Archive for the ‘ Cinema ’ Category

Blade Runner – artwork by Syd Me

Blade Runner, baseado na obra de Philip K. Dick –  Do Androids Dream of Electric Sheep, é um dos filmes de ficção científica visualmente mais impressionantes alguma vez concebidos. Em 1982, a direcção de arte utilizou, para criar o visual do filme-negro do futuro, o Sketchbook Blade Runner , editado pelo criativo David Scroggy. Esgotado há muito, o livro está disponível online para deleite visual dos fãs, no Issuu. Inclui alguns dos melhores esboços de Syd Mead e do realizador Ridley Scott. Ainda hoje, passados 30 anos, Los Angeles 2019 nos parece futurista! 🙂

Para o vídeo, utilizei as imagens dos postais que integram a edição especial dos 25 anos e música da banda sonora.

Lisboa precisa do Cinema Odéon

A Assembleia Municipal aprovou ontem uma moção com o objectivo de solicitar à Secretaria de Estado da Cultura a reabertura do processo de classificação do edifício, apesar de recentemente a Câmara ter dado parecer favorável ao pedido de informação prévia apresentado pelo proprietário do Cinema para o transformar numa galeria comercial com pisos de estacionamento, arruinando os interiores da sala, que está intacta!
Não sei se são boas notícias, mas é mais um passo na tentativa de reabilitar o Odéon para a cidade!

Ligações relacionadas:
Reportagem de Patrícia Pedrosa, incluída no ‘Portugal em Directo‘ de 22 Fev 2012.
Petição Lisboa precisa do Cinema Odéon.

O Odéon situa-se na Rua dos Condes, em frente ao lisboeta Olympia e ao lado do antigo Condes, agora Hard-Rock Cafe. Inaugurado em 1027, deve ter sido modernizado com as galerias metálicas, em 1931. Estas, salientes da fachada, muito decorativas com os seus rendilhados de vidros coloridos, quase apagam o desenho em clássico do edifício.
O interior é notável pela sua grande cobertura em madeira escura, pelo palco de frontão Art Deco, pelos bojudos volumes dos camarotes, pelo lustre central, irradiando néons.
Recordo um impressivo filme sul-americano sobre os célebres sobreviventes da queda de um avião andino. Depois de milhões de fitas de Sarita Montiel, e de deslizar para o inevitável porno, detém um recorde notável: ainda hoje funciona como cinema! 
José Manuel Fernandes, in Cinemas de Portugal, 1995

João Salaviza vence Urso de Ouro para melhor curta

in http://m.publico.pt/ – 18 Fev-2012. Por Hugo Torres.

João Salaviza recebeu o Urso de Ouro das mãos do realizador Dieter Kosslick
Rafa, de João Salaviza, ganhou a competição de curtas-metragens do festival de Berlim. O realizador português volta assim a ser distinguido num dos principais festivais de cinema europeus, depois de ter ganho a Palma de Ouro em Cannes, em 2009, com Arena.
João Salaviza considera Rafa como o terceiro capítulo de uma espécie de trilogia iniciada com Arena, em 2009, e continuada com Cerro Negro (encomenda do programa Próximo Futuro da Gulbenkian), no ano passado.
A nova curta-metragem do jovem realizador português, de 27 anos, conta a história de um adolescente que se aventura do interior da sua casa do subúrbio para visitar a mãe numa prisão de Lisboa. De repente, vê-se com um bebé nas mãos, angustiadamente adulto, avançou ao ípsilon.
Para o festival de Berlim, João Salaviza montou dois trechos de apresentação do filme, o segundo dos quais pode ser visto de seguida.
RAFA teaser 02 from João Salaviza on Vimeo.
Miguel Gomes, o português que estava em competição nas longas-metragens, foi galardoado com o prémio Alfred Bauer, atribuído a um filme que abra novas perspectivas para o cinema. Este é o segundo prémio arrecadado em Berlim com Tabu, depois de ontem, sexta-feira, lhe ter sido atribuído o prémio Fipresci pela crítica internacional presente na capital alemã.
O realizador de Aquele Querido Mês de Agosto era dado como um dos favoritos para o Urso de Ouro, mas o principal galardão da Berlinale foi para Cesar Must Die, de Paolo e Vittorio Taviani (n. 1931 e 1929, respectivamente). É um novo prémio de monta no palmarés destes irmãos italianos, que em 1977 ganharam a Palma de Ouro de Cannes, com Padre Padrone e que, em 1986, foram distinguido com o Leão de Ouro, em Veneza, um prémio de carreira.
O Grande Prémio do Júri foi parar às mãos de Bence Flieghauf, que concorreu com Just the Wind. O alemão Christian Petzold foi escolhido como o melhor realizador da edição deste ano, porBarbara.
O júri das longas-metragens, presidido por Mike Leigh e composto ainda pelos realizadores Anton Corbijn, Asghar Farhadi, François Ozon, pelos actores Charlotte Gainsbourg, Jake Gyllenhaal e Barbara Sukowa e pelo escritor Boualem Sansal, começaram por atribuir uma menção especial a L’Enfant d’en Haut, de Ursula Meyer, e seguiram depois para os Ursos de Prata.
Mikkel Følsgaard (A Royall Affair) venceu o Urso para melhor actor e Rachel Mwanza (Rebel), o Urso para melhor actriz. O de melhor argumento foi para Rasmus Heisterberg e Bodil Steensen-Leth, o romancista que escreveu a narrativa original de Royal Affair. O Urso de Prata para contribuição artística foi para a direcção de fotografia de White Dear Plain, de Quan’an Wang.
Voltando à competição de curtas-metragens, o júri premiou ainda The Great Rabbit, do japonês Atsushi Wada, com o Urso de Prata. Licuri Surf, de Guille Martins, recebeu uma menção honrosa. Nas primeiras obras, foi Cowboy o principal vencedor, produção holandesa assinada por Boudewjin Koole.

