Arquivo de Abril, 2008

Hi5 para Pais

O Portal Miúdos Seguros na Net está a programar um primeiro workshop no Porto, em princípio a 28 de Junho, que visa reflectir sobre comportamentos, contactos e conteúdos utilizados por parte dos nossos filhos através das tecnologias de informação.

antes da viagem

Robert Rauschenberg, artista norte-americano de quem vi a Exposição Viagem 70-76 em Serralves


Robert Rauschenberg, Estate – 1963
Oil and silkscreen ink on canvas
96 x 70 in. (243.8 x 177.8 cm)
Philadelphia Museum of Art

Encore Jarre…

O encore de Jarre no Coliseu de Lisboa, dedicado a… nós! 😀
Via.

valeu a pena esperar por “este” 25 de abril

Como responder quando me perguntam se gostei do Concerto? Sendo que era a primeira vez que Jean Michel Jarre tocava em Lisboa, sendo que há mais de trinta anos que ouço Oxigene, sabendo que tradicionalmente Jarre toca para multidões e que por isso é um privilégio estar num local que me é tão caro como o Coliseu de Lisboa num momento intimista como o de ontem, a resposta possível teria de ser qualquer coisa como Foi um momento mágico!

Amigos tripeiros, esqueçam lá o Guimarães-Porto e, se ainda houver bilhetes, aproveitem! Duas notas breves, para destacar que no blog de Jarre podemos ir acompanhando a digressão e que, enquanto não tenho os vídeos disponíveis para publicar – a expectativa é menor relativamente ao som, pois os vídeos serão seguramente muito bons -, temos dois cheirinhos da digressão em Espanha, Barcelona e Madrid.

stairway to heaven

Fiz estas fotos há cerca de três anos; Publico-as num momento em que a Câmara de Lisboa e a GNR celebram um protocolo de colaboração para a ligação pedonal entre o pátio B, o Largo do Carmo e os terraços do Quartel do Carmo, que acolherá o futuro Museu da GNR, com ligação às ruínas do Carmo.
A requalificação fica a cargo de Siza Vieira.

O Quartel está aberto ao público até ao próximo dia 4 de Maio

John Aquaviva – first stroke

O DJ Norte Americano John Acquaviva iniciou a carreira na década de setenta e especializou-se no House e no Techno. Já trabalhou com Mauro Picotto.
Página no MySpace

Legenda para uma fotografia


Como diluir as estrias que traem tua idade
ao irromper do que não queres lembrar,
a não ser quando tudo te repudia tanto
que em ti embebes as tuas espadas,
ansiando remir o que não clama resgate?
E ris, sorris: corola vesperal a desfolhar nas faces
um esmalte falaz que teus olhos recusam.

Injuria-te a luz, embora te defendas
num recanto que as lâmpadas receiam:
aí a música amaina, extenuada,
permite que te envolva
uma outra que de ti se evola
num tempo de que foste expulsa.

    Não são máscaras esse carmim viscoso,
    os cabelos sufocados em adornos grotescos
    e em tinta,
    o debrum crepuscular das pálpebras,
    a cilada sedenta de uma boca
    constrangida a abdicar da força da mentira.
    São em ti apelos transparentes:
    por eles te denuncias e somente
    suplicas ser, sem precisares depor
    sobre teus desígnios, teus actos.

    Que poderás dizer que todos não saibam?
    O que és não o partilharás ao exprimi-lo.
    Tuas palavras para os outros significam
    o mesmo que silêncio. E os teus gestos
    só para ti vertem um conteúdo.

    Mas reges a magia de discretos sinais:
    uma pulseira que distancia tua mão, um aroma
    a convidar para um quarto clandestino,
    um leque a ondular sobre o teu peito
    o adejo de uma dança nupcial.

    Detém-te nesse lugar, se ninguém te convida.
    Na noite, tua cama pródiga, um esquife
    que te espera sem pressa.
    Goya ou uma objectiva cruel
    iludem-se quando tentam perpetuar-te
    ao tornar-te motivo de uma tela
    tão perecível como tu.

    Mas de nada te acusam:
    apontam-te ao meu discurso desatento,
    a alguém que deseje
    conhecer o corpo turbado que dissipas.

    Poema de José BentoSilabário
    Fotografias de Pierre Molinier

    30 anos de Oxygene… finalmente respira-se!

    A menos de 100 horas de finalmente ver Jarre em Portugal, começa a instalar-se o nervoso miudinho! 🙂
    Não é um espectáculo qualquer, nem uma questão de estabelecer paralelos com outros eventos, é de outra dimensão!

    Ver e ouvir ao vivo uma obra que se ouve há 30 anos, tocada com os mesmos sintetizadores analógicos que usou na altura, é como ouvir um Stradivarius tocado por um virtuoso. Pode ser que um dia consiga ouvir o Stradivarius… 😉

    Já passou assim tanto tempo? Lembro-me perfeitamente do dia em que fui à RCA na Rua do Carmo comprar o álbum e correr para casa, como acontecia sempre com as novidades que me interessavam. Ainda hoje recordo o cheiro das capas e do vinil…

    Sempre me impressionou a meticulosa organização dos espectáculos de Jean Michel Jarre; Brutal, imaginar um milhão de pessoas na China, em Houston, em Paris…

    Tive oportunidade de o ver no concerto de Sevilha, em 1993, com o palco montado no rio. Claro que não se comparou a nenhum dos anteriores em assistência, mas a grandiosidade das produções encanta, mesmo a um não apreciador de música electrónica.

