenes nas colecções portuguesas. Em 1990, em Lisboa, é criada a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva cujo Museu, dedicado à obra dos dois pintores, foi inaugurado em 1994. Em 1991, a pedido da pintora, é fundado o Comité homónimo, em Paris. Vieira da Silva morre a 6 de Março de 1992, em Paris. O Catálogo Raisonné da sua obra foi lançado na Fundação no mesmo ano. Pintora da Segunda Escola de Paris, Maria Helena Vieira da Silva teve um papel fundamental no panorama da arte internacional.
por Marina Bairrão Ruivo

Babilónia – Mitos e Realidades

Neo-Assyrian, 7th century BC - From Nineveh, northern IraqAdmito que seja pouco estimulante ver os danos colaterais causados pelos tanques da coligação que esteve no Iraque e que destruiram explorações arqueológicas do reinado de Nabucodonosor II, ou os restos danificados de azulejos da Porta de Ishtar, entretanto reconstruída. Mas eu gosto de filmes trágicos. Feitios!

Se tenho feitio para comer pão-de-forma com geleia e batatas fritas durante dias, para poder ver uns cacos cuneiformes? Não! Mas estou disposto a tudo para ver aquilo de perto! Tudo… menos favores…

dédicace

“Ni queue ni tête, puisque tout, au contraire, y est à la fois tête et queue, alternativement et réciproquement”

Charles Baudelaire, 1862

 

Pablo Picasso (1881 - 1973) - Tête de Femme, 1938

Pablo Picasso (1881 - 1973) - Tête de Femme, 1938

Bedeteca ideal – Cosey

Viagem a Itália, de Cosey

   

Né près de Lausanne en 1950, Bernard Cosendai commence par travailler comme graphiste dans une agence de publicité. Mais, son ambition est ailleurs: le futur «Cosey» pense en dessin, aime raconter par l’image et rêve de bande dessinée depuis ses vertes années. Un désir qui, en 1969, le conduit tout naturellement chez Derib, proche voisin et seul professionnel suisse du 9e art à l’époque. Le créateur de «Buddy Longway» et de «Yakari» devient tout à la fois son ami et son professeur. Quelques portes s’ouvrent alors devant le jeune débutant. Cosey publie les aventures du reporter «Paul Aroïd» dans le quotidien suisse «24 Heures» et, sur des scénarios d’A.P. Duchâteau, illustre trois courts épisodes de «Monfreid et Tilbury» pour le supplément «Jeunesse » du quotidien belge «Le Soir». En 1974, l’éditeur (éphémère) Publishing & Copyright lui commande son premier album: « Un Shampoing pour la Couronne» scénarisé par J. Ralf. Ces essais encore tâtonnants aboutissent en 1975 à la première grande création de Cosey à la fois narrateur et dessinateur: le flâneur des cimes «Jonathan» dans le journal «Tintin». La quête mystique de ce héros très quotidien ouvrira rapidement au Lombard, une série d’albums au succès grandissant (13 titres au Lombard). En 1985, néanmoins, il ressent le besoin de s’échapper momentanément du cadre de la série et signe, toujours au Lombard, son premier diptyque: «A la Recherche de Peter Pan» (réédité sous forme d’intégrale dans la collection “Signé” du Lombard). Ce récit très personnel, tout en émotion retenue, en non-dits et en immenses étendues neigeuses lui ouvre une porte nouvelle. En 1988, il réalise ainsi le «Voyage en Italie» pour la toute nouvelle collection «Aire Libre» des Editions Dupuis dont il devient un des best-sellers. Dans cette même collection, il réalise ensuite «Orchidea», «Saigon-Hanoï», «Joyeux Noël, May» et «Zeke raconte des Histoires»… autant de one-shots qui lui permettent de creuser son goût du voyage et son talent de portraitiste de l’âme et du silence. Parallèlement, il illustre «L’Enfant Bouddha», un texte de J. Salomé édité par Albin-Michel, il inaugure la collection «Signé» du Lombard avec «Zélie Nord-Sud», un ouvrage requis par la Coopération suisse au Développement. En 1997, après plus de deux lustres d’absence, il revient à «Jonathan». Un retour aux cimes neigeuses de l’Himalaya qui s’est également traduit par «Le Bouddha d’Azur», deux albums aux éditions Dupuis. Les modes passent et le travail élégant et subtil de Cosey demeure. Pas étonnant que, plus de vingt ans après, les lecteurs soient toujours «A la recherche de Peter Pan»…

 

The books of Cosey

 

 

fontes: http://livre.fnac.com e http://cosey.rogerklaassen.com