“A persistência da imagem na retina”

O princípio, atribuído a Joseph-Antoine Plateau (1801-1883), traduz-se no fenómeno da velocidade de transmissão das imagens ao cérebro, que as interpreta como movimento se a sua sequência for animada. Foi essa ilusão que os Irmãos Lumière criaram através do seu Cinematógrafo com a projecção, em 28 de Dezembro de 1895, da Saída dos Trabalhadores da Fábrica Lumière. Nascia assim o cinema!

«Dream Lover»

«Odeio Valentino! Nós, os homens, todos os homens, odiamos Valentino! E estamos no direito de o odiar! Odeio o seu nariz clássico, a sua cara romana, odeio a ambiguidade do seu sorriso e o brilho dos seus dentes brancos; odeio o corte oriental dos seus olhos e esse olhar fixo e penetrante como o de Svengali; (…) odeio-o por ter feito amor no ecrã com belezas como as de Dorothy Dalton, Nita Naldi, Gloria Swanson, e porque muitas, muitas mais, dariam qualquer coisa para ter estado no lugar daquelas.»

“Voyage à travers l’impossible”, de Méliès – 1904

No dia em que se celebram os 150 anos do nascimento do realizador de “Le voyage dans la lune”  de 1902, considerado o primeiro filme de ficção científica, recordo outra criação de Georges Méliès (1861-1938):  “Voyage à travers l’impossible” de 1904.
O texto foi retirado da página de Pedro Foyos, que decidiu evocar o extraordinário percurso de vida  do “mágico do cinema”.

Na esteira de A Viagem à Lua (1902), este filme celebra historicamente a consolidação da ficção científica nos alvores maravilhosos do cinema. Georges Méliès, no apogeu da criatividade, apercebera-se que o género cativava públicos diferenciados, a começar pelas crianças, e insistiu na fórmula das viagens fantásticas pelos espaços siderais. A Viagem à Lua havia sido, de facto, um grande êxito. O pioneiro francês, sob a torrente dos incentivos e louvores arrebatados, resolveu-se, então, a levar mais longe a sua fantasia soberba.
Desta vez, a viagem seria extravagantemente impossível, incluindo uma passagem pelo Sol. Nem mais, nem menos. Nos seus quase trinta minutos de projecção,Viagem Através do Impossível é uma obra-prima da incipiente e ingénua expressão cinematográfica, com o génio de Méliès a operar magias e deslumbramentos inesperados. Anunciado, na época, como o mais fantástico filme de sempre, esta obra é claramente uma versão aumentada e melhorada de A Viagem à Lua, repetindo algumas das conceções primordiais do guião anterior, inclusive a forma como a expedição colide com o Sol (aqui representado, como sucedia com a Lua, por uma face humana, resplandecente). Os exploradores – doze sábios acompanhados das respectivas esposas – procedem do Instituto da Geografia Incoerente (!) e defrontam-se com vicissitudes inúmeras, de um cómico pueril. Quadros belos e primitivos como as quimeras infantis. De trambolhão em trambolhão, muitos desastres tresloucados (uma grande explosão, inclusive, conduzi-los-á ao hospital…), acabam por levar a bom termo o homérico cometimento, sendo acolhidos, no regresso, com frenéticas demonstrações de folia.
Com a extensão invulgar, para o tempo, de 380 metros (a popularidade da fita foi tão grande que o cineasta adicionar-lhe-ia três cenas extra, perfazendo meia hora de projecção – facto inédito), continuam a prevalecer neste filme as convenções estéticas do teatro filmado, com Méliès desdobrando-se nas funções de produtor, distribuidor, realizador, argumentista, encenador, maquetista, director do guarda-roupa e… actor. Era a época do cinema puramente artesanal. Não muito depois, sob o ímpeto suicida de concorrer com a Pathé, que começava a assentar as primeiras pedras do edifício da grande indústria cinematográfica, Méliès declinaria gradualmente para a produção caudalosa, repetitiva, excessiva e vulgar.
Naquele ano de 1904, todavia, ele era ainda o artífice quase isolado que maravilhava multidões com fantasias e trucagens nunca vistas. No seu estúdio envidraçado de Montreuil – o primeiro do mundo – pintava cenários prodigiosos que refulgiam ao Sol. As filmagens, realizadas sempre com a luz natural envolvente, subordinavam-se às coordenadas solares. Um dia, ao dar-se conta de que o Sol era, em simultâneo, a convergência e a irradiação da sua arte, pintou-o e viajou até ele. A viagem não é impossível.
Texto de Pedro Foyos

