Pressinto que o mundo cresce de teus dedos
quando num clarão mortal se rasgam asas
e faces lívidas de anjos
choram suas raízes arrancadas do chão.
Quando o vento grita em teus cabelos
que não é o mar a seara que se ondula.
Quando um perfil destrói em si a noite
e o teu peito,
onde límpida era a sua côr.
Quando uma árvore frutifica a sua solidão
e se ilumina
com um súbito canto
ou um vulto quase irreal de ser tão breve.
Quando, de olhos sangrentos,
sentes nitidamente o anoitecer
e exausto abandonas a cabeça a mãos ausentes:
náufrago de veias que prolongam a terra,
transfigurado no rosto
onde a manhã te anuncia o seu regresso.
Fruto da colaboração entre o Uffizide Florença e o British Museum, a Exposição, composta por 100 desenhos de diversos artistas do Renascimento italiano, de Raphael a Leonardo, Michelangelo, Jacopo, Bellini, Fra Angelico, Ticiano e Verrocchio, ilustra a crescente importância do desenho durante o período compreendido entre 1400 e 1510. Análises recentes revelam técnicas de pensamento criativo dos artistas, em que experimentaram uma liberdade nem sempre evidente nos trabalhos finais.
Na Itália do século XV, deu-se uma importante mudança na realização dos desenhos preparatórios. Os anos de 1400 assinalam o início do Renascimento, assistindo-se ao desenvolvimento da perspectiva, um crescente interesse nas formas clássicas e um foco maior sobre o naturalismo; Os artistas começaram a apresentar, por direito próprio, desenhos como obras de arte, significando o início de uma apreciação mais ampla da obra gráfica que começava a ser recolhida e preservada. A crescente importância do desenho é evidente em obras como a alegoria da loucura humana de Mantegna, Combusta Virtus(Virtude em chamas).
No entanto, a maioria dos trabalhos expostos é constituída por estudos, destinados a não serem apresentados publicamente, uma vez que, enquanto tal, serviam para aperfeiçoar os desenhos para as pinturas, processo que permaneceu até ao século XX. Alguns estudos foram seguidos por esboços detalhados e, por vezes, concluídos com desenhos de dimensão igual à do projecto final. O estudo para a asa esquerda do retábulo A Coroação da Virgem de Lorenzo Monaco, de 1407, será exibido pela primeira vez.
A influência da arte e arquitectura clássicas foi decisiva no surgimento de uma nova abordagem por parte de pintores, escultores e arquitectos; O realismo, a representação do homem e da natureza e a utilização da perspectiva linear para criar a ilusão da forma tridimensional, foram os traços distintivos do estilo renascentista, evidenciados no álbum de desenhos do pintor veneziano Jacopo Bellini e na obra artística de Pisanello.
The importance of Leonardo in this period is reflected in the inclusion of ten drawings by him, including his celebrated pen study of a sun baked panoramic landscape that he precisely dated, 5 August 1473. This is the earliest landscape drawing in European art and the first documented work by Leonardo.
A exposição permite uma avaliação do efeito da prolongada estadia de Leonardo em Milão e de que forma influenciou o estilo de artistas locais, como Boltraffio e Solario Andrea. O Naturalismo de Leonardo da Vinci e o desejo de explorar os limites da pintura, inspirou a geração de Michelangelo e Raphael para alcançar o que ele havia esboçado no papel, mas raramente expresso em trabalhos finais.
A exposição oferece uma ampla visão do desenvolvimento do desenho por toda a Itália, com especial ênfase em Florença e Veneza. Os artistas venezianos favoreciam mais a composição tonal (os desenhos de Ticiano, por exemplo), a luz e a cor dominavam a sua abordagem ao desenho (estudo StºAgostinhodeCarpaccio), enquanto os florentinos tendiam a favorecer os contornos e o volume (como nos desenhos de Verrocchio, Credi e Leonardo). O desenho de Florença era caracterizado pela representação de movimento e expressão de emoções através da pose, como na Cabeça de Mulher de Verrochio e Criança com Gatode Leonardo. Em Veneza, a pintura era um negócio familiar, dominado pelas dinastias artísticas dos Bellini e Vivarini.
No início do século XVI, Raphael chegou a Florença. Os alicerces do estilo clássico e sua dinâmica, criados por Michelangelo e Raphael na Roma papal, foram estabelecidos em Florença durante a primeira década de 1500. Os artistas apropriaram-se e desenvolveram a pré-existente tendência artística florentina que os elevou ao mais alto patamar durante a Alta Renascença, através de obras como os estudos da Virgem com o Menino, por Raphael, e os estudosdaMadonna de Bruges, por Michelangelo.
Não existe nenhuma evidência documental que comprove se foi seguidor de Savonarola; No entanto, alguns dos trabalhos tardios de Botticelli, como A Natividade Mística, são inspirados nos seus sermões, podendo concluir-se que o artista foi atraído de forma decisiva pelo papel central que Savonarola teve nos meios político e cultural dos finais do século XV.
Tem sido sugerido que A Natividade Mística, o único trabalho existente assinado por Botticelli, foi concebida para as suas devoções privadas, ou para alguém próximo.
Não sendo uma obra convencional, pois os acontecimentos tradicionais do nascimento de Cristo, da adoração dos pastores e dos Reis Magos está ausente, esta obra inspira-se nas Profecias da Revelação de São João e inclui, simbolicamente, textos em latim e em grego.
Em A Natividade Mística, Botticelli estabelece uma ruptura com o realismo pictórico da época, patente na desproporcionada figura do Menino, obrigando a Virgem Maria a estar inclinada dentro do estábulo.
Sob a inscrição “Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade” (Lucas 2:14), os anjos no céu dançam empunhando ramos de oliveira, com os quais coroam os pastores, simbolizando a paz.
Sobre o telhado do estábulo, o Céu, que se abre para revelar o Paraíso, deixa cair algumas coroas douradas.
Os anjos que apontam para o berço seguram a inscrição “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
Em baixo, os anjos abraçam os homens, enquanto pequenos demónios emergem das profundezas.
Sandro Botticelli – A Natividade Mística, cerca de 1500
Neste The Musiciansdo pintor Caravaggio (1571-1610) – de quem no próximo ano se assinalam os quatrocentos anos da morte -, as duas figuras vistas de frente são indubitavelmente retratos, o que limita uma análise convencional da cena no âmbito nobre e clássico da composição, centrada entre a figura do tocador de alaúde e a figura recuada. O rosto entre ambos é de Caravaggio e figura da esquerda é de uma composição anterior (Jovem descascando uma pêra) da qual só existem cópias.
Caravaggio – The Musicians, 1595-96 (Metropolitan Museum of Art, New York)
Para acompanhar, um Madrigal de Thomas Morley (1557 – 1602), músico e organista inglês do período renascentista.
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Jos d’Almeida
Jos d'Almeida é um compositor de música electrónica épico sinfónica, podendo este género ser também designado como Electrónico Progressivo. Na construção de um som celestial, resultante da fusão de várias correntes musicais, JOS utiliza os sintetizadores desde o início dos anos 80.
Chuck van Zyl
Chuck van Zyl has been at his own unique style of electronic music since 1983. His musical sensibilities evoke a sense of discovery, with each endeavor marking a new frontier of sound.