    A par de Oxygene (é óbvio que irei a correr comprar a gravação comemorativa dos 30 anos, na mesma rua mas um pouco mais acima, no sítio do costume), que considero uma obra-prima, adoro tanto o Equinoxe como os famosos Concertos na China, o bizarro Zoolook como Metamorphoses. Todos os que aqui estão reproduzidos!

    Como descobriu a música electrónica?

    Fiz primeiro o ensino clássico, depois passei por grupos de rock. E, através de um colega de liceu entrei num grupo mais experimental ligado à televisão francesa e que era dirigido pelo Pierre Schaeffer, que foi o inventor da música concreta. Foi ele quem me ensinou que a música não era apenas feita de notas e acordes, mas também de sons. E que a diferença entre o ruído e o som musical nasce da intervenção do músico.

    Essa era, contudo, uma música essencialmente experimental. A sua, depois, seguiu outro rumo…

    Dez anos antes de Oxygene trabalhava nesses domínios. Fiz vários discos falhados, música de filmes, produzi artistas… Foram trabalhos práticos, mas sabia que uma outra coisa me chamava.

    Como explica a mudança?

    Fiz Oxygene perante uma espécie de indiferença geral. Em casa, numa cozinha transformada em estúdio caseiro, minimalista, com equipamento antigo… E já dizia para mim que, um dia, o tinha de voltar a gravar com equipamento a sério.

    Daí esta nova gravação?

    Precisamente. Quando a alta definição apareceu, e sob o pretexto do 30.º aniversário, senti que tinha chegado o momento.

    Em meados dos anos 70, a música electrónica não experimental que se ouvia era, sobretudo, a alemã. Sentia que aquele não era o seu caminho?

    A pop é uma música de partilha. Mas, na época, a música electrónica era sobretudo laboratorial. Ouvia o que acontecia, mas sugeria- -me paradoxos. O primeiro que ouvi foi Walter Carlos, que sugeriu a muitas pessoas uma ambiguidade sobre os sintetizadores. Ou seja, viam-nos como instrumentos que procuravam imitar os sons de outros. E assim se passava ao lado das verdadeiras potencialidades do instrumento… A seguir chegam os alemães, que faziam uma espécie de apologia da máquina. Usavam a música electrónica de uma forma expressionista, mecânica. Sobretudo os Kraftwerk (o que não impede que adore o que fizeram). Mas era uma música fria, robótica, desumanizada.

    Procurava, antes, uma ideia de humanidade na electrónica?

    Para mim aqueles eram os instrumentos mais sensuais que conhecia. Podia com eles fazer som como quem faz culinária. E procurava fazer uma música que não vivesse da repetição de acontecimentos, que não fosse automática. Em Oxygene não há sons que se repitam, não há sequenciadores.

    Como numa peça sinfónica?

    Mais tarde reflecti sobre essa afinidade com a música clássica. A composição de Oxygene é simples, mas longe de ingénua. Era diferente do que se fazia na música electrónica da época. E essa talvez seja uma das razões objectivas que justificam o seu sucesso. Há ali qualquer coisa na qual as pessoas se encontraram de uma forma sensual e não apenas intelectual.

    Muitos associaram esta música a ambientes de ficção científica.

    De facto, mas não eu. Gosto de ficção científica. Mas a minha música não a ligo ao espaço sideral. Antes ao espaço vital, ao que nos envolve. É uma música mais da biosfera que da estratosfera. Daí o facto de, ao longo dos anos, ter feito tantos trabalhos ligados a questões ambientais, com uma mensagem ecologista sem querer dar lições como outros têm feito. O artista deve passar mensagens do ponto de vista emocional e não dogmático.

    Esperava o sucesso que o álbum obteve então?

    De modo algum! Aquela música foi recusada por quase todas as editoras. Estávamos em tempo do punk e do disco… Não sabiam que música era aquela, sem cantor, sem single. Era um ovni para a produção da época. A minha própria mãe perguntava-me porque dei o nome de um gás a um disco… Depois do sucesso, o que era negativo virou positivo. O facto de ser francês funcionou como exotismo.

    Como nasceu a sua relação com a música ao vivo em eventos ao ar livre. Outro “exotismo”?

    Esta é uma música que nem é do espaço estratosférico nem da cave (como o rock). É da biosfera, do espaço público. Além disso, vivo obcecado pelo conceito do one off, do momento que não se repete.

    Porque não deu ainda concertos em Portugal?

    Já esteve para acontecer três vezes. Uma no Terreiro do Paço, outra na Expo, esta em Lisboa. E houve planos para o Porto. Mas nenhum se concretizou ainda. E tenho de tocar em Lisboa um dia. A luz da cidade lembra-me a de Lyon, onde nasci.

    CouchSurfing 4 Homeless

    A memória não ajuda a reter
    aquele vulto, a luz que desespera
    além no escuro.
    Já tudo se apagou
    e nada importaria se salvasse
    a emoção do viver,
    pois sei que existi
    naquele território donde fui retirado
    porque chegou aquele tempo
    que era já somente, em sucessão de mármore,
    o espaço defunto de um presente.

    E o que se apagou não existe já nos olhos
    do que na esquina está
    à espera que volte o transeunte
    que antes passou ali, e ali ficara.
    Buscai no prato as moedas,
    eu não as posso ver.
    Estou aqui por elas, e não interessam.

    poema “O Mendigo do Extinto”, de Francisco Brines

    Histórias de Encantar

    Ao intervalo a engolir dois secos em casa com o eterno rival e ver como os miudos jogaram na segunda parte, terminando o jogo em cima deles com cinco golos de levantar qualquer estádio, obviamente não é todos os dias. Mas dá um gozo do caraças! 😀

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