 

Terrence Malick

O realizador de ‘A Árvore da Vida‘, obra prima absoluta do cinema e um dos grandes filmes deste século, completa hoje 68 anos. 
Integrado num Ciclo paralelo à Retrospectiva Nicholas Ray, nos dias 19 e 21 de Dezembro a Cinemateca exibe  “BADLANDS” – Os Noivos Sangrentos, de 1973.

A primeira longa-metragem de Malick é um thriller inspirado num caso verídico que teve lugar nos anos 50 no sudoeste dos EUA, e ecoa o percurso de Bonnie e Clyde na década de 30. Martin Sheen e Sissy Spacek formam o par de jovens que têm de enfrentar a oposição paterna para a sua união. Daí resulta o assassinato do pai da rapariga e, depois, uma série de crimes e uma feroz perseguição, com a imprensa a explorar o carácter passional dos acontecimentos. As influências de Malick, como os seus fi lmes posteriores confi rmariam, não se reduzem a Ray; mas, depois de Ray, quem mais soube filmar assim os anos 50 e os “rebeldes sem causa”?

Nicholas Ray – Retrospectiva na Cinemateca

WE CAN’T GO HOME AGAIN – INTEGRAL NICHOLAS RAY

Em 2011 Nicholas Ray (nascido Raymond Nicholas Kienzle, no Wisconsin) faria cem anos, e a data é o pretexto para voltar a uma retrospectiva integral da sua obra, num remake revisto e aumentado do histórico Ciclo organizado pela Cinemateca em 1985. A retrospectiva, que se concluirá em Janeiro de 2012 com a projecção da versão recentemente restaurada de WE CAN’T GO HOME AGAIN (o derradeiro filme realizado por Nicholas Ray), abre no dia 2 com a primeira apresentação em Portugal do fi lme de Susan Ray (a sua última mulher) sobre Nick, DON’T EXPECT TOO MUCH, estreado no último Festival de Cinema de Veneza, à semelhança da nova versão WE CAN’T GO HOME AGAIN. É o melhor preâmbulo possível para o Ciclo: centra-se no que designa pelo “tempestuoso romance de Ray com Hollywood”, e é um retrato da vida, do trabalho e da influência de Nick Ray, com recurso a testemunhos, imagens e documentos de arquivo inéditos. É com este filme que a retrospectiva arranca, seguindo-se a íntegra da obra de Ray, de THEY LIVE BY NIGHT (1949), o seu filme de estreia que nos confronta pela primeira vez com a marginalidade das suas personagens “nunca propriamente apresentadas a este mundo em que vivemos”, a LIGHTNING OVER WATER (1980), filme de Ray e Wenders ou só filme de Wim Wenders (as opiniões divergem), já em Janeiro. Neste mês, entre os primeiros, estão os incontornáveis IN A LONELY PLACE, JOHNNY GUITAR, REBEL WITHOUT A CAUSE (pelo qual foi nomeado para um Oscar de Melhor Realizador) ou BIGGER THAN LIFE.

