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Colecção Rau -Guido Reni

Guido Reni – David Decapitating Goliath, 1606-1607

Guido Reni (1575-1642), começou por ser admirador de Rafael, mas foi de Caravaggio que bebeu maior influência e de quem se tornaria rival.

Ao maior exemplo desse período – A cruxificação de São Pedro, 1603, seguiu-se o desenvolvimento do seu estilo pessoal, tendo como expoentes O Massacre dos Inocentes-1611 (ainda sob a influência do mestre), Aurora-1612-1614 e O Baptismo de Cristo-1623, talvez a composição mais madura da sua obra.

Aqueduto da Águas Livres – na pista do Barroco

 

Marca imponente da entrada de Lisboa
A arcaria do Aqueduto das Águas Livres revela a obra notável de engenharia hidráulica que resistiu ao Terramoto de 1755 e demonstra o papel indispensável que o Aqueduto teve para a cidade.

Descobrir os seus trajectos e a história da sua construção, que demorou quase um século e se estende por cerca de 60 km , é a proposta do Museu da Água.

Das suas nascentes, na região de Carenque-Caneças, até à
Mãe de Água das Amoreiras são, respectivamente, o ponto de partida e de chegada do passeio A Rainha Refresca-se – na pista do Barroco.


A Rainha Refresca-se
Este percurso recria o espírito barroco e proporciona a visita a locais de grande beleza ao longo das nascentes, de Caneças ao Vale de Alcântara, refazendo o percurso pelo Aqueduto das Águas Livres que a família real, a corte e o povo faziam ao deslocar-se de Mafra a Queluz.
Estamos às portas do século das luzes, a época que privilegia a razão por excelência e coloca no auge o espírito barroco onde se assiste à procura do êxtase da grandiosidade, como se se quisesse criar impressão a todo o custo.
Dá-se início a uma consciência de que a grandiosidade das obras públicas são o melhor símbolo de prestígio para o poder vigente.
As galerias do Aqueduto assemelham-se mais às alas de um convento do que a simples condutas de água.
Os respiradouros, situados ao longo das extensas galerias, oferecem um espectáculo natural de luz minimalista.
São estes jogos de luz, ar, sombra, respiração e a nobreza da pedra que tocam a imaginação e levam-nos até à “Rainha Refresca-se”.

Caminhos da Água
Com a colaboração da Quinta da Regaleira e do Palácio de Queluz os visitantes são convidados a experimentar o elemento Água nas suas três dimensões.
Entre os segredos e rituais dos Pedreiros Livres, insondáveis mistérios da Ordem dos Templários ou na promessa antiga de um Quinto Império que falta cumprir em Portugal, revela-se a verdadeira dimensão da Água enquanto símbolo esotérico na Quinta da Regaleira.
Em nenhuma época como no período áureo de D. Pedro e D. Maria, ficou tão bem demonstrada a intima ligação dos interiores do Palácio de Queluz com os seus jardins. Estes, cuidadosamente organizados, serviam os novos objectivos, ganhando um carácter eminentemente lúdico, prevendo harmoniosas e diversificadas possibilidades de fruição dos seus espaços. Em todo o jardim, dominado por lagos e cascatas, os jogos de água marcavam presença no quotidiano de exterior, ganhando novas formas e cores de acordo com a iluminação e os objectivos. Aqui o visitante encontra o elemento água enquanto “divertissment”.
Por fim o visitante tem a possibilidade de, nas nascentes do Aqueduto das Águas Livres, experimentar a água como um valor moral. O visitante é convidado a, por alguns instantes, entrar no Espírito Barroco, onde se assiste à procura do êxtase, da grandiosidade teatral, pomposa, numa ostentação de manifesto poder.<

Da Patriarcal ao Chafariz do Vinho
O Museu da Água em colaboração com o Chafariz do Vinho retomou um percurso que leva os visitantes pelas galerias subterrâneas da cidade, desde a Patriarcal (Príncipe Real) ao Chafariz do Vinho (Praça da Alegria). Este último foi recuperado e adaptado às suas novas funções de enoteca.

vista do Bairro da Serafina

Percurso Pedestre – Do Aqueduto ao Palácio Marquês da Fronteira
Com início no Aqueduto das Águas Livres, à Calçada da Quintinha, o percurso pedestre até ao Palácio Marquês da Fronteira, a S. Domingos de Benfica pretende criar uma simbiose entre o Património Ecológico e o Património Histórico- Cultural.
Atravessando o majestoso Aqueduto das Águas Livres sobre o Vale de Alcântara, os visitantes poderão contemplar uma agradável panorâmica de Lisboa entrando de seguida no Parque Florestal de Monsanto que, quer pelo seu relevo, quer pela sua área florestal, apresenta-se como um dos últimos refúgios de Lisboa.
Antes de finalizar o percurso, os visitantes são ainda convidados a apreciar a Igreja de S. Domingos de Benfica e o Palácio dos Marqueses de Fronteira.

Os Caminhos da Luz
Quando a Arte se inscreve na sua condição de matéria, tem a capacidade de reflectir momentos, acontecimentos e conjunturas que ocorrem num determinado tempo e num determinado espaço.
Neste âmbito, a construção do Aqueduto das Águas Livres é um marco na história e na arte do século XVIII e do espírito Barroco que o envolveu, talvez a maior oferenda da arte deste século, conseguindo aliar à matéria, o Espírito e a Inteligência Portuguesa da época que aí se manifestam de forma tão especial, através do que há de mais imaterial: A LUZ

Textos retirados daqui.
Post publicado também no Sétima Colina.

