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Colecção Rau – Siberechts

A luz fria e cintilante das paisagens e cenas de género de Jan-Siberechts ( 1627-1703), deu lugar neste Gabinete de amador a uma luminosidade mais quente, acompanhada do característico volume redondo que normalmente conferia aos corpos.

O casal coleccionador, rodeado de obras de pintura e escultura, dispostas sem ordem nem sentido, inversamente ao mosaico do chão.

A Marinha, de cunho holandês, atribuida ao também pintor de Antuérpia, Peeters; A Ordenha, característica das paisagens de Siberechts, o retrato que o jovem segura lembra o retratista Thomas Key e a grande natureza-morta de frutos, caça, macaco e gato lembra Jan Fyt – quadros dentro do quadro – representam a evocação dos seus contemporâneos.

Os tons das esculturas antigas, das paredes e dos rostos, revelam a preocupação do autor com a luz nas cenas de interior;
Mas o que me fascina neste quadro é o espelho na parede, que reflete a mão da senhora e o pequeno fio dourado, reflexo de luz na beira da mesa.

Para observar este nível de detalhe que uma obra prima merece, ou exige, é impossível ver esta Exposição en passant, ainda que signifique ter de voltar uma e outra vez.
Ainda não passei da primeira de oito salas!

A Exposição do ano

O Museu Nacional de Arte Antiga acolhe a Exposição Grandes Mestres da Pintura Europeia: De Fra Angelico a BonnardColecção Rau – 18 de Maio a 17 de Setembro

Como aqui havia referido, inaugura amanhã a consensualmente considerada mais importante Exposição do ano em Portugal.

A visita, para ser perfeita, deve incluir – se possível – um almoço no magnífico jardim do Museu.

Sobre as obras expostas, ver também este, este e este posts.

Morte de São Francisco, de Bartolomeo Carducho



Cada personagem, cuidadosamente pousada no lugar certo, como num presépio.

Os gestos e as expressões dos franciscanos, profundamente humanas, na prece e no sofrimento pela perda, em absoluto contraste com a vida que se extingue.

Os pequenos adereços, a frugalidade ascética destes homens…

Em contemplação

Colecção Rau – Canaletto


Canaletto – Saint Mark’s Square, 1740-1750

Esta obra de Canaletto (1697-1768) pertence ao período mais luminoso do pintor vedutista (de vista, paisagem, perspectiva), que se iniciou como cenógrafo.
Por esse facto, as figuras surgem salpicadas, como se de uma peça de teatro se tratasse, com a finalidade de dar vida à fachada palaciana.
É a celebração da própria história de Veneza que aqui vemos, numa grandiosa coreografia.

Colecção Rau -Guido Reni

Guido Reni – David Decapitating Goliath, 1606-1607

Guido Reni (1575-1642), começou por ser admirador de Rafael, mas foi de Caravaggio que bebeu maior influência e de quem se tornaria rival.

Ao maior exemplo desse período – A cruxificação de São Pedro, 1603, seguiu-se o desenvolvimento do seu estilo pessoal, tendo como expoentes O Massacre dos Inocentes-1611 (ainda sob a influência do mestre), Aurora-1612-1614 e O Baptismo de Cristo-1623, talvez a composição mais madura da sua obra.

Colecção Rau – Corot

Mestre impressionista da gradação de tons e margens suaves,
Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875) Le père Corot – foi percursor do trabalho de grandes pintores de paisagens, como Claude Monet e Camille Pissarro, sobre quem exerceu grande influência.

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Colecção Rau – El Greco

O Museu Nacional de Arte Antiga vai acolher a Exposição
Grandes Mestres da Pintura Europeia: De Fra Angelico a Bonnard
Colecção Rau –
18 de Maio a 17 de Setembro

As 95 obras que vão estar expostas distribuem-se da seguinte forma:

Primeiro Período: entre os séculos XV e XVIII
Número de obras: 46
Escolas representadas: italiana, flamenga, holandesa, alemã, francesa, espanhola e britânica
Autores: Fra Angelico, Bernardino Luini, António Solario, Guido Renni, Canaletto, Tiepolo, Porbus, Van Goyen, Van Ruysdael, Gerard Dou, Siberechts, Cranach, Philippe de Champaigne, Largillière, Boucher, Latour, Greuze, Fragonard, Robert, Vigée-Le Brun, El Greco, Ribera, Reynolds e Gainsborough.
Destaques: dois pequenos paineis de Fra Angelico, um retrato de Luini, um David Decapitando Golias de Renni e este excepcional
São Domingos em Oração de El Greco.

Segundo Período: Séculos XIX e XX
Número de obras: 49
Escolas representadas: impressionismo, simbolismo e nabis, fauvismo e expressionismo.
Autores: Corot, Courbet, Cézanne, Manet, Degas, Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Liebermann, Signac, Lautrec, Redon, Bonnard, Vuillard, Vlaminck, Dufy, Derain, Macke e Morandi.
Destaques: Mulher Argelina de Corot, Bacante de Courbet, Praia de Trouville de Boudin e Vista de l`Hermitage de Pissarro.

Esta Exposição, de qualidade excepcional, será certamente o acontecimento cultural mais importante do ano de 2006 em Portugal. Absolutamente imperdível.

Agradecimento a Madalena Reis do MNAA, pelos esclarecimentos prestados

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