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“De revolutionibus orbium coelestium”

“De revolutionibus orbium coelestium”, ou “Das revoluções das esferas celestes”, publicado no ano da morte de Nicolau Copérnico [1473 – 1543], apresentava um modelo alternativo ao Sistema Heliocêntrico de Ptolomeu.
A 5 de Março de 1616, a obra integrava o tenebroso Index Librorvm Prohibithorvm, instituído em 1559 pelo Concílio Ecuménico da Igreja Católica.

Podcast do Musica Aeterna de 28 Agosto 2010 – A história e o renascimento da Astronomia e as descobertas de Nicolau Copérnico, Tycho Brahe e Johannes Kepler

De revolutionibus orbium coelestium

“Diálogos sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo”, de Galileu

Início dos problemas com a Igreja Católica
[…] Em 1616, Galileu foi chamado a Roma, por ordem do Papa Paulo V, para ser advertido de que só poderia considerar o heliocentrismo (e a teoria de Copérnico) como mera hipótese académica (uma forma de facilitar cálculos), mas nunca como um facto. Tal advertência foi-lhe dada pelo cardeal Belarmino, que também o avisou de que o livro de Copérnico fora proibido. É de notar coragem e perseverança de Galileu, pois nesses tempos desafiar a Igreja era muito perigoso: em 1600, o monge Giordano Bruno fora queimado vivo, atado a um poste, por afirmar que o Universo podia ser infinito e que haveria muitos planetas habitados, além da própria Terra. O inquisidor foi precisamente… Roberto Belarmino, mais tarde beatificado (1923) e canonizado (1930), passando a ser Santo e conhecido como São Roberto Belarmino.

A vida continua
Galileu contém-se por algum tempo, mas por fim (c.1624) começa a escrever uma das suas maiores obras: os Diálogos sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, onde compara os sistemas geocêntrico (de Ptolomeu) e heliocêntrico (de Copérnico). O Papa desse tempo, Urbano VIII, autoriza-o a escrever esse livro desde que fale dos dois sistemas sem tomar partido pelo sistema heliocêntrico, suposto como mera hipótese. O livro é publicado em 22 de Fevereiro de 1632, mas o Papa, anteriormente amigo e admirador do sábio italiano (quando era o cardeal Maffeo Barberini), sente-se ridicularizado numa personagem do livro, defensora do geocentrismo (os inimigos de Galileu tiveram a habilidade de convencê-lo nesse sentido). A fúria do Papa é imensa e o livro é proibido: em 1633 Galileu é chamado a Roma, acorrentado se se recusar, apesar de já velho (69 anos) e doente. Ao fim de muitos e extensos interrogatórios e depois de lhe terem mostrado os instrumentos de tortura da Inquisição (o temível Santo Ofício), é forçado a negar as suas convicções. Não é queimado vivo, devido ao apreço do Papa e à influência de muitos amigos poderosos que tinha. Em vez disso é condenado a prisão perpétua, mais tarde comutada em prisão na sua casa pessoal de Arcetri, nos arredores de Florença. Sempre vigiado pelos oficiais da Inquisição.
Fontes: Portal do Astrónomo e Wikipedia

Index Librorvm Prohibithorvm

Instituída em 1559 pelo Concílio Ecuménico da Igreja Católica reunido em Trento, a lista de livros e autores proibidos visava todos os documentos heréticos que, pela sua natureza, questionassem a doutrina católica. Em plena Contra-Reforma, este foi um dos instrumentos utilizados para reafirmar a autoridade espiritual da Igreja Católica, face à crescente influência das ideias de Lutero. Este Manual de Boas Práticas teve mais de quatro dezenas de actualizações ao longo de quatro séculos, até ter sido abolido em 14 de Junho de 1966, pelo Papa Paulo VI.
Mas nem só vultos como Galileu, Copérnico, Maquiavel, Espinosa, Locke, Descartes, Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Flaubert, entre tantos outros, viram obras suas banidas ou foram convidados a reflectir sobre os seus escritos; Já Michelangelo, por volta de 1515, houvera sido questionado pelo Papa Julius II, sobre se “A Última Ceia” não teria demasiados apóstolos!

Index Librorum Prohibitorum

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