Fantas Paolo

Com início esta semana e até 28 do próximo mês de Abril, decorre na Cinemateca a Retrospectiva Integral da obra de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), acompanhada de um essencial Catálogo.

Simultaneamente e até 20 de Junho, poderemos ver no Espaço “39 Degraus” a Exposição de Fotografia Pasolini e o Evangelho Segundo Mateus.

Para mais detalhes deste verdadeiro acontecimento cinematográfico em Lisboa, consultar aqui o Programa.

Escritor (romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, polemista), figura pública e cineasta, Pasolini é uma das mais importantes figuras intelectuais da Itália na segunda metade do século XX. Quando abordou o cinema, já tinha quase quarenta anos e era um escritor consagrado.
Embora nunca tenha deixado de escrever e publicar, entre 1961 e 1975 a parte mais visível e comentada da sua obra foi sem dúvida o cinema. E este cinema, que compreende longas e curtas-metragens, ensaios, “apontamentos”, parábolas e obras destinadas ao grande público, segue um itinerário extremamente pessoal.
Pasolini começa por sacralizar o subproletariado nos seus dois primeiros filmes, ACCATTONE e MAMMA ROMA, nos quais há ecos longínquos do neo-realismo e que marcam a chegada do cinema moderno à Itália. Depois de uma fábula contemporânea, em que enterra as certezas do marxismo (UCCELLACCI E UCCELLINI) e de uma visão moderna e quase “política” do EVANGELHO SEGUNDO MATEUS, Pasolini parte “em busca dos povos perdidos”, como observou o crítico Adelio Ferrero: primeiro através da tragédia grega (ÉDIPO REI, MEDEIA), depois na chamada “Trilogia da Vida” (DECAMERON, OS CONTOS DE CANTERBURY e AS MIL E UMA NOITES), para chegar ao “presente enquanto horror” (SALÒ, precedido por outras duas parábolas modernas, TEOREMA e PORCILE).
Para Pasolini, o cinema nunca foi puro espectáculo, mesmo nos seus filmes de mais fácil acesso.
Como escreveu o seu biógrafo Enzo Siciliano: “Fez cinema ‘de poeta’, na acepção mais ampla mas também mais radical e pura da palavra: aquele que traz para o perímetro da visão o que estava fechado, o que não tinha nome e jazia sem ser visto; aquele que ao verbalizar mostra o que não tinha sido proferido.
Pasolini faz com que seja vista a realidade de uma vida autêntica em progressiva extinção, relegada a um passado impossível de encontrar e apartado da realidade do presente”.
O catálogo que acompanhará o Ciclo inclui textos de Pasolini e textos inéditos, ou inéditos em português, de autores italianos, franceses e portugueses.

Retirado do Programa de Março da Cinemateca

Jogos de sorte e de azar

Decididamente, o melhor é jogar na Lotaria no próximo dia 27…

Ó Francisco! Vem cá abaixo ver isto!

Quem é o Francisco?
Por acaso, até são dois! O Francisco Stromp e o meu paizinho!

Basta-me a Primavera, com um Sorriso e uma Flor

Traz-me um girassol para que o transplante
no meu árido terreno
e mostre todo o dia
ao espelho azul do céu
a ansiedade do teu rosto
amarelento

Tendem à claridade as coisas obscuras
esgotam-se os corpos num fluir
de tintas ou de músicas. Desaparecer
é então a dita das ditas

Traz-me tu a planta que conduz
aonde crescem loiras transparências
e se evapora a vida como essência
Traz-me o girassol de enlouquecidas luzes

Poema de Eugenio Montale
Desenho de Vincent Van GoghFifteen Sunflowers in a Vase, 1888

O Amigo Desconhecido

Pensar a ciência e a cultura de forma interdisciplinar, é um exercício difícil de continuar, pelo menos com a luminosidade e o rigor de Fernando Gil.

“As disciplinas estabelecem a mediação entre a produção e a transmissão do conhecimento. Ordenando os objectos da investigação, os problemas com os seus operadores e as suas soluções, elas constituem os «corpos de conhecimentos», gradualmente acumulados e sistematizados”.

in Mimésis e Negação – INCM, 1984

Aos meninos pais

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas –
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
“Se é que ele as criou, do que duvido.” –
“Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

Alberto Caeiro
O Guardador de Rebanhos, poema VIII

Antecâmara

Educação Liberal e Artes Liberais

Com a concepção das Sete Artes Liberais, a Idade Média deixou-nos um legado que não pode ser negligenciado; Hoje, a discussão centra-se na Educação Liberal, de matriz anglo-saxónica.
A Faculdade Europeia de Artes Liberais, na Alemanha, deve constituir um exemplo mobilizador nesta área.

Para ir lendo durante os próximos dias:

– Texto de Otto Willmann: Las Siete Artes Liberales

– Estudo do Professor Miguel Metzeltin: De la Retórica al análisis del discurso

– De artibus ac disciplinis liberalium litterarum: O Enciclopedismo Medieval

– MCTES – Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Processo de Bolonha

– Entrevista ao Professor Jorge Buescu: O que se aprende nas escolas…

Trivium

Quadrivium

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