Mas, a par destas obras maiores, em Dezembro teremos ainda oportunidade de ver alguns dos seus filmes menos vistos como A WOMAN’S SECRET e HOT BLOOD, dois títulos que não são exibidos na Cinemateca precisamente desde a retrospectiva de 1985. O primeiro foi o filme que marcou o seu encontro com Gloria Grahame. Menosprezado pelo próprio Ray, que sempre disse ter sido obrigado a realizá-lo para satisfazer a RKO, A WOMAN’S SECRET revela muitas das qualidades que marcariam o seu trabalho futuro.
O segundo, que tem no seu centro Jane Russell, uma “proposta” de Howard Hughes, se bem que tenha sido olhado de viés por grande parte da crítica, foi descrito por Jean-Luc Godard, um dos grandes admiradores da obra de Ray, como um filme “fantasticamente belo”. Ao longo de toda a vida, sempre que lhe fizeram a sacramental pergunta sobre os filmes de que mais gostava, Ray incluiu IN A LONELY PLACE, a par de REBEL WITHOUT A CAUSE e THE LUSTY MEN. Frequentemente juntou-lhes THEY LIVE BY NIGHT e JOHNNY GUITAR. Como escreveu João Bénard da Costa a propósito de IN A LONELY PLACE (que começa por citar Bernard Eisenschitz, que dedicou a Ray uma das mais belas biografias que até hoje sobre ele foram escritas), em palavras que se podiam aplicar a todos ou quase todos os “rays”: “Filme ‘entre a espada e a parede’ como disse Eisenschitz, a um passo do abismo, do caos? É verdade. Mas nisso mesmo reside, como em todos os grandes filmes de Ray, o seu imenso fascínio. Uma só falha, ou um só excesso e toda a estrutura se desmoronaria, de tal modo se articula em torno do insólito, de tal modo são tão frágeis os seus alicerces.”
Eis uma oportunidade única para rever a obra de um dos grandes nomes do cinema clássico de Hollywood, mas também de um dos seus maiores rebeldes.
NICK RAY: ECOS, DESCENDÊNCIAS E PROLONGAMENTOS
Os filmes de Nicholas Ray despertaram paixões e ele próprio, a sua figura, pelo seu percurso, pelo seu carisma, despertou paixões. Muitos cineastas (europeus, sobretudo) o citaram expressamente. Houve mesmo quem fosse ao encontro dele, caso consagrado de Wim Wenders, que o filmou por duas vezes. E em vários, de Jarmusch a Godard, de Fassbinder a Almodóvar, a influência de Ray fez-se sentir de variadas maneiras, mais declarada ou mais subrepticiamente, enquanto homenagem directa ou enquanto inspiração longínqua. Neste Ciclo paralelo à retrospectiva Nicholas Ray que iniciamos este mês, vamos então seguir, em filmes de outros cineastas, o seu rasto, os seus “ecos, descendências e prolongamentos”. Via http://www.cinemateca.pt/

CORTEX- II Festival de Curtas-Metragens de Sintra

A segunda edição do Córtex – Festival de Curtas-Metragens de Sintra, acontecimento produzido pela Associação Cultural e Teatral Reflexo, realiza-se  entre 27 e 30 de Outubro no Centro Cultural Olga Cadaval. O Festival tem como principal objectivo estimular os Jovens Realizadores e Produtoras de Cinema!

/ / / Programação / / /

 27 de OutubroUm Dia Longo, de Sérgio Graciano | Desassossego, de Lorenzo Innocenti | Justino, de Carlos Amaral | Infinito, de André Santos, Marco Leão | A Cova, de Luís Alves | O Voo da Papoila, de Nuno Portugal | Viagem a Cabo Verde, de José Miguel Ribeiro

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28 de Outubro – Carne, de Carlos Conceição | Homenagem a quem não tem onde cair morto, de Patrick Mendes | Conto do Vento, de Cláudio Jordão | Vicky and Sam, de Nuno Rocha | O Tenente, de Rafael Martins | Nocturnos, de Aya Koretsky

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 29 de Outubro – Verónica, de António Gonçalves, Ricardo Oliveira | Pickpocket, de Joáo Figueiras | O Universo de Mya, de Miguel Clara Vasconcelos | Lisboa – Província, de Susana Nobre | Os Milionários, de Mário Gajo de Carvalho | Mariana, de Maria João Carvalho | Broken Clouds, de Yuri Alves

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30 de Outubro – Competição InternacionalLe frére, de Jullien Darras | Ctin!, de Cyrelle Trevon | Yoni e Tádeo, de Rómeo Martins

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Editado em 31 de Outubro. Via.
E os vencedores da segunda edição do Córtex são:
– Prémio para melhor Curta Internacional: “Yoni & Tadeo” de Rómeo de Melo de Martins.
– Prémio para Melhor Curta Nacional votação do público: “Viagem a Cabo Verde” de José Miguel Ribeiro.
– Prémio para Melhor Curta Nacional escolhida pelo júri: “Infinito” de André Santos e Marco Leão.

“Le voyage dans la lune”, de Méliès – 1902

Considerado o primeiro filme de ficção científica, “Le voyage dans la lune” foi inspirado na obra de Júlio Verne. O prolífico Georges Méliès (1861-1938) oferece-nos uma excitante aventura futurista, plena de animação e efeitos especiais, um regalo para a vista! – que o diga o homem da lua, que levou com a nave no olho. 🙂
A rodagem em 14 frames por minuto, em lugar das actuais 24, faz desta obra prima um filme muito à frente! 🙂