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Filmes para alugar esta semana no blockbuster:
O Cume de Dante, Mississipi em Chamas, Vulcão, Quo Vadis..
Arquivo de Julho, 2004
Filmes para alugar esta semana no blockbuster:
O Cume de Dante, Mississipi em Chamas, Vulcão, Quo Vadis..
Àqueles que se colocam à margem do problema e lhe chamam guerra religiosa, devemos recordar os números da pior crise humanitária no mundo:
O Nuno Guerreiro chamou mais uma vez à atenção para esta catástrofe.
Pede-nos que publiquemos um post, uma simples foto sobre Darfur, para que a mensagem passe!
Permito-me recordar até onde é capaz de ir a estupidez dos homens!
No Jornal Nacional da TVI de ontem vi uma das inúmeras reportagens que se têm feito nos últimos dias sobre o país a arder.
O repórter surge de rompante frente à câmara, supostamente ainda em off, a perguntar ao cameraman qualquer coisa como “este plano é bom?”.
O objectivo era estimular o espectador para o perigo que ele corria ao fazer a reportagem, perigosamente perto das chamas que atravessavam a estrada.
No ano passado, ou há dois anos, já não me recordo, A Alta Autoridade para a Comunicação Social recomendava aos órgãos de comunicação social alguma moderação na apresentação das imagens sobre os incêndios, para não despertar ainda mais os pirómanos espalhados pelo território nacional.
Andam a dormir?!
Eu construí a casa.
Fi-la primeiro de ar.
Depois hasteei a bandeira
E deixei-a pendurada
no firmamento, na estrela,
na claridade e na escuridão.
Cimento, ferro, vidro,
eram a fábula,
valiam mais que o trigo e como o ouro,
era preciso procurar e vender,
e assim chegou um camião:
desceram sacose mais sacos,
a torre agarrou-se à terra dura- mas,
não basta, disse o construtor,
falta cimento, vidro, ferro, portas ,
e nessa noite não dormi.
Mas crescia,
cresciam as janelas
e com pouco,
com pegar no papel e trabalhar,
arremetendo-lhe com joelho e ombro
ia crescer até chegar a ser,
até poder olhar pela janela,
e parecia que com tanto saco
poderia ter tecto e subiria
e agarraria, por fim, a bandeira
que suspensa do céu agitava ainda as suas cores.
Dediquei-me às portas mais baratas,
às que morreram
e tinham sido arrancadas de suas casas,
portas sem parede, rachadas,
amontoadas nas demolições,
portas já sem memória,
sem recordação de chave,e disse: “Vinde
a mim, portas perdidas:
dar-vos-ei casa e parede
e mão que bate,
oscilareis de novo abrindo a alma,
velareis o sono de Matilde
com as vossas asas que voaram tanto.”
Então a pintura
chegou também lambendo as paredes,
vestiu-as de azul-celeste e cor-de-rosa
para que se pusessem a bailar.
Assim a torre baila,
cantam as escadas e as portas,
sobe a casa até tocar o mastro,
mas falta dinheiro:faltam pregos,
faltam aldrabas, fechaduras, mármore.
Contudo, a casa
vai subindo
e algo acontece, um latejo
circula nas suas artérias:
é talvez um serrote que navega
como um peixe na água dos sonhos
ou um martelo que pica
como um pérfido pica-pau
as tábuas do pinhal que pisaremos.
Algo acontece e a vida continua.
A casa cresce e fala,
aguenta-se nos pés,
tem roupa pendurada num andaime,
e como pelo mar a primavera
nadando como ninfa marinha
beija a areia de Valparaíso,
não pensemos mais: esta é a casa:
tudo o que lhe falta será azul,
agora só precisa de florir.
E isso é trabalho da primavera.
Pablo Neruda
No Novo Plano de Defesa Nacional, O submarino que temos vai triplicar o número de viagens de vigilância das nossas águas, entre o Alfeite e a Baía de Cascais.
Estamos muito mais seguros!

300 posts.
3000 visitas, todas luminosas!
Obrigado. Até breve!
Deixo-vos com Fernando Pessoa..
Quinto Império
Vibra, clarim, cuja voz diz.
Que outrora ergueste o grito real
Por D. João, Mestre de Aviz,
E Portugal!
Vibra, grita aquele hausto fundo
Com que impeliste, como um remo,
Em El-Rei D. João Segundo
O Império extremo!
Vibra, sem lei ou com lei,
Como aclamaste outrora em vão
O morto que hoje é vivo — El-Rei
D. Sebastião!
Vibra chamando, e aqui convoca
O inteiro exército fadado
Cuja extensão os pólos toca
Do mundo dado!
Aquele exército que é feito
Do quanto em Portugal é o mundo
E enche este mundo vasto e estreito
De ser profundo.
Para a obra que há que prometer
Ao nosso esforço alado em si,
Convoco todos sem saber
(É a Hora!) aqui!
Os que, soldados da alta glória,
Deram batalhas com um nome,
E de cuia alma a voz da história
Tem sede e fome.
E os que, pequenos e mesquinhos,
No ver e crer da externa sorte,
Convoco todos sem saber
Com vida e morte.
Sim, estes, os plebeus do Império;
Heróis sem ter para quem o ser,
Chama-os aqui, ó som etéreo
Que vibra a arder!
E, se o futuro é já presente
Na visão de quem sabe ver,
Convoca aqui eternamente
Os que hão de ser!
Todos, todos! A hora passa,
O gênio colhe-a quando vai.
Vibra! Forma outra e a mesma raça
Da que se esvai.
A todos, todos, feitos num
Que é Portugal, sem lei nem fim,
Convoca, e, erguendo-os um a um,
Vibra, clarim!
E outros, e outros, gente vária,
Oculta neste mundo misto.
Seu peito atrai, rubra e templária,
A Cruz de Cristo.
Glosam, secretos, altos motes,
Dados no idioma do Mistério —
Soldados não, mas sacerdotes,
Do Quinto império.
Aqui! Aqui! Todos que são.
O Portugal que é tudo em si,
Venham do abismo ou da ilusão,
Todos aqui!
Armada intérmina surgindo,
Sobre ondas de uma vida estranha.
Do que por haver ou do que é vindo —
É o mesmo: venha!
Vós não soubesses o que havia
No fundo incógnito da raça,
Nem como a Mão, que tudo guia,
Seus planos traça.
Mas um instinto involuntário,
Um ímpeto de Portugal,
Encheu vosso destino vário
De um dom fatal.
De um rasgo de ir além de tudo,
De passar para além de Deus,
E, abandonando o Gládio e o escudo,
Galgar os céus.
Titãs de Cristo! Cavaleiros
De uma cruzada além dos astros,
De que esses astros, aos milheiros,
São só os rastros.
Vibra, estandarte feito som,
No ar do mundo que há de ser.
Nada pequeno é justo e bom.
Vibra a vencer!
Transcende a Grécia e a sua história
Que em nosso sangue continua!
Deixa atrás Roma e a sua glória
E a Igreja sua!
Depois transcende esse furor
E a todos chama ao mundo visto.
Hereges por um Deus maior
E um novo Cristo!
Vinde aqui todos os que sois,
Sabendo-o bem, sabendo-o mal,
Poetas, ou Santos ou Heróis
De Portugal.
Não foi para servos que nascemos
De Grécia ou Roma ou de ninguém.
Tudo negamos e esquecemos:
Fomos para além.
Vibra, clarim, mais alto! Vibra!
Grita a nossa ânsia já ciente
Que o seu inteiro vôo libra
De poente a oriente.
Vibra, clarim! A todos chama!
Vibra! E tu mesmo, voz a arder,
O Portugal de Deus proclama
Com o fazer!
O Portugal feito Universo,
Que reúne, sob amplos céus,
O corpo anónimo e disperso
De Osíris, Deus.
O Portugal que se levanta
Do fundo surdo do Destino,
E, como a Grécia, obscuro canta
Baco divino.
Aquele inteiro Portugal,
Que, universal perante a Cruz,
Reza, ante à Cruz universal,
Do Deus Jesus.
E temos governo!
Já posso ir de férias..
Gostei muito de ler as palavras da encandescente.. e pedi-lhe se as podia publicar.
Aqui ficam, com o meu agradecimento.
A luz era intensa. O dia claro e brilhante.
A pele brilhava de suor.
A claridade nas gotas que corriam e as gotas eram luz.
Ela brilhava embrulhada em gotas e prazer.
Os olhos reflectiam a luz que entrava. Iluminavam mais o dia e diziam da felicidade.
A alegria rodeava-os e era fogueira acesa.
Ateavam o prazer e ardiam em gotas de prazer, suor, alegria.
Rodavam juntos e brilhavam e o dia era brilhante e escorria amor.
As gotas colavam-nos. Eram um.
Um brilho só. Uma só luz.
E no momento do abandono, da explosão, a luz foi tão intensa que atravessou as gotas de suor e decompôs-se.
E acenderam estrelas num dia claro e brilhante.
Ela levantou a mão e as estrelas brilharam na mão.
Ele tocou-lhe a mão. Tocou as estrelas.
Ela fechou a mão e guardou-o. E guardou as estrelas entre as linhas da mão.
E em dias de solidão acende as estrelas para que ele siga o trilho, o brilho e encontre o